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Saneamento · PE

Consórcio Acciona-BRK assume saneamento de 151 cidades de Pernambuco com R$ 17,4 bi

Contrato assinado em 29 de abril leva outorga de R$ 4 bilhões; meta é universalizar água e esgoto do Recife ao Sertão do Pajeú até 2033.

Drone shot of an advanced water purification plant surrounded by trees.
Imagem ilustrativa. Foto: Amine KM / Pexels
Por Redação Radar IndústriaPublicado em · fato divulgado em 29 de abril de 20264 min de leitura

O consórcio Basa Saneamento Ambiental, formado pela espanhola Acciona e pela brasileira BRK, assinou em 29 de abril de 2026 o contrato de concessão parcial dos serviços de água e esgoto de 151 municípios de Pernambuco, do bloco batizado RMR-Pajeú, que vai da Região Metropolitana do Recife ao Sertão do Pajeú. A cerimônia aconteceu no Palácio das Princesas, no Recife, com a governadora Raquel Lyra, o presidente da Acciona, José Manuel Entrecanales, e o presidente da BRK, Alexandre Thiollier, segundo o Movimento Econômico. O consórcio vai investir R$ 17,4 bilhões no bloco.

O projeto em números

ItemValor
Investimento previsto (concessionária)R$ 17,4 bilhões
Outorga paga ao poder públicocerca de R$ 4 bilhões
Parcela da outorga paga à vista (60%)R$ 2,4 bilhões (Estado R$ 1,17 bi, municípios R$ 770 mi, Compesa R$ 448 mi)
Municípios do bloco151 (mais 9 que ainda podem aderir em até 90 dias)
Transição com a Compesa180 dias a partir da assinatura
Meta de universalização99% da população com água e 90% com esgoto até 2033

A concessionária assume a distribuição de água e o esgotamento sanitário nos municípios do bloco; a Compesa, companhia pública, segue responsável pela produção e pela reserva de água, além da fiscalização do contrato. A Região Metropolitana do Recife, que já tem uma PPP própria de coleta e tratamento de esgoto com a BRK, fica fora desta concessão.

Contexto

O leilão que definiu o vencedor do bloco RMR-Pajeú ocorreu em 18 de dezembro de 2025, segundo o Diário de Pernambuco, e somou cerca de R$ 19,3 bilhões em investimento privado previsto para os dois blocos do estado, mais R$ 10 bilhões que o governo pernambucano vai aplicar em infraestrutura, como barragens e sistemas de tratamento. O segundo bloco, batizado Sertão, com 24 municípios na microrregião do mesmo nome, foi arrematado pela gestora Pátria Investimentos, que constituiu o consórcio Vita Sertão; o contrato desse bloco foi assinado em 7 de abril de 2026, em Petrolina, com investimento de R$ 3,2 bilhões e outorga de R$ 805,8 milhões, também segundo o Diário de Pernambuco. Pernambuco soma, portanto, dois contratos de concessão parcial de saneamento assinados em menos de um mês, no maior processo do tipo já realizado no estado. Camaçari e Rondonópolis, em outros estados, também viraram sede de obra de infraestrutura mapeada pelo Radar Indústria nesta semana, mas é no Nordeste que o setor de saneamento concentra o maior volume de contratos assinados em 2026.

O que a obra deve contratar

As fontes oficiais não detalham o cronograma executivo de obras do consórcio Acciona-BRK. A lista abaixo descreve o que a execução de um contrato de distribuição de água e esgotamento sanitário desse porte costuma demandar.

  • Redes de distribuição de água e ligações domiciliares. Expansão e substituição de redes em 151 municípios, com ligação de novos imóveis à rede.
  • Redes coletoras e interceptores de esgoto. Implantação de coleta onde ainda não existe rede, para elevar o índice de esgotamento de 90% até 2033.
  • Estações de tratamento de esgoto (ETEs). Novas unidades e ampliação das existentes para atender a meta de universalização.
  • Estações elevatórias de água e esgoto. Equipamentos de bombeamento ao longo do bloco, que vai do litoral metropolitano ao semiárido do Pajeú.
  • Macromedição, hidrometração e combate a perdas. Redução de perdas na distribuição, um dos indicadores cobrados em contratos desse tipo.
  • Reposição de pavimento. Recomposição de ruas e calçadas após obras de rede nos 151 municípios.

Prazos e próximos passos

EtapaDataFonte
Leilão do bloco RMR-Pajeú18 de dezembro de 2025Diário de Pernambuco
Assinatura do contrato do bloco Sertão (Vita Sertão)7 de abril de 2026Diário de Pernambuco
Assinatura do contrato do bloco RMR-Pajeú (Basa Saneamento Ambiental)29 de abril de 2026Movimento Econômico
Fim do prazo de adesão dos 9 municípios pendentes90 dias após a assinaturaMovimento Econômico
Fim da transição operacional com a Compesa180 dias após a assinaturaMovimento Econômico
Segunda parcela da outorga (20%)6 meses após a assinaturaMovimento Econômico
Terceira parcela da outorga (20%)2 anos após o início da operaçãoMovimento Econômico
Meta de universalização de água e esgoto2033Movimento Econômico

Outras obras industriais em Pernambuco

Pernambuco concentrou nesta semana outro anúncio de peso mapeado pelo Radar Indústria: a nova fábrica de R$ 1 bilhão da Blau Farmacêutica em Cabo de Santo Agostinho. O estado também soma a obra do Trem 2 da Rnest, em Ipojuca, com R$ 12 bilhões até 2029. Mais obras em Pernambuco e outros contratos do setor aparecem no editorial de saneamento do Radar Indústria; o panorama completo de projetos privados e públicos em execução está no mapa de obras industriais em andamento.

Ficha do investimento Radar Capex
Empresa
Consórcio Basa Saneamento Ambiental (Acciona e BRK)
Local
Recife e mais 150 municípios, da Região Metropolitana ao Sertão do Pajeú, PE
Valor
R$ 17,4 bi
Fase
Obras iniciadas
Previsão
transição de 180 dias a partir de 29/04/2026; universalização até 2033
Anunciado em
29 de abril de 2026

O que isso significa para quem vende para a indústria

A assinatura do bloco RMR-Pajeú fecha, em menos de um mês, os dois contratos do maior processo de concessão de saneamento já realizado em Pernambuco, com R$ 20,6 bilhões somados entre os dois blocos. Para fornecedores, a janela mais concentrada de obras deve se abrir depois da transição de 180 dias, quando a concessionária assume sozinha a operação e precisa acelerar rede e tratamento para cumprir a meta de 90% de esgotamento até 2033. A Acciona e a BRK já operam outras concessões no Brasil, o que tende a concentrar parte da cadeia de fornecedores em empresas já credenciadas nos dois grupos, mas a extensão do bloco, do litoral metropolitano ao semiárido, abre espaço para fornecedores regionais em frentes de obra descentralizadas.

Serviços que o projeto tende a contratar:

  • Redes de distribuição de água e ligações domiciliares
  • Redes coletoras e interceptores de esgoto
  • Estações de tratamento de esgoto (ETEs)
  • Estações elevatórias de água e esgoto
  • Macromedição, hidrometração e combate a perdas
  • Reposição de pavimento

Janela: Transição de 180 dias a partir de abr/2026; obras concentradas até a meta de universalização em 2033.

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