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Siderurgia · ES

ArcelorMittal confirma até R$ 5 bilhões para laminador a frio em Tubarão

Obra de cerca de três anos e meio na Serra (ES) deve ter 3 mil trabalhadores no pico e entrar em operação no primeiro semestre de 2030.

Close-up of coiled metal sheets in an industrial factory. Precision engineering materials.
Imagem ilustrativa. Foto: Nithina Palanisamy / Pexels
Por Redação Radar IndústriaPublicado em · fato divulgado em 28 de agosto de 20265 min de leitura

A ArcelorMittal Brasil anunciou em 28 de agosto de 2026 a aprovação final de um investimento estimado entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões na Unidade Tubarão, na Serra, na Grande Vitória (ES), segundo comunicado da empresa. O valor será aplicado em dois equipamentos novos: um laminador de tiras a frio e uma linha de revestimento contínuo. As duas linhas vão transformar bobinas a quente já fabricadas na própria usina em aço laminado a frio com revestimento metálico, que tem maior resistência à corrosão. De acordo com a companhia, as obras começam ainda em 2026, levam cerca de três anos e meio e a operação está prevista para o primeiro semestre de 2030.

O projeto em números

ItemValor
Investimento estimadoR$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões (ArcelorMittal)
Equipamentoslaminador de tiras a frio e linha de revestimento contínuo (ArcelorMittal)
Capacidade da linha de revestimento560 mil toneladas por ano (ArcelorMittal)
Duração das obrascerca de três anos e meio (ArcelorMittal)
Empregos no pico da obracerca de 3 mil (ArcelorMittal)
Empregos na operaçãocerca de 450 (ArcelorMittal)
Início da operaçãoprimeiro semestre de 2030 (ArcelorMittal)
Laminação a quente existente em Tubarãoaté 4 milhões de toneladas de placas por ano (Estadão Conteúdo)

Segundo a empresa, os produtos da nova linha vão atender os setores automotivo, de construção civil e de linha branca.

Contexto

A usina de Tubarão foi inaugurada em 1983 como Companhia Siderúrgica de Tubarão e, no início, produzia apenas placas, segundo coluna de Abdo Filho em A Gazeta. De acordo com o Estadão Conteúdo, a laminação a quente começou a operar em agosto de 2002, a usina pode produzir 7,5 milhões de toneladas de placas em três altos-fornos e parte das bobinas segue para a unidade Vega, em São Francisco do Sul (SC), onde vira aço galvanizado. A mesma reportagem relatou que o laminador a frio no Espírito Santo era estudado havia pelo menos duas décadas.

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No comunicado, o presidente da ArcelorMittal Brasil e CEO de Aços Planos para a América Latina, Jorge Oliveira, apresentou o investimento como um marco do compromisso da empresa com o Espírito Santo. A companhia liga a decisão à estratégia de focar em produtos de maior valor agregado. Segundo a empresa, o consumo de aço por habitante no Brasil é de cerca de 122,5 quilos por ano, 41% abaixo da média mundial de 209 quilos.

A ArcelorMittal informa que, em 2025, comprou a Tuper, a Tekno, a Dânica e a Perfilor. No Brasil, o grupo diz ter cerca de 20 mil empregados, unidades industriais em oito estados (MG, ES, RJ, SC, CE, BA, SP e MS) e capacidade anual de 15,5 milhões de toneladas de aço bruto e 8 milhões de toneladas de minério de ferro.

O anúncio ocorre num período difícil para a siderurgia. Segundo a Tribuna Online, a ArcelorMittal Brasil fechou 2025 com prejuízo líquido de R$ 2,2 bilhões e as importações de laminados chegaram a 5,7 milhões de toneladas no ano, alta de 20,5% sobre 2024. O Brazil Journal relata que, em 2026, o governo elevou a alíquota de importação de alguns produtos e aplicou medidas antidumping, e que as importações caíram quase 18% no primeiro semestre na comparação anual. Ainda segundo a publicação, o Índice de Confiança da Indústria do Aço, do Instituto Aço Brasil, fechou agosto em 43 pontos, o menor nível desde dezembro. Analistas do BTG citados pelo Brazil Journal avaliam que a empresa mira automotivo e linha branca, segmentos em que a Usiminas é mais competitiva, e que o retorno depende de a queda das importações se manter.

O que a obra deve contratar

  • Engenharia e projeto. Linhas de laminação a frio e de revestimento costumam exigir engenharia básica e de detalhamento integrada ao fornecedor da tecnologia, com interfaces com a usina em operação.
  • Terraplenagem e fundações. Projetos desse porte costumam demandar estacas e blocos de grande carga para cadeiras de laminação, fossos e bases de equipamentos sensíveis a vibração.
  • Estrutura metálica e galpões. É provável a construção de naves industriais longas, com pontes rolantes, cobertura e fechamento lateral.
  • Montagem eletromecânica. Montagem de cadeiras, bobinadeiras, fornos e banhos de revestimento, além de tubulação de óleo, água e gases.
  • Elétrica, subestação e automação. Linhas contínuas de aço costumam exigir alimentação em média ou alta tensão, acionamentos de grande porte e sistemas de controle de processo.
  • Utilidades e meio ambiente. Tratamento de efluentes, circuitos de resfriamento e controle de emissões entram no escopo; a empresa afirmou ao Estadão Conteúdo que o projeto não deve elevar emissões nem o consumo de água do rio Santa Maria da Vitória.
  • Serviços de apoio. Com cerca de 3 mil trabalhadores no pico, segundo a empresa, a obra tende a gerar demanda por canteiro, alimentação, transporte, segurança do trabalho e alojamento na Grande Vitória.

Prazos e próximos passos

O cronograma mudou desde o primeiro anúncio. Em fevereiro de 2025, segundo o Estadão Conteúdo, a previsão era de até R$ 4 bilhões, até 2,5 mil empregos no pico e operação no primeiro semestre de 2029. O comunicado de agosto de 2026 eleva o valor para até R$ 5 bilhões, o pico para cerca de 3 mil vagas e a operação para 2030.

DataEtapa
Setembro de 2025pedido de Licença Prévia e de Licença de Instalação ao Iema (Tribuna Online)
3 de dezembro de 2025governo estadual declara o projeto prioritário pela Portaria nº 173-R (Tribuna Online)
17 de março de 2026Iema pede complementação do estudo ambiental, com 120 dias para resposta (Tribuna Online)
28 de agosto de 2026aprovação final do investimento (ArcelorMittal)
2026início das obras (ArcelorMittal)
Primeiro semestre de 2030início da operação (ArcelorMittal)

Em maio, Jorge Oliveira disse à Tribuna Online que o pedido do Iema faz parte do trâmite normal e que não havia nada que impedisse o licenciamento. A emissão das licenças não foi confirmada nas fontes consultadas. O comunicado não traz cronograma por etapa, fornecedores de equipamentos nem forma de financiamento.

Ficha do investimento Radar Capex
Empresa
ArcelorMittal Brasil
Local
Serra (Unidade Tubarão), ES
Valor
R$ 4 a 5 bi
Fase
Anúncio
Previsão
Obras a partir de 2026; operação no 1º semestre de 2030
Anunciado em
28 de agosto de 2026

O que isso significa para quem vende para a indústria

Laminador e linha de revestimento dentro de uma usina em operação é obra pesada com restrição de interface: o fornecedor precisa trabalhar ao lado de uma planta que não para. Isso favorece quem já tem cadastro e histórico em siderúrgica. Com a licença ainda não confirmada e a operação adiada para 2030, as concorrências de obra civil e montagem tendem a se concentrar a partir de 2027, e a engenharia vem antes.

Serviços que o projeto tende a contratar:

  • Fundações e bases de equipamentos pesados
  • Estrutura metálica e cobertura de galpão
  • Montagem mecânica e tubulação industrial
  • Elétrica, subestação e automação
  • Tratamento de efluentes e utilidades
  • Cadastro de fornecedor na siderúrgica

Janela: Contratações escalonadas de 2026 a 2029; o cadastro de fornecedor deve vir antes das concorrências.

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