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Energia · ES

Eneva recebe aval do MME para duas térmicas de R$ 3,5 bilhões em Presidente Kennedy (ES)

Portarias no Diário Oficial fixam o início das obras civis até setembro de 2029 e a operação comercial até agosto de 2031; cada usina soma R$ 1,77 bilhão em bens e serviços.

Gloomy industrial scene with metal pipes and valves under dark clouds.
Imagem ilustrativa. Foto: Yuri Shkoda / Pexels
Por Redação Radar IndústriaPublicado em · fato divulgado em 15 de setembro de 20264 min de leitura

A Eneva recebeu do Ministério de Minas e Energia a autorização para implantar e explorar duas usinas termelétricas a gás natural em Presidente Kennedy, no sul do Espírito Santo, com investimento estimado de R$ 3,53 bilhões. As Portarias SNTEP/MME nº 3.187 e nº 3.189, assinadas em 11 de setembro de 2026 e publicadas no Diário Oficial da União em 15 de setembro, outorgam as usinas UTE Presidente Kennedy e UTE Presidente Kennedy I à SPE Presidente Kennedy S.A. e enquadram os dois projetos no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura, o Reidi, que suspende PIS e Cofins na compra de bens e serviços para a obra.

Segundo as portarias, cada usina terá 441,6 MW de capacidade instalada e operará em ciclo aberto, com turbinas a gás. O valor de cada projeto, informado no anexo de enquadramento no Reidi, é de R$ 1,766 bilhão em bens, serviços e outros itens, já com PIS e Cofins. As duas térmicas venceram o Leilão de Reserva de Capacidade de 2026, o LRCAP, realizado pela Aneel em 18 de março, de acordo com fato relevante divulgado pela Eneva no mesmo dia.

O projeto em números

ItemValor
Investimento estimado das duas usinasR$ 3,53 bilhões (Diário Oficial)
Capacidade instalada por usina no ato de outorga441,6 MW (Diário Oficial)
Potência vendida por usina no leilão216,4 MW (Eneva)
Receita fixa anual por usinaR$ 481,26 milhões, data-base setembro de 2025 (Eneva)
Prazo do contrato de potência15 anos a partir de 1º de agosto de 2031 (Eneva)
Empregos diretos na construção em Presidente Kennedycerca de 1.000 (CDMEC, citado por A Gazeta)

Há uma diferença entre os documentos que o leitor deve conhecer. No fato relevante de março, a Eneva listou 230 MW de capacidade a ser instalada em cada usina. As portarias de setembro registram 441,6 MW por usina. A Gazeta, em reportagem de 13 de outubro, citou 216,4 MW para a UTE Presidente Kennedy e 136 MW para a UTE Presidente Kennedy I. O Radar usa os números do Diário Oficial para a capacidade e os da Eneva para a potência contratada.

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Contexto

As duas usinas fazem parte do que a Eneva chama de Hub Sudeste, ao lado da UTE Porto Norte Fluminense II B, em São Francisco de Itabapoana (RJ), e da UTE Jandaia 1. Segundo a companhia, o conjunto vendeu 1.093,5 MW no leilão, com receita fixa anual de R$ 2,44 bilhões por 15 anos. A Eneva informou que o gás das usinas virá de um novo terminal de gás natural liquefeito a ser desenvolvido pela própria empresa e que já contratou os principais equipamentos críticos de geração. O fato relevante também prevê a possibilidade de um sócio ficar com até 49% do Hub Sudeste.

No total, a Eneva contratou 5,06 GW no LRCAP 2026 e estima em R$ 18,2 bilhões o programa de investimentos para cumprir os contratos, incluindo os complexos termelétricos e os terminais de regaseificação, de acordo com o comunicado. A Gazeta informou que a empresa projeta R$ 4 bilhões em geração no Espírito Santo, somando as usinas de Presidente Kennedy e duas unidades em São Mateus, no norte do estado. O município do sul capixaba também abriga o projeto do Porto Central, já acompanhado pelo Radar. Em outra frente, a Eneva toca a ampliação do complexo do Pecém, no Ceará, tema de reportagem recente do Radar.

O que a obra deve contratar

  • Terraplenagem e fundações. Usinas de grande porte em área nova costumam exigir preparação do terreno, estaqueamento e bases de concreto para turbinas e transformadores, normalmente as primeiras frentes contratadas.
  • Montagem eletromecânica. Com os equipamentos críticos já comprados, segundo a Eneva, a montagem de turbinas, geradores e sistemas auxiliares tende a ser o maior pacote de serviços da obra.
  • Subestação e linha de conexão. As portarias obrigam a autorizada a implantar o sistema de transmissão de interesse restrito, o que tende a abrir contratos de subestação elevadora, linha e comissionamento.
  • Gás e utilidades. A ligação ao futuro terminal de GNL deve demandar dutos, estações de medição e redução de pressão, além de água de serviço e combate a incêndio.
  • Canteiro e logística. Com cerca de mil trabalhadores previstos na construção, segundo o CDMEC, alojamento, transporte e alimentação devem ser contratados na região.

Prazos e próximos passos

EtapaPrazoFonte
Leilão de Reserva de Capacidade18 de março de 2026Eneva
Outorga e enquadramento no Reidipublicados em 15 de setembro de 2026Diário Oficial
Início das obras civis das estruturasaté 19 de setembro de 2029Diário Oficial
Operação comercial das unidadesaté 1º de agosto de 2031Diário Oficial

As portarias fixam marcos intermediários, como a obtenção da licença ambiental de instalação, a comprovação do financiamento e a assinatura do contrato de fornecimento de equipamentos ou EPC. O Radar não encontrou registro de desistência ou adiamento dos projetos até a data desta publicação.

Ficha do investimento Radar Capex
Empresa
Eneva (SPE Presidente Kennedy S.A.)
Local
Presidente Kennedy, ES
Valor
R$ 3,53 bi
Fase
Licenciamento
Previsão
Obras civis até set/2029; operação comercial até ago/2031
Anunciado em
15 de setembro de 2026

O que isso significa para quem vende para a indústria

A outorga com Reidi é o sinal de que o projeto saiu da fase de leilão e entrou na de engenharia e compras. Como a Eneva diz já ter os equipamentos críticos, a disputa de fornecedores agora se concentra em obra civil, montagem eletromecânica, subestação e no ramal de gás ligado ao futuro terminal de GNL. O cronograma regulatório dá folga até 2029 para começar as estruturas, mas o terminal de gás e a entrada de um possível sócio podem antecipar ou atrasar as contratações. Empresas capixabas de montagem e caldeiraria têm janela para se cadastrar com a Eneva e com as epecistas que disputarem o pacote.

Serviços que o projeto tende a contratar:

  • Terraplenagem e fundações de turbinas
  • Montagem eletromecânica de turbogeradores
  • Subestação elevadora e linha de conexão
  • Ramal de gás e estação de medição
  • Canteiro, alojamento e transporte de equipes

Janela: Médio prazo: cadastro de fornecedores e EPC entre 2027 e 2028; obras civis até setembro de 2029.

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Fontes

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