Governo habilita trecho de R$ 2,14 bi da Ferrovia Oeste-Leste a incentivo fiscal
Portaria do Ministério dos Transportes dá à Valec benefício do Reidi para o trecho da FIOL II entre Caetité e Barreiras (BA); obra tem 71% de execução e alerta do TCU por atraso.

O Ministério dos Transportes habilitou, por meio da Portaria nº 897, de 20 de outubro de 2026, a Valec Engenharia, Construções e Ferrovias no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi) para o trecho da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL II) entre Caetité e Barreiras, na Bahia, segundo publicação no Diário Oficial da União. O ato estima o investimento do projeto em R$ 2,14 bilhões e as suspensões fiscais associadas ao incentivo em R$ 164,3 milhões.
O que muda
- Enquadramento no Reidi. A habilitação permite à Valec comprar materiais e serviços para a obra com suspensão de PIS/Cofins, segundo a Lei nº 11.488/2007 e o Decreto nº 6.144/2007, que regulam o regime.
- Escopo físico do trecho. O anexo da portaria lista 485 quilômetros de extensão aproximada, com 79,32 km de terraplenagem, 94,60 km de sublastro, 130,44 km de drenagem de plataforma, 271,46 km de superestrutura (lastro e trilhos) e 23 obras de arte especiais, como pontes e viadutos.
- Prestação de contas. A Valec tem até 30 dias para informar ao Ministério dos Transportes a conclusão do projeto ou eventual pedido de cancelamento da habilitação, conforme o artigo 2º da portaria.
Quem é afetado
A FIOL II liga Caetité a Barreiras, no oeste da Bahia, e integra o corredor Fico-Fiol, uma das obras de infraestrutura ferroviária e portuária em andamento no país, projetado para escoar até 50 milhões de toneladas por ano em grãos e minério quando estiver totalmente operacional, segundo a Agência iNFRA. A obra está sob responsabilidade da Infra S.A., estatal federal vinculada ao Ministério dos Transportes que assumiu a execução de trechos antes conduzidos pela Valec. Em março de 2026, a Infra S.A. contratou o Consórcio A.Gaspar/Vipetro por R$ 467,9 milhões para o Lote 05FC, de 35,75 quilômetros entre Guanambi e Caetité, com prazo de execução de 43 meses após a ordem de serviço, de acordo com a Agência iNFRA. O diretor de Empreendimentos da Infra S.A., André Ludolfo, disse à mesma publicação que o lote "eliminou um dos principais gargalos técnicos da ferrovia" e é "estratégico para consolidar o trecho Caetité-Barreiras".
Segundo a Agência iNFRA, a FIOL II tinha, em março de 2026, 71% de execução física e mais de 46% dos trilhos lançados, com variação por lote: mais de 55% no Lote 05 e mais de 80% no Lote 07. O Lote 05FC foi desmembrado de um lote anterior depois de restrições ambientais do Ibama no entorno do reservatório de Ceraíma; o traçado foi redesenhado para afastar a ferrovia da barragem e da vila de Ceraíma, onde vivem cerca de 700 moradores, e passou a prever um corte em rocha a cerca de 100 metros de galerias de uma mina de ametistas em Brejinho das Ametistas.
A ferrovia é uma das obras industriais em andamento na Bahia acompanhadas pelo Radar. A obra também está sob fiscalização do Tribunal de Contas da União. Em 16 de setembro de 2026, o TCU aprovou determinação para que a Infra S.A. apresente, em 30 dias, cronograma de reparo do talude da ponte sobre o Riacho Desvio de Pedras, além de recomendações para reforçar o acompanhamento do Termo de Ajustamento de Conduta do lote 6F-A e atuar junto a concessionárias e órgãos de licenciamento para destravar gargalos fundiários e ambientais, segundo a Agência iNFRA. No mesmo lote, auditores encontraram execução física de cerca de 49% contra 72,46% planejado, uma diferença superior a R$ 118 milhões, e apontaram risco de atraso adicional porque a construtora Tiisa, uma das integrantes do consórcio responsável, está em recuperação judicial.
Prazos
| Item | Dado |
|---|---|
| Publicação da habilitação ao Reidi | 22 de outubro de 2026 (DOU, Portaria nº 897) |
| Investimento estimado no projeto | R$ 2,14 bilhões |
| Suspensão fiscal estimada | R$ 164,3 milhões |
| Prazo para a Valec informar conclusão ou cancelamento | 30 dias a partir do evento |
| Contrato do Lote 05FC (Guanambi-Caetité) | R$ 467,9 milhões, 43 meses de execução, assinado em março de 2026 |
| Prazo do novo TAC do lote 6F-A | conclusão prevista para dezembro de 2027 |
O que isso significa para quem presta serviço
A habilitação ao Reidi não acrescenta obra nova à FIOL II: ela reduz o custo tributário de uma obra que já está em andamento desde 2024, o que tende a liberar caixa da Infra S.A. para destravar frentes paradas. Para fornecedores de engenharia e montagem, os pontos de entrada mais concretos continuam sendo os lotes com contrato em regime integrado (projeto e execução), como o 05FC, que ainda está no início do prazo de 43 meses e deve demandar terraplenagem, drenagem, obras de arte especiais e lançamento de superestrutura ferroviária nos próximos anos. Os próprios gargalos identificados pelo TCU, como estabilização de taludes, adequação de pontes e solução de pendências fundiárias e ambientais em áreas de caverna, apontam para serviços especializados de geotecnia, recuperação de estruturas e licenciamento ambiental, que tendem a virar contratação de curto prazo à medida que a Infra S.A. responde às determinações do tribunal. A situação da Tiisa, em recuperação judicial, é um sinal a monitorar, no mesmo padrão de outras obras industriais em andamento que o Radar acompanha: consórcios em dificuldade financeira costumam abrir espaço para subcontratação ou para a entrada de novos fornecedores em frentes travadas.
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- Quem decidiu
- Ministério dos Transportes / Infra S.A. / Valec
- Valor
- R$ 2,14 bilhões
- Vigência
- obra em execução, habilitação ao Reidi sem prazo fixo de fruição
- Publicado em
- 22 de outubro de 2026
Como isso afeta quem vende para a indústria
A portaria não é uma obra nova: é o selo fiscal que reduz o custo de uma ferrovia que já tem 71% de execução física e também já tem alerta formal do TCU por atraso. Para o fornecedor, o dado mais útil não é o incentivo em si, e sim o retrato que ele expõe: lotes com contrato recém-assinado (como o 05FC) ainda vão demandar quase quatro anos de serviço, enquanto lotes mais antigos com problema técnico ou jurídico (como o 6F-A, com a Tiisa em recuperação judicial) são candidatos a reabertura de frente de obra no curto prazo.
- Terraplenagem e drenagem de plataforma ferroviária
- Lançamento de superestrutura (lastro, dormentes e trilhos)
- Obras de arte especiais (pontes e viadutos) e recuperação de taludes
- Licenciamento ambiental e regularização fundiária em frentes de obra
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- Diário Oficial da União · Portaria nº 897, de 20 de outubro de 2026, Atlas Público / Diário Oficial da União, 22 de outubro de 2026
- INFRA S.A. contrata Consórcio por R$ 468 milhões para obras da Ferrovia FIOL II na Bahia, Atlas Público / Agência iNFRA, 6 de março de 2026
- TCU determina reparo de ponte e cobra avanço da FIOL 2, Agência iNFRA, 17 de setembro de 2026
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