R$ 348 bi em obras vão contratar manutenção e inspeção: as 10 maiores
São 64 obras em 18 estados no Mapa do Radar; refino e química somam 23 projetos e R$ 75 bilhões, e 16 obras já estão em operação.

O Mapa de obras do Radar Indústria tem, nesta edição de 20 de outubro de 2026, 64 projetos que devem contratar manutenção industrial, paradas, inspeção, pintura, jateamento e isolamento térmico. Os 50 com valor divulgado somam R$ 348 bilhões, em 18 estados. É um segmento menor em número de obras, mas com projetos grandes: as 10 maiores respondem por 87% do valor.
O data center da ByteDance no Pecém, de R$ 200 bilhões, aparece no topo e pesa 57% do total. Sem ele, o segmento é essencialmente de refino, química, celulose e mineração, plantas que precisam de inspeção e pintura durante a montagem e de contratos de manutenção pelo resto da vida útil.
As 10 maiores
| # | Empresa | Local | Valor | Fase | Prazo |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | ByteDance (TikTok) | Complexo do Pecém (CE) | R$ 200 bi | anúncio | não informado |
| 2 | Petrobras (Complexo Boaventura e Reduc) | Itaboraí e Duque de Caxias (RJ) | R$ 26 bi | anúncio | Previsto no Plano de Negócios 2025-2029; pacotes de serviços em licitação |
| 3 | Arauco | Inocência (MS) | US$ 4,6 bi | obras iniciadas | Operação no 4º trimestre de 2027; plena capacidade ao longo de 2028 |
| 4 | Petrobras (Refinaria Abreu e Lima) | Ipojuca (PE) | R$ 12 bi | obras iniciadas | Destilação 2 no fim de 2026 ou início de 2027; Trem 2 completo até 2029 |
| 5 | Vale | Vitória (ES) | R$ 12 bi | anúncio | até 2030 |
| 6 | Petrobras (RPBC) | Cubatão (SP) | R$ 6,2 bi | anúncio | obras até o fim de 2026, operação em 2030 |
| 7 | ANTT e BNDES (concessão Rota Agro Central) | Cuiabá (MT) a Porto Velho (RO), BR-070, BR-174 e BR-364 (RO) | R$ 6,1 bi | licenciamento | leilão em 17/12/2026 na B3; investimentos em 30 anos |
| 8 | Petrobras (Replan) | Paulínia (SP) | R$ 6 bi | anúncio | capacidade ampliada até 2027 |
| 9 | Eneva | São Gonçalo do Amarante (Porto do Pecém) (CE) | R$ 6 bi | obras iniciadas | píer até o fim de 2028, termelétrica em meados de 2029 |
| 10 | IG4 BTG Pactual Health Infra (PPP de escolas de Minas Gerais) | 95 escolas estaduais de Minas Gerais (MG) | R$ 5,1 bi | financiamento aprovado | concessão de 25 anos |
As 10 maiores somam R$ 304 bilhões. A ByteDance anunciou mais de R$ 200 bilhões no Complexo do Pecém, com primeiras operações em 2027, segundo a Exame. Em segundo vem a integração do Complexo Boaventura com a Reduc, no Rio de Janeiro, estimada em R$ 26 bilhões no Plano de Negócios 2025-2029 da Petrobras, com pacotes de serviços em licitação e paradas de manutenção previstas para 2026, de acordo com a Safras & Mercado. Em terceiro está a fábrica de celulose da Arauco em Inocência (MS), de US$ 4,6 bilhões, cerca de R$ 25 bilhões, que chegou a 81% das obras e prevê operação no último trimestre de 2027, com capacidade plena ao longo de 2028, segundo o Correio do Estado.
O estaleiro da Seatrium em Aracruz (ES), que fabrica módulos dos FPSOs P-84 e P-85, também está no mapa, mas fica fora do ranking porque o valor da obra não foi divulgado.
Onde estão
Fora o Ceará, o Rio de Janeiro lidera em valor, com 6 obras e R$ 32 bilhões, seguido de Mato Grosso do Sul, com 4 obras e R$ 30 bilhões, segundo o mapa. O Espírito Santo tem 3 obras e R$ 12 bilhões, todo ele na modernização da unidade da Vale em Tubarão, prevista até 2030. Em número, Minas Gerais lidera com 9 projetos, seguida de São Paulo, com 8, e Rio Grande do Sul, com 7.
| Estado | Obras no mapa | Valor somado |
|---|---|---|
| Ceará | 2 | R$ 206 bi |
| Rio de Janeiro | 6 | R$ 32,4 bi |
| Mato Grosso do Sul | 4 | R$ 30,4 bi |
| Pernambuco | 2 | R$ 13,0 bi |
| São Paulo | 8 | R$ 12,6 bi |
| Espírito Santo | 3 | R$ 12,2 bi |
Por setor, química e petróleo concentra 23 das 64 obras e R$ 75 bilhões, com quatro refinarias da Petrobras na lista: Reduc, RNEST, RPBC e Replan. Papel e celulose tem 2 obras e R$ 25 bilhões, mineração 5 e R$ 17 bilhões, e infraestrutura 7 e R$ 10 bilhões, com concessões rodoviárias como a Rota Agro Central, entre Mato Grosso e Rondônia.
O que essas obras vão contratar
O que essas obras tendem a contratar, segundo os serviços listados nas fichas do mapa:
- Paradas programadas. Refinarias e plantas químicas concentram manutenção em paradas curtas, que mobilizam centenas de profissionais de caldeiraria, mecânica e elétrica.
- Inspeção de equipamentos. Ensaios não destrutivos, inspeção de vasos de pressão e caldeiras pela NR-13 e inspeção de tubulações, exigidos na montagem e em operação.
- Pintura e jateamento. Tratamento anticorrosivo em estruturas, tanques e módulos, com peso grande em estaleiros e plantas no litoral.
- Isolamento térmico. Isolamento de tubulações e equipamentos quentes e frios, comprado junto com a montagem ou em reformas.
- Manutenção preditiva e contratos de longo prazo. Análise de vibração, termografia e contratos anuais, que nascem quando a planta entra em operação.
Quando contratar
A fase das obras mostra um segmento com duas portas. Das 64, 16 já estão em operação, a maior proporção entre os segmentos desta série: são clientes de manutenção recorrente e de paradas. Outras 20 estão com obras iniciadas, onde inspeção, pintura e isolamento entram na reta final da montagem. Há 21 em anúncio, 5 com financiamento aprovado e 2 em licenciamento.
No refino, os prazos são curtos: a Petrobras prevê ampliar a capacidade da Replan, em Paulínia (SP), até 2027, e a RPBC, em Cubatão (SP), tem obras até o fim de 2026 e operação em 2030, segundo o mapa. Na Arauco, a demanda por manutenção da nova fábrica começa com a partida, no fim de 2027.
A lista completa, com as obras menores e as que ainda não têm valor divulgado, está no Mapa de obras filtrado por manutenção, inspeção e pintura, atualizado a cada rodada do Radar.
- Empresa
- Radar Capex
- Local
- Vários estados
- Valor
- R$ 348 bi
- Fase
- Anúncio
- Previsão
- Projetos com execução entre 2026 e 2030
- Anunciado em
- 2 de julho de 2026
O que isso significa para quem vende para a indústria
Manutenção é o único segmento da série em que a obra terminada vale tanto quanto a obra em curso, porque cada planta nova vira contrato recorrente. As refinarias da Petrobras dominam o valor e compram por licitação, com pacotes de parada e de inspeção que exigem cadastro e qualificação prévios. Estaleiros e fábricas de celulose são o segundo bloco, com forte demanda de pintura anticorrosiva e isolamento. Quem quer entrar deve mirar as obras que partem em 2027, quando os contratos de manutenção pós-partida costumam ser definidos.
Serviços que o projeto tende a contratar:
- Paradas programadas de manutenção
- Inspeção de equipamentos e NR-13
- Pintura anticorrosiva e jateamento
- Isolamento térmico
- Manutenção preditiva e contratos anuais
Janela: Refinarias com paradas e ampliações em 2026 e 2027; plantas que partem em 2027, como a Arauco, definem contratos de manutenção a partir da partida.
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- Maior data center da América Latina será construído pela ByteDance no Ceará, Exame, 2 de julho de 2026
- Petrobras prevê R$ 29 bi do seu capex em R$ 33 bi em projetos de refino e petroquímica no RJ, Safras & Mercado, 3 de julho de 2025
- Megafábrica de celulose em MS chega a 81% das obras e prevê operação em 2027, Correio do Estado, 8 de outubro de 2026
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