R$ 398 bi em obras vão contratar montagem eletromecânica: as 10 maiores
São 138 obras em 20 estados no Mapa do Radar; petróleo e química somam R$ 158 bilhões e a celulose tem mais R$ 73 bilhões.

O Mapa de obras do Radar Indústria reúne, nesta edição de 20 de outubro de 2026, 138 projetos que devem contratar montagem mecânica e elétrica de equipamentos, comissionamento e partida. Os 116 com valor divulgado somam R$ 398 bilhões, em 20 estados. Diferente de outros segmentos, aqui o valor não depende de um único projeto: as 10 maiores respondem por 56% do total.
É o retrato da indústria pesada. Petróleo, química, celulose, mineração e energia dominam o topo, com projetos que montam milhares de toneladas de equipamentos e exigem equipes grandes por dois a quatro anos, segundo os prazos registrados no mapa.
As 10 maiores
| # | Empresa | Local | Valor | Fase | Prazo |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Petrobras (projeto Sergipe Águas Profundas, SEAP) | Litoral de Sergipe (bases de apoio em Aracaju, Barra dos Coqueiros, Santo Amaro das Brotas e Itaporanga d'Ajuda) (SE) | R$ 60 bi | licenciamento | propostas do trecho marítimo em 06/01/2027; obras de infraestrutura em 2027 |
| 2 | Petrobras (Complexo Boaventura e Reduc) | Itaboraí e Duque de Caxias (RJ) | R$ 26 bi | anúncio | Previsto no Plano de Negócios 2025-2029; pacotes de serviços em licitação |
| 3 | CMPC | Barra do Ribeiro (RS) | R$ 25 bi a R$ 27 bi | licenciamento | Empresa espera solução do impasse jurídico até o fim de 2026 |
| 4 | Arauco | Inocência (MS) | US$ 4,6 bi | obras iniciadas | Operação no 4º trimestre de 2027; plena capacidade ao longo de 2028 |
| 5 | Bracell | Bataguassu (MS) | R$ 20 bi | licenciamento | Obras de 38 meses; se começarem no início de 2027, vão até o 1º semestre de 2030 |
| 6 | Fortescue | São Gonçalo do Amarante (Complexo do Pecém) (CE) | R$ 18 bi | anúncio | Decisão final de investimento prevista para 2026; produção a partir do fim de 2027 |
| 7 | Acelen Renováveis | São Francisco do Conde (BA) | US$ 3 bi | financiamento aprovado | Operação prevista para 2029 |
| 8 | Petrobras (Refinaria Abreu e Lima) | Ipojuca (PE) | R$ 12 bi | obras iniciadas | Destilação 2 no fim de 2026 ou início de 2027; Trem 2 completo até 2029 |
| 9 | Vale | Vitória (ES) | R$ 12 bi | anúncio | até 2030 |
| 10 | Aneel, Leilão de Transmissão nº 4/2026 | BA, GO, MS, PB, PR, RO e SP | R$ 8,9 bi | anúncio | Leilão confirmado para 30/10/2026 (edital aprovado) |
As 10 maiores somam R$ 223 bilhões. Na frente está o projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), da Petrobras, com investimentos acima de R$ 60 bilhões em plataformas, poços e escoamento. As propostas para o trecho marítimo do gasoduto serão entregues em 6 de janeiro de 2027, e as obras de infraestrutura devem começar no mesmo ano, segundo o Movimento Econômico. O segundo é a integração do Complexo Boaventura, em Itaboraí, com a Reduc, em Duque de Caxias (RJ), estimada em R$ 26 bilhões no Plano de Negócios 2025-2029 da Petrobras, com pacotes de serviços em licitação, de acordo com a Safras & Mercado. Em terceiro aparece o projeto Natureza, da CMPC, em Barra do Ribeiro (RS): uma fábrica de celulose de 2,5 milhões de toneladas por ano, de R$ 25 bilhões a R$ 27 bilhões, travada por uma disputa judicial sobre o licenciamento ambiental. Segundo o Jornal do Comércio, o diretor-geral da empresa no Brasil, Antonio Lacerda, disse que o projeto pode ser levado para o Paraguai se a Justiça Federal não resolver a questão até o fim de 2026.
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Quero implantar em 90 dias →Fora do ranking por falta de valor divulgado, o estaleiro da Seatrium em Aracruz (ES) (módulos dos FPSOs P-84 e P-85) também está no mapa.
Onde estão
Sergipe lidera em valor, com 3 obras e R$ 60 bilhões, puxado pelo SEAP, seguido por Mato Grosso do Sul, com 10 obras e R$ 59 bilhões, e pelo Rio de Janeiro, com 8 obras e R$ 42 bilhões, segundo o mapa. Em número de projetos, São Paulo é o primeiro, com 19, e Minas Gerais o segundo, com 18. A Bahia soma 11 obras e R$ 31 bilhões.
| Estado | Obras no mapa | Valor somado |
|---|---|---|
| Sergipe | 3 | R$ 60,4 bi |
| Mato Grosso do Sul | 10 | R$ 58,5 bi |
| Rio de Janeiro | 8 | R$ 42,3 bi |
| Ceará | 7 | R$ 33,2 bi |
| São Paulo | 19 | R$ 32,3 bi |
| Bahia | 11 | R$ 30,9 bi |
Por setor, química e petróleo tem 27 obras e R$ 158 bilhões. Papel e celulose vem em seguida em valor, com 8 obras e R$ 73 bilhões, entre elas a fábrica da Arauco em Inocência (MS), de US$ 4,6 bilhões, que chegou a 81% das obras, segundo o Correio do Estado. Energia soma 14 obras e R$ 47 bilhões, mineração 12 e R$ 32 bilhões, e a agroindústria tem 25 projetos e R$ 26 bilhões.
O que essas obras vão contratar
O que essas obras tendem a contratar, segundo os serviços listados nas fichas do mapa:
- Montagem mecânica de equipamentos. Instalação de vasos, bombas, compressores, fornos, caldeiras e linhas de produção.
- Montagem elétrica e de instrumentação. Cabeamento, bandejamento, painéis e instrumentos de campo, em geral num mesmo contrato com a mecânica.
- Módulos e skids. Estaleiros e refinarias usam módulos pré-montados, o que puxa fabricação em canteiro e içamento pesado.
- Comissionamento e partida. Testes de sistemas, energização e apoio à partida, contratados nos meses finais da obra.
- Paradas e interligações. Ampliações em refinarias em operação exigem montagem em janelas curtas de parada.
Quando contratar
Das 138 obras, 58 estão em anúncio e 11 em licenciamento: nesse grupo, a montagem ainda vai ser contratada, e as EPCistas montam agora as suas listas de subcontratadas. Outras 50 estão com obras iniciadas, como a fábrica da Arauco, com operação prevista para o quarto trimestre de 2027, e o Trem 2 da Refinaria Abreu e Lima (PE), de R$ 12 bilhões, com a destilação prevista para o fim de 2026 ou início de 2027, segundo o mapa. São os canteiros em que a montagem eletromecânica chega ao pico em 2027. Há ainda 17 obras com financiamento aprovado, caso da biorrefinaria de SAF da Acelen na Bahia.
A lista completa, com as obras menores e as que ainda não têm valor divulgado, está no Mapa de obras filtrado por montagem eletromecânica, atualizado a cada rodada do Radar.
- Empresa
- Radar Capex
- Local
- Vários estados
- Valor
- R$ 398 bi
- Fase
- Anúncio
- Previsão
- Projetos com execução entre 2026 e 2030
- Anunciado em
- 8 de outubro de 2026
O que isso significa para quem vende para a indústria
Montagem eletromecânica é o segmento em que o comprador quase sempre é uma EPCista, e não o dono da obra. Por isso, o ponto de entrada é a lista de fornecedores das grandes montadoras que já estão nos canteiros de petróleo e celulose. O pico de demanda por mão de obra qualificada deve se concentrar em 2027, quando Arauco, RNEST e as obras do SEAP estarão em fase de montagem ao mesmo tempo. Projetos ainda em licenciamento, como Bracell e CMPC, são a carteira de 2028 em diante, com risco de atraso; no caso da CMPC, risco de o projeto sair do país.
Serviços que o projeto tende a contratar:
- Montagem mecânica de equipamentos
- Montagem elétrica e de instrumentação
- Fabricação e montagem de módulos e skids
- Comissionamento e partida
- Interligações em paradas de planta
Janela: Pico em 2027 nas 50 obras em andamento; os 69 projetos em anúncio e licenciamento formam a carteira de 2027 a 2030.
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- Sergipe articula incentivos fiscais para atrair obras do gasoduto de R$ 60 bilhões, Movimento Econômico, 8 de outubro de 2026
- Petrobras prevê R$ 29 bi do seu capex em R$ 33 bi em projetos de refino e petroquímica no RJ, Safras & Mercado, 3 de julho de 2025
- CMPC considera levar projeto de celulose do RS para o Paraguai, Jornal do Comércio, 22 de maio de 2026
O Radar Indústria resume os fatos publicados pelas fontes; a análise para fornecedores é nossa. Viu um erro? Escreva para redacao@radarindustria.com.br.
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