State Grid constrói linha de R$ 18 bilhões que liga Maranhão a Goiás
A linha de 1.468 km em corrente contínua de ±800 kV tem capacidade de 5 GW e atravessa 42 municípios; o MME antecipou a operação de 2030 para março de 2028.

A State Grid Brazil Holding, subsidiária da estatal chinesa State Grid, investe R$ 18,1 bilhões na construção de uma linha de transmissão de 1.468 quilômetros que vai ligar o Maranhão a Goiás, passando pelo Tocantins. É uma das maiores obras de infraestrutura elétrica em andamento no país, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME). A linha nasce na subestação de Graça Aranha, no Maranhão, e termina na subestação de Silvânia, em Goiás, de acordo com o Diário Sul Maranhense e a NSC Total.
O projeto em números
| Item | Dado |
|---|---|
| Investimento | R$ 18,1 bilhões |
| Extensão | 1.468 km (cerca de 1.500 km) |
| Tecnologia | Corrente contínua de ultra-alta tensão, ±800 kV (HVDC) |
| Capacidade | 5 GW nominais |
| Estados atravessados | Maranhão, Tocantins e Goiás |
| Municípios atravessados | 42 |
| Pontos de conexão | Subestação conversora de Graça Aranha (MA) e subestação conversora de Silvânia (GO) |
Fontes: Diário Sul Maranhense, NSC Total e CNN Brasil, todas de outubro de 2026.
Contexto
A linha foi arrematada pela State Grid na Leilão de Transmissão nº 2/2023, promovido pela Aneel, e avançou para a fase de implantação depois de obter as autorizações ambientais, segundo o Diário Sul Maranhense. O Ibama emitiu a Licença de Instalação nº 1563/2026 em 2 de junho de 2026. A obra da subestação de Silvânia começou em 2025, e a subestação de Graça Aranha recebeu autorização de início de obra no começo de 2026, de acordo com a mesma fonte.
Em outubro de 2026, a NSC Total registrou obras em andamento no canteiro da subestação de Silvânia, com movimentação de terra, fundações e sistemas de drenagem já visíveis. O jornal não soube informar o número de empregos gerados pela obra nem detalhar os municípios diretamente afetados em cada trecho.
O projeto responde a um problema concreto do sistema elétrico brasileiro: o excesso de energia solar e eólica gerada no Nordeste, que hoje é parcialmente cortado (o chamado curtailment) por falta de linhas de transmissão suficientes para escoar essa produção até os centros de consumo do Sudeste e Centro-Oeste, segundo explicou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, à CNN Brasil. "Estamos falando de um empreendimento com capacidade de transmissão de 5 GW", afirmou o ministro, ao comentar o papel da linha na ampliação do intercâmbio regional de energia.
Por isso, o MME decidiu antecipar a entrada em operação da linha de 2030 para março de 2028, segundo a CNN Brasil. A antecipação de dois anos pressiona o cronograma de obras das duas subestações conversoras e da faixa de servidão ao longo dos 1.468 km de extensão.
O que a obra deve contratar
- Fundações e montagem de torres de transmissão. Os 1.468 km de linha demandam milhares de torres ao longo da faixa entre Maranhão, Tocantins e Goiás, com fundações específicas para cada tipo de solo.
- Montagem eletromecânica das subestações conversoras. As duas pontas do sistema, em Graça Aranha e em Silvânia, convertem corrente contínua em alternada e exigem equipamentos de alta tecnologia e mão de obra especializada em HVDC.
- Lançamento de cabos condutores. Operação específica de tração e tensionamento de cabos ao longo de centenas de quilômetros, item crítico para o cronograma antecipado para 2028.
- Supressão vegetal e abertura de faixa de servidão. A obra atravessa 42 municípios e precisa liberar o corredor por onde a linha vai passar, com licenciamento ambiental próprio para cada trecho.
- Acessos e estradas de serviço. Canteiros de obra em regiões menos infraestruturadas do Maranhão e do Tocantins dependem de abertura e manutenção de vias de acesso.
- Obras civis de pátio de manobra. Terraplenagem, fundações e drenagem, como já registrado no canteiro de Silvânia, fazem parte da fase atual da obra.
Prazos e próximos passos
| Marco | Data |
|---|---|
| Leilão de Transmissão nº 2/2023 (Aneel) | 2023 |
| Início das obras da subestação de Silvânia | 2025 |
| Licença de Instalação do Ibama (nº 1563/2026) | 2 de junho de 2026 |
| Autorização de obra da subestação de Graça Aranha | Início de 2026 |
| Obras em andamento no canteiro de Silvânia | Outubro de 2026 |
| Operação prevista (antecipada pelo MME) | Março de 2028 (antes prevista para 2030) |
O que isso significa para quem presta serviço
Uma linha de transmissão de 1.468 km com prazo antecipado em dois anos tende a concentrar, num intervalo relativamente curto, uma demanda grande de mão de obra e equipamento especializado em HVDC, fundação de torres e montagem de subestações conversoras. Para empresas de engenharia e montagem do Maranhão, Tocantins e Goiás, a obra passa por 42 municípios e deve abrir frentes de trabalho descentralizadas ao longo de toda a faixa de servidão, não só nos dois pontos finais da linha.
- Empresa
- State Grid Brazil Holding
- Local
- Graça Aranha (MA) a Silvânia (GO), passando pelo Tocantins, MA
- Valor
- R$ 18,1 bilhões
- Fase
- Obras iniciadas
- Previsão
- não informada
- Anunciado em
- 19 de outubro de 2026
O que isso significa para quem vende para a indústria
A antecipação do prazo em dois anos é o dado mais relevante para quem presta serviço: um cronograma mais apertado tende a elevar a demanda simultânea por fundação de torres, montagem eletromecânica e mão de obra especializada em HVDC ao longo de toda a faixa de 1.468 km, não só nas duas subestações conversoras. Empresas de engenharia do Maranhão, Tocantins e Goiás têm uma janela concreta de contratação entre agora e 2028.
Serviços que o projeto tende a contratar:
- Fundações e montagem de torres de transmissão
- Montagem eletromecânica de subestações conversoras HVDC
- Lançamento de cabos condutores
- Supressão vegetal e abertura de faixa de servidão
- Acessos e estradas de serviço
- Obras civis de pátio de manobra
Janela: Obras em andamento nas duas subestações conversoras desde 2025/2026; cronograma apertado até a operação antecipada para março de 2028.
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- Megaobra de R$ 18 bilhões vai ligar Maranhão a Goiás com linha de transmissão de quase 1.500 km, Diário Sul Maranhense, 19 de outubro de 2026
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