Brazil Potash avança projeto de potássio de US$ 2,5 bi em Autazes (AM)
Decisão do STF em agosto manteve as licenças ambientais e acordo de energia corta US$ 33 milhões do orçamento da construção da mina, que deve suprir 20% do potássio consumido no Brasil.

A canadense Brazil Potash, dona do projeto de mineração de potássio em Autazes, no Amazonas, avançou em setembro de 2026 em pelo menos três frentes que a empresa descreve como decisivas para destravar a construção da mina: a sanção presidencial do Profert, programa federal de fomento a fertilizantes, a contratação dos pacotes de engenharia FEED para o projeto inteiro e um novo acordo de energia que reduz o orçamento inicial da obra, segundo comunicado da empresa publicado pelo site especializado Brasil Mineral em 10 de setembro de 2026. O investimento total do projeto é estimado em US$ 2,5 bilhões, de acordo com a Brazil Potash, para erguer uma mina subterrânea e uma planta de beneficiamento de silvinita capazes de produzir inicialmente até 2,4 milhões de toneladas de cloreto de potássio por ano, volume que a empresa diz suprir cerca de 20% da demanda brasileira do insumo. O Brasil importa entre 95% e 98% do potássio que consome, conforme estimativas do setor de fertilizantes citadas pelo portal NoticiasAgrícolas, o que torna Autazes a principal aposta de produção doméstica do mineral no país.
O projeto em números
| Item | Valor |
|---|---|
| Investimento total estimado | US$ 2,5 bilhões, segundo a empresa |
| Produção inicial prevista | até 2,4 milhões de toneladas de cloreto de potássio por ano, cerca de 20% da demanda nacional |
| Expansão futura (fase 2) | até 5 milhões de toneladas por ano, para cerca de 40% da demanda nacional, segundo projeções já divulgadas pela empresa |
| Captação mais recente | US$ 63,3 milhões brutos, em oferta pública de ações concluída em maio de 2026 |
| Economia com o novo acordo de energia | cerca de US$ 33 milhões retirados do orçamento inicial de construção, segundo a empresa |
| Conclusão da engenharia (FEED) | prevista para o início do 2º trimestre de 2027, segundo a empresa |
Contexto
O projeto de Autazes está em desenvolvimento desde a década passada e acumula anos de disputa judicial sobre a consulta aos indígenas Mura, que vivem próximo à área da mina. Em agosto de 2026, a Vice-Presidência do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) negou seguimento a recursos do Ministério Público Federal (MPF), da Organização das Lideranças Indígenas Mura do Careiro da Várzea (Olimcv) e da Comunidade Indígena Lago do Soares contra decisões anteriores da 6ª Turma do tribunal, que já havia reconhecido a regularidade da consulta ao povo Mura e a competência do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) para licenciar o empreendimento, segundo a Brazil Potash. Dias depois, em 18 de agosto de 2026, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, rejeitou um pedido da Defensoria Pública da União (DPU) para suspender as atividades autorizadas pelas licenças já emitidas, por não identificar risco de grave dano à ordem pública ou à economia, segundo a empresa. A Brazil Potash afirma que as decisões não alteram a situação do licenciamento e que o projeto segue amparado por licenças ambientais em vigor.
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Quero implantar em 90 dias →No campo federal, o governo sancionou em 2026 o Profert, que prevê crédito tributário sobre a produção de fertilizantes, financiamento de construção operado pelo BNDES e um piso de conteúdo nacional para fertilizantes vendidos no país, começando em 2% em 2027 e subindo a 10% até 2037, segundo a Brazil Potash. Em agosto, o vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou mais R$ 4 bilhões administrados pelo BNDES dentro de um pacote de R$ 18,5 bilhões para a indústria de fertilizantes, de acordo com o comunicado da empresa. A Brazil Potash já havia captado US$ 63,3 milhões em maio de 2026 numa oferta pública de ações, destinados ao avanço do projeto e a capital de giro, segundo reportagem da CNN Brasil. Apesar do avanço jurídico e regulatório, a própria empresa trata a construção das instalações principais como dependente do fechamento do financiamento, que por sua vez depende da conclusão do FEED.
O que a obra deve contratar
- Escavação de poços e shafts de mina subterrânea. A mina projetada é subterrânea, com acesso por poços verticais, etapa que a empresa descreve como o caminho crítico do cronograma e cujo projeto de engenharia foi contratado com a Redpath Deilmann, subconsultora da WSP UK.
- Montagem de planta de beneficiamento de silvinita. O processamento do minério bruto em cloreto de potássio concentra parte relevante do capex e deve demandar montagem eletromecânica e obras civis de grande porte, com engenharia das instalações de superfície a cargo da Wood e da Promon Engenharia.
- Usina de energia modular para a construção. A Gera Center Amazônia vai construir, financiar e operar uma usina com 45 geradores a diesel em contêineres e capacidade de até 20 MW, em modelo Build-Own-Operate, com cinco anos de fornecimento durante a obra e 23 anos como reserva depois do início da operação, segundo acordo assinado em setembro de 2026.
- Linha de transmissão e conexão ao sistema elétrico. Uma linha de transmissão planejada deve ligar o canteiro ao Sistema Interligado Nacional, segundo a empresa, reduzindo a dependência da geração a diesel no longo prazo.
- Porto fluvial e logística de insumos e produto. O escoamento da produção depende de um terminal portuário a cerca de 8 km do Rio Madeira, cujo terreno já teve preparação concluída, e de parceria logística com a Amaggi para o transporte do potássio por balsas.
Prazos e próximos passos
| Etapa | Previsão |
|---|---|
| Pacotes de engenharia FEED (WSP UK, Redpath Deilmann, Wood, Promon) | contratados até setembro de 2026 |
| Conclusão do FEED completo | início do 2º trimestre de 2027, pré-requisito para o financiamento, segundo a empresa |
| Fechamento do financiamento da construção | sem data divulgada; diligência de terceiros sobre a dívida está em andamento, segundo a Brazil Potash |
| Início das obras civis principais e escavação dos shafts | condicionado ao fechamento do financiamento, segundo a empresa |
Enquanto o financiamento não se fecha, Autazes segue como o maior projeto industrial em disputa jurídica aberta no Amazonas. A editoria de mineração do Radar acompanha o desenrolar dos recursos ligados ao povo Mura, e o mapa de obras industriais no Amazonas já reúne outros investimentos da região, caso da fábrica de comprimidos da EMS em Manaus. O mapa de obras industriais em andamento no Brasil reúne os demais projetos de mineração já mapeados pelo Radar.
- Empresa
- Brazil Potash (Potássio do Brasil)
- Local
- Autazes, AM
- Valor
- US$ 2,5 bi
- Fase
- Licenciamento
- Previsão
- FEED completo previsto para o 2º trimestre de 2027; construção das instalações principais depende do fechamento do financiamento
- Anunciado em
- 10 de setembro de 2026
O que isso significa para quem vende para a indústria
O pacote de setembro (FEED completo, Profert sancionado, linha extra do BNDES e acordo de energia) mostra a Brazil Potash tentando fechar, de uma vez, as três pré-condições que faltam para o financiamento da construção: engenharia concluída, marco regulatório favorável e custo de energia menor. Para fornecedores, a sequência de contratação deve seguir a lógica do caminho crítico: primeiro a escavação dos poços e shafts (a etapa mais longa e mais cara), depois a montagem da planta de beneficiamento e, em paralelo, a usina de energia da Gera Center e a linha de transmissão. Enquanto o financiamento não se fecha, o projeto ainda não abriu editais de obras civis principais, mas a contratação da engenharia FEED é o sinal mais forte até agora de que a Brazil Potash está se preparando para destravar a construção em 2027.
Serviços que o projeto tende a contratar:
- Escavação de poços e shafts de mina subterrânea
- Montagem de planta de beneficiamento de silvinita
- Usina de energia modular (BOO) e linha de transmissão
- Obras civis e terraplenagem
- Porto fluvial e logística de insumos controlados
Janela: Contratação de obras civis principais e escavação dos shafts só deve abrir depois do fechamento do financiamento da construção, esperado após a conclusão do FEED no 2º trimestre de 2027.
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- Brazil Potash recebe apoios em diversas áreas para avançar em Autazes, Brasil Mineral, 10 de setembro de 2026
- Brazil Potash assina acordo para reduzir capex inicial, Brasil Mineral, 14 de setembro de 2026
- TRF-1 manteve válidas decisões que reconhecem a regularidade do licenciamento, Brasil Mineral, 12 de agosto de 2026
- STF rejeita pedido da Defensoria para suspender atividades no Projeto Autazes, Brasil Mineral, 21 de agosto de 2026
- Brazil Potash capta US$ 63,3 milhões para Projeto Autazes, de fertilizantes, CNN Brasil, 9 de maio de 2026
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