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Mineração · BA

Brazil Iron avança projeto de ferro verde de R$ 30,8 bilhões na Bahia

Projeto na Chapada Diamantina (Piatã, Abaíra e Jussiape) tem 1,7 bilhão de toneladas de minério certificado e promete até 53 mil empregos na construção.

Large mining truck at a quarry in Thabazimbi, South Africa, under clear blue sky.
Imagem ilustrativa. Foto: Kefentse Molotsane / Pexels
Por Redação Radar IndústriaPublicado em · fato divulgado em 12 de março de 20264 min de leitura

A mineradora Brazil Iron avança o projeto Ferro Verde, um complexo de mineração e siderurgia de baixo carbono nos municípios de Piatã, Abaíra e Jussiape, na região da Chapada Diamantina (BA), com investimento estimado em US$ 5,7 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 30,8 bilhões, segundo a Industrial Info Resources e material institucional da própria empresa. O projeto reúne três minas a céu aberto (Conceição, Jussiape e Mocó), um ramal ferroviário de 120 quilômetros até o litoral baiano e uma planta de ferro briquetado a quente (HBI, na sigla em inglês) junto ao porto, de acordo com a Brazil Iron.

O projeto em números

ItemDado
Investimento estimadoUS$ 5,7 bilhões (cerca de R$ 30,8 bilhões)
Já investido pela empresa até 2025mais de R$ 1,7 bilhão
Recursos minerais certificados1,7 bilhão de toneladas
Produção na 1ª fase5 milhões de toneladas de concentrado por ano
Produção na 2ª fase10 milhões de toneladas por ano
Ramal ferroviário120 km até o litoral da Bahia
Empregos na construção (pico)até 53 mil diretos e indiretos
Empregos atuais no projetocerca de 240 pessoas, 133 em vagas diretas

Fontes: Industrial Info Resources, Brasil Mineral e Minera Brasil.

Contexto

A Brazil Iron descreve o Ferro Verde como o primeiro projeto do país a produzir HBI, um produto hoje fabricado apenas na Rússia, na Ucrânia e no Canadá, segundo a Minera Brasil. A tecnologia de redução direta reduz as emissões de carbono do processo em relação à rota siderúrgica tradicional a coque, de acordo com a empresa. A concessão mineral da companhia soma 433 km² na Chapada Diamantina, área que teve os recursos certificados ampliados em 24% em junho de 2025, conforme a Brazil Iron. O estudo de viabilidade do projeto deve ser concluído no primeiro trimestre de 2026 e o início das obras está previsto para o fim do mesmo ano, segundo a Industrial Info Resources. Em agosto de 2025, a empresa reuniu prefeitos e vereadores dos municípios envolvidos em Piatã para apresentar os próximos passos de diálogo com lideranças comunitárias, de acordo com o Brasil Mineral. A Brazil Iron estima ainda que o projeto gere R$ 47 bilhões em receita tributária para o estado da Bahia ao longo de sua vida útil, segundo a Minera Brasil.

A empresa descreve um conjunto de tecnologias para reduzir o impacto ambiental da operação. Um sistema de correias elétricas (IPCC, na sigla em inglês) deve substituir os caminhões a diesel entre a mina e a usina, a frota de equipamentos de apoio deve operar com baterias ou motorização híbrida diesel-elétrica, e a energia usada no beneficiamento deve vir de fontes renováveis, segundo a Brazil Iron. A companhia menciona ainda capacidade futura de usar hidrogênio na etapa de redução do minério, o que tornaria a produção de ferro com emissão líquida zero de carbono. O pelete produzido deve ter 67,5% de teor de ferro e poucos contaminantes, e o HBI final chega a cerca de 94% de pureza, de acordo com a empresa. A disposição de rejeitos também muda em relação à mineração convencional: em vez de barragens, o projeto prevê empilhamento a seco, tecnologia que elimina o risco de rompimento de barragem. O Ferro Verde se insere em um ciclo mais amplo de investimento em mineração na Bahia, que a própria Brazil Iron estima em cerca de US$ 9 bilhões somando vários projetos no estado.

O que a obra deve contratar

  • Abertura de mina a céu aberto. Escavação, perfuração e desmonte de rocha nas três cavas de Conceição, Jussiape e Mocó devem concentrar a primeira onda de contratação de terraplenagem e movimentação de terra.
  • Obras civis do ramal ferroviário. Os 120 km de nova linha até o litoral baiano devem demandar terraplenagem, drenagem, obras de arte e montagem de superestrutura ferroviária.
  • Usina de beneficiamento e pelotização. A planta que vai concentrar o minério antes do transporte deve contratar montagem eletromecânica, estruturas metálicas e tubulação industrial.
  • Planta de redução direta (HBI). A fábrica de ferro briquetado junto ao porto é a etapa mais complexa do projeto e deve exigir montagem de fornos, caldeiraria e instrumentação especializada, já que é a primeira unidade do tipo no país.
  • Subestações e linhas de energia renovável. O abastecimento elétrico das operações, que a empresa descreve como baseado em fontes renováveis, deve contratar obras de subestação e linhas de transmissão.
  • Empilhamento a seco de rejeitos. A eliminação de barragens convencionais em favor de disposição a seco deve gerar obras de engenharia geotécnica específicas.

Prazos e próximos passos

EtapaPrevisão
Conclusão do estudo de viabilidade1º trimestre de 2026
Início das obrasfim de 2026
Início da operação2031, segundo a Industrial Info Resources
Ficha do investimento Radar Capex
Empresa
Brazil Iron
Local
Piatã (BA), BA
Valor
R$ 30,8 bilhões
Fase
Anúncio
Previsão
não informada
Anunciado em
12 de março de 2026

O que isso significa para quem vende para a indústria

O calendário encadeado (viabilidade concluída ainda em 2026, obras começando no fim do mesmo ano) indica que a Brazil Iron já trata o licenciamento como etapa avançada, e não como barreira em aberto. A divisão em três minas e uma planta de HBI inédita no país deve exigir fornecedores dispostos a mobilizar equipe para uma região do interior da Bahia com pouca infraestrutura industrial prévia, o que tende a valorizar quem já atendeu obras de mineração na Chapada Diamantina ou no litoral baiano. A meta de dobrar a capacidade na 2ª fase, de 5 para 10 milhões de toneladas por ano, sinaliza uma segunda onda de contratação de obra depois da entrada em operação da 1ª fase.

Serviços que o projeto tende a contratar:

  • Abertura de mina a céu aberto e desmonte de rocha
  • Obras civis e montagem do ramal ferroviário de 120 km
  • Montagem de usina de beneficiamento e pelotização
  • Montagem de planta de redução direta (HBI)
  • Subestações e linhas de energia renovável
  • Engenharia geotécnica para empilhamento a seco de rejeitos

Janela: A abertura de mina e as obras civis do ramal ferroviário devem ganhar ritmo a partir do fim de 2026, conforme a Brazil Iron conclui o estudo de viabilidade e avança para a contratação de obra.

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