Brazil Iron avança projeto de ferro verde de R$ 30,8 bilhões na Bahia
Projeto na Chapada Diamantina (Piatã, Abaíra e Jussiape) tem 1,7 bilhão de toneladas de minério certificado e promete até 53 mil empregos na construção.

A mineradora Brazil Iron avança o projeto Ferro Verde, um complexo de mineração e siderurgia de baixo carbono nos municípios de Piatã, Abaíra e Jussiape, na região da Chapada Diamantina (BA), com investimento estimado em US$ 5,7 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 30,8 bilhões, segundo a Industrial Info Resources e material institucional da própria empresa. O projeto reúne três minas a céu aberto (Conceição, Jussiape e Mocó), um ramal ferroviário de 120 quilômetros até o litoral baiano e uma planta de ferro briquetado a quente (HBI, na sigla em inglês) junto ao porto, de acordo com a Brazil Iron.
O projeto em números
| Item | Dado |
|---|---|
| Investimento estimado | US$ 5,7 bilhões (cerca de R$ 30,8 bilhões) |
| Já investido pela empresa até 2025 | mais de R$ 1,7 bilhão |
| Recursos minerais certificados | 1,7 bilhão de toneladas |
| Produção na 1ª fase | 5 milhões de toneladas de concentrado por ano |
| Produção na 2ª fase | 10 milhões de toneladas por ano |
| Ramal ferroviário | 120 km até o litoral da Bahia |
| Empregos na construção (pico) | até 53 mil diretos e indiretos |
| Empregos atuais no projeto | cerca de 240 pessoas, 133 em vagas diretas |
Fontes: Industrial Info Resources, Brasil Mineral e Minera Brasil.
Contexto
A Brazil Iron descreve o Ferro Verde como o primeiro projeto do país a produzir HBI, um produto hoje fabricado apenas na Rússia, na Ucrânia e no Canadá, segundo a Minera Brasil. A tecnologia de redução direta reduz as emissões de carbono do processo em relação à rota siderúrgica tradicional a coque, de acordo com a empresa. A concessão mineral da companhia soma 433 km² na Chapada Diamantina, área que teve os recursos certificados ampliados em 24% em junho de 2025, conforme a Brazil Iron. O estudo de viabilidade do projeto deve ser concluído no primeiro trimestre de 2026 e o início das obras está previsto para o fim do mesmo ano, segundo a Industrial Info Resources. Em agosto de 2025, a empresa reuniu prefeitos e vereadores dos municípios envolvidos em Piatã para apresentar os próximos passos de diálogo com lideranças comunitárias, de acordo com o Brasil Mineral. A Brazil Iron estima ainda que o projeto gere R$ 47 bilhões em receita tributária para o estado da Bahia ao longo de sua vida útil, segundo a Minera Brasil.
A empresa descreve um conjunto de tecnologias para reduzir o impacto ambiental da operação. Um sistema de correias elétricas (IPCC, na sigla em inglês) deve substituir os caminhões a diesel entre a mina e a usina, a frota de equipamentos de apoio deve operar com baterias ou motorização híbrida diesel-elétrica, e a energia usada no beneficiamento deve vir de fontes renováveis, segundo a Brazil Iron. A companhia menciona ainda capacidade futura de usar hidrogênio na etapa de redução do minério, o que tornaria a produção de ferro com emissão líquida zero de carbono. O pelete produzido deve ter 67,5% de teor de ferro e poucos contaminantes, e o HBI final chega a cerca de 94% de pureza, de acordo com a empresa. A disposição de rejeitos também muda em relação à mineração convencional: em vez de barragens, o projeto prevê empilhamento a seco, tecnologia que elimina o risco de rompimento de barragem. O Ferro Verde se insere em um ciclo mais amplo de investimento em mineração na Bahia, que a própria Brazil Iron estima em cerca de US$ 9 bilhões somando vários projetos no estado.
O que a obra deve contratar
- Abertura de mina a céu aberto. Escavação, perfuração e desmonte de rocha nas três cavas de Conceição, Jussiape e Mocó devem concentrar a primeira onda de contratação de terraplenagem e movimentação de terra.
- Obras civis do ramal ferroviário. Os 120 km de nova linha até o litoral baiano devem demandar terraplenagem, drenagem, obras de arte e montagem de superestrutura ferroviária.
- Usina de beneficiamento e pelotização. A planta que vai concentrar o minério antes do transporte deve contratar montagem eletromecânica, estruturas metálicas e tubulação industrial.
- Planta de redução direta (HBI). A fábrica de ferro briquetado junto ao porto é a etapa mais complexa do projeto e deve exigir montagem de fornos, caldeiraria e instrumentação especializada, já que é a primeira unidade do tipo no país.
- Subestações e linhas de energia renovável. O abastecimento elétrico das operações, que a empresa descreve como baseado em fontes renováveis, deve contratar obras de subestação e linhas de transmissão.
- Empilhamento a seco de rejeitos. A eliminação de barragens convencionais em favor de disposição a seco deve gerar obras de engenharia geotécnica específicas.
Prazos e próximos passos
| Etapa | Previsão |
|---|---|
| Conclusão do estudo de viabilidade | 1º trimestre de 2026 |
| Início das obras | fim de 2026 |
| Início da operação | 2031, segundo a Industrial Info Resources |
- Empresa
- Brazil Iron
- Local
- Piatã (BA), BA
- Valor
- R$ 30,8 bilhões
- Fase
- Anúncio
- Previsão
- não informada
- Anunciado em
- 12 de março de 2026
O que isso significa para quem vende para a indústria
O calendário encadeado (viabilidade concluída ainda em 2026, obras começando no fim do mesmo ano) indica que a Brazil Iron já trata o licenciamento como etapa avançada, e não como barreira em aberto. A divisão em três minas e uma planta de HBI inédita no país deve exigir fornecedores dispostos a mobilizar equipe para uma região do interior da Bahia com pouca infraestrutura industrial prévia, o que tende a valorizar quem já atendeu obras de mineração na Chapada Diamantina ou no litoral baiano. A meta de dobrar a capacidade na 2ª fase, de 5 para 10 milhões de toneladas por ano, sinaliza uma segunda onda de contratação de obra depois da entrada em operação da 1ª fase.
Serviços que o projeto tende a contratar:
- Abertura de mina a céu aberto e desmonte de rocha
- Obras civis e montagem do ramal ferroviário de 120 km
- Montagem de usina de beneficiamento e pelotização
- Montagem de planta de redução direta (HBI)
- Subestações e linhas de energia renovável
- Engenharia geotécnica para empilhamento a seco de rejeitos
Janela: A abertura de mina e as obras civis do ramal ferroviário devem ganhar ritmo a partir do fim de 2026, conforme a Brazil Iron conclui o estudo de viabilidade e avança para a contratação de obra.
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- Billions could be invested in Brazil's mining industry by 2032, Industrial Info Resources, 12 de março de 2026
- Projeto Ferro Verde vai gerar mais de 55 mil empregos na Bahia, Brasil Mineral, 25 de agosto de 2025
- Brazil Iron investe US$ 5 bi na produção de "ferro verde" na Bahia, Minera Brasil, 13 de dezembro de 2024
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