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Farma e saúde · PE

Hemobrás amplia fábrica de Goiana (PE) com R$ 850 milhões do Novo PAC

Fase VII executa R$ 150 milhões em 2026 para a primeira linha própria de imunoglobulina; 47 dos 104 equipamentos já foram entregues.

Modern laboratory with microscope, monitor, and office equipment on desk.
Imagem ilustrativa. Foto: Tima Miroshnichenko / Pexels
Por Redação Radar IndústriaPublicado em · fato divulgado em 2 de outubro de 20264 min de leitura

A Hemobrás (Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia) executa em 2026 cerca de R$ 150 milhões na Fase VII da fábrica de Goiana, na Mata Norte de Pernambuco, etapa que vai implantar a primeira linha própria de imunoglobulina líquida da estatal. Desde 2025, o Novo PAC destinou R$ 850 milhões à ampliação da unidade, segundo informações divulgadas pelo Ministério da Saúde e pela Hemobrás em 2 de outubro de 2026 e publicadas pelo Diario de Pernambuco. Dos 104 equipamentos feitos sob medida para a Fase VII, 47 já foram entregues, 20 estão em fabricação e os demais aguardam aprovação final de projeto, de acordo com o mesmo anúncio.

No mesmo dia, o ministério anunciou mais R$ 50 milhões do Novo PAC para um Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento Industrial dentro da fábrica, com obras previstas entre o fim de 2026 e o início de 2027, informou o Movimento Econômico. A meta de longo prazo é processar 700 mil litros de plasma por ano em 2033.

O projeto em números

ItemValor
Aportes do Novo PAC na ampliação desde 2025R$ 850 milhões (Diario de Pernambuco)
Execução da Fase VII em 2026cerca de R$ 150 milhões (Diario de Pernambuco)
Equipamentos da Fase VII104, sendo 47 entregues e 20 em fabricação (Movimento Econômico)
Laboratório de P&D IndustrialR$ 50 milhões em 612 m² já existentes (Movimento Econômico)
Equipamentos de cadeia do frio para a Hemorrede604 unidades para 125 serviços, R$ 116 milhões (Movimento Econômico)
Plasma recolhido em 2025217,7 mil litros, recorde, alta de 8,7% (Movimento Econômico)
Meta de processamento700 mil litros de plasma por ano em 2033 (Diario de Pernambuco)
Parque fabril17 prédios, 48 mil m² construídos em terreno de 25 hectares (Hemobrás)

O laboratório de P&D vai receber, segundo o Movimento Econômico, equipamentos para preparo de soluções, cultivo celular, purificação, fracionamento de plasma e biologia molecular, com recursos integralizados como capital em 2026.

Contexto

A criação da Hemobrás foi autorizada pela Lei 10.972, de 2 de dezembro de 2004, e a empresa começou a funcionar em setembro de 2005, segundo a própria estatal. A fábrica de Goiana fica a 63 km do Recife e a 50 km de João Pessoa e reúne duas plantas: a de hemoderivados e a de medicamentos por biotecnologia, onde é produzido o fator VIII recombinante, informa a empresa em seu site. Os prédios foram entregues do fim para o começo do processo, primeiro expedição, depois envase e por último purificação e fracionamento do plasma, para que cada bloco concluído trouxesse mais uma etapa para o país.

A obra tem histórico longo. Em dezembro de 2014, um programa da TV Câmara registrava que a empresa, fundada dez anos antes, ainda não tinha produção própria e citava licitações anuladas e contratos sob suspeita. Segundo o site da Hemobrás, o Bloco B02, chamado de coração da fábrica, é o que concentra o fracionamento, de onde saem albumina, a pasta base da imunoglobulina e os fatores de coagulação. O Bloco B03 faz o envase asséptico de albumina e imunoglobulina líquida e a liofilização dos fatores VIII e IX.

Os acordos anunciados em outubro desenham o uso da capacidade. Com a chinesa Beijing Tiantan Biological Products, a estatal assinou carta de intenções pela qual, ao atingir 700 mil litros por ano, atenderá 70% da demanda do SUS por imunoglobulina, enquanto a parceira fornece os 30% restantes e transfere tecnologia, no modelo de compensação tecnológica da Lei 15.471/2026, segundo o Diario de Pernambuco. Com a Roche, o protocolo prevê uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo do emicizumabe, usado na profilaxia da hemofilia A, doença que atinge 12.151 pessoas no Brasil, conforme o Ministério da Saúde. A estatal também fechou com a FarmaVax, da UFMG, projeto de terapia gênica de mais de R$ 4,9 milhões. O Radar já acompanhou outro investimento público em produção de imunobiológicos, o novo centro de vacinas do Butantan financiado pelo BNDES.

O que a obra deve contratar

  • Montagem de equipamentos de processo. Com 57 dos 104 equipamentos ainda por chegar, a Fase VII tende a manter frentes de montagem mecânica, interligação de tubulação sanitária e instalação de skids de purificação ao longo de 2027.
  • Salas limpas e HVAC farmacêutico. Linhas de imunoglobulina líquida costumam exigir áreas classificadas, sistemas de ar com filtragem absoluta e controle de pressão entre ambientes.
  • Utilidades farmacêuticas. Projetos desse tipo tendem a demandar água para injetáveis, vapor limpo, ar comprimido isento de óleo e sistemas de limpeza no local.
  • Cadeia do frio. O plasma é armazenado a 37 graus negativos, segundo a Hemobrás, e a expansão do processamento costuma puxar câmaras frias, refrigeração industrial e monitoramento térmico.
  • Comissionamento e validação. Toda linha nova de hemoderivado tende a passar por qualificação de instalação, operação e desempenho antes de pedir registro à Anvisa, um pacote de engenharia especializado.
  • Adequação civil do laboratório. Os 612 m² do laboratório de P&D devem exigir reforma de área existente, instalações de biossegurança e gases especiais.

Prazos e próximos passos

EtapaPrazoFonte
Início dos aportes do Novo PAC na ampliação2025Diario de Pernambuco
Execução de cerca de R$ 150 milhões na Fase VII2026Diario de Pernambuco
Integralização de R$ 50 milhões para o laboratório de P&D2026Movimento Econômico
Obras do laboratório de P&Dfim de 2026 ou início de 2027Movimento Econômico
Processamento de 700 mil litros de plasma por ano2033Diario de Pernambuco

O ministério e a estatal não divulgaram, nas fontes consultadas, a data de partida da linha de imunoglobulina nem o cronograma de entrega dos 57 equipamentos restantes.

Ficha do investimento Radar Capex
Empresa
Hemobrás
Local
Goiana, PE
Valor
R$ 850 mi
Fase
Obras iniciadas
Previsão
700 mil litros de plasma por ano em 2033
Anunciado em
2 de outubro de 2026

O que isso significa para quem vende para a indústria

A Fase VII está no meio do caminho: a obra civil já existe e o dinheiro de 2026 vai para equipamentos, o que desloca a demanda para montagem, utilidades e validação. Com 57 equipamentos ainda por chegar, a sequência provável é montagem e interligação em 2027, seguida de qualificação e validação antes do registro na Anvisa. Fornecedores com experiência em boas práticas de fabricação, salas limpas e cadeia do frio são os mais próximos desses contratos, que em estatal passam por licitação. O laboratório de P&D, com obra entre o fim de 2026 e o início de 2027, é uma entrada menor e mais rápida.

Serviços que o projeto tende a contratar:

  • Montagem de equipamentos de fracionamento e purificação
  • Salas limpas e HVAC farmacêutico
  • Água para injetáveis e vapor limpo
  • Câmaras frias e refrigeração a baixa temperatura
  • Comissionamento, qualificação e validação
  • Adequação civil de laboratório com biossegurança

Janela: Agora e ao longo de 2027: montagem dos equipamentos restantes da Fase VII e licitação da obra do laboratório.

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