Hemobrás amplia fábrica de Goiana (PE) com R$ 850 milhões do Novo PAC
Fase VII executa R$ 150 milhões em 2026 para a primeira linha própria de imunoglobulina; 47 dos 104 equipamentos já foram entregues.

A Hemobrás (Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia) executa em 2026 cerca de R$ 150 milhões na Fase VII da fábrica de Goiana, na Mata Norte de Pernambuco, etapa que vai implantar a primeira linha própria de imunoglobulina líquida da estatal. Desde 2025, o Novo PAC destinou R$ 850 milhões à ampliação da unidade, segundo informações divulgadas pelo Ministério da Saúde e pela Hemobrás em 2 de outubro de 2026 e publicadas pelo Diario de Pernambuco. Dos 104 equipamentos feitos sob medida para a Fase VII, 47 já foram entregues, 20 estão em fabricação e os demais aguardam aprovação final de projeto, de acordo com o mesmo anúncio.
No mesmo dia, o ministério anunciou mais R$ 50 milhões do Novo PAC para um Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento Industrial dentro da fábrica, com obras previstas entre o fim de 2026 e o início de 2027, informou o Movimento Econômico. A meta de longo prazo é processar 700 mil litros de plasma por ano em 2033.
O projeto em números
| Item | Valor |
|---|---|
| Aportes do Novo PAC na ampliação desde 2025 | R$ 850 milhões (Diario de Pernambuco) |
| Execução da Fase VII em 2026 | cerca de R$ 150 milhões (Diario de Pernambuco) |
| Equipamentos da Fase VII | 104, sendo 47 entregues e 20 em fabricação (Movimento Econômico) |
| Laboratório de P&D Industrial | R$ 50 milhões em 612 m² já existentes (Movimento Econômico) |
| Equipamentos de cadeia do frio para a Hemorrede | 604 unidades para 125 serviços, R$ 116 milhões (Movimento Econômico) |
| Plasma recolhido em 2025 | 217,7 mil litros, recorde, alta de 8,7% (Movimento Econômico) |
| Meta de processamento | 700 mil litros de plasma por ano em 2033 (Diario de Pernambuco) |
| Parque fabril | 17 prédios, 48 mil m² construídos em terreno de 25 hectares (Hemobrás) |
O laboratório de P&D vai receber, segundo o Movimento Econômico, equipamentos para preparo de soluções, cultivo celular, purificação, fracionamento de plasma e biologia molecular, com recursos integralizados como capital em 2026.
Contexto
A criação da Hemobrás foi autorizada pela Lei 10.972, de 2 de dezembro de 2004, e a empresa começou a funcionar em setembro de 2005, segundo a própria estatal. A fábrica de Goiana fica a 63 km do Recife e a 50 km de João Pessoa e reúne duas plantas: a de hemoderivados e a de medicamentos por biotecnologia, onde é produzido o fator VIII recombinante, informa a empresa em seu site. Os prédios foram entregues do fim para o começo do processo, primeiro expedição, depois envase e por último purificação e fracionamento do plasma, para que cada bloco concluído trouxesse mais uma etapa para o país.
A obra tem histórico longo. Em dezembro de 2014, um programa da TV Câmara registrava que a empresa, fundada dez anos antes, ainda não tinha produção própria e citava licitações anuladas e contratos sob suspeita. Segundo o site da Hemobrás, o Bloco B02, chamado de coração da fábrica, é o que concentra o fracionamento, de onde saem albumina, a pasta base da imunoglobulina e os fatores de coagulação. O Bloco B03 faz o envase asséptico de albumina e imunoglobulina líquida e a liofilização dos fatores VIII e IX.
Os acordos anunciados em outubro desenham o uso da capacidade. Com a chinesa Beijing Tiantan Biological Products, a estatal assinou carta de intenções pela qual, ao atingir 700 mil litros por ano, atenderá 70% da demanda do SUS por imunoglobulina, enquanto a parceira fornece os 30% restantes e transfere tecnologia, no modelo de compensação tecnológica da Lei 15.471/2026, segundo o Diario de Pernambuco. Com a Roche, o protocolo prevê uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo do emicizumabe, usado na profilaxia da hemofilia A, doença que atinge 12.151 pessoas no Brasil, conforme o Ministério da Saúde. A estatal também fechou com a FarmaVax, da UFMG, projeto de terapia gênica de mais de R$ 4,9 milhões. O Radar já acompanhou outro investimento público em produção de imunobiológicos, o novo centro de vacinas do Butantan financiado pelo BNDES.
O que a obra deve contratar
- Montagem de equipamentos de processo. Com 57 dos 104 equipamentos ainda por chegar, a Fase VII tende a manter frentes de montagem mecânica, interligação de tubulação sanitária e instalação de skids de purificação ao longo de 2027.
- Salas limpas e HVAC farmacêutico. Linhas de imunoglobulina líquida costumam exigir áreas classificadas, sistemas de ar com filtragem absoluta e controle de pressão entre ambientes.
- Utilidades farmacêuticas. Projetos desse tipo tendem a demandar água para injetáveis, vapor limpo, ar comprimido isento de óleo e sistemas de limpeza no local.
- Cadeia do frio. O plasma é armazenado a 37 graus negativos, segundo a Hemobrás, e a expansão do processamento costuma puxar câmaras frias, refrigeração industrial e monitoramento térmico.
- Comissionamento e validação. Toda linha nova de hemoderivado tende a passar por qualificação de instalação, operação e desempenho antes de pedir registro à Anvisa, um pacote de engenharia especializado.
- Adequação civil do laboratório. Os 612 m² do laboratório de P&D devem exigir reforma de área existente, instalações de biossegurança e gases especiais.
Prazos e próximos passos
| Etapa | Prazo | Fonte |
|---|---|---|
| Início dos aportes do Novo PAC na ampliação | 2025 | Diario de Pernambuco |
| Execução de cerca de R$ 150 milhões na Fase VII | 2026 | Diario de Pernambuco |
| Integralização de R$ 50 milhões para o laboratório de P&D | 2026 | Movimento Econômico |
| Obras do laboratório de P&D | fim de 2026 ou início de 2027 | Movimento Econômico |
| Processamento de 700 mil litros de plasma por ano | 2033 | Diario de Pernambuco |
O ministério e a estatal não divulgaram, nas fontes consultadas, a data de partida da linha de imunoglobulina nem o cronograma de entrega dos 57 equipamentos restantes.
- Empresa
- Hemobrás
- Local
- Goiana, PE
- Valor
- R$ 850 mi
- Fase
- Obras iniciadas
- Previsão
- 700 mil litros de plasma por ano em 2033
- Anunciado em
- 2 de outubro de 2026
O que isso significa para quem vende para a indústria
A Fase VII está no meio do caminho: a obra civil já existe e o dinheiro de 2026 vai para equipamentos, o que desloca a demanda para montagem, utilidades e validação. Com 57 equipamentos ainda por chegar, a sequência provável é montagem e interligação em 2027, seguida de qualificação e validação antes do registro na Anvisa. Fornecedores com experiência em boas práticas de fabricação, salas limpas e cadeia do frio são os mais próximos desses contratos, que em estatal passam por licitação. O laboratório de P&D, com obra entre o fim de 2026 e o início de 2027, é uma entrada menor e mais rápida.
Serviços que o projeto tende a contratar:
- Montagem de equipamentos de fracionamento e purificação
- Salas limpas e HVAC farmacêutico
- Água para injetáveis e vapor limpo
- Câmaras frias e refrigeração a baixa temperatura
- Comissionamento, qualificação e validação
- Adequação civil de laboratório com biossegurança
Janela: Agora e ao longo de 2027: montagem dos equipamentos restantes da Fase VII e licitação da obra do laboratório.
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- Ministério da Saúde anuncia ampliação da fábrica de medicamentos da Hemobrás em Goiana, Diario de Pernambuco, 2 de outubro de 2026
- Hemobrás fecha acordos para reduzir dependência externa de medicamentos, Movimento Econômico, 3 de outubro de 2026
- Nossa Fábrica, Hemobrás, 19 de outubro de 2026
- Quem Somos, Hemobrás, 19 de outubro de 2026
- Fundada em 2004, Hemobras continua sem produção, TV Câmara, 9 de dezembro de 2014
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