Inpasa ergue usina de etanol de milho de R$ 2,77 bilhões em Rondonópolis (MT)
A décima unidade do grupo vai moer 2 milhões de toneladas de milho por ano e produzir 1 bilhão de litros de etanol, com até 2,5 mil vagas na obra.

A Inpasa está construindo em Rondonópolis, no sudeste de Mato Grosso, uma biorrefinaria de etanol de milho com investimento de R$ 2,77 bilhões, segundo a própria empresa. Em entrevista ao AgFeed, reproduzida pelo NovaCana em 1º de junho de 2026, o vice-presidente de negócios de originação da companhia, Flávio Peruzo Gonçalves, disse que a planta vai entrar em operação em duas fases, previstas para março e maio de 2027, com intervalo de cerca de 60 dias entre elas. Pelo relato do executivo, a unidade estará completa no fim do primeiro semestre de 2027, com o mesmo porte da fábrica que o grupo ergue em Rio Verde (GO).
O projeto foi anunciado em 18 de dezembro de 2025, em comunicado divulgado pela Notícias Agrícolas, e será a décima unidade da Inpasa e a terceira em Mato Grosso. Em nota publicada pelo NovaCana em 28 de maio de 2026, a empresa já tratava a fábrica de Rondonópolis como obra em andamento, dentro de um pacote de R$ 3,5 bilhões aplicados no estado.
O projeto em números
| Item | Valor |
|---|---|
| Investimento na unidade | R$ 2,77 bilhões, com recursos próprios (Inpasa, via AgFeed) |
| Processamento de grãos | 2 milhões de toneladas por ano (Notícias Agrícolas) |
| Etanol | 1 bilhão de litros por ano (Notícias Agrícolas) |
| DDGS, coproduto para ração animal | 490 mil toneladas por ano (Notícias Agrícolas) |
| Óleo vegetal | 47 mil toneladas por ano (Notícias Agrícolas) |
| Empregos na construção | até 2,5 mil, diretos e indiretos (Notícias Agrícolas) |
| Empregos na operação | 400 fixos (Notícias Agrícolas) |
| Investimento total anunciado em Mato Grosso | R$ 3,48 bilhões, somando a ampliação de Nova Mutum (Notícias Agrícolas) |
Além do etanol e do farelo, a unidade vai gerar energia elétrica, de acordo com o comunicado da empresa. O mesmo anúncio incluiu R$ 704 milhões para ampliar a fábrica de Nova Mutum em 1 milhão de toneladas de grãos por ano, o que leva aquela planta a 3 milhões de toneladas e a 1,4 bilhão de litros de etanol, com cerca de 800 trabalhadores na obra e conclusão prevista para o fim de 2026.
Contexto
Fundada em 2006 no Paraguai, a Inpasa tem fábricas em Sinop e Nova Mutum (MT), Dourados e Sidrolândia (MS) e Balsas (MA), segundo a Notícias Agrícolas. A unidade de Luís Eduardo Magalhães (BA), de R$ 1,3 bilhão, foi inaugurada no fim de março de 2026, e a de Rio Verde (GO), de R$ 2,4 bilhões, deve começar a primeira fase em dezembro de 2026 e a segunda em fevereiro de 2027, informou o NovaCana. A empresa processou o recorde de 11,6 milhões de toneladas de grãos no ano passado e teve receita líquida de R$ 22,8 bilhões, alta de 67%, conforme a nota de maio.
Rondonópolis chegou a ser o primeiro endereço de uma parceria entre a Inpasa e a Amaggi. As duas anunciaram em 29 de agosto de 2025 uma joint venture estimada em R$ 7,5 bilhões para três usinas em Mato Grosso, mas encerraram as conversas em 14 de outubro de 2025, citando visões diferentes sobre estrutura e governança, relatou o AgFeed. A Inpasa decidiu então seguir sozinha na cidade, e o presidente da companhia, Éder Odvar Lopes, afirmou ao AgFeed que Rondonópolis está em um "mar de biomassa". O município é um polo logístico de grãos, com terminal ferroviário da Rumo.
A fábrica chega num momento de cautela no setor. Na entrevista de junho, Gonçalves disse que o mercado está "tirando o pé" por causa do custo do dinheiro e que a Inpasa não pretende abrir novas usinas depois de Rondonópolis, salvo fatos novos na demanda por etanol e coprodutos. A meta do grupo é chegar a 8 bilhões de litros por ano até 2027, ante 6,7 bilhões atuais, segundo o executivo.
O estado concentra a maior parte do etanol de cereais do país. Levantamento do Bioind-MT elaborado pelo Imea, divulgado em 25 de maio de 2026, projeta 7,33 bilhões de litros de etanol de milho em Mato Grosso na safra 2026/27, alta de 18,67%, e atribui ao estado 62% da produção nacional de etanol de cereais. Para a Inpasa, a necessidade de milho na safra 2027 deve chegar a 18,5 milhões de toneladas, informou o NovaCana.
O que a obra deve contratar
- Montagem eletromecânica da destilaria. Usinas de etanol de milho costumam exigir pacotes grandes de montagem de colunas, fermentadores, trocadores de calor e centrífugas, em geral contratados por área de processo.
- Caldeiras e cogeração. Como a planta vai gerar energia elétrica, a obra tende a demandar montagem de caldeira a biomassa, turbogerador e sistemas de tratamento de água de alimentação.
- Tubulação industrial e caldeiraria. Linhas de vapor, mosto, etanol e utilidades costumam gerar contratos de pré-fabricação, montagem, testes hidrostáticos e isolamento térmico.
- Silos, moegas e recepção de milho. Para 2 milhões de toneladas por ano, o projeto tende a precisar de armazenagem, tombadores, transportadores e secadores.
- Tancagem e expedição. Tanques de etanol, base de carregamento e sistemas de combate a incêndio costumam ser pacotes separados, com exigência de certificação.
- Subestação e elétrica. A conexão da cogeração e a distribuição interna tendem a exigir subestação, cabeamento, painéis e comissionamento.
Prazos e próximos passos
| Etapa | Prazo | Fonte |
|---|---|---|
| Anúncio da unidade | 18 de dezembro de 2025 | Notícias Agrícolas |
| Obra registrada em andamento | 28 de maio de 2026 | NovaCana (nota da Inpasa) |
| Primeira fase em operação | março de 2027 | NovaCana (AgFeed) |
| Segunda fase em operação | maio de 2027 | NovaCana (AgFeed) |
| Planta completa | fim do primeiro semestre de 2027 | NovaCana (AgFeed) |
No anúncio de dezembro, a inauguração era prevista para o primeiro trimestre de 2027. O cronograma mais recente, dado pelo executivo em junho, divide a partida em duas etapas e empurra a conclusão para o fim do primeiro semestre. Com a obra no pico em 2026, a fase seguinte é a de comissionamento e partida, que costuma concentrar contratos de instrumentação, testes e operação assistida.
- Empresa
- Inpasa
- Local
- Rondonópolis, MT
- Valor
- R$ 2,77 bi
- Fase
- Obras iniciadas
- Previsão
- Fases em março e maio de 2027; planta completa no fim do 1º semestre de 2027
- Anunciado em
- 1 de junho de 2026
O que isso significa para quem vende para a indústria
A obra está na reta da montagem: com partida marcada para março de 2027, o grosso do civil e da estrutura metálica já deve estar contratado, e as frentes abertas agora tendem a ser de tubulação, elétrica, isolamento, pintura e instrumentação. Logo depois vêm comissionamento e operação assistida, que pedem equipes enxutas e especializadas. Como a empresa diz que não abrirá novas usinas depois desta, quem quiser continuidade deve mirar os contratos de manutenção e paradas das dez unidades. A Inpasa repete o mesmo projeto em Rio Verde, o que favorece fornecedor que já atendeu outra planta do grupo.
Serviços que o projeto tende a contratar:
- Montagem eletromecânica de destilaria
- Caldeiras e cogeração a biomassa
- Tubulação industrial, caldeiraria e isolamento térmico
- Silos, moegas e recepção de milho
- Tanques de etanol e base de carregamento
- Subestação, elétrica e comissionamento
Janela: Imediata para montagem, elétrica e comissionamento; manutenção a partir do segundo semestre de 2027.
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- Inpasa vê mercado "tirando o pé", mas mantém plano de abertura de novas usinas, NovaCana (AgFeed), 1 de junho de 2026
- Inpasa anuncia nova biorrefinaria em Rondonópolis (MT) e ampliação em Nova Mutum somando R$ 3,48 bilhões em investimentos no estado, Notícias Agrícolas, 18 de dezembro de 2025
- Inpasa investe R$ 3,5 bilhões em Mato Grosso em 2025, NovaCana, 28 de maio de 2026
- Inpasa vai construir usina de etanol de milho no quintal da ex-parceira Amaggi, AgFeed, 18 de dezembro de 2025
- Produção de etanol de Mato Grosso deve crescer 16%, diz Bioind, Safras & Mercado, 25 de maio de 2026
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