Transportes prevê R$ 262,7 bilhões em leilões de rodovias e ferrovias em 2027
Carteira federal para 2027 soma 11 leilões rodoviários e 18 projetos ferroviários; ABDIB registra recorde de R$ 280,4 bilhões investidos em infraestrutura em 2025, mas vê cautela no setor.

O próximo governo federal, que assume em janeiro de 2027, herda uma carteira de concessões de transporte com R$ 262,68 bilhões em investimentos previstos. Segundo a Agência iNFRA, o Ministério dos Transportes apresentou em 15 de outubro de 2026 o pacote para 2027, com 11 leilões rodoviários que somam R$ 102,68 bilhões e 18 projetos ferroviários que somam R$ 160 bilhões. Parte relevante desse volume estava prevista para 2026 e foi adiada.
O resultado do segundo turno de 25 de outubro de 2026 define quem conduzirá essa agenda, mas a carteira já está desenhada. Dois dos projetos rodoviários, a Transbrasiliana (BR-153/SP) e a Planalto Sul (BR-116/PR/SC), dependem de acordos na área de consenso do Tribunal de Contas da União, segundo a Agência iNFRA.
Os números
| Item | Valor | Fonte |
|---|---|---|
| Carteira federal de transportes para 2027 | R$ 262,68 bilhões | Agência iNFRA |
| Rodovias (11 leilões) | R$ 102,68 bilhões (capex e opex) | Agência iNFRA |
| Capex rodoviário a leiloar em 2027 | R$ 54,87 bilhões | Brazil Journal |
| Ferrovias (18 projetos) | R$ 160 bilhões | Agência iNFRA |
| Projetos adiados de 2026 para 2027 ou depois | Pelo menos R$ 204 bilhões | Times Brasil |
| Investimento em infraestrutura em 2025 (recorde) | R$ 280,4 bilhões | ABDIB e EY-Parthenon |
| Projetos em estruturação no país | Cerca de R$ 760 bilhões | Livro Azul da ABDIB, citado no Barômetro |
Contexto
O 15º Barômetro da Infraestrutura, da ABDIB com a EY-Parthenon, publicado em julho de 2026, registra que o investimento em infraestrutura chegou a R$ 280,4 bilhões em 2025, recorde da série iniciada em 2010, com alta real de 3,2% sobre 2024. O setor privado respondeu por cerca de 80% do total. O mesmo estudo calcula que o país precisaria investir cerca de R$ 225 bilhões a mais por ano, durante dez anos, para fechar o déficit, sobretudo em transporte e saneamento.
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Quero implantar em 90 dias →O humor dos investidores, porém, piorou no primeiro semestre. A parcela de respondentes do Barômetro que via o cenário dos seis meses seguintes como favorável a novos investimentos caiu de 54,2% para 37,8%. Na construção, a FGV registrou em setembro que o segmento de obras de infraestrutura teve a maior queda de confiança do mês, segundo o portal Acessa.
Os adiamentos também pesam. Segundo o Times Brasil, ao menos R$ 204 bilhões em projetos saíram de 2026, incluindo cerca de R$ 154,9 bilhões em ferrovias, R$ 28,8 bilhões em rodovias e R$ 20,8 bilhões em 15 projetos portuários, como o Tecon Santos 10. A reportagem atribui os atrasos a revisões de estudos, discussões no TCU e questões técnicas, ambientais e jurídicas.
O que esperar de 2027
O calendário rodoviário divulgado pelo ministério e detalhado pelo Brazil Journal prevê:
- Junho. Rota de Integração do Sul e Rota Portuária do Sul, no Rio Grande do Sul.
- Julho. Rota Vale do Itajaí, da malha catarinense, e Rota Vale do Café, no Rio de Janeiro.
- Segundo semestre. Otimização da Transbrasiliana (SP), Rota Portuária Itaqui (MA), lote 2 da malha catarinense, otimização da Planalto Sul (PR e SC), Rota do Açu (RJ) e Rota Centro-Sul Baiano (BA).
- Aporte público. Os trechos da BR-393 no Rio e da BR-101 no sul da Bahia podem receber recursos públicos para manter a tarifa perto da média, segundo a Agência iNFRA e o Brazil Journal.
- Ferrovias. Entre os projetos citados pela Agência iNFRA estão a EF-118, a Ferrogrão, a Malha Oeste, três lotes da Malha Sul, o corredor Fico-Fiol e a extensão norte da Norte-Sul.
Há limites de execução. O próprio ministro dos Transportes, George Santoro, classificou a meta de 11 leilões rodoviários como extremamente ousada, e a ANTT diz ter capacidade para sete por ano, segundo o Brazil Journal. Santoro afirmou ainda que o governo estuda formas de trazer financiamento externo mais barato por causa dos juros internos altos.
Fora dos transportes, o Barômetro aponta saneamento como o setor com maior intenção de investimento nos próximos três anos (50,4% das respostas), seguido por rodovias (45,7%), ferrovias (40,9%) e energia elétrica (35,7%). O Hub de Projetos do BNDES, citado no estudo, estima R$ 332 bilhões necessários para universalizar água e esgoto até 2033, e projetos de saneamento estruturados pelo banco em sete estados somam R$ 83 bilhões. A CNI projetou em julho alta de 1,5% para a construção em 2026, segundo o Poder360.
O que isso significa para quem presta serviço
Na leitura do Radar Indústria, a carteira de 2027 deve virar contrato de obra de forma escalonada: os leilões previstos para junho e julho tendem a gerar canteiro só depois da assinatura e da fase inicial de cada concessão, o que empurra a maior parte da demanda para 2028. Ferrovias e portos, quando saírem do papel, devem exigir montagem eletromecânica, estruturas metálicas e instalações elétricas em terminais e pátios. Saneamento, que lidera a intenção de investimento no Barômetro, tende a puxar demanda por elétrica, automação e caldeiraria leve em estações de tratamento e elevatórias.
- Quem decidiu
- Ministério dos Transportes e ABDIB
- Valor
- R$ 262,68 bilhões
- Vigência
- Carteira de leilões de 2027 e intenções de investimento para 2026 a 2029
- Publicado em
- 15 de outubro de 2026
Como isso afeta quem vende para a indústria
A carteira de R$ 262,7 bilhões é grande, mas o histórico de adiamentos e a capacidade declarada da ANTT indicam que só parte dela deve ser leiloada em 2027. Para fornecedores, a oportunidade mais provável no curto prazo está nos contratos já assinados e no saneamento, que tem cronograma legal até 2033. Ferrovias e portos tendem a virar contratação de obra só a partir de 2028, e dependem de o próximo governo manter o ritmo de leilões.
- Montagem eletromecânica e estruturas metálicas em terminais
- Instalações elétricas e automação em estações de saneamento
- Obras civis de contenção, drenagem e pavimentação
- Caldeiraria e tubulação em elevatórias e ETEs
- Manutenção de sistemas em concessões rodoviárias
Janela: Leilões rodoviários a partir de junho de 2027; obra efetiva tende a começar entre 2028 e 2029, enquanto saneamento contratado já demanda serviço em 2027.
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- Pacote de rodovias para 2027 deve prever modelagem com aporte público, Agência iNFRA, 15 de outubro de 2026
- Rodovias: a carteira de leilões do próximo Governo, Brazil Journal, 15 de outubro de 2026
- Adiamentos empurram carteira bilionária de infraestrutura para o próximo governo, Times Brasil, 21 de setembro de 2026
- Barômetro da Infraestrutura Brasileira, 15ª edição, ABDIB e EY-Parthenon, 31 de julho de 2026
- Confederação da indústria revisa projeções, mas mantém PIB em 2%, Poder360, 22 de julho de 2026
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