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Soli3 recebe R$ 150 milhões do BNDES para equipar usina de soja e biodiesel em Cruz Alta

Crédito do Fundo Clima paga máquinas da usina de R$ 1,25 bilhão em construção desde junho de 2026, com início da industrialização previsto para maio de 2028.

Close-up image of industrial grain silos with overhead walkway at sunset, conveying modern industry.
Imagem ilustrativa. Foto: Psilo Cybe / Pexels
Por Redação Radar IndústriaPublicado em 5 min de leitura

O BNDES aprovou um limite de crédito de R$ 150 milhões para a Soli3 União Central Cooperativa, de Cruz Alta, no Rio Grande do Sul, informou a Agência BNDES de Notícias em 13 de outubro de 2026. O dinheiro sai do Fundo Clima, pelo programa Fundo Clima Máquinas Verdes, e deve pagar máquinas e equipamentos que reduzam emissões de gases de efeito estufa e ajudem na adaptação às mudanças climáticas. Segundo o banco, os equipamentos serão instalados na planta de processamento de soja da cooperativa, voltada à produção de biodiesel.

A planta ainda não existe como fábrica pronta. De acordo com o Jornal do Comércio, a usina está em construção, com investimento total projetado em R$ 1,25 bilhão, e as obras começaram em junho de 2026. A previsão de início da industrialização é maio de 2028, segundo o presidente da Cotrijal, Nei Manica, em fala reproduzida pelo jornal em 2 de setembro de 2026. O crédito, portanto, financia equipamentos de uma unidade nova.

O projeto em números

ItemValor
Limite de crédito do BNDES (Fundo Clima)R$ 150 milhões, segundo o BNDES
Prazo para usar o crédito2 anos, prorrogável por mais 12 meses, segundo o BNDES
Investimento total previstoR$ 1,25 bilhão, segundo o governo gaúcho
Crédito contratado com o BanrisulR$ 200 milhões, segundo o Jornal do Comércio
Esmagamento na primeira fase3 mil toneladas de soja por dia, cerca de 1 milhão de toneladas por ano, segundo o Agrolink e o BNDES
Segunda fase7,2 mil toneladas de soja e 1,5 mil de biodiesel por dia, segundo o Agrolink
Biodiesel na primeira fase600 toneladas por dia, ou 200 mil toneladas por ano, segundo o Agrolink
Área construídamais de 75 mil metros quadrados, segundo o governo gaúcho
Armazenagem de grãos160 mil toneladas, segundo o Agrolink
Empregos diretos na obracerca de mil, segundo o Agrolink
Empregos diretos na operação250, segundo o governo gaúcho; 150 diretos e cerca de 500 indiretos, segundo o Agrolink
Faturamento anual estimadoR$ 2,2 bilhões, segundo o governo gaúcho; R$ 2,5 bilhões, segundo o Agrolink

Os números de empregos e de faturamento variam entre as fontes, que foram publicadas em datas diferentes ao longo de 2026.

A fábrica deve produzir farelo de soja, óleo degomado, biodiesel, glicerina e casca peletizada, para o mercado interno e para exportação, de acordo com o Jornal do Comércio. O BNDES informa que a planta terá terminal ferroviário interno para expedir farelo, soja, óleo degomado e biodiesel. Segundo o jornal, a possibilidade de escoar a produção por trem até Rio Grande foi o motivo da escolha de Cruz Alta.

Contexto

A Soli3 foi criada em 2024 pelas cooperativas Cotrijal, de Não-Me-Toque, Cotripal, de Panambi, e Cotrisal, de Sarandi, para ser o braço industrial das três, segundo o BNDES. As sócias somam cerca de 35 mil associados em 112 municípios gaúchos e empregam mais de 7,4 mil pessoas, de acordo com o banco.

O Fundo Clima é vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e operado pelo BNDES. Para José Luis Gordon, diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do banco, a operação deve permitir à cooperativa reduzir a pegada de carbono e ganhar eficiência energética. Segundo Germano Döwich, presidente da Cotripal e da Soli3, outros projetos estão em análise.

O projeto aparece num momento de demanda crescente pelo combustível. Segundo a Agência iNFRA, com base em balanço da consultoria StoneX e em dados da ANP, a produção brasileira de biodiesel bateu recorde em 2025, ano em que a mistura obrigatória passou a 15% no diesel a partir de agosto. A mesma reportagem aponta capacidade instalada de 42,6 mil metros cúbicos por dia em 2025, com Centro-Oeste e Sul respondendo por mais de 70% da produção, e lembra que a Lei do Combustível do Futuro prevê chegar a 20% de mistura até 2030.

O que a obra deve contratar

Segundo o Jornal do Comércio, equipamentos, construção civil e terraplanagem já estão contratados, e a obra estava na fase de terraplanagem em setembro. O nome das empresas não foi divulgado. Ainda assim, uma obra desse porte costuma abrir várias frentes:

  • Fundações e estruturas. Projetos desse porte costumam exigir estacas, bases de equipamentos pesados, estruturas metálicas para galpões e torres de processo.
  • Armazenagem. A capacidade de 160 mil toneladas citada pelo Agrolink indica silos, armazéns graneleiros, moegas e transportadores.
  • Montagem mecânica e tubulação. Extração de óleo, degomagem e transesterificação costumam demandar caldeiraria, tanques, tubulação industrial e isolamento térmico.
  • Utilidades. Plantas de esmagamento costumam ter caldeira de biomassa ou outra fonte de vapor, tratamento de água e efluentes e sistemas de ar comprimido.
  • Elétrica e automação. A subestação, a distribuição de força e a instrumentação ficam ligadas à sala de operações integradas e ao sistema de gêmeo digital mencionados pelo Agrolink.
  • Ramal ferroviário. O terminal interno exige via, pátio e carregamento, e o jornal informa que a parte interna dos trilhos já está viabilizada.
  • Segurança e combate a incêndio. Unidades que lidam com solvente e biocombustível costumam exigir projeto de prevenção e combate a incêndio e áreas classificadas.
  • Canteiro. Com cerca de mil trabalhadores na obra, segundo o Agrolink, há demanda de alojamento, alimentação e transporte.

Prazos e próximos passos

EtapaData
Licença prévia entregue pela Sema e pela Fepam10 de março de 2026, segundo o governo gaúcho
Licença de instalação18 de junho de 2026, segundo o Agrolink
Início das obrasjunho de 2026, segundo o Jornal do Comércio
Contrato com o Banrisul1º de setembro de 2026, segundo o Jornal do Comércio
Aprovação do crédito do BNDES13 de outubro de 2026, segundo o BNDES
Início previsto da industrializaçãomaio de 2028, segundo Nei Manica
Segunda fase, com 7,2 mil toneladas por diasem data divulgada

Segundo o Jornal do Comércio, a obra deve durar cerca de um ano e dez meses, e os pagamentos estão previstos ao longo de dois anos. O limite do BNDES vale para o mesmo período, com mais 12 meses de folga.

Ficha do investimento Radar Capex
Empresa
Soli3 União Central Cooperativa
Local
Cruz Alta, RS
Valor
R$ 150 mi
Fase
em construção
Previsão
Obras desde junho de 2026; industrialização prevista para maio de 2028
Anunciado em
13 de outubro de 2026

O que isso significa para quem vende para a indústria

A usina está em obra, não em operação: o crédito do BNDES paga equipamentos de uma planta nova que só deve industrializar soja em maio de 2028. Civil, terraplanagem e equipamentos principais já estão contratados, então a chance para fornecedor está nas frentes que vêm depois, como montagem eletromecânica, tubulação, elétrica, utilidades e armazenagem, em geral subcontratadas pelos fornecedores principais. Com cerca de mil trabalhadores na obra, há também demanda de apoio ao canteiro na região de Cruz Alta.

Serviços que o projeto tende a contratar:

  • Montagem eletromecânica e caldeiraria em planta nova
  • Tubulação industrial e isolamento térmico
  • Elétrica, instrumentação e automação
  • Silos, armazéns e transportadores de grãos
  • Prevenção e combate a incêndio em área classificada
  • Apoio ao canteiro: alojamento, transporte e segurança do trabalho

Janela: Durante a obra, até 2028: montagem, utilidades e equipamentos.

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