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Alimentos e bebidas · AL

Natville ergue fábrica de laticínios em Batalha (AL) em plano de R$ 700 milhões

A planta alagoana custa cerca de R$ 500 milhões, deve processar 300 mil litros de leite por dia e tem R$ 200 milhões em incentivos fiscais do estado.

Low-angle shot of large stainless steel tanks inside a modern industrial facility.
Imagem ilustrativa. Foto: Mark Stebnicki / Pexels
Por Redação Radar IndústriaPublicado em · fato divulgado em 6 de abril de 20265 min de leitura

A Natville, marca de laticínios controlada pela Laticínios Santa Maria Ltda., toca um plano de mais de R$ 700 milhões no Nordeste que tem como peça central uma fábrica nova em Batalha, no Sertão de Alagoas, e a adequação de uma unidade comprada em 2025 em Jeremoabo, na Bahia. Segundo reportagem do Notícias Agrícolas de 6 de abril de 2026, feita com informações do site Compre Rural, a meta é passar de cerca de 1,1 milhão para mais de 1,5 milhão de litros de leite processados por dia. O Times Brasil informou em 22 de dezembro de 2025 que os R$ 700 milhões saem de recursos próprios da empresa e cobrem as duas frentes.

A obra de Batalha é a maior do pacote. Quando o governador Paulo Dantas assinou, em 15 de agosto de 2024, o decreto de incentivo locacional que marcou o início da construção, a Agência Alagoas informou investimento de cerca de R$ 500 milhões na planta, com capacidade para beneficiar perto de 300 mil litros de leite por dia. A unidade seguia em construção em junho de 2026, de acordo com o Movimento Econômico, que em dezembro de 2025 já a descrevia como em fase final de obra.

O projeto em números

ItemValor
Plano de investimento da Natville no Nordestemais de R$ 700 milhões até 2026 (Notícias Agrícolas)
Investimento na fábrica de Batalhacerca de R$ 500 milhões (Agência Alagoas)
Capacidade prevista em Batalhacerca de 300 mil litros de leite por dia (Agência Alagoas)
Incentivos fiscais concedidos por Alagoas à fábricaR$ 200 milhões (Movimento Econômico)
Empregos previstos em Batalha500 diretos e 5 mil indiretos (Agência Alagoas)
Faturamento anual projetado da unidadeR$ 1 bilhão (Agência Alagoas)
Terreno doado pelo estadoseis hectares (Agência Alagoas)
Processamento total da empresade 1,1 milhão para mais de 1,5 milhão de litros por dia (Notícias Agrícolas)
Fábrica de ração em Nossa Senhora da Glória (SE)500 toneladas por dia na fase inicial (Times Brasil)

Contexto

A Natville foi fundada em 1996, em Nossa Senhora da Glória (SE), e começou processando cerca de 1,2 mil litros por dia, conforme o Notícias Agrícolas. Hoje opera fábricas em Nossa Senhora da Glória e Canindé de São Francisco, em Sergipe, e em União dos Palmares, em Alagoas, segundo o Times Brasil. A unidade alagoana foi inaugurada em 2021 e processa 150 mil litros por dia, informou o Movimento Econômico. A empresa capta leite de mais de 2 mil propriedades do semiárido de Sergipe, Alagoas, Bahia e Pernambuco, tem mais de 2 mil tanques de resfriamento instalados nas fazendas e prevê chegar a cerca de 2,5 mil fornecedores, de acordo com o Notícias Agrícolas.

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O faturamento ficou em cerca de R$ 1,3 bilhão em 2025, com projeção de R$ 1,5 bilhão em 2026, segundo o mesmo veículo. O portfólio inclui leite UHT, leite em pó, queijos, manteiga, requeijão e bebidas lácteas. A expansão vem sendo anunciada desde 2024: em agosto daquele ano, o diretor geral Flávio Dantas disse ao Movimento Econômico que a empresa investiria R$ 500 milhões em quatro unidades no Nordeste e que esperava ver Batalha em operação ainda em 2024, prazo que não se confirmou. A planta de Jeremoabo, adquirida em 2025, segue em adequação nas reportagens de 2026.

A escolha de Batalha tem lógica de matéria prima. Segundo dados preliminares da Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE noticiados pelo TNH1 em 30 de setembro de 2026, Alagoas produziu 579,8 milhões de litros de leite em 2025, queda de 2,9% sobre 2024, e Batalha foi o segundo maior produtor do estado, com 33,4 milhões de litros, atrás apenas de Major Isidoro. O leite respondeu por 80,7% do valor dos produtos de origem animal em Alagoas, conforme a mesma reportagem. O Radar já acompanhou outro investimento do setor de alimentos voltado a lácteos, a fábrica de fórmulas infantis da Nestlé em Ituiutaba.

O que a obra deve contratar

  • Montagem de processo sanitário. Plantas de laticínios na reta final costumam concentrar contratos de montagem de tanques, tubulação em aço inox e sistemas de limpeza CIP, com exigência de solda sanitária qualificada.
  • Refrigeração industrial. Uma recepção de centenas de milhares de litros por dia tende a exigir sistemas de amônia, resfriadores de leite e câmaras frias para produto acabado.
  • Geração de vapor e utilidades. Pasteurização e secagem costumam depender de caldeiras, linhas de vapor, ar comprimido e água gelada, que entram na fase de comissionamento.
  • Tratamento de efluentes. Efluente lácteo tem carga orgânica alta, e projetos desse porte costumam contratar estação de tratamento com etapas biológicas e sua operação assistida.
  • Automação e instrumentação. A partida de linhas de processo tende a gerar demanda por integração de controladores, instrumentação de vazão e temperatura e rastreabilidade de lotes.
  • Logística de captação. Com a meta de chegar a cerca de 2,5 mil fornecedores, a expansão tende a puxar tanques de resfriamento em fazendas, frota de coleta e manutenção de equipamentos no campo.

Prazos e próximos passos

EtapaPrazoFonte
Doação do terreno em Batalhaagosto de 2023Agência Alagoas
Decreto de incentivo e início das obras15 de agosto de 2024Agência Alagoas
Compra da unidade de Jeremoabo (BA)2025Notícias Agrícolas
Fábrica de Batalha descrita em fase final de construção26 de dezembro de 2025Movimento Econômico
Fábrica ainda em construção, sem data de partida12 de junho de 2026Movimento Econômico
Horizonte do plano de mais de R$ 700 milhõesaté 2026Notícias Agrícolas
Meta de 1,5 milhão de litros por diaem até três anos, com expansões a partir de 2026Times Brasil

A empresa não divulgou data de inauguração de Batalha nem de partida de Jeremoabo nas fontes consultadas. Em junho de 2026, o governador afirmou ao Movimento Econômico que, quando a Natville entrar em operação, a empresa comprará outros 400 mil litros de leite por dia na região, número maior que a capacidade de 300 mil litros citada para a planta, sem explicação para a diferença.

Ficha do investimento Radar Capex
Empresa
Natville (Laticínios Santa Maria)
Local
Batalha (AL) e Jeremoabo (BA), AL
Valor
R$ 700 mi
Fase
Obras iniciadas
Previsão
Plano até 2026; Batalha sem data de partida
Anunciado em
6 de abril de 2026

O que isso significa para quem vende para a indústria

Fábrica de laticínios em fase final de obra é o momento em que o dinheiro migra da construção civil para montagem de processo, frio, vapor e efluentes, pacotes que costumam ser contratados em sequência até a partida. Batalha já atrasou em relação ao prazo original, o que tende a apertar o cronograma de comissionamento e favorecer quem entrega rápido e tem equipe próxima do Sertão. Depois da partida, a demanda passa para manutenção de utilidades, inox e refrigeração, além da captação de leite nas fazendas, que cresce com a meta de 2,5 mil fornecedores. Jeremoabo, ainda em adequação, é uma segunda porta de entrada para os mesmos serviços na Bahia.

Serviços que o projeto tende a contratar:

  • Montagem de tanques e tubulação sanitária inox
  • Refrigeração industrial a amônia e câmaras frias
  • Caldeiras, vapor e utilidades de processo
  • Estação de tratamento de efluentes lácteos
  • Automação e instrumentação de processo
  • Tanques de resfriamento e manutenção no campo

Janela: Imediata: Batalha está na reta final de obra e Jeremoabo em adequação, com contratos de montagem e comissionamento abertos em 2026.

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