Petrobras integra Boaventura e Reduc em Itaboraí (RJ) com R$ 26 bilhões
Estatal já assinou R$ 9,6 bilhões em contratos de obra para elevar a produção de diesel S-10 em 76 mil barris por dia e de querosene de aviação em 20 mil.

A Petrobras assinou R$ 9,6 bilhões em contratos de serviço para o Projeto Refino Boaventura, em Itaboraí, no Rio de Janeiro, dentro de um plano de R$ 26 bilhões para integrar o Complexo de Energias Boaventura à Refinaria Duque de Caxias (Reduc), segundo reportagem do Eixos publicada em 6 de outubro de 2025. O pacote está previsto no Plano de Negócios 2025-2029 da estatal, que soma R$ 33 bilhões em investimentos de refino e petroquímica no Rio de Janeiro, de acordo com a Safras & Mercado.
O projeto em números
| Item | Dado |
|---|---|
| Investimento total da integração Boaventura-Reduc | R$ 26 bilhões, dentro do Plano de Negócios 2025-2029 |
| Contratos de obra já assinados | R$ 9,6 bilhões, em 5 contratos de serviço |
| Unidades novas no Complexo Boaventura | unidade de isomerização e desparafinação por hidrogênio (HIDW) e unidade de hidrocraqueamento catalítico (HCC) |
| Ganho de diesel S-10 | 76 mil barris por dia (56 mil por melhoria de qualidade e 20 mil por capacidade adicional) |
| Ganho de querosene de aviação (QAV) | 20 mil barris por dia |
| Ganho de lubrificantes do grupo II | 12 mil barris por dia |
Fonte: Eixos e Safras & Mercado.
Contexto
O Complexo de Energias Boaventura, em Itaboraí, ocupa o terreno do antigo Comperj e já mantém em operação uma unidade de processamento de gás natural (UPGN) desde março de 2025, segundo o Industrial Info Resources. A integração com a Reduc, em Duque de Caxias, é a etapa seguinte: liga as duas plantas para elevar a produção de diesel S-10 e querosene de aviação sem depender de uma refinaria nova, aproveitando a infraestrutura já instalada nas duas unidades.
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Quero implantar em 90 dias →O projeto faz parte de um grupo maior de investimentos da Petrobras no estado do Rio, que soma R$ 33 bilhões segundo a então presidente da estatal, Magda Chambriard, incluindo a renovação de uma termelétrica na própria Reduc (R$ 860 milhões) e R$ 2,4 bilhões em paradas de manutenção até 2029, de acordo com a Hydrocarbon Processing. A Braskem, da qual a Petrobras detém 47% das ações com direito a voto, também investe R$ 4,3 bilhões em uma planta de polietileno perto da Reduc, já mapeada pelo Radar Indústria.
O movimento se encaixa na meta de autossuficiência em diesel que a Petrobras persegue com o governo federal: a mesma lógica aparece na ampliação da Replan, em Paulínia (SP), e no avanço do Trem 2 da Rnest, em Ipojuca (PE), ambos destinados a reduzir a importação de diesel S-10 no país.
O que a obra deve contratar
- EPC de unidades de hidrotratamento e hidrocraqueamento. As novas unidades HIDW e HCC exigem engenharia, suprimento e construção especializados em processos de refino sob alta pressão.
- Caldeiraria pesada e vasos de pressão. A unidade de hidrocraqueamento catalítico deve demandar fabricação certificada de reatores e vasos de processo.
- Montagem eletromecânica e tubulação industrial. A interligação entre Boaventura e Reduc deve incluir dutos, bombas e trocadores de calor entre as duas plantas.
- Instrumentação e automação de processo. Unidades novas de refino tendem a precisar de sistemas de controle e instrumentação dedicados.
- Isolamento térmico e pintura industrial. Linhas e vasos de alta temperatura das novas unidades devem exigir isolamento e proteção anticorrosiva.
- Inspeção NR13 e ensaios não destrutivos. Vasos de pressão novos precisam de certificação antes de entrar em operação.
Prazos e próximos passos
| Etapa | Prazo |
|---|---|
| Plano de Negócios 2025-2029 com os R$ 26 bi previstos | anunciado em julho de 2025 |
| Assinatura dos primeiros contratos de obra (R$ 9,6 bi) | outubro de 2025 |
| Operação das novas unidades HIDW e HCC | sem data divulgada publicamente |
| Barcos de apoio contratados na mesma leva de investimentos | entrega prevista entre 2029 e 2030 |
Com os contratos já assinados, a fase de maior contratação de caldeiraria, tubulação e montagem eletromecânica deve se concentrar nos próximos meses, enquanto a carteira de novas fábricas no Rio de Janeiro segue crescendo. A editoria de química e petróleo acompanha o avanço das demais unidades do plano da Petrobras, listadas também no Mapa de obras industriais em andamento.
Outras obras industriais no Rio de Janeiro
A pouca distância da Reduc, a Braskem avança um projeto de R$ 4,3 bilhões para expandir seu polo em Duque de Caxias, parte do mesmo eixo de investimentos petroquímicos na região.
- Empresa
- Petrobras
- Local
- Itaboraí e Duque de Caxias (RJ), RJ
- Valor
- R$ 26 bilhões
- Fase
- Obras iniciadas
- Previsão
- contratos de obra assinados em outubro de 2025; sem data divulgada para operação das novas unidades
- Anunciado em
- 6 de outubro de 2025
O que isso significa para quem vende para a indústria
O marco mais concreto aqui não é o anúncio de 2025, já conhecido, e sim a assinatura de R$ 9,6 bilhões em contratos de obra: é esse valor que deve puxar a contratação de caldeiraria, tubulação e montagem eletromecânica nos próximos meses. Como a integração aproveita infraestrutura já instalada em Boaventura e na Reduc, o fornecedor que já atende refino em planta ativa tem vantagem sobre quem só constrói do zero. A proximidade com a obra da Braskem em Duque de Caxias também sugere concentração regional de demanda por mão de obra especializada em petroquímica no eixo Itaboraí-Duque de Caxias.
Serviços que o projeto tende a contratar:
- EPC de unidades de hidrotratamento e hidrocraqueamento
- Caldeiraria pesada e vasos de pressão
- Montagem eletromecânica e tubulação industrial
- Instrumentação e automação de processo
- Isolamento térmico e pintura industrial
- Inspeção NR13 e ensaios não destrutivos
Janela: Contratos de obra já assinados em outubro de 2025; sem data pública de início físico das obras das unidades HIDW e HCC nem de entrada em operação.
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- Petrobras assina contratos para produção de derivados no Complexo Boaventura e construção de barcos de apoio em SC, Eixos, 6 de outubro de 2025
- Petrobras prevê R$ 29 bi do seu capex em R$ 33 bi em projetos de refino e petroquímica no RJ, Safras & Mercado, 3 de julho de 2025
- Brazil's Petrobras to invest $4.8 B in integration between Reduc refinery and Boaventura complex, Hydrocarbon Processing, 8 de julho de 2025
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