Petrobras licencia gasoduto de R$ 60 bilhões do pré-sal de Sergipe
Projeto Sergipe Águas Profundas terá 134 km de dutos, capacidade de 240 mil barris por dia e propostas do trecho marítimo entregues em 6 de janeiro de 2027.

A Petrobras avança o projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), orçado em mais de R$ 60 bilhões, com a entrega de propostas para a licitação do trecho marítimo do gasoduto marcada para 6 de janeiro de 2027, no Rio de Janeiro, segundo o secretário executivo da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia de Sergipe (Sedetec), Marcelo Menezes, em reportagem do Movimento Econômico publicada em 8 de outubro de 2026. O empreendimento prevê duas plataformas de produção, um gasoduto de 134 quilômetros e obras de infraestrutura em terra, enquanto o Governo de Sergipe articula incentivos fiscais para atrair as bases logísticas da obra para o estado, disputando a instalação com Bahia e Alagoas.
O projeto em números
| Item | Dado |
|---|---|
| Investimento total do SEAP | mais de R$ 60 bilhões |
| Extensão do gasoduto | 134 km (111 km no mar e 23 km em terra) |
| Capacidade de escoamento de gás natural | 18 milhões de m³ por dia (a Petrobras também cita 22 milhões de m³ em outra estimativa) |
| Produção conjunta das duas plataformas | 240 mil barris de petróleo por dia |
| Unidades flutuantes contratadas | P-81 (SEAP I) e P-87 (SEAP II), com a SBM Offshore, no modelo BOT |
| Investimento por FPSO | cerca de US$ 5 bilhões cada |
| Poços a interligar | 32 |
| Entrega de propostas do trecho marítimo | 6 de janeiro de 2027 |
Fontes: Movimento Econômico.
Contexto
O SEAP teve o FID (decisão final de investimento) do módulo SEAP II aprovado em dezembro de 2025 e o do SEAP I em abril de 2026, com assinatura dos contratos com a SBM Offshore prevista para maio de 2026. Na abertura do Sergipe Oil & Gas 2026 (SOG26), em 29 de julho, a diretora executiva de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, disse que a infraestrutura de escoamento das duas plataformas começa a ser implantada a partir de 2027, com produção de óleo prevista para 2030 e exportação de gás para 2031, segundo o Movimento Econômico. A licitação de árvores de natal molhadas (equipamentos submarinos de poço) já estava em andamento em julho, com a Onesubsea à frente da disputa diante de Baker Hughes e TechnipFMC.
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Quero implantar em 90 dias →Enquanto a Petrobras não decide o traçado final nem o vencedor da obra marítima, o Governo de Sergipe tenta não perder os serviços de apoio para vizinhos com estrutura offshore mais madura. Segundo Menezes, cabe às empresas que vencerem a licitação da Petrobras escolher onde instalar suas bases, não ao estado. Por isso, Sergipe negocia com as prefeituras de Aracaju, Barra dos Coqueiros, Santo Amaro das Brotas e Itaporanga d'Ajuda e discute com empresas uma alíquota de Imposto Sobre Serviços (ISS) de 2%, no padrão de municípios com forte presença offshore como Macaé, Niterói, São Gonçalo e Guarujá. O estado também contratou um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) para aproximar os agentes envolvidos e avaliou o Terminal Marítimo Inácio Barbosa (TMIB), de propriedade da Petrobras e operado pela VLI, que precisaria de adaptações para movimentar tubos, além do Porto das Redes, em Santo Amaro das Brotas, como alternativa. Representantes estaduais visitaram ainda os portos da Triunfo, no Rio de Janeiro, e da Cléa Porto, do grupo UTC, em Niterói, em busca de referência.
O principal entrave, segundo a reportagem, é a falta de contratos que garantam demanda: sem essa garantia, as empresas evitam antecipar investimento em bases logísticas antes de saber se vão ganhar a licitação da Petrobras.
O que a obra deve contratar
- Gasoduto terrestre e travessias. Os 23 km em terra exigem faixa de servidão, escavação, lançamento de tubos e travessias de rios e estradas.
- Bases de apoio logístico offshore. Pátios de tubos, oficinas e áreas de armazenagem para apoiar a fase marítima da obra, ainda sem local definido.
- Adaptação portuária. Terminais como o Inácio Barbosa precisam de obras para passar a movimentar tubos de grande diâmetro.
- Estação de recebimento e medição de gás. Interligação entre o trecho marítimo e a malha terrestre de distribuição.
- Montagem eletromecânica e caldeiraria. Equipamentos de superfície ligados ao escoamento de gás e óleo das duas plataformas.
Prazos e próximos passos
| Etapa | Data |
|---|---|
| FID do SEAP II | dezembro de 2025 |
| FID do SEAP I | abril de 2026 |
| Assinatura dos contratos dos FPSOs com a SBM Offshore | maio de 2026 |
| Licitação das árvores de natal molhadas | em andamento desde julho de 2026 |
| Entrega de propostas do trecho marítimo do gasoduto | 6 de janeiro de 2027 |
| Início da infraestrutura de escoamento em terra | a partir de 2027 |
| Início da produção de óleo | 2030 |
| Início da exportação de gás | 2031 |
Fonte: Movimento Econômico.
- Empresa
- Petrobras
- Local
- Aracaju, Barra dos Coqueiros, Santo Amaro das Brotas e Itaporanga d'Ajuda, SE
- Valor
- R$ 60 bi
- Fase
- Licenciamento
- Previsão
- entrega de propostas do trecho marítimo em 6 de janeiro de 2027; infraestrutura de escoamento a partir de 2027
- Anunciado em
- 8 de outubro de 2026
O que isso significa para quem vende para a indústria
A obra mais disputada agora é justamente a que ainda não tem dono: o trecho marítimo do gasoduto, cuja licitação se encerra em janeiro de 2027, e a adaptação de portos e bases logísticas, decisão que cabe à empresa vencedora, não ao governo de Sergipe. Antes da fase pesada de montagem em alto mar, o gargalo imediato é a infraestrutura terrestre, com terminais, pátios de tubos e a faixa de servidão para os 23 km em terra. Quem já presta serviço a operadoras offshore na Bahia e no Rio de Janeiro tem vantagem de escala, mas a disputa fiscal que Sergipe monta com ISS reduzido pode mudar o cálculo de onde instalar uma base de apoio. A janela real de contratação de obra civil e montagem de maior volume só abre depois de janeiro de 2027, quando se souber o vencedor do trecho marítimo.
Serviços que o projeto tende a contratar:
- Gasoduto terrestre e travessias
- Bases de apoio logístico offshore
- Adaptação portuária para movimentação de tubos
- Estação de recebimento e medição de gás
- Montagem eletromecânica e caldeiraria
Janela: A partir de janeiro de 2027, quando sair o resultado da licitação do trecho marítimo; obras de infraestrutura em terra ao longo de 2027.
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- Sergipe entra na disputa por negócios gerados pelo gasoduto do SEAP, Movimento Econômico, 8 de outubro de 2026
- Petrobras inicia implantação dos gasodutos do SEAP em Sergipe em 2027, Movimento Econômico, 29 de julho de 2026
- Fundo do mar de Sergipe atrai disputa de R$ 3 bi por árvores de natal molhadas, Movimento Econômico, 28 de julho de 2026
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