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Química e petróleo · RJ

Braskem avança projeto de R$ 4,3 bilhões para expandir polo em Duque de Caxias

Contrato de etano de US$ 5,6 bilhões com a Petrobras libera a expansão de 230 mil toneladas por ano de polietileno, com operação prevista para 2028.

View of a large oil refinery plant with intricate pipelines in Trzebinia, Poland.
Imagem ilustrativa. Foto: Jakub Pabis / Pexels
Por Redação Radar IndústriaPublicado em · fato divulgado em 3 de junho de 20255 min de leitura

A Braskem avança no projeto Transforma Rio, que vai ampliar em 230 mil toneladas por ano a capacidade de produção de polietileno no complexo petroquímico de Duque de Caxias (RJ), com investimento de até R$ 4,3 bilhões e operação prevista para 2028, segundo a InvestNews. A companhia descreve a iniciativa como o maior investimento da indústria petroquímica brasileira nos últimos 15 anos e afirma que o projeto deve gerar mais de 7,5 mil empregos ao longo da sua implementação, de acordo com o CIMM. "O Transforma Rio nos permitirá aumentar a oferta nacional de polietileno com competitividade, modernizar nossas operações com tecnologias de ponta e reforçar nossa presença no Rio de Janeiro como uma base relevante para o futuro da indústria petroquímica brasileira", disse Stefan Lanna Lepeck, vice-presidente de Negócios América do Sul da Braskem, segundo o mesmo veículo.

O projeto em números

ItemDado
Investimento do projeto Transforma Rioaté R$ 4,3 bilhões
Capacidade adicional de polietileno230 mil toneladas por ano
Operação prevista2028
1ª fase já aprovada (fevereiro de 2025)estudos de engenharia de cerca de R$ 233 milhões
Empregos gerados ao longo da implementaçãomais de 7,5 mil
Contrato de etano, propano e hidrogênio com a PetrobrasUS$ 5,6 bilhões, 11 anos, a partir de 1º de janeiro de 2026
Volume contratado (2026 a 2028)580 mil toneladas equivalentes em etileno por ano
Volume contratado (2029 a 2036, já com a expansão)725 mil toneladas equivalentes em etileno por ano
Empregos atuais do complexo de Duque de Caxiasmais de 1.400, entre diretos e terceirizados

Fontes: InvestNews, CIMM e Agência Brasil.

Contexto

O avanço do projeto não foi linear. Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em 5 de junho de 2025, a Braskem esclareceu que, até aquele momento, apenas a primeira fase do Transforma Rio havia sido aprovada pelos órgãos de governança da companhia, autorizando estudos de engenharia de cerca de R$ 233 milhões, segundo a Euquero Investir. A empresa afirmou que o valor total de R$ 4,3 bilhões permanecia condicionado à conclusão desses estudos e a um acordo de longo prazo para fornecimento de etano, até então ainda em negociação com a Petrobras.

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Essa condição foi resolvida em 19 de dezembro de 2025, quando a Petrobras anunciou a renovação de contratos com a Braskem somando US$ 17,8 bilhões, segundo a Agência Brasil. Do total, US$ 5,6 bilhões correspondem a um contrato de 11 anos de etano, propano e hidrogênio, com fornecimento a partir da Refinaria de Duque de Caxias e do Complexo Boaventura, o antigo Comperj. O acordo mantém o volume atual de 580 mil toneladas equivalentes em etileno por ano entre 2026 e 2028 e o eleva para 725 mil toneladas a partir de 2029, patamar que corresponde à capacidade ampliada do Transforma Rio. Na mesma rodada, a Petrobras também renovou contratos de nafta (US$ 11,3 bilhões, 5 anos) e de propeno (US$ 940 milhões, 5 anos) com a Braskem, reforçando a dependência da petroquímica brasileira do fornecimento da estatal.

O complexo de Duque de Caxias já reúne três unidades da Braskem, emprega mais de 1.400 pessoas entre diretos e terceirizados e movimenta cerca de 122 fornecedores locais, com R$ 80 milhões investidos por ano em contratações e serviços na região, segundo a InvestNews. A expansão ocorre em um momento delicado para o balanço da controladora: credores de uma subsidiária americana da Braskem pediram recuperação judicial da unidade nos Estados Unidos, segundo a mesma reportagem, o que ajuda a explicar por que a companhia condicionou o investimento pesado à garantia prévia de fornecimento de matéria-prima antes de comprometer capital na nova planta.

O que a obra deve contratar

  • Montagem de fornos de craqueamento. A ampliação depende de nova unidade de craqueamento para processar o etano, propano e hidrogênio recebidos da Petrobras, com fornos que tendem a ser importados e montados no local.
  • Montagem eletromecânica da planta de polietileno. A nova linha de 230 mil toneladas por ano deve demandar montagem de reatores, extrusoras e equipamentos de granulação próprios do processo petroquímico.
  • Tubulação e caldeiraria industrial. A interligação entre a nova unidade e a infraestrutura existente do complexo deve abrir contratos de tubulação de processo e caldeiraria.
  • Instrumentação e automação. Uma planta petroquímica nova exige sistemas de controle, instrumentação de processo e redes de automação certificadas para áreas classificadas.
  • Isolamento térmico, pintura industrial e comissionamento. As etapas finais antes da operação em 2028 devem concentrar isolamento térmico, pintura industrial e comissionamento das novas linhas.

Prazos e próximos passos

QuandoO que acontece
Fevereiro de 2025Aprovação da 1ª fase do Transforma Rio: estudos de engenharia de cerca de R$ 233 milhões
5 de junho de 2025Braskem informa à CVM que o investimento total ainda dependia de aprovação e do contrato de etano com a Petrobras
1º de janeiro de 2026Início da vigência do novo contrato de etano, propano e hidrogênio com a Petrobras, por 11 anos
2026 a 2028Fornecimento mantido em 580 mil toneladas equivalentes em etileno por ano
2028Início de operação previsto para a planta ampliada do Transforma Rio
2029 a 2036Fornecimento eleva-se para 725 mil toneladas por ano, já considerando a capacidade ampliada
Ficha do investimento Radar Capex
Empresa
Braskem
Local
Duque de Caxias (RJ), RJ
Valor
R$ 4,3 bilhões
Fase
Anúncio
Previsão
não informada
Anunciado em
3 de junho de 2025

O que isso significa para quem vende para a indústria

O desenho do contrato com a Petrobras, que separa o volume de 2026-2028 do volume ampliado a partir de 2029, indica que a Braskem só deve acelerar a contratação pesada de obra e montagem depois de ter o fornecimento de matéria-prima garantido em papel, o que já ocorreu em dezembro de 2025. Isso sugere que a abertura de licitações para fornos, montagem eletromecânica e automação deve se concentrar nos próximos 12 a 18 meses, para viabilizar a operação em 2028. A situação financeira delicada da controladora, com disputa de credores envolvendo uma subsidiária nos Estados Unidos, é um fator de atenção para fornecedores de obra: contratos com marcos de pagamento bem definidos tendem a pesar mais do que em outros projetos do setor. O histórico de mais de 1.400 empregos diretos e terceirizados e 122 fornecedores locais no complexo de Duque de Caxias mostra que a Braskem já opera com uma cadeia de fornecedores estabelecida na região, o que pode significar tanto uma porta de entrada via subcontratação quanto maior concorrência para empresas de fora do Rio de Janeiro.

Serviços que o projeto tende a contratar:

  • Montagem de fornos de craqueamento e da planta de polietileno
  • Tubulação e caldeiraria industrial
  • Instrumentação e automação para áreas classificadas
  • Isolamento térmico e pintura industrial
  • Comissionamento de novas linhas de produção

Janela: A obra pesada deve ganhar ritmo nos próximos 12 a 18 meses, à medida que a Braskem avança da fase de estudos para a contratação de fornos, montagem e automação, com operação prevista para 2028.

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