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Química e petróleo · BA

Acelen financia biorrefinaria de SAF de R$ 15 bilhões em São Francisco do Conde (BA)

Consórcio de dez bancos liderado por IFC e HSBC garante US$ 1,5 bilhão para a obra da unidade de 1 bilhão de litros por ano, que deve ter 3,6 mil postos no pico.

View of a large oil refinery plant with intricate pipelines in Trzebinia, Poland.
Imagem ilustrativa. Foto: Jakub Pabis / Pexels
Por Redação Radar IndústriaPublicado em · fato divulgado em 22 de maio de 20264 min de leitura

A Acelen Renováveis, controlada pelo Mubadala Capital, estruturou US$ 1,5 bilhão para começar a construir uma biorrefinaria de combustível sustentável de aviação (SAF) e diesel renovável (HVO) em São Francisco do Conde, na Bahia, segundo comunicado da empresa de 21 de maio de 2026. O investimento total da primeira unidade integrada passa de US$ 3 bilhões, cerca de R$ 15 bilhões, quando se somam a parte agrícola e o beneficiamento de coprodutos da macaúba, de acordo com a companhia. A Folhapress converteu o financiamento em R$ 7,5 bilhões.

A planta terá capacidade para 1 bilhão de litros por ano pela rota HEFA, que hidroprocessa óleos vegetais e gorduras, e deve começar a operar em 2029, informou a Acelen. A empresa estima cerca de 3,6 mil empregos diretos e indiretos no pico das obras.

O projeto em números

ItemValor
Investimento total da unidade integradamais de US$ 3 bilhões, cerca de R$ 15 bilhões (Acelen e Folhapress)
Financiamento estruturadoUS$ 1,5 bilhão, cerca de R$ 7,5 bilhões (Acelen e Folhapress)
Bancos no consórciodez, liderados por IFC e HSBC (Acelen)
Capacidade1 bilhão de litros por ano de SAF e HVO, cerca de 20 mil barris por dia (Acelen e Cenário Energia)
Área da planta59 hectares, em terreno que pertencia à Refinaria de Mataripe (IFC)
Empregos no pico das obrascerca de 3,6 mil (Acelen)
Empregos diretos na operaçãocerca de 220 (IFC)
Dutos até o terminal Temadredois, de 11 km e 18 polegadas (IFC)
Área de cultivo de macaúba144 mil hectares de áreas degradadas, 20% com agricultura familiar (Acelen)
Produção com venda contratadacerca de 90% (Acelen)

A IFC, braço do Grupo Banco Mundial para o setor privado, atuou como coordenadora geral ao lado do HSBC. Também participam First Abu Dhabi Bank, Abu Dhabi Commercial Bank, BID Invest, BNDES, AIIB, FinDev Canada, KfW IPEX-Bank, Bradesco, BBVA e Bank of China, segundo a Acelen. O comunicado não detalha a parcela de cada instituição. Na ficha publicada pela IFC, o banco previa um empréstimo de US$ 250 milhões por conta própria, além de linhas paralelas e B de até US$ 600 milhões.

Contexto

A Acelen é a empresa do Mubadala que opera a Refinaria de Mataripe, e a biorrefinaria será erguida ao lado dela, informou a Agência Cenário Energia. Segundo a ficha da IFC, o terreno de 59 hectares fica a cerca de 2 km da comunidade de Socorro, e o projeto foi classificado na categoria A de risco socioambiental, a mais alta do banco. O escoamento será feito por dois dutos novos até o terminal Temadre, com cerca de 65 navios por ano, e o projeto prevê linha de distribuição de 11 km da Coelba, gasoduto da Bahiagás e ligação de água da Embasa, de acordo com a mesma ficha.

A engenharia básica integrada (FEED) já foi concluída, informou a Cenário Energia. A Acelen cita entre seus parceiros no projeto a Honeywell UOP, a Alfa Laval e a Construcap. Na fase inicial, a planta deve usar óleo de soja e óleo de cozinha usado; a macaúba entra no médio e no longo prazo, segundo a mesma publicação.

A venda da produção futura já está quase toda amarrada. Além da Trafigura, a Acelen tem acordos com Moeve, Bunge e BGN, segundo o comunicado de maio. Em julho, o portal Movimento Econômico informou que a Trafigura vai fornecer cerca de 470 mil toneladas por ano de óleo de cozinha usado, volume suficiente para cerca de 459 milhões de litros de SAF, e comprar parte da produção de SAF, HVO e nafta verde, principalmente para a América do Norte e a Europa.

Um estudo da FGV citado pela empresa estima que a cadeia integrada pode movimentar até US$ 40 bilhões e gerar cerca de 85 mil empregos diretos e indiretos na próxima década. O projeto integra a Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e para a Transformação Ecológica (BIP), do governo federal, segundo a Acelen.

O que a obra deve contratar

  • Montagem eletromecânica. Unidades HEFA costumam exigir montagem de reatores de hidroprocessamento, colunas, fornos e trocadores, com grandes pacotes de caldeiraria e tubulação.
  • Utilidades e hidrogênio. O hidroprocessamento consome hidrogênio, vapor e água de resfriamento, o que tende a gerar contratos para as unidades de utilidades e as interligações com a refinaria vizinha.
  • Dutos e terminal. Os dois dutos de 11 km até o Temadre, previstos pela IFC, costumam ser contratados como empreitada separada de faixa, soldagem, travessias e testes.
  • Tancagem. Uma planta que recebe óleos e expede combustíveis por navio tende a demandar parque de tanques de matéria-prima e de produto, com bacias de contenção.
  • Elétrica e automação. A ligação de 11 km da Coelba e a subestação interna costumam vir com pacotes de montagem elétrica, instrumentação e sistema de controle.
  • Gestão ambiental. A classificação de risco A e a passagem por áreas de proteção ambiental tendem a exigir monitoramento, programas socioambientais e controle de obra contínuo.

Prazos e próximos passos

EtapaPrazoFonte
Divulgação pública do projeto pela IFC24 de dezembro de 2025IFC
Início previsto da construçãoprimeiro trimestre de 2026IFC
Anúncio do financiamento de US$ 1,5 bilhão21 de maio de 2026Acelen
Acordo de matéria-prima e venda com a Trafigurajulho de 2026Movimento Econômico
Início da operação comercialsegundo trimestre de 2029IFC

A empresa não divulgou percentual de avanço da obra nem data de licença de instalação. Em julho, o Movimento Econômico se referiu à biorrefinaria como projeto em construção.

Ficha do investimento Radar Capex
Empresa
Acelen Renováveis
Local
São Francisco do Conde, BA
Valor
US$ 3 bi
Fase
Financiamento aprovado
Previsão
Operação prevista para 2029
Anunciado em
22 de maio de 2026

O que isso significa para quem vende para a indústria

Com o financiamento fechado e o FEED concluído, a obra entra na fase em que os grandes pacotes são fechados com a construtora e os licenciadores de tecnologia, e as subcontratações de montagem, caldeiraria e tubulação vêm em seguida. Os dutos até o Temadre, a tancagem e as interligações de energia, gás e água formam frentes separadas que costumam ser licitadas à parte e são acessíveis a empresas regionais. Quem já presta serviço na Refinaria de Mataripe parte na frente, pela proximidade física e pelo cadastro no grupo. A operação em 2029 aponta para picos de contratação em 2027 e 2028.

Serviços que o projeto tende a contratar:

  • Montagem eletromecânica de unidade HEFA
  • Caldeiraria, vasos e reatores de hidroprocessamento
  • Construção de dutos e interligação ao terminal
  • Tancagem e bacias de contenção
  • Utilidades, hidrogênio e subestação
  • Instrumentação e automação

Janela: Cadastro já, com picos de contratação de montagem esperados entre 2027 e 2028 para a partida em 2029.

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