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Automotivo e máquinas · BA

BYD implanta estamparia, solda e pintura em Camaçari em complexo de R$ 5,5 bilhões

Com 8,5 mil empregados diretos e meta de 10 mil até dezembro, a fábrica baiana prepara as etapas que tiram a montagem do regime de kits importados.

A robotic arm welding in an industrial setting, emitting bright sparks.
Imagem ilustrativa. Foto: alex / Pexels
Por Redação Radar IndústriaPublicado em · fato divulgado em 16 de julho de 20264 min de leitura

A BYD prepara a entrada em operação das fábricas de estamparia, soldagem e pintura do complexo de Camaçari (BA), etapa que faz parte do investimento de R$ 5,5 bilhões anunciado pela montadora chinesa no Brasil, segundo o Movimento Econômico. Em julho de 2026, a empresa previa ligar as novas estruturas em agosto; em outubro, o cronograma citado passou a ser o fim do ano, de acordo com reportagem de 2 de outubro e com artigo publicado no mesmo veículo em 9 de outubro.

As três etapas mudam o tipo de operação da fábrica. Hoje, a planta trabalha principalmente montando kits semiacabados trazidos da China, conforme o artigo do especialista em desenvolvimento territorial Paulo Sombra, diretor da Impacto Social BR. Com estamparia, solda e pintura locais, a carroceria passa a ser feita na Bahia, e a meta declarada pela empresa é ter mais de 50% de peças nacionais em 2027, segundo o mesmo texto.

A montadora completou em julho a primeira fase do complexo e, ao fim de nove meses de operação, havia produzido 100 mil veículos eletrificados, informou o Movimento Econômico. São montados ali o Dolphin Mini, o sedã King e o utilitário Song Pro.

O projeto em números

ItemValor
Investimento anunciado no BrasilR$ 5,5 bilhões (Movimento Econômico)
Área do complexo4,65 milhões de metros quadrados (Movimento Econômico)
Capacidade inicial150 mil veículos por ano (Movimento Econômico)
Capacidade com o projeto completoaté 600 mil unidades por ano (Movimento Econômico)
Veículos produzidos nos nove primeiros mesescerca de 100 mil (BYD, via Movimento Econômico)
Empregados diretos em 2 de outubro de 20268,5 mil (Movimento Econômico)
Meta de empregados diretos até dezembro de 202610 mil (Movimento Econômico)
Empregos diretos e indiretos previstos20 mil, incluindo a cadeia de fornecedores (Movimento Econômico)
Unidades industriais citadas pela empresa17, de baterias a motores (artigo de Paulo Sombra)

A contratação acelerou no segundo semestre. Em 17 de setembro, a BYD anunciou que anteciparia 1,5 mil contratações para preparar o terceiro turno, antes previsto para o fim do ano. Só em 1º de outubro foram 410 admissões, sobretudo de operadores de produção e logística para o terceiro turno da montagem final e da unidade de solda, segundo o Movimento Econômico. Mais de 90% dos novos contratados são baianos, e metade mora em Camaçari, de acordo com a reportagem.

Contexto

O complexo ocupa a área da antiga fábrica da Ford, que encerrou a produção de veículos no Brasil em janeiro de 2021. A planta ficou fechada por quase cinco anos e foi inaugurada pela BYD em outubro de 2025. Na época do fechamento, havia 18 fábricas de fornecedores dentro do complexo e 12 fora dele; a Ford empregava cerca de 5 mil pessoas e os fornecedores, perto de 7 mil, segundo levantamento citado por Paulo Sombra. Se a meta de dezembro for cumprida, a BYD sozinha se aproximará dos cerca de 12 mil empregos que montadora e fornecedores somavam antes, observa o autor.

"Estamos construindo em Camaçari uma operação que olha para o futuro em todas as suas dimensões", afirmou Tyler Li, presidente da BYD Brasil, ao Movimento Econômico em julho. O vice-presidente sênior Alexandre Baldy disse que a Bahia se tornou o coração industrial da empresa no país.

A fábrica também vai produzir o Atto 2 DM-i Flex, híbrido com motor 1.5 que funciona com gasolina ou etanol, com vendas previstas para o segundo semestre de 2026, segundo a montadora. O Dolphin Mini somava 35 mil unidades vendidas no ano até julho e liderava o varejo havia cinco meses seguidos, de acordo com a mesma reportagem.

O avanço local ainda é parcial. Dados da Anfavea de janeiro a setembro citados no artigo mostram que, dos 434 mil eletrificados vendidos no país, 72 mil foram classificados como fabricados no Brasil e 100 mil como montados aqui a partir de kits importados. O movimento repete o de outras montadoras chinesas em fábricas desativadas, como a GWM, que já planeja uma segunda fábrica em Aracruz (ES).

O que a obra deve contratar

  • Estamparia. Linhas de prensas costumam exigir fundações profundas, montagem mecânica pesada, pontes rolantes e ferramentaria, com comissionamento longo antes da produção em série.
  • Solda robotizada. Unidades de carroceria tendem a demandar integração de células robóticas, dispositivos de fixação, transportadores e redes de automação.
  • Pintura. Cabines de pintura automotiva costumam vir acompanhadas de pré-tratamento, estufas, exaustão, controle de emissões e estação de tratamento de efluentes.
  • Energia e utilidades. As três etapas tendem a elevar a carga elétrica e o consumo de ar comprimido, água industrial e climatização, com reforço de subestação e redes internas.
  • Serviços para o terceiro turno. Com 10 mil empregados diretos, a operação passa a contratar com mais volume alimentação, transporte, limpeza industrial e manutenção.
  • Fornecimento de peças. A meta de mais de 50% de conteúdo nacional em 2027 tende a abrir espaço para estampados, plásticos, chicotes e embalagens industriais de fornecedores instalados na Bahia.

Prazos e próximos passos

EtapaPrazoFonte
Inauguração da fábricaoutubro de 2025Movimento Econômico
Conclusão da primeira fase do complexojulho de 2026Movimento Econômico
Previsão inicial para estamparia, solda e pinturaagosto de 2026Movimento Econômico, julho
Previsão atual para as três etapasaté o fim de 2026artigo de Paulo Sombra, outubro
Meta de 10 mil empregados diretosdezembro de 2026Movimento Econômico
Mais de 50% de peças nacionais2027artigo de Paulo Sombra

Para Paulo Sombra, o teste do projeto daqui em diante é quantas empresas baianas passarão a vender para a fábrica, e não só o número de empregados diretos.

Ficha do investimento Radar Capex
Empresa
BYD
Local
Camaçari, BA
Valor
R$ 5,5 bi
Fase
Obras iniciadas
Previsão
Estamparia, solda e pintura até o fim de 2026; mais de 50% de peças nacionais em 2027
Anunciado em
16 de julho de 2026

O que isso significa para quem vende para a indústria

A troca de kits importados por estamparia, solda e pintura locais é o ponto em que uma montadora passa a comprar de verdade na região. Até o fim de 2026, a demanda está em montagem, comissionamento e utilidades das três novas unidades; a partir de 2027, a meta de mais de 50% de peças nacionais desloca a disputa para fornecimento de componentes e serviços recorrentes. O terceiro turno e os 10 mil empregados diretos ampliam o mercado de manutenção, facilities e logística interna. Empresas da Bahia que já serviram a antiga cadeia da Ford têm a vantagem da proximidade, mas precisam chegar qualificadas antes que a BYD feche a lista de fornecedores locais.

Serviços que o projeto tende a contratar:

  • Montagem eletromecânica de linhas de estamparia e prensas
  • Instalação de células robotizadas de solda
  • Cabines de pintura e estação de tratamento de efluentes
  • Subestação e distribuição elétrica industrial
  • Utilidades: ar comprimido, climatização e água industrial
  • Manutenção industrial e facilities para o terceiro turno

Janela: Imediata: as três novas etapas entram em operação até o fim de 2026, e a meta de nacionalização de 2027 abre a seguir a disputa por fornecimento de peças e serviços.

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