BYD implanta estamparia, solda e pintura em Camaçari em complexo de R$ 5,5 bilhões
Com 8,5 mil empregados diretos e meta de 10 mil até dezembro, a fábrica baiana prepara as etapas que tiram a montagem do regime de kits importados.

A BYD prepara a entrada em operação das fábricas de estamparia, soldagem e pintura do complexo de Camaçari (BA), etapa que faz parte do investimento de R$ 5,5 bilhões anunciado pela montadora chinesa no Brasil, segundo o Movimento Econômico. Em julho de 2026, a empresa previa ligar as novas estruturas em agosto; em outubro, o cronograma citado passou a ser o fim do ano, de acordo com reportagem de 2 de outubro e com artigo publicado no mesmo veículo em 9 de outubro.
As três etapas mudam o tipo de operação da fábrica. Hoje, a planta trabalha principalmente montando kits semiacabados trazidos da China, conforme o artigo do especialista em desenvolvimento territorial Paulo Sombra, diretor da Impacto Social BR. Com estamparia, solda e pintura locais, a carroceria passa a ser feita na Bahia, e a meta declarada pela empresa é ter mais de 50% de peças nacionais em 2027, segundo o mesmo texto.
A montadora completou em julho a primeira fase do complexo e, ao fim de nove meses de operação, havia produzido 100 mil veículos eletrificados, informou o Movimento Econômico. São montados ali o Dolphin Mini, o sedã King e o utilitário Song Pro.
O projeto em números
| Item | Valor |
|---|---|
| Investimento anunciado no Brasil | R$ 5,5 bilhões (Movimento Econômico) |
| Área do complexo | 4,65 milhões de metros quadrados (Movimento Econômico) |
| Capacidade inicial | 150 mil veículos por ano (Movimento Econômico) |
| Capacidade com o projeto completo | até 600 mil unidades por ano (Movimento Econômico) |
| Veículos produzidos nos nove primeiros meses | cerca de 100 mil (BYD, via Movimento Econômico) |
| Empregados diretos em 2 de outubro de 2026 | 8,5 mil (Movimento Econômico) |
| Meta de empregados diretos até dezembro de 2026 | 10 mil (Movimento Econômico) |
| Empregos diretos e indiretos previstos | 20 mil, incluindo a cadeia de fornecedores (Movimento Econômico) |
| Unidades industriais citadas pela empresa | 17, de baterias a motores (artigo de Paulo Sombra) |
A contratação acelerou no segundo semestre. Em 17 de setembro, a BYD anunciou que anteciparia 1,5 mil contratações para preparar o terceiro turno, antes previsto para o fim do ano. Só em 1º de outubro foram 410 admissões, sobretudo de operadores de produção e logística para o terceiro turno da montagem final e da unidade de solda, segundo o Movimento Econômico. Mais de 90% dos novos contratados são baianos, e metade mora em Camaçari, de acordo com a reportagem.
Contexto
O complexo ocupa a área da antiga fábrica da Ford, que encerrou a produção de veículos no Brasil em janeiro de 2021. A planta ficou fechada por quase cinco anos e foi inaugurada pela BYD em outubro de 2025. Na época do fechamento, havia 18 fábricas de fornecedores dentro do complexo e 12 fora dele; a Ford empregava cerca de 5 mil pessoas e os fornecedores, perto de 7 mil, segundo levantamento citado por Paulo Sombra. Se a meta de dezembro for cumprida, a BYD sozinha se aproximará dos cerca de 12 mil empregos que montadora e fornecedores somavam antes, observa o autor.
"Estamos construindo em Camaçari uma operação que olha para o futuro em todas as suas dimensões", afirmou Tyler Li, presidente da BYD Brasil, ao Movimento Econômico em julho. O vice-presidente sênior Alexandre Baldy disse que a Bahia se tornou o coração industrial da empresa no país.
A fábrica também vai produzir o Atto 2 DM-i Flex, híbrido com motor 1.5 que funciona com gasolina ou etanol, com vendas previstas para o segundo semestre de 2026, segundo a montadora. O Dolphin Mini somava 35 mil unidades vendidas no ano até julho e liderava o varejo havia cinco meses seguidos, de acordo com a mesma reportagem.
O avanço local ainda é parcial. Dados da Anfavea de janeiro a setembro citados no artigo mostram que, dos 434 mil eletrificados vendidos no país, 72 mil foram classificados como fabricados no Brasil e 100 mil como montados aqui a partir de kits importados. O movimento repete o de outras montadoras chinesas em fábricas desativadas, como a GWM, que já planeja uma segunda fábrica em Aracruz (ES).
O que a obra deve contratar
- Estamparia. Linhas de prensas costumam exigir fundações profundas, montagem mecânica pesada, pontes rolantes e ferramentaria, com comissionamento longo antes da produção em série.
- Solda robotizada. Unidades de carroceria tendem a demandar integração de células robóticas, dispositivos de fixação, transportadores e redes de automação.
- Pintura. Cabines de pintura automotiva costumam vir acompanhadas de pré-tratamento, estufas, exaustão, controle de emissões e estação de tratamento de efluentes.
- Energia e utilidades. As três etapas tendem a elevar a carga elétrica e o consumo de ar comprimido, água industrial e climatização, com reforço de subestação e redes internas.
- Serviços para o terceiro turno. Com 10 mil empregados diretos, a operação passa a contratar com mais volume alimentação, transporte, limpeza industrial e manutenção.
- Fornecimento de peças. A meta de mais de 50% de conteúdo nacional em 2027 tende a abrir espaço para estampados, plásticos, chicotes e embalagens industriais de fornecedores instalados na Bahia.
Prazos e próximos passos
| Etapa | Prazo | Fonte |
|---|---|---|
| Inauguração da fábrica | outubro de 2025 | Movimento Econômico |
| Conclusão da primeira fase do complexo | julho de 2026 | Movimento Econômico |
| Previsão inicial para estamparia, solda e pintura | agosto de 2026 | Movimento Econômico, julho |
| Previsão atual para as três etapas | até o fim de 2026 | artigo de Paulo Sombra, outubro |
| Meta de 10 mil empregados diretos | dezembro de 2026 | Movimento Econômico |
| Mais de 50% de peças nacionais | 2027 | artigo de Paulo Sombra |
Para Paulo Sombra, o teste do projeto daqui em diante é quantas empresas baianas passarão a vender para a fábrica, e não só o número de empregados diretos.
- Empresa
- BYD
- Local
- Camaçari, BA
- Valor
- R$ 5,5 bi
- Fase
- Obras iniciadas
- Previsão
- Estamparia, solda e pintura até o fim de 2026; mais de 50% de peças nacionais em 2027
- Anunciado em
- 16 de julho de 2026
O que isso significa para quem vende para a indústria
A troca de kits importados por estamparia, solda e pintura locais é o ponto em que uma montadora passa a comprar de verdade na região. Até o fim de 2026, a demanda está em montagem, comissionamento e utilidades das três novas unidades; a partir de 2027, a meta de mais de 50% de peças nacionais desloca a disputa para fornecimento de componentes e serviços recorrentes. O terceiro turno e os 10 mil empregados diretos ampliam o mercado de manutenção, facilities e logística interna. Empresas da Bahia que já serviram a antiga cadeia da Ford têm a vantagem da proximidade, mas precisam chegar qualificadas antes que a BYD feche a lista de fornecedores locais.
Serviços que o projeto tende a contratar:
- Montagem eletromecânica de linhas de estamparia e prensas
- Instalação de células robotizadas de solda
- Cabines de pintura e estação de tratamento de efluentes
- Subestação e distribuição elétrica industrial
- Utilidades: ar comprimido, climatização e água industrial
- Manutenção industrial e facilities para o terceiro turno
Janela: Imediata: as três novas etapas entram em operação até o fim de 2026, e a meta de nacionalização de 2027 abre a seguir a disputa por fornecimento de peças e serviços.
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- BYD acelera nacionalização em Camaçari com nova fase da fábrica e híbrido flex, Movimento Econômico, 16 de julho de 2026
- BYD chega a 8,5 mil empregados e busca atingir 10 mil contratações em Camaçari, Movimento Econômico, 2 de outubro de 2026
- Primeiro aniversário da BYD em Camaçari. A fábrica acordou. E o entorno?, Movimento Econômico (artigo de Paulo Sombra), 9 de outubro de 2026
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