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Mineração · SE

Backshore Resources avança projeto de terras raras no litoral de Sergipe por R$ 60 milhões

Protocolo com o governo de Sergipe prevê 450 empregos e mira reservas estimadas em 120,7 milhões de toneladas de minerais pesados.

Captivating view of São Luís sand dunes under a warm sunset sky.
Imagem ilustrativa. Foto: Jessica Wolfie / Pexels
Por Redação Radar IndústriaPublicado em 4 min de leitura

A mineradora Backshore Resources planeja investir R$ 60 milhões no Projeto Saramém, iniciativa de pesquisa e lavra de areias monazíticas no litoral norte de Sergipe, segundo reportagem da CPG Click Petróleo e Gás publicada em 19 de outubro de 2026. O projeto mira a extração de terras raras, titânio e zircônio nos municípios de Brejo Grande e Pacatuba e foi anunciado em 16 de outubro de 2026, de acordo com a mesma fonte. A iniciativa tem protocolo firmado com a Desenvolve-SE, a agência de desenvolvimento do governo de Sergipe, segundo o veículo.

O projeto em números

ItemValor
Investimento previstoR$ 60 milhões (CPG Click Petróleo e Gás)
Empregos estimados450, sendo 120 diretos e 330 indiretos (CPG Click Petróleo e Gás)
Recursos minerais estimados120,7 milhões de toneladas (CPG Click Petróleo e Gás)
Minerais pesados mapeados em estudoscerca de 196 milhões de toneladas de ilmenita, rutilo, zircão e monazita (Investindo Por Aí)
Área autorizada para pesquisa779,38 hectares em Brejo Grande (Alvará de Pesquisa nº 6.677/2025, Agência Nacional de Mineração)
Prazo do alvará de pesquisa3 anos (Agência Nacional de Mineração)

A reportagem da Investindo Por Aí, publicada em outubro de 2026, cita ainda uma estimativa de US$ 600 milhões para o projeto em sua configuração completa, com capacidade de processar 5,5 mil toneladas de minério por dia e valor presente líquido calculado em US$ 532 milhões. A diferença entre esse número e os R$ 60 milhões informados pela CPG Click Petróleo e Gás corresponde, segundo as duas reportagens, a fases distintas: o valor menor cobre a etapa atual de pesquisa e licenciamento, enquanto a cifra em dólar se refere ao investimento total projetado caso a mina e a planta de beneficiamento sejam implantadas.

Contexto

O Brasil ocupa o segundo lugar entre as maiores reservas mundiais de terras raras, com 21 milhões de toneladas, o equivalente a 23% do total global, segundo levantamento da revista Amanhã. Apesar da posição no ranking de reservas, o país produziu apenas 20 toneladas do minério em 2024, menos de 1% da produção mundial de 390 mil toneladas, de acordo com a mesma publicação, que atribui a distância entre potencial e produção à falta de cadeia de separação e refino no país, hoje concentrada na China. A reportagem lista Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe como os estados que concentram os principais depósitos com viabilidade econômica.

Em Sergipe, o Projeto Saramém se soma a outro investimento em minerais críticos no estado: o projeto de potássio da South Atlantic Potash, no Complexo Taquari-Vassouras, em Rosário do Catete, orçado em US$ 1,5 bilhão e com potencial para cerca de mil empregos diretos e indiretos, segundo a Investindo Por Aí. A mesma reportagem soma os dois projetos em mais de US$ 2,1 bilhões em investimentos anunciados e mais de 1,6 mil vagas de trabalho possíveis, e aponta a Desenvolve-SE como a agência estadual que articula a ponte entre investidores internacionais e o governo sergipano. Segundo a publicação, o estado também já abriga a única mina de potássio em operação no país, adquirida pela VL Holding junto à Mosaic por US$ 27 milhões e que emprega cerca de 1,5 mil pessoas.

A revista Amanhã destaca que os elementos de terras raras são insumos críticos para turbinas eólicas, motores elétricos, baterias e equipamentos aeroespaciais, com demanda em alta por causa da transição energética global. Isso ajuda a explicar o interesse de investidores por depósitos como o de Sergipe, mesmo em fase inicial de licenciamento.

O que a obra deve contratar

  • Sondagem e pesquisa mineral. Com o alvará de pesquisa válido por três anos, a etapa atual tende a concentrar contratos de sondagem geológica, amostragem e caracterização do minério.
  • Estudos ambientais. Projetos de mineração de areias monazíticas costumam exigir EIA/RIMA, estudos de fauna e flora costeira e programas de monitoramento, etapa que deve anteceder qualquer licença de instalação.
  • Infraestrutura de acesso. A abertura de frentes de pesquisa em área costeira tende a demandar estradas de acesso, pontes provisórias e terraplenagem leve.
  • Plantas-piloto de beneficiamento. Caso o projeto avance para a fase de viabilidade, a separação de ilmenita, rutilo, zircão e monazita costuma exigir instalação elétrica, esteiras e equipamentos de concentração mineral em escala piloto.
  • Canteiro e facilities. Operações de pesquisa mineral em municípios menores como Brejo Grande e Pacatuba tendem a contratar alojamento, alimentação e transporte de equipe local.

Prazos e próximos passos

EtapaSituação
Alvará de Pesquisa nº 6.677/2025 (ANM)concedido, válido por 3 anos
Protocolo com a Desenvolve-SEfirmado, conforme CPG Click Petróleo e Gás
Licenciamento ambientalem andamento, sem data confirmada de conclusão
Início da extração comercialsem data confirmada pelas fontes consultadas

Nenhuma das fontes consultadas indica cronograma fechado para a passagem da fase de pesquisa para a extração comercial. O Radar Indústria vai acompanhar o avanço do licenciamento e atualizar esta ficha no Mapa de obras assim que houver nova informação confirmada.

Ficha do investimento Radar Capex
Empresa
Backshore Resources
Local
Brejo Grande e Pacatuba, SE
Valor
R$ 60 milhões
Fase
Licenciamento
Previsão
sem data confirmada para início da extração comercial
Anunciado em
19 de outubro de 2026

O que isso significa para quem vende para a indústria

Projeto ainda em fase de pesquisa e licenciamento é o momento de fornecedor entrar pela sondagem, pelos estudos ambientais e pela infraestrutura de acesso, antes que a concorrência se organize em torno da obra principal. A distância entre as reservas do Brasil (2º lugar global) e a produção quase nula do país sinaliza um ciclo de investimento que deve se repetir em outros estados com depósito de terras raras, o que favorece quem já tiver referência em mineração de minerais críticos. A proximidade com o projeto de potássio da South Atlantic Potash, no mesmo estado, também abre espaço para fornecedor que já atende Sergipe diversificar a carteira entre os dois projetos.

Serviços que o projeto tende a contratar:

  • sondagem geológica e amostragem
  • estudos ambientais (EIA/RIMA) e monitoramento
  • estradas de acesso e terraplenagem leve
  • planta piloto de beneficiamento mineral
  • canteiro, alojamento e facilities

Janela: Fase atual de pesquisa e licenciamento; frentes de obra maior dependem da conclusão do licenciamento ambiental, sem data confirmada.

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