Backshore Resources avança projeto de terras raras no litoral de Sergipe por R$ 60 milhões
Protocolo com o governo de Sergipe prevê 450 empregos e mira reservas estimadas em 120,7 milhões de toneladas de minerais pesados.

A mineradora Backshore Resources planeja investir R$ 60 milhões no Projeto Saramém, iniciativa de pesquisa e lavra de areias monazíticas no litoral norte de Sergipe, segundo reportagem da CPG Click Petróleo e Gás publicada em 19 de outubro de 2026. O projeto mira a extração de terras raras, titânio e zircônio nos municípios de Brejo Grande e Pacatuba e foi anunciado em 16 de outubro de 2026, de acordo com a mesma fonte. A iniciativa tem protocolo firmado com a Desenvolve-SE, a agência de desenvolvimento do governo de Sergipe, segundo o veículo.
O projeto em números
| Item | Valor |
|---|---|
| Investimento previsto | R$ 60 milhões (CPG Click Petróleo e Gás) |
| Empregos estimados | 450, sendo 120 diretos e 330 indiretos (CPG Click Petróleo e Gás) |
| Recursos minerais estimados | 120,7 milhões de toneladas (CPG Click Petróleo e Gás) |
| Minerais pesados mapeados em estudos | cerca de 196 milhões de toneladas de ilmenita, rutilo, zircão e monazita (Investindo Por Aí) |
| Área autorizada para pesquisa | 779,38 hectares em Brejo Grande (Alvará de Pesquisa nº 6.677/2025, Agência Nacional de Mineração) |
| Prazo do alvará de pesquisa | 3 anos (Agência Nacional de Mineração) |
A reportagem da Investindo Por Aí, publicada em outubro de 2026, cita ainda uma estimativa de US$ 600 milhões para o projeto em sua configuração completa, com capacidade de processar 5,5 mil toneladas de minério por dia e valor presente líquido calculado em US$ 532 milhões. A diferença entre esse número e os R$ 60 milhões informados pela CPG Click Petróleo e Gás corresponde, segundo as duas reportagens, a fases distintas: o valor menor cobre a etapa atual de pesquisa e licenciamento, enquanto a cifra em dólar se refere ao investimento total projetado caso a mina e a planta de beneficiamento sejam implantadas.
Contexto
O Brasil ocupa o segundo lugar entre as maiores reservas mundiais de terras raras, com 21 milhões de toneladas, o equivalente a 23% do total global, segundo levantamento da revista Amanhã. Apesar da posição no ranking de reservas, o país produziu apenas 20 toneladas do minério em 2024, menos de 1% da produção mundial de 390 mil toneladas, de acordo com a mesma publicação, que atribui a distância entre potencial e produção à falta de cadeia de separação e refino no país, hoje concentrada na China. A reportagem lista Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe como os estados que concentram os principais depósitos com viabilidade econômica.
Em Sergipe, o Projeto Saramém se soma a outro investimento em minerais críticos no estado: o projeto de potássio da South Atlantic Potash, no Complexo Taquari-Vassouras, em Rosário do Catete, orçado em US$ 1,5 bilhão e com potencial para cerca de mil empregos diretos e indiretos, segundo a Investindo Por Aí. A mesma reportagem soma os dois projetos em mais de US$ 2,1 bilhões em investimentos anunciados e mais de 1,6 mil vagas de trabalho possíveis, e aponta a Desenvolve-SE como a agência estadual que articula a ponte entre investidores internacionais e o governo sergipano. Segundo a publicação, o estado também já abriga a única mina de potássio em operação no país, adquirida pela VL Holding junto à Mosaic por US$ 27 milhões e que emprega cerca de 1,5 mil pessoas.
A revista Amanhã destaca que os elementos de terras raras são insumos críticos para turbinas eólicas, motores elétricos, baterias e equipamentos aeroespaciais, com demanda em alta por causa da transição energética global. Isso ajuda a explicar o interesse de investidores por depósitos como o de Sergipe, mesmo em fase inicial de licenciamento.
O que a obra deve contratar
- Sondagem e pesquisa mineral. Com o alvará de pesquisa válido por três anos, a etapa atual tende a concentrar contratos de sondagem geológica, amostragem e caracterização do minério.
- Estudos ambientais. Projetos de mineração de areias monazíticas costumam exigir EIA/RIMA, estudos de fauna e flora costeira e programas de monitoramento, etapa que deve anteceder qualquer licença de instalação.
- Infraestrutura de acesso. A abertura de frentes de pesquisa em área costeira tende a demandar estradas de acesso, pontes provisórias e terraplenagem leve.
- Plantas-piloto de beneficiamento. Caso o projeto avance para a fase de viabilidade, a separação de ilmenita, rutilo, zircão e monazita costuma exigir instalação elétrica, esteiras e equipamentos de concentração mineral em escala piloto.
- Canteiro e facilities. Operações de pesquisa mineral em municípios menores como Brejo Grande e Pacatuba tendem a contratar alojamento, alimentação e transporte de equipe local.
Prazos e próximos passos
| Etapa | Situação |
|---|---|
| Alvará de Pesquisa nº 6.677/2025 (ANM) | concedido, válido por 3 anos |
| Protocolo com a Desenvolve-SE | firmado, conforme CPG Click Petróleo e Gás |
| Licenciamento ambiental | em andamento, sem data confirmada de conclusão |
| Início da extração comercial | sem data confirmada pelas fontes consultadas |
Nenhuma das fontes consultadas indica cronograma fechado para a passagem da fase de pesquisa para a extração comercial. O Radar Indústria vai acompanhar o avanço do licenciamento e atualizar esta ficha no Mapa de obras assim que houver nova informação confirmada.
- Empresa
- Backshore Resources
- Local
- Brejo Grande e Pacatuba, SE
- Valor
- R$ 60 milhões
- Fase
- Licenciamento
- Previsão
- sem data confirmada para início da extração comercial
- Anunciado em
- 19 de outubro de 2026
O que isso significa para quem vende para a indústria
Projeto ainda em fase de pesquisa e licenciamento é o momento de fornecedor entrar pela sondagem, pelos estudos ambientais e pela infraestrutura de acesso, antes que a concorrência se organize em torno da obra principal. A distância entre as reservas do Brasil (2º lugar global) e a produção quase nula do país sinaliza um ciclo de investimento que deve se repetir em outros estados com depósito de terras raras, o que favorece quem já tiver referência em mineração de minerais críticos. A proximidade com o projeto de potássio da South Atlantic Potash, no mesmo estado, também abre espaço para fornecedor que já atende Sergipe diversificar a carteira entre os dois projetos.
Serviços que o projeto tende a contratar:
- sondagem geológica e amostragem
- estudos ambientais (EIA/RIMA) e monitoramento
- estradas de acesso e terraplenagem leve
- planta piloto de beneficiamento mineral
- canteiro, alojamento e facilities
Janela: Fase atual de pesquisa e licenciamento; frentes de obra maior dependem da conclusão do licenciamento ambiental, sem data confirmada.
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- R$ 60 milhões colocam o litoral de Sergipe no radar da mineração mundial: projeto mira terras raras, titânio e zircônio, pode gerar 450 empregos, CPG Click Petróleo e Gás, 19 de outubro de 2026
- Sergipe consolida nova fronteira da mineração e atrai bilhões com projetos de potássio e minerais críticos, Investindo Por Aí, 19 de outubro de 2026
- Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, Amanhã, 1 de outubro de 2026
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