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Mineração · MG

CBMM investe R$ 13 bilhões em Araxá para nióbio de baterias e data centers

A maior produtora mundial de nióbio já aplicou R$ 2 bilhões em 2026, 82% a mais que em 2025, e tem concessão em Araxá renovada até 2070.

Aerial shot of a quarry with machinery extracting and processing materials.
Imagem ilustrativa. Foto: Volker Braun / Pexels
Por Redação Radar IndústriaPublicado em · fato divulgado em 18 de setembro de 20264 min de leitura

A CBMM, maior produtora mundial de nióbio, abriu um ciclo de investimentos de R$ 13 bilhões entre 2026 e 2031 no seu complexo industrial de Araxá, no Alto Paranaíba mineiro. Só em 2026 a empresa já aplicou cerca de R$ 2 bilhões, valor 82% maior que o capex de R$ 1,1 bilhão de 2025, segundo o Diário do Comércio. O plano mira expandir a capacidade de produção e abrir novas linhas de óxidos de nióbio voltados a baterias de recarga ultrarrápida e a componentes para data centers de inteligência artificial.

O projeto em números

ItemDado
Investimento total (2026 a 2031)R$ 13 bilhões
Já investido em 2026R$ 2 bilhões (82% acima do capex de 2025)
Capacidade instalada atual150 mil toneladas/ano de produtos de nióbio
Produção em 2025Mais de 100 mil toneladas de ferronióbio equivalente (+4,7% sobre 2024)
Receita líquida (2025)R$ 14,5 bilhões
Empregados diretosMais de 2 mil, mais cerca de 4,5 mil em empresas parceiras

Fontes: Diário do Comércio, Moon BH e CPG Click Petróleo e Gás, com base em dados da CBMM, setembro de 2026.

Contexto

A CBMM concentra hoje cerca de 75% da receita em nióbio para siderurgia, usado como liga metálica que aumenta a resistência do aço, e 25% em novos materiais, segundo o Diário do Comércio. O ciclo de investimento atual busca inverter esse peso ao longo do tempo, com linhas dedicadas a óxidos de nióbio de maior valor agregado para eletrificação, baterias, componentes ópticos e eletrônicos.

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Um dos projetos em operação é a planta do XNO, material desenvolvido em parceria com a britânica Echion Technologies para baterias de recarga ultrarrápida de veículos elétricos, segundo a CPG Click Petróleo e Gás. A aposta da empresa é que o nióbio também vire insumo relevante para a infraestrutura de data centers de inteligência artificial, um mercado em expansão acelerada no Brasil e no mundo.

A base de operação da CBMM em Araxá está garantida no longo prazo: a concessão minerária com a Codemig, estatal de mineração de Minas Gerais, foi renovada em 2025 e vale até 2070, segundo a CPG Click Petróleo e Gás. Em 2025, a empresa reportou lucro líquido de R$ 6,4 bilhões e Ebitda de R$ 10,2 bilhões, atendendo mais de 500 clientes em cerca de 50 países.

O Brasil concentra a maior parte das reservas mundiais de nióbio conhecidas, e a CBMM é a maior produtora do minério no planeta, com clientes em cerca de 50 países. A siderurgia continua sendo o maior destino do nióbio brasileiro, usado em pequenas quantidades como liga de aço de alta resistência em gasodutos, estruturas e indústria automotiva. É essa base que sustenta hoje cerca de 75% da receita da empresa, enquanto o novo ciclo de investimento tenta acelerar a fatia de 25% ligada a materiais mais sofisticados.

A estratégia de diversificação não é nova, mas ganhou tração com o avanço de data centers de inteligência artificial, que demandam componentes eletrônicos e ópticos de alta performance. Óxidos de nióbio entram nesse mercado como material para capacitores, semicondutores e revestimentos de precisão, áreas em que a CBMM busca posição além do papel tradicional de fornecedora de liga metálica para siderurgia.

O que a obra deve contratar

  • Novas linhas de processamento químico. A produção de óxidos de nióbio de maior valor agregado exige plantas distintas da metalurgia tradicional de ferronióbio, com engenharia de processo específica.
  • Montagem eletromecânica industrial. Implantação de equipamentos novos e modernização da estrutura existente, citadas como parte do capex de 2026.
  • Beneficiamento mineral. O ciclo de investimento também mira expansão da capacidade produtiva nas etapas de mineração e concentração do minério.
  • Utilidades industriais. Plantas químicas de nióbio demandam infraestrutura de energia, água e tratamento de efluentes dimensionada para a nova capacidade.
  • Estrutura metálica e obras civis. Expansão física do complexo industrial de Araxá para abrigar as novas linhas.

Prazos e próximos passos

MarcoData
Capex de 2025 (referência)R$ 1,1 bilhão
Investimento de 2026R$ 2 bilhões (já aplicados)
Ciclo total de investimento2026 a 2031, R$ 13 bilhões
Concessão minerária em Araxá (Codemig)Renovada até 2070

O que isso significa para quem presta serviço

Um ciclo de investimento plurianual com ritmo crescente (R$ 2 bilhões em 2026 ante R$ 1,1 bilhão em 2025) tende a sustentar demanda de engenharia e montagem industrial em Araxá por vários anos, não só num pico isolado. A diversificação da CBMM para baterias e data centers de IA é um sinal de que a próxima leva de obras deve incluir plantas químicas mais sofisticadas que a metalurgia tradicional de ferronióbio, abrindo espaço para fornecedores com experiência em processos industriais de maior precisão.

Ficha do investimento Radar Capex
Empresa
CBMM
Local
Araxá, MG
Valor
R$ 13 bilhões (2026 a 2031)
Fase
Obras iniciadas
Previsão
não informada
Anunciado em
18 de setembro de 2026

O que isso significa para quem vende para a indústria

O ritmo crescente de capex (R$ 2 bi em 2026 ante R$ 1,1 bi em 2025) e o horizonte até 2031 indicam um ciclo de obras sustentado, não um pico isolado. A virada para óxidos de nióbio de maior valor agregado tende a exigir plantas químicas mais sofisticadas que a metalurgia tradicional, abrindo espaço para engenharia de processo mais especializada em Araxá.

Serviços que o projeto tende a contratar:

  • Novas linhas de processamento químico
  • Montagem eletromecânica industrial
  • Beneficiamento mineral
  • Utilidades industriais (energia, água, efluentes)
  • Estrutura metálica e obras civis

Janela: Capex em ritmo crescente desde 2026; ciclo de investimento se estende até 2031.

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