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Mineração · MG

CSN Mineração acelera obra de R$ 8 bilhões em Congonhas para operar em 2027

A planta Itabirito P15 já recebeu mais de R$ 2,2 bilhões, vai produzir 16,5 milhões de toneladas de minério por ano e deve gerar 4 mil vagas na obra e 1,5 mil permanentes.

Top view of sand mining machinery and piles in outdoor quarry.
Imagem ilustrativa. Foto: Volker Braun / Pexels
Por Redação Radar IndústriaPublicado em · fato divulgado em 15 de maio de 20264 min de leitura

A CSN Mineração já investiu mais de R$ 2,2 bilhões na construção da planta Itabirito P15, no complexo Casa de Pedra, em Congonhas (MG), e entrou em 2026 com as obras civis em ritmo máximo, segundo balanço do primeiro trimestre apresentado por Pedro Oliva, diretor financeiro e de relações com investidores da companhia, em teleconferência de 14 de maio e reportado pelo Diário do Comércio. O projeto de R$ 8 bilhões deve começar a operar no quarto trimestre de 2027 e é a maior fatia de um plano de R$ 15 bilhões que a mineradora está executando em Minas Gerais entre 2024 e 2027.

O projeto em números

ItemDado
Investimento da planta Itabirito P15R$ 8 bilhões
Já investido até maio de 2026Mais de R$ 2,2 bilhões
Plano total da CSN Mineração em MG (2024 a 2027)R$ 15 bilhões
Capex previsto da CSN Mineração em 2026Mais de R$ 3 bilhões
Capacidade da nova planta16,5 milhões de toneladas por ano
Teor de ferro do produto (pellet feed)Entre 67,5% e 68%
Empregos na obra4 mil vagas temporárias e 1,5 mil permanentes
Início de operação previsto4º trimestre de 2027

Fontes: Diário do Comércio (maio de 2026 e agosto de 2024) e Mais Minas (setembro de 2024).

Contexto

A CSN Mineração é, segundo o próprio Diário do Comércio, a segunda maior exportadora de minério de ferro do país, atrás apenas da Vale, e aposta na Itabirito P15 para reaproveitar minério de baixo teor já extraído e estocado em pilhas no complexo Casa de Pedra, sem abrir nova frente de lavra. Em entrevista ao jornal em agosto de 2024, o diretor de investimentos da companhia, Otto Alexandre Levy Reis, disse que o pellet feed produzido na nova planta, com teor acima do minério de Carajás, vai permitir que siderúrgicas fabriquem aço com menor emissão de carbono, usando hidrogênio no processo. Segundo Reis, metade da produção já tinha comprador fechado com uma siderúrgica japonesa, com o Oriente Médio como outro mercado-alvo.

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Dos R$ 15 bilhões do plano em Minas Gerais, cerca de R$ 3,5 bilhões vão para a compra de equipamentos, como caminhões de maior porte, escavadeiras e perfuratrizes, com ganho de eficiência de combustível segundo a empresa. O restante do valor inclui a descaracterização de barragens de rejeito, inclusive a de Casa de Pedra, que não tem obrigação legal de ser descaracterizada; a companhia já concluiu a descaracterização de duas estruturas e, segundo Reis, negocia com o poder público o cronograma para as demais. Para Congonhas, a empresa estima aumento de 70% na arrecadação municipal via CFEM, compensação financeira pela exploração mineral; só nos 18 meses anteriores a agosto de 2024, a CSN Mineração afirma ter pago R$ 730 milhões em CFEM ao município.

O projeto também enfrenta questionamentos de moradores, ambientalistas e especialistas, segundo reportagem do Mais Minas de novembro de 2024. As críticas incluem a prática de fragmentar o licenciamento ambiental da expansão, o que dificultaria avaliar o impacto cumulativo das obras, e a segurança da barragem de rejeitos de Casa de Pedra, descrita como a maior da América Latina em área urbana, com 84 metros de altura e 65 milhões de m³ de rejeitos, e histórico de falhas identificadas em 2013 e 2017. A reportagem cita ainda um decreto estadual que declarou de utilidade pública mais de 261 hectares para a expansão da mina, com desapropriação de áreas residenciais, e risco de vibração sobre o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, patrimônio reconhecido pela Unesco. Em resposta, a CSN Mineração defende que segue a legislação vigente e que os investimentos em tecnologia devem reduzir impactos ambientais e eliminar rejeitos históricos, segundo o mesmo Mais Minas.

O que a obra deve contratar

Com a infraestrutura básica em estágio avançado, a própria empresa aponta a montagem eletromecânica como o próximo gargalo de contratação até o início da operação em 2027.

  • Montagem eletromecânica da usina de beneficiamento. Segundo Pedro Oliva, ainda falta contratar essa etapa ao longo de 2026, junto com a de filtragem.
  • Minerodutos e sistemas de filtragem. Infraestrutura de transporte e processamento do minério de ferro beneficiado, citada por Oliva como contratação pendente.
  • Obras civis industriais pesadas. Fundações, estruturas e terraplenagem da nova planta, descritas pela empresa como em ritmo máximo neste momento.
  • Concentradores magnéticos de alta intensidade. Equipamento citado por Otto Alexandre Levy Reis para reprocessar rejeitos e viabilizar a descaracterização de barragens.
  • Frota pesada de mineração. Caminhões, escavadeiras e perfuratrizes, parte dos R$ 3,5 bilhões em equipamentos do plano em Minas Gerais.

Prazos e próximos passos

EtapaPrazo
Obras civis em ritmo máximoAo longo de 2026, segundo a CSN Mineração
Contratação de montagem eletromecânica, filtragem e minerodutosPrevista para 2026
Início da operação comercial4º trimestre de 2027
Vida útil da mina Casa de PedraEstendida para além de 2080, segundo a empresa
Ficha do investimento Radar Capex
Empresa
CSN Mineração
Local
Congonhas, MG
Valor
R$ 8 bilhões
Fase
Obras iniciadas
Previsão
não informada
Anunciado em
15 de maio de 2026

O que isso significa para quem vende para a indústria

A Itabirito P15 ainda está na fase em que mais vale a pena prospectar: a própria CSN Mineração aponta a montagem eletromecânica, a filtragem e os minerodutos como contratações que faltam fechar ao longo de 2026, antes da obra civil fechar o ciclo. É uma janela mais longa do que a de projetos que já chegaram a 90% de avanço físico, como outras minas que o Radar tem acompanhado em Minas Gerais. Vale observar também o capítulo da descaracterização de barragens, que soma parte relevante dos R$ 15 bilhões do plano estadual da empresa e tende a abrir contratos de engenharia geotécnica e de concentração magnética de rejeitos, independentes da obra da planta nova. Por fim, a disputa em curso sobre o licenciamento e a segurança da barragem de Casa de Pedra é um risco real de cronograma: qualquer decisão do poder público sobre o ritmo da descaracterização pode mudar a ordem de contratação dessa frente.

Serviços que o projeto tende a contratar:

  • Montagem eletromecânica de usina de beneficiamento
  • Minerodutos e sistemas de filtragem
  • Obras civis industriais pesadas
  • Concentradores magnéticos e descaracterização de barragens
  • Fornecimento e manutenção de frota pesada de mineração

Janela: Com a obra civil em ritmo máximo e a montagem eletromecânica do beneficiamento, da filtragem e dos minerodutos ainda por contratar ao longo de 2026, a janela para fornecedores de engenharia e montagem industrial é agora, antes do início de operação no quarto trimestre de 2027.

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