Bracell ajusta fábrica de celulose de R$ 20 bi em Bataguassu e empurra obra para 2027
O governo de Mato Grosso do Sul confirmou a licença prévia em julho; a fábrica pode produzir 2,9 milhões de toneladas de celulose por ano e gerar 12 mil empregos no pico da obra.

A fábrica de celulose solúvel que a Bracell projeta para Bataguassu, no interior de Mato Grosso do Sul, segue em fase de licenciamento ambiental e só deve começar a ser construída em 2027, cerca de um ano depois do prazo que o próprio governo estadual chegou a anunciar. O investimento soma entre R$ 16 bilhões e R$ 20 bilhões, segundo estimativas divulgadas pelo governo de Mato Grosso do Sul e por veículos locais ao longo de 2026, e marca a chegada da Bracell ao estado, hoje concentrado nas fábricas de celulose kraft de Três Lagoas.
O projeto em números
| Item | Dado |
|---|---|
| Investimento | R$ 16 bilhões (Semadesc, dezembro de 2025) a R$ 20 bilhões (Capital News, julho de 2026); também citado como US$ 4 bilhões |
| Capacidade de produção | 2,9 milhões de toneladas de celulose por ano, com possibilidade de celulose solúvel para tecidos |
| Consumo de eucalipto | 12 milhões de m³ por ano, de cerca de 300 mil hectares de florestas plantadas |
| Captação de água | Até 11 milhões de litros por hora do reservatório de Porto Primavera, com devolução de cerca de 9 milhões após tratamento |
| Cogeração de energia | Caldeira de recuperação, caldeira de biomassa e turbogeradores com 462 MW de capacidade |
| Empregos na obra | Até 12 mil postos no pico da construção |
| Empregos na operação | Cerca de 2 mil postos diretos |
| Duração da obra | Cerca de 38 meses, sendo 4 de terraplenagem e 34 de construção da planta |
Fontes: Semadesc, Correio do Estado, Capital News e Perfil News, dezembro de 2025 a julho de 2026.
Contexto
Será a primeira unidade da Bracell em Mato Grosso do Sul. A empresa já opera fábricas de celulose solúvel e kraft em Lençóis Paulista (SP), e a nova planta deve reproduzir em parte esse perfil, voltado à celulose usada em fibras têxteis, segundo o secretário estadual de Meio Ambiente, Jaime Verruck, em dezembro de 2025. A chegada da Bracell soma-se a outro investimento recente no setor de celulose em Mato Grosso do Sul: a Arauco também anunciou, no mesmo período, uma fábrica de US$ 4,6 bilhões em Inocência, a cerca de 150 km de Bataguassu. Hoje o estado já tem fábricas de celulose kraft da Suzano, em operação desde 2009, e do grupo J&F, dono da Eldorado, em operação desde 2012, ambas em Três Lagoas; a conta de quantas fábricas o projeto da Bracell representaria varia entre as fontes, a quinta segundo o Correio do Estado, a sexta segundo a própria Semadesc.
O cronograma de licenciamento acumulou uma sequência de prazos não cumpridos. Em agosto de 2025, o governador Eduardo Riedel disse que as obras começariam em fevereiro de 2026. Em janeiro de 2026, o secretário Jaime Verruck previu a Licença de Instalação para março; a previsão foi depois adiada para o fim de abril ou início de maio. Em junho de 2026, o secretário adjunto Artur Falcette negou que houvesse atraso no cronograma e atribuiu a demora a um ajuste pontual no leiaute da fábrica, sem mudança de município ou região. Em julho de 2026, o que o governo entregou formalmente foi a Licença Prévia, não a Licença de Instalação: a Licença Prévia atesta a viabilidade ambiental e a localização do empreendimento, mas não autoriza terraplenagem nem qualquer obra física, segundo explicou o Perfil News.
A fábrica ficará às margens da BR-267, a cerca de nove quilômetros do centro urbano de Bataguassu e a poucos quilômetros do lago da usina hidrelétrica de Porto Primavera, de onde viria a água do processo industrial. O escoamento da produção deve seguir por caminhão até a ferrovia em Aparecida do Taboado e, de lá, até o porto de Santos, segundo o Correio do Estado; a Bracell também estuda uma alternativa por hidrovia, com um porto já anunciado em Três Lagoas para escoar madeira até Lençóis Paulista. Mesmo antes da Licença de Instalação, a expectativa da fábrica já aquece o mercado imobiliário local, com hotéis e alojamentos em construção em Bataguassu para atender à futura demanda de trabalhadores, segundo o Perfil News.
O que a obra deve contratar
- Terraplenagem e fundações profundas. Os primeiros 4 dos 38 meses de obra previstos são só de terraplenagem, segundo o Correio do Estado, volume de serviço típico de fábricas de celulose deste porte.
- Montagem de linha de fibra e evaporação. A planta de celulose kraft e solúvel exige linhas de cozimento, branqueamento e evaporação com grande volume de tubulação e estrutura metálica.
- Caldeira de recuperação, caldeira de biomassa e turbogeradores. O sistema de cogeração de 462 MW citado pela Semadesc é maior do que o de boa parte das usinas termelétricas de biomassa do país e deve exigir montagem eletromecânica especializada.
- Estação de tratamento de água e efluentes. Com captação de até 11 milhões de litros por hora de um reservatório de hidrelétrica, o projeto deve exigir sistemas robustos de tratamento para devolver a água em condições aceitáveis, compromisso já assumido pela empresa junto ao Imasul.
- Linha de transmissão e subestação de alta tensão. Uma planta com geração própria de 462 MW e consumo intensivo de energia normalmente exige conexão reforçada à rede elétrica regional.
Prazos e próximos passos
| Etapa | Situação |
|---|---|
| Licença Prévia | Aprovada pelo Ceca em 5 de dezembro de 2025; entregue formalmente pelo governador Eduardo Riedel em 24 de julho de 2026 |
| Licença de Instalação | Ainda não concedida; pedido foi retirado para ajuste de leiaute e deve ser reapresentado ao Imasul, segundo o Capital News, em julho de 2026 |
| Início das obras civis | Previsto para 2027, segundo o Capital News |
| Fábrica em operação | Sem data pública; a contar da Licença de Instalação, a obra deve levar cerca de 38 meses |
O Radar Indústria volta a acompanhar o projeto quando o Imasul decidir sobre a Licença de Instalação.
- Empresa
- Bracell
- Local
- Bataguassu, MS
- Valor
- R$ 16 a 20 bilhões
- Fase
- Licenciamento
- Previsão
- não informada
- Anunciado em
- 24 de julho de 2026
O que isso significa para quem vende para a indústria
O calendário de licenciamento, mesmo atrasado, já mostra onde a demanda vai se concentrar primeiro: a obra civil de terraplenagem some dentro dos primeiros meses depois da Licença de Instalação, seguida da montagem de linha de fibra e da caldeira de recuperação, serviços de ciclo mais longo e maior ticket. A cogeração de 462 MW é um porte raro fora do setor elétrico puro e tende a atrair fornecedores que hoje trabalham para usinas termelétricas de biomassa. Como o projeto já atrasou quatro vezes desde 2025, vale tratar a Licença de Instalação, e não o anúncio do investimento, como o gatilho real de prospecção; até lá, o relacionamento comercial é melhor construído com os fornecedores de terraplenagem e infraestrutura que já atuam em Bataguassu.
Serviços que o projeto tende a contratar:
- Terraplenagem e fundações profundas
- Montagem de linha de fibra e evaporação
- Caldeira de recuperação e turbogeradores
- Estação de tratamento de água e efluentes
- Linha de transmissão e subestação de alta tensão
Janela: A demanda maior só deve começar depois da Licença de Instalação, hoje sem data certa; o gatilho a observar é a reapresentação do pedido ao Imasul.
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- Bracell recebe licença prévia para instalação de megafábrica de celulose em MS, Correio do Estado, 24 de julho de 2026
- Fábrica da Bracell aguarda licença e deve iniciar obras em 2027, Capital News, 10 de julho de 2026
- Licença prévia é liberada e Bracell avança para implantação de fábrica bilionária de celulose em Bataguassu, Perfil News, 24 de julho de 2026
- Conselho de Controle Ambiental aprova licença para construir a 6ª fábrica de celulose em Mato Grosso do Sul, Semadesc, Governo de MS, 5 de dezembro de 2025
- Secretário nega atraso no cronograma da fábrica da Bracell, Correio do Estado (via Mais Floresta), 11 de junho de 2026
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