Da urna à posse: o calendário de 25 de outubro a janeiro de 2027 e o que trava ou destrava obra
Presidente toma posse em 5 de janeiro e governadores em 6 de janeiro de 2027. Antes disso, o Congresso vota um Orçamento com R$ 133,8 bilhões em investimentos.

O segundo turno da eleição presidencial acontece no domingo, 25 de outubro de 2026, e abre uma sequência de prazos até fevereiro de 2027. Pela primeira vez, a posse não será em 1º de janeiro: pela Emenda Constitucional 111, de 2021, o presidente eleito assume em 5 de janeiro de 2027 e os governadores, em 6 de janeiro. Entre a urna e a posse, o Congresso precisa votar o Orçamento de 2027, que prevê R$ 133,8 bilhões em investimentos, segundo a Agência Brasil, e os governos que saem continuam presos às regras de fim de mandato da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
O que muda
A Emenda 111 reescreveu os artigos 28 e 82 da Constituição. O texto em vigor diz que o mandato presidencial começa em 5 de janeiro do ano seguinte ao da eleição e que governadores e vices tomam posse em 6 de janeiro. A emenda estende os mandatos atuais até a posse dos sucessores. Deputados e senadores tomam posse em sessões preparatórias a partir de 1º de fevereiro.
Resultado, contas e diplomação
Pelo calendário da Resolução 23.760 do TSE, os resultados do segundo turno começam a ser divulgados às 17h de 25 de outubro, horário de Brasília. As contas de campanha do segundo turno vencem em 14 de novembro, e 18 de dezembro de 2026 é o último dia para a diplomação dos eleitos.
Transição
A Lei 10.609, de 2002, faculta ao candidato eleito montar uma equipe de transição com acesso às informações sobre contas públicas, programas e projetos do governo federal. A lei cria 50 cargos especiais de transição, que podem ser preenchidos a partir do segundo dia útil após o turno decisivo, ou seja, 27 de outubro de 2026, e ficam vagos até dez dias após a posse.
Orçamento de 2027
O governo enviou o projeto de Lei Orçamentária de 2027 ao Congresso em 31 de agosto de 2026. Segundo a Agência Brasil, a proposta reserva R$ 133,8 bilhões para investimentos, contra R$ 110,8 bilhões no Orçamento de 2026. O Novo PAC concentra R$ 61,5 bilhões. O Ato das Disposições Constitucionais Transitórias manda devolver o projeto para sanção até o encerramento da sessão legislativa, que a Constituição fixa em 22 de dezembro. A Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027 ainda não havia sido votada no início de outubro, de acordo com o InvestNews. O projeto da LDO propõe meta de superávit de R$ 73,2 bilhões, ou 0,5% do PIB.
Regras de fim de mandato
- LRF, artigo 42. Proíbe o titular de Poder, nos dois últimos quadrimestres do mandato, de assumir despesa que não possa ser paga dentro dele ou que deixe parcelas para o ano seguinte sem caixa suficiente. Na leitura usual, o período começa em 1º de maio do último ano, e análise publicada no Jus.com.br sustenta que a regra não proíbe contratar obra, mas exige caixa para as parcelas que vencem no último exercício.
- LRF, artigo 21. É nulo o ato que aumente a despesa com pessoal nos 180 dias anteriores ao fim do mandato.
- Lei Eleitoral, artigo 73, VI. De 4 de julho até a eleição, ficou vedada a transferência voluntária da União a estados e municípios e dos estados aos municípios. A exceção, segundo o calendário do TSE, é o recurso para obra ou serviço já em andamento com cronograma prefixado e para emergências.
- Lei Eleitoral, artigo 73, V. Até a posse dos eleitos, a administração da circunscrição do pleito não pode nomear, contratar ou admitir servidores, salvo exceções como cargos em comissão e aprovados em concursos homologados até 4 de julho de 2026.
Quem é afetado
O calendário atinge o governo federal, que executa o restante do Orçamento de 2026 enquanto o Congresso vota o de 2027; os 27 governos estaduais, que trocam de comando em 6 de janeiro e seguem sob o artigo 42 da LRF até lá; e os municípios que dependem de convênios, cujo repasse voluntário ficou suspenso no período eleitoral. Concessões também estão no calendário: segundo o MundoLogística, o leilão da ferrovia Minas-Rio está marcado para 17 de dezembro de 2026.
Prazos
| Data | O que acontece | Base |
|---|---|---|
| 25 de outubro de 2026 | Segundo turno; resultados a partir das 17h | Resolução TSE 23.760 |
| 27 de outubro de 2026 | Primeiro dia para nomear a equipe de transição federal | Lei 10.609/2002 |
| 14 de novembro de 2026 | Prazo das contas de campanha do segundo turno | Resolução TSE 23.760 |
| 18 de dezembro de 2026 | Último dia para a diplomação dos eleitos | Resolução TSE 23.760 |
| 22 de dezembro de 2026 | Fim da sessão legislativa; prazo para devolver o Orçamento de 2027 à sanção | Constituição, art. 57, e ADCT, art. 35 |
| 5 de janeiro de 2027 | Posse do presidente e do vice | Emenda Constitucional 111 |
| 6 de janeiro de 2027 | Posse dos governadores e vices | Emenda Constitucional 111 |
| Até 15 de janeiro de 2027 | Saída da equipe de transição (dez dias após a posse) | Lei 10.609/2002 |
| 1º de fevereiro de 2027 | Sessões preparatórias e posse do novo Congresso | Constituição, art. 57 |
O que isso significa para quem presta serviço
Para fornecedores de obra e serviço, o período entre a urna e a posse tende a separar dois tipos de contrato. Os que já têm empenho, cronograma e caixa tendem a seguir, porque as próprias regras de fim de mandato preservam obra em andamento. Os que dependem de assinatura nova em estados e na União tendem a esperar a definição do Orçamento de 2027 e das equipes que assumem em janeiro. Na indústria privada, a decisão de investir costuma acompanhar a leitura do novo governo, o que pode concentrar consultas e propostas a partir de novembro e fechamentos a partir do primeiro trimestre de 2027.
- Quem decidiu
- Tribunal Superior Eleitoral e Congresso Nacional
- Valor
- R$ 133,8 bilhões
- Vigência
- 25 de outubro de 2026 a 1º de fevereiro de 2027
- Publicado em
- 2 de março de 2026
Como isso afeta quem vende para a indústria
Nossa leitura: os próximos 75 dias tendem a ser de contrato público mais lento e de orçamento privado em compasso de espera. Quem já tem contrato com estado ou União deve conferir empenho e cronograma antes de dezembro, porque obra com caixa garantido atravessa a troca de governo com mais segurança. Para obra nova, a janela mais provável se abre depois que o Orçamento de 2027 for sancionado e as equipes de governo forem nomeadas, o que aponta para o primeiro trimestre de 2027. Na indústria privada, o momento é bom para prospectar e orçar, já que projetos adiados à espera do resultado podem voltar à mesa logo após 25 de outubro.
- Obra civil industrial com contrato em andamento
- Manutenção industrial
- Engenharia de projetos e orçamentos
- Montagem eletromecânica
- Elétrica industrial
Janela: Contrato público novo tende a sair a partir do primeiro trimestre de 2027, depois da sanção do Orçamento e da posse das equipes.
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- Resolução nº 23.760, de 2 de março de 2026 (calendário eleitoral), TSE, 2 de março de 2026
- Emenda Constitucional nº 111, de 28 de setembro de 2021, Planalto, 28 de setembro de 2021
- Lei Complementar nº 101 (Lei de Responsabilidade Fiscal), Planalto, 4 de maio de 2000
- Lei nº 10.609, de 20 de dezembro de 2002 (equipe de transição), Planalto, 20 de dezembro de 2002
- Orçamento de 2027 prevê R$ 133,8 bilhões em investimentos, Agência Brasil, 1 de setembro de 2026
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