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Papel e celulose · MS

Arauco chega a 81% da fábrica de celulose de R$ 25 bilhões em Inocência (MS)

Projeto Sucuriú terá 3,5 milhões de toneladas por ano, está 6 pontos à frente do cronograma e entra no pico da montagem eletromecânica antes de operar no fim de 2027.

Aerial view of a dense eucalyptus forest under a bright sky in Taperoá, Brazil.
Imagem ilustrativa. Foto: thiago japyassu / Pexels
Por Redação Radar IndústriaPublicado em · fato divulgado em 8 de outubro de 20265 min de leitura

A fábrica de celulose que a chilena Arauco constrói em Inocência, no leste de Mato Grosso do Sul, alcançou 81% de execução física, informou o Correio do Estado em 8 de outubro de 2026. O Projeto Sucuriú tem investimento de US$ 4,6 bilhões, cerca de R$ 25 bilhões, e capacidade para 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano. Segundo o jornal, a obra estava em 58% em maio, o que significa um avanço de 23 pontos percentuais em cerca de cinco meses.

O diretor de Sustentabilidade e Relações Institucionais da Arauco, Theófilo Militão, disse no 58º Congresso e Exposição Internacional de Celulose e Papel, em São Paulo, que o empreendimento está 6 pontos à frente do cronograma original, de acordo com o Correio do Estado. A companhia, porém, não antecipou a data de partida: a operação segue prevista para o último trimestre de 2027, com capacidade plena ao longo de 2028. Ao jornal, a empresa afirmou que a obra está dentro do planejamento.

O projeto em números

ItemValor
InvestimentoUS$ 4,6 bilhões, cerca de R$ 25 bilhões (Arauco e Correio do Estado)
Capacidade3,5 milhões de toneladas de celulose por ano (Arauco)
Execução física81% em outubro de 2026, ante 58% em maio (Correio do Estado)
Excedente de energiaaté 400 MW (Correio do Estado)
Área total do projeto3.500 hectares (Arauco)
Empregos diretos nas obrasmais de 14 mil (Arauco)
Empregos na operaçãocerca de 6 mil nas áreas industrial, florestal e logística (Arauco)
Ramal ferroviário EF-A3545 km, mais 9 km dentro da fábrica, R$ 2,4 bilhões (Arauco)
Financiamento do BID InvestUS$ 250 milhões, em sindicato de US$ 525 milhões (BID Invest)

Segundo o comunicado da pedra fundamental, a fábrica reúne preparação de madeira, cozimento, branqueamento, secagem, recuperação química e geração de energia. A Arauco descreve a unidade como a maior do mundo construída em etapa única. O BID Invest, braço do Banco Interamericano de Desenvolvimento para o setor privado, aprovou em 22 de julho de 2025 um empréstimo de US$ 250 milhões para o projeto, com prazo de até dez anos e carência de até cinco, de acordo com a ficha do banco. A mesma ficha informa que a fábrica fica a cerca de 50 km de Inocência e será abastecida por 400 mil hectares de eucalipto da própria empresa.

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Contexto

O Sucuriú é a primeira fábrica de celulose da Arauco no Brasil. A pedra fundamental foi lançada em 9 de abril de 2025, numa cerimônia com o então presidente em exercício Geraldo Alckmin e o governador Eduardo Riedel, segundo a empresa. No fim de 2025, a obra passava de 40% de execução e reunia mais de 9.400 pessoas no canteiro, informou o boletim do projeto publicado em março de 2026.

A Valmet, da Finlândia, responde pela tecnologia, pelos sistemas industriais e pela automação da planta, segundo reportagem do jornal A Crítica, de Campo Grande. Em março de 2026, chegou ao canteiro o balão da caldeira de recuperação, peça de cerca de 312 toneladas e 32 metros de comprimento fabricada na China. O transporte levou cerca de 45 dias por mar e outros 48 por estrada, com desembarque em Paranaguá e Santos, e o içamento foi previsto a 90 metros de altura com dois guindastes de 750 toneladas, informou o jornal. O boletim da Arauco cita ainda a Enesa Engenharia, com cerca de 950 trabalhadores na montagem das caldeiras.

A logística de exportação passa pelos trilhos. A Arauco constrói o ramal EF-A35 até o pátio da Rumo Malha Norte, de onde a celulose seguirá por 1.050 km até o Porto de Santos, segundo o boletim. A empresa prevê 26 locomotivas e 721 vagões. Em 7 de outubro, o Diário Oficial da União publicou a decisão da ANTT que registra a Arauco como usuária dependente do transporte ferroviário de carga, com rota de Inocência a um terminal privado na Alemoa, em Santos, pelas malhas Norte e Paulista da Rumo, informou o Correio do Estado.

A fábrica reforça o peso da celulose na economia sul-mato-grossense. Em 2025, o produto respondeu por 28,98% das exportações do estado, que somaram o recorde de US$ 10,7 bilhões, segundo dados da Semadesc divulgados pelo Sindifisco-MS. O Radar acompanha outras obras industriais de grande porte em as maiores obras industriais de outubro.

A obra também teve paralisações. Trabalhadores da Opus Construtech, contratada do projeto, cruzaram os braços em 1º de setembro de 2026 durante a negociação da data-base, depois de movimentos semelhantes em 2025 e em fevereiro de 2026, segundo o Correio do Estado.

O que a obra deve contratar

  • Montagem eletromecânica. Com a obra no pico da montagem, segundo o Correio do Estado, a fase tende a concentrar contratos de montagem de equipamentos, estruturas metálicas e caldeiraria nas áreas de fibra, secagem e recuperação.
  • Tubulação, válvulas e isolamento. Plantas de celulose desse porte costumam exigir quilômetros de tubulação de processo, com pacotes de isolamento térmico e pintura industrial.
  • Instrumentação e elétrica. A integração dos sistemas de automação da Valmet tende a demandar montagem elétrica de média tensão, lançamento de cabos e instrumentação de campo.
  • Comissionamento e partida. Com a operação marcada para o último trimestre de 2027, a contratação de equipes de condicionamento, testes e partida costuma ocorrer de seis a doze meses antes.
  • Ferrovia e pátio. O ramal EF-A35 passa por terraplanagem, pontes, viadutos e assentamento de trilhos, segundo o boletim da empresa, frentes que costumam ser contratadas em pacotes separados.

Prazos e próximos passos

EtapaPrazoFonte
Pedra fundamental da fábrica9 de abril de 2025Arauco
Aprovação do financiamento do BID Invest22 de julho de 2025BID Invest
Execução acima de 40%dezembro de 2025Boletim Projeto Sucuriú
Execução de 81%outubro de 2026Correio do Estado
Conclusão do ramal ferroviário EF-A35segundo semestre de 2027Boletim Projeto Sucuriú
Início da operaçãoúltimo trimestre de 2027Correio do Estado
Capacidade plenaao longo de 2028Correio do Estado
Ficha do investimento Radar Capex
Empresa
Arauco
Local
Inocência, MS
Valor
US$ 4,6 bi
Fase
Obras iniciadas
Previsão
Operação no 4º tri de 2027; plena capacidade em 2028
Anunciado em
8 de outubro de 2026

O que isso significa para quem vende para a indústria

Com 81% de execução, a obra já passou da civil e está no auge da montagem eletromecânica, de tubulação e de instrumentação, que é onde ainda há espaço para subcontratadas de montadoras como a Enesa. O próximo bloco a ser contratado, ao longo de 2027, é o de comissionamento, partida e manutenção, que costuma virar contrato recorrente quando a fábrica opera. O ramal ferroviário de R$ 2,4 bilhões corre em paralelo e abre frente própria para empresas de obras de arte e via permanente. Para quem não está no canteiro, a porta de entrada mais realista é o pacote de serviços de operação e manutenção da fase de partida.

Serviços que o projeto tende a contratar:

  • Montagem eletromecânica de linha de fibra, secagem e recuperação
  • Tubulação industrial, válvulas e isolamento térmico
  • Instrumentação, automação e elétrica de média tensão
  • Comissionamento e partida de planta de celulose
  • Via permanente, pontes e viadutos ferroviários
  • Manutenção industrial pós partida

Janela: Agora para montagem e tubulação; ao longo de 2027 para comissionamento, partida e contratos de manutenção.

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