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Mineração · PA

Bravo Mining planeja mina e fundição de R$ 4 bilhões para platina e níquel no Pará

O projeto Luanga, em Carajás, prevê usina de 10 milhões de toneladas por ano e fundição de R$ 935 milhões na ZPE de Barcarena, com pedido de LI até dezembro.

An aerial shot of an open-pit mine with machinery and pathways visible, surrounded by landscape.
Imagem ilustrativa. Foto: Volker Braun / Pexels
Por Redação Radar IndústriaPublicado em · fato divulgado em 23 de setembro de 20265 min de leitura

A Bravo Mining, mineradora com sede no Canadá e operação no Brasil, divulgou em 22 de setembro de 2026 o estudo de pré-viabilidade do projeto Luanga, na Província Mineral de Carajás, no Pará, com investimento estimado em cerca de R$ 4 bilhões (US$ 784,9 milhões) antes do início da produção. Segundo a Brasil Mineral, que publicou os números em 23 de setembro, o valor inclui R$ 3,1 bilhões para mina e usina e R$ 935 milhões para uma fundição na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Barcarena, a cerca de 600 km da mina. O projeto vai produzir paládio, platina, ródio, ouro e níquel.

A licença prévia foi concedida pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas) em 3 de março de 2025, de acordo com a empresa. O próximo passo é protocolar o pedido de licença de instalação até o fim do quarto trimestre de 2026, informou a Bravo no comunicado do estudo.

O projeto em números

ItemValor
Investimento antes da produçãoUS$ 784,9 milhões, cerca de R$ 4 bilhões (Bravo Mining e Brasil Mineral)
Mina e usinaUS$ 603,6 milhões, cerca de R$ 3,1 bilhões (Bravo Mining)
Fundição em BarcarenaUS$ 181,3 milhões, cerca de R$ 935 milhões (Bravo Mining)
Necessidade de financiamento no picoUS$ 877 milhões, cerca de R$ 4,5 bilhões (Brasil Mineral)
Capacidade da usina10 milhões de toneladas por ano, ou 27,4 mil toneladas por dia (Bravo Mining)
Produção média anualcerca de 394 mil onças de paládio, platina, ródio e ouro e 9,8 mil toneladas de níquel (Brasil Mineral)
Vida útil da mina9,6 anos (Brasil Mineral)
Movimentação total662,8 milhões de toneladas, em três cavas a céu aberto (Brasil Mineral)
Ácido sulfúrico como subproduto878 mil toneladas na vida útil (Bravo Mining)
VPL após impostosUS$ 1,45 bilhão, com TIR de 35,1% (Brasil Mineral)

O detalhamento do investimento, publicado pela empresa, mostra onde está o grosso do gasto: US$ 280,6 milhões em equipamentos mecânicos da usina, US$ 71,6 milhões em gerenciamento de engenharia, compras e construção (EPCM), US$ 65,3 milhões em elétrica, subestação e distribuição, US$ 51,6 milhões em obras civis, prédios e terraplanagem, US$ 15,2 milhões em barragem de água e US$ 14,5 milhões em barragem de rejeitos. A estimativa é de classe 4 da AACE, com precisão de 20% para menos a 30% para mais, segundo a Bravo.

Contexto

O estudo de pré-viabilidade mudou o desenho do projeto em relação à avaliação econômica preliminar de 7 de julho de 2025. Naquela versão, a vida útil era de 17 anos e o investimento inicial do caso com fundição era de US$ 677,6 milhões, informou a empresa na época. Agora, a usina passa a usar britagem em dois estágios, prensas de rolos de alta pressão, moinho de bolas e moinho vertical, com flotação em células Jameson, e a barragem de rejeitos empilhados a seco deu lugar a uma barragem convencional com alteamento para jusante, segundo o comunicado de setembro.

A fundição avançou no campo regulatório. O Conselho Nacional das ZPE aprovou a ZPE de Barcarena e a Bravo Metals como projeto âncora em 3 de novembro de 2025, o decreto presidencial que criou a zona foi assinado em 22 de janeiro de 2026 e a autorização para a subsidiária se instalar saiu na Resolução CZPE/MDIC nº 128, publicada em 1º de setembro de 2026, de acordo com a empresa. O regime vale por 20 anos e suspende tributos federais sobre equipamentos e insumos, mas não substitui o licenciamento ambiental nem autoriza a construção, ressaltou a Bravo.

Para bancar a fase de estudos, a mineradora concluiu em janeiro de 2026 uma oferta de ações de 86 milhões de dólares canadenses e, em abril, uma colocação privada de 28,5 milhões de dólares canadenses com acordo de investimento com a Orion Mine Finance, segundo os comunicados da empresa. O caixa era de cerca de US$ 94,1 milhões em 30 de junho, valor que, segundo a companhia, cobre o trabalho até a decisão final de investimento. O presidente do conselho e executivo-chefe, Luis Azevedo, disse que o estudo valida a estratégia de integração vertical no Brasil.

No Pará, outras obras grandes de mineração já estão em andamento, como o Projeto Novas Minas, da MRN, de R$ 5 bilhões em bauxita.

O que a obra deve contratar

  • Engenharia e EPCM. Com quase US$ 72 milhões reservados para gerenciamento, o projeto tende a contratar primeiro a engenharia de viabilidade definitiva e, depois, um EPCM que vai empacotar as frentes.
  • Terraplanagem e abertura de cavas. Três cavas e mais de 660 milhões de toneladas movimentadas costumam exigir pré-decapeamento, estradas de mina e drenagem, e a empresa avalia frota própria.
  • Montagem da usina de beneficiamento. Britagem, prensas de rolos, moagem e flotação tendem a gerar pacotes grandes de montagem mecânica, tubulação e estruturas metálicas.
  • Barragens de rejeitos e de água. As duas estruturas costumam pedir projeto geotécnico, construção, instrumentação e monitoramento sob as normas brasileiras de segurança.
  • Elétrica e subestação. Com energia 100% renovável prevista, a conexão à rede e a distribuição interna tendem a exigir subestação, linhas e painéis.
  • Fundição e planta de ácido. Em Barcarena, a calcinação, o forno elétrico a arco e a planta de ácido sulfúrico costumam demandar montagem especializada, refratários e sistemas de controle de emissões.

Prazos e próximos passos

EtapaPrazoFonte
Licença prévia concedida pela Semas3 de março de 2025Bravo Mining
Autorização da fundição na ZPE de Barcarenapublicada em 1º de setembro de 2026Bravo Mining
Estudo de pré-viabilidade divulgado22 de setembro de 2026Bravo Mining
Relatório técnico no sistema canadense SEDAR+até 45 dias após 22 de setembro de 2026Bravo Mining
Pedido de licença de instalaçãoaté o fim do quarto trimestre de 2026Bravo Mining
Atualização dos recursos mineraisprimeiro trimestre de 2027Bravo Mining
Viabilidade definitiva, decisão de investimento e início da produçãosem data divulgadaBrasil Mineral

Pelo estudo, mina, usina e fundição seriam construídas ao mesmo tempo, e a usina chegaria à capacidade nominal no fim do primeiro ano de operação, segundo a Bravo. A empresa não informou a duração da obra nem o número de empregos.

Ficha do investimento Radar Capex
Empresa
Bravo Mining
Local
Carajás (mina) e Barcarena (fundição), PA
Valor
R$ 4 bi
Fase
Licenciamento
Previsão
Pedido de licença de instalação no 4º trimestre de 2026
Anunciado em
23 de setembro de 2026

O que isso significa para quem vende para a indústria

Luanga ainda está na fase de papel: quem ganha agora é engenharia, geotecnia, sondagem e consultoria ambiental, que alimentam o pedido de licença de instalação e o estudo de viabilidade definitivo. O pacote de obra, com cerca de US$ 600 milhões em mina e usina, só deve ir a mercado depois da decisão de investimento, e a contratação do EPCM é o sinal a observar. A fundição em Barcarena é um segundo canteiro, com perfil de montagem metalúrgica e controle ambiental, e depende de licença própria. Fornecedor com base em Parauapebas ou Barcarena e histórico em barragens tende a sair na frente.

Serviços que o projeto tende a contratar:

  • Engenharia de viabilidade e EPCM
  • Usina de britagem, moagem e flotação
  • Barragem de rejeitos e de água
  • Terraplanagem e abertura de cavas
  • Fundição e planta de ácido sulfúrico
  • Subestações e linhas

Janela: Engenharia, sondagem e licenciamento agora; obra só depois da decisão de investimento, ainda sem data.

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