MRN entra em obra no Projeto Novas Minas e prevê R$ 5 bilhões em bauxita no Pará
Com licença de instalação desde abril, a mineradora constrói uma linha de 230 kV com 98 km e prevê 2,3 mil postos nas obras em Oriximiná, Terra Santa e Faro.

A Mineração Rio do Norte (MRN) começou a implantar o Projeto Novas Minas (PNM), de bauxita, no oeste do Pará, com investimento previsto de R$ 5 bilhões em cinco anos, segundo a Brasil Mineral, que publicou em 15 de setembro de 2026 dados da quarta edição do "Por Dentro da MRN", relatório semestral da própria empresa. O projeto leva a mineração para novas áreas em Oriximiná, Terra Santa e Faro e, de acordo com a companhia, deve assegurar a continuidade das operações na região até 2041.
A Licença de Instalação foi expedida pelo Ibama. O documento, de número 1555/2026, foi assinado digitalmente em 29 de abril de 2026, vale por cinco anos e cobre a lavra de bauxita nos platôs Barone, Escalante, Jamari e Rebolado, dentro da Floresta Nacional de Saracá Taquera, em Oriximiná.
O projeto em números
| Item | Valor |
|---|---|
| Investimento previsto | R$ 5 bilhões em cinco anos (Brasil Mineral) |
| Postos de trabalho nas obras | 2,3 mil (Brasil Mineral) |
| Estradas a abrir | cerca de 46 km (Relatório da Administração 2023 da MRN) |
| Linha de transmissão | 230 kV, 98 km, 232 torres (Brasil Mineral) |
| Avanço físico da linha | 63% em agosto de 2026 (Brasil Mineral) |
| Empregos já gerados pela linha | 1,1 mil, sendo 67% de trabalhadores do Pará (Brasil Mineral) |
| Vagas em cursos profissionalizantes | 1,2 mil, em 14 cursos (Brasil Mineral) |
| Compensação ambiental | R$ 3.702.557,13, com grau de impacto de 0,5% (Licença de Instalação do Ibama) |
A linha de 230 kV vai ligar a operação da MRN ao Sistema Interligado Nacional. Segundo a publicação, já foram concluídas as cinco torres da travessia do rio Trombetas, apontada como uma das etapas mais complexas da obra, e a empresa espera cortar em 90% as emissões de gases de efeito estufa ligadas à geração de energia. O projeto mantém diálogo com 19 comunidades da área de influência direta, de acordo com a Brasil Mineral.
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Segundo o Relatório da Administração de 2023 da empresa, a reestruturação societária daquele ano levou a Companhia Brasileira de Alumínio a transferir sua fatia para a Rio Tinto do Brasil, enquanto Vale e Norsk Hydro passaram as suas para a Ananke Alumina, investida da Glencore. Com isso, as ações ordinárias ficaram divididas em 45% da Ananke Alumina, 30% da South32 e 25% da Rio Tinto, conforme o mesmo documento.
Em 2023, a mineradora produziu 12,7 milhões de toneladas de bauxita, alta de 3,4% sobre o ano anterior, e teve receita líquida de R$ 1,642 bilhão, informou o relatório, e 64% das vendas daquele ano foram para refinarias brasileiras. A empresa investiu R$ 458,9 milhões em 372 projetos, dos quais 5% foram para iniciativas ligadas a novas minas, e encerrou dezembro com 1.635 empregados próprios e 4.561 terceiros, segundo a mesma fonte.
O PNM faz parte do Programa Zona Oeste, que a MRN apresentou em 2023 como o caminho para manter as operações até 2043, com a abertura de estradas e infraestrutura para os platôs Rebolado, Escalante, Cruz Alta Leste, Jamari e Barone. Naquele relatório, a empresa previa a Licença de Operação para o início de 2028, depois da conclusão das obras. A publicação mais recente, citada pela Brasil Mineral, fala em continuidade até 2041.
No primeiro semestre de 2026, a MRN produziu 5,5 milhões de toneladas de bauxita e investiu R$ 470,2 milhões, informou a Brasil Mineral. As compras de materiais e serviços no Pará somaram R$ 448,3 milhões no período, e a companhia manteve 7.711 trabalhadores, com 85,61% dos empregados próprios vindos do estado. A mineradora também fez encontros com empresários de Santarém, Óbidos, Oriximiná, Faro e Terra Santa para ampliar a participação de fornecedores locais.
O peso do Pará no setor ajuda a explicar a escala da obra. Segundo o Boletim da Mineração 2024 da Fapespa, noticiado pelo jornal O Liberal, o estado produziu 42,1 milhões de toneladas de alumínio, categoria que inclui a bauxita, em 2023, o equivalente a 90,8% da produção nacional. Pela mesma fonte, o Brasil é o quarto maior produtor do mundo nessa substância.
O que a obra deve contratar
- Terraplanagem e acessos. Com cerca de 46 km de estradas previstos pela empresa, projetos desse porte costumam exigir pacotes de terraplanagem, drenagem e pavimentação primária em área de floresta.
- Supressão e recuperação ambiental. A licença condiciona a supressão de vegetação a um programa de monitoramento da restauração ecológica, o que tende a gerar contratos de inventário florestal, viveiro, plantio e monitoramento.
- Montagem eletromecânica. A abertura de novos platôs costuma demandar montagem de correias, estruturas metálicas e utilidades para ligar lavra e beneficiamento.
- Sistemas elétricos. Com a linha de 230 kV em fase final, a conexão ao sistema nacional tende a exigir subestações, comissionamento e adequação das instalações internas.
- Canteiro e logística. Obras em região remota, acessada pelo rio Trombetas, costumam contratar alojamento, alimentação, transporte de pessoal e movimentação de carga fluvial.
Prazos e próximos passos
| Etapa | Prazo | Fonte |
|---|---|---|
| Cursos do Programa de Gestão de Mão de Obra | de julho de 2026 até julho de 2027 | Brasil Mineral |
| Entrega ao Ibama do polígono da área diretamente afetada e do Plano Diretor georreferenciado | até 90 dias da licença | Licença de Instalação |
| Plano Integrado de Sustentabilidade do complexo, pré-requisito para pedir a Licença de Operação | até 120 dias da licença | Licença de Instalação |
| Operação da linha de transmissão | primeiro trimestre de 2027 | Brasil Mineral |
| Plano Básico Ambiental Quilombola da fase 2 e nova consulta às comunidades, condição para a manifestação do Incra na Licença de Operação | até 30 meses da licença | Licença de Instalação |
| Validade da Licença de Instalação | cinco anos a partir de 29 de abril de 2026 | Licença de Instalação |
| Continuidade das operações | até 2041 | Brasil Mineral |
A supressão de vegetação para a lavra nos platôs só pode ocorrer depois da primeira etapa do programa de monitoramento da restauração ecológica, que deve cobrir ao menos um ciclo sazonal completo, segundo a licença. O próprio documento diz que ele não autoriza, por si, supressão de vegetação nativa nem manejo de fauna.
- Empresa
- Mineração Rio do Norte (MRN)
- Local
- Oriximiná, Terra Santa e Faro, PA
- Valor
- R$ 5 bi
- Fase
- Obras iniciadas
- Previsão
- Linha de transmissão no 1º tri de 2027; operações até 2041
- Anunciado em
- 15 de setembro de 2026
O que isso significa para quem vende para a indústria
Projeto com licença de instalação e obra andando é o melhor momento para fornecedor: o orçamento está aprovado e as frentes estão sendo contratadas em pacotes. A MRN já gasta centenas de milhões por semestre com compras no Pará e vem fazendo rodadas com empresários da região, o que favorece quem tem base local. Mineração em área remota valoriza quem resolve logística, alojamento e equipe própria, e a abertura de novos platôs cria demanda recorrente de manutenção depois da implantação.
Serviços que o projeto tende a contratar:
- Terraplanagem, drenagem e obras de acesso
- Montagem eletromecânica de beneficiamento e correias
- Linhas e subestações
- Supressão vegetal, viveiro e recuperação de áreas
- Manutenção de equipamentos móveis e utilidades
- Canteiro, alojamento e facilities
Janela: Imediata: projeto em implantação, com frentes contratadas ao longo de 2026 e 2027.
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- MRN prevê R$ 5 bilhões no projeto Novas Minas, Brasil Mineral, 15 de setembro de 2026
- Licença de Instalação nº 1555/2026, Projeto Novas Minas, Ibama (cópia publicada pela Comissão Pró-Índio de São Paulo), 29 de abril de 2026
- Relatório da Administração 2023, Mineração Rio do Norte, 1 de janeiro de 2024
- Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas publica Boletim da Mineração, O Liberal, 29 de outubro de 2024
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