ByteDance vai erguer no Pecém o maior campus de data centers da América Latina
Dona do TikTok prevê mais de R$ 200 bilhões, até 900 MW de capacidade e 20 prédios na primeira fase, com operação a partir de 2027.

A ByteDance, controladora do TikTok, está construindo no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará, um campus de data centers com investimento superior a R$ 200 bilhões, segundo a Exame, em reportagem de 2 de julho de 2026 assinada pela agência China2Brazil. Com capacidade prevista de até 900 MW, o projeto é descrito pela revista como o maior complexo de data centers do Brasil e da América Latina. O campus vai atender às operações do TikTok no Brasil, nos Estados Unidos, na Europa e em outros mercados fora da China.
O investimento foi anunciado em 3 de dezembro de 2025, em evento em Fortaleza com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pela diretora de políticas públicas do TikTok no Brasil, Monica Guise, segundo o InfoMoney, com base na Bloomberg. Na ocasião, o valor foi informado como mais de R$ 200 bilhões, equivalente a US$ 37,7 bilhões. A construção e a operação ficam com a Omnia Data Centers, plataforma ligada à Pátria Investments, e a ByteDance é a cliente principal, informou o jornal O Povo.
O projeto em números
| Item | Valor |
|---|---|
| Investimento estimado | mais de R$ 200 bilhões (Exame e InfoMoney) |
| Capacidade do campus | até 900 MW (Exame) |
| Capacidade inicial | 200 MW, totalmente contratada pela ByteDance (Diário do Nordeste) |
| Primeira fase | dois prédios com mais de 70 mil m² de área coberta cada e 20 data halls (Diário do Nordeste) |
| Demanda de energia da primeira fase | próxima de 300 MW (Exame) |
| Demanda de energia no fim da expansão | cerca de 1 GW (Exame) |
| Contrato de energia | US$ 2 bilhões, por 20 anos (Exame) |
| Geradores a diesel citados pelo MPF | 120 (Diário do Nordeste) |
A Exame fala em 20 edifícios na primeira fase; o Diário do Nordeste, em 16 de setembro de 2026, descreve dois prédios com 20 data halls. A Exame aponta ainda que os maiores campi da América Latina operam, em geral, entre 50 MW e 100 MW, e que o projeto pode superar em até nove vezes os maiores complexos atuais da região.
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O suprimento de energia foi fechado em 18 de maio de 2026, quando a Omnia assinou com a Casa dos Ventos um contrato de compra de energia de US$ 2 bilhões, de acordo com a Exame. Segundo o Cenário Energia, a energia virá do Complexo Eólico Ibiapaba, de 630 MW, entre Ceará e Piauí, e do Parque Eólico Dom Inocêncio, no Piauí, no modelo de autoprodução, em que a Omnia recebe participação nos ativos de geração. O veículo acrescenta que é o maior volume de energia já vendido pela Casa dos Ventos, que tem a TotalEnergies como acionista estratégica.
O Povo informou que, em janeiro de 2026, a Omnia recebeu autorização do Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação para administrar um hub de data centers no Ceará, depois de parecer favorável do Cade. O jornal também relatou que este é um dos cinco data centers que a ByteDance planeja para o Pecém e que a projeção de investimentos para o hub chega a R$ 571 bilhões. Em setembro de 2025, lembrou o InfoMoney, o governo federal editou medida provisória com incentivos a quem constrói data centers, entre eles a importação de alguns equipamentos sem impostos.
O projeto enfrenta questionamento judicial. Segundo o Diário do Nordeste, o Ministério Público Federal e a Defensoria Pública da União entraram em setembro de 2026 com ação civil pública para impedir que o data center entre em operação antes de consulta livre, prévia e informada ao povo indígena Anacé. A ação pede ainda Estudo de Impacto Ambiental (EIA/Rima), contestando o licenciamento simplificado, e que a Semace não emita a licença de operação até o cumprimento das medidas. Em maio, o MPF já havia apontado que os 120 geradores a diesel não foram considerados no licenciamento, informou o jornal. Wellyson Costa, diretor institucional da Omnia no Ceará, disse que a empresa aguarda citação formal e avalia que os pedidos se referem só à fase de operação, sem atrasar as obras.
O que a obra deve contratar
Com a estrutura do primeiro prédio pronta, a obra entra na fase que mais concentra fornecedores especializados, segundo o cronograma relatado pelo Diário do Nordeste. Campi desse porte costumam exigir:
- Montagem eletromecânica. A etapa anunciada para setembro de 2026 costuma envolver bandejamento, cabeamento de força, barramentos blindados e painéis em cada data hall.
- Subestações e média tensão. Uma demanda de centenas de megawatts costuma exigir subestação própria, linhas de conexão e transformadores, com montagem e comissionamento por empresa habilitada.
- Geração de emergência. Os 120 geradores citados pelo MPF indicam frentes de base, tanques, exaustão, tratamento acústico e manutenção recorrente dos grupos.
- Climatização de precisão. Data halls costumam pedir resfriadores, unidades de ar de precisão, tubulação de água gelada e, cada vez mais, resfriamento líquido.
- Obra civil do segundo prédio. A construção do segundo prédio em paralelo mantém frentes de fundação, estrutura e cobertura abertas, segundo o Diário do Nordeste.
- Combate a incêndio e segurança. Detecção precoce, supressão por gás, controle de acesso e monitoramento costumam ser exigidos em instalações de missão crítica.
- Operação e manutenção. Depois da partida, contratos de manutenção de missão crítica, com equipe local, tendem a ser recorrentes.
Prazos e próximos passos
| Etapa | Data |
|---|---|
| Anúncio do investimento | 3 de dezembro de 2025 (InfoMoney) |
| Início da obra, com terraplenagem | janeiro de 2026 (O Povo) |
| Contrato de energia com a Casa dos Ventos | 18 de maio de 2026 (Exame) |
| Estrutura do primeiro prédio pronta e início da montagem eletromecânica | setembro de 2026 (Diário do Nordeste) |
| Testes das primeiras salas de TI | terceiro trimestre de 2027 (Cenário Energia) |
| Início da operação | julho de 2027 (Diário do Nordeste) |
| Conclusão da primeira etapa | fim de 2027 (O Povo) |
| Projeto completo | fim de 2028 (O Povo); rampa de carga até 2029 (Cenário Energia) |
O principal risco ao calendário é a ação do MPF e da DPU, que mira a licença de operação. Até a publicação da reportagem do Diário do Nordeste, a Omnia mantinha o cronograma.
- Empresa
- ByteDance (TikTok)
- Local
- Complexo do Pecém, CE
- Valor
- R$ 200 bi
- Fase
- Anúncio
- Previsão
- primeiras operações em 2027
- Anunciado em
- 2 de julho de 2026
O que isso significa para quem vende para a indústria
Com a estrutura do primeiro prédio pronta, o campus entrou na fase de montagem eletromecânica, a que mais contrata fornecedor especializado: média tensão, geração de emergência, climatização de precisão e combate a incêndio de missão crítica. O segundo prédio em paralelo mantém a obra civil aberta. O risco a acompanhar é a ação do MPF e da DPU contra a licença de operação; depois da partida, a manutenção de missão crítica vira contrato recorrente com equipe local.
Serviços que o projeto tende a contratar:
- Montagem eletromecânica de data halls
- Subestações e elétrica de média tensão
- Grupos geradores e sistemas de energia
- Climatização de precisão e HVAC crítico
- Obra civil e estrutura de prédios técnicos
- Manutenção de missão crítica
Janela: Primeira fase com operação em 2027: contratação de obra e montagem ao longo de 2026 e 2027.
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- Maior data center da América Latina será construído pela ByteDance no Ceará, Exame, 2 de julho de 2026
- Data center do TikTok inicia obras no Pecém, O Povo, 15 de janeiro de 2026
- Omni e Casa dos Ventos firmam PPA de US$ 2 bilhões para suprir megadata center da ByteDance no Pecém, Cenário Energia, 18 de maio de 2026
- Omnia segue cronograma de Data Center do TikTok no Ceará em meio à ação do MPF; obra avança, Diário do Nordeste, 16 de setembro de 2026
- TikTok diz que vai investir R$ 200 bilhões em data center no Brasil, InfoMoney, 3 de dezembro de 2025
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