Versão de teste do Radar Indústria. As matérias são reais e citam a fonte original.
Quinta-feira, 22 de outubro de 2026 · Edição BrasilComo apuramosTop of MarketEntrarAssine o Radar Capex

Onde a indústria vai investir, antes de virar concorrência.

Data centers · CE

ByteDance vai erguer no Pecém o maior campus de data centers da América Latina

Dona do TikTok prevê mais de R$ 200 bilhões, até 900 MW de capacidade e 20 prédios na primeira fase, com operação a partir de 2027.

Close-up of server racks in a data center highlighting modern technology infrastructure.
Imagem ilustrativa. Foto: panumas nikhomkhai / Pexels
Por Redação Radar IndústriaPublicado em · fato divulgado em 2 de julho de 20265 min de leitura

A ByteDance, controladora do TikTok, está construindo no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará, um campus de data centers com investimento superior a R$ 200 bilhões, segundo a Exame, em reportagem de 2 de julho de 2026 assinada pela agência China2Brazil. Com capacidade prevista de até 900 MW, o projeto é descrito pela revista como o maior complexo de data centers do Brasil e da América Latina. O campus vai atender às operações do TikTok no Brasil, nos Estados Unidos, na Europa e em outros mercados fora da China.

O investimento foi anunciado em 3 de dezembro de 2025, em evento em Fortaleza com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pela diretora de políticas públicas do TikTok no Brasil, Monica Guise, segundo o InfoMoney, com base na Bloomberg. Na ocasião, o valor foi informado como mais de R$ 200 bilhões, equivalente a US$ 37,7 bilhões. A construção e a operação ficam com a Omnia Data Centers, plataforma ligada à Pátria Investments, e a ByteDance é a cliente principal, informou o jornal O Povo.

O projeto em números

ItemValor
Investimento estimadomais de R$ 200 bilhões (Exame e InfoMoney)
Capacidade do campusaté 900 MW (Exame)
Capacidade inicial200 MW, totalmente contratada pela ByteDance (Diário do Nordeste)
Primeira fasedois prédios com mais de 70 mil m² de área coberta cada e 20 data halls (Diário do Nordeste)
Demanda de energia da primeira fasepróxima de 300 MW (Exame)
Demanda de energia no fim da expansãocerca de 1 GW (Exame)
Contrato de energiaUS$ 2 bilhões, por 20 anos (Exame)
Geradores a diesel citados pelo MPF120 (Diário do Nordeste)

A Exame fala em 20 edifícios na primeira fase; o Diário do Nordeste, em 16 de setembro de 2026, descreve dois prédios com 20 data halls. A Exame aponta ainda que os maiores campi da América Latina operam, em geral, entre 50 MW e 100 MW, e que o projeto pode superar em até nove vezes os maiores complexos atuais da região.

Publicidade · Galt Growth, mantenedora do Radar
Chegue nos decisores das obras da indústria.

Tenha a implantação da sua máquina de prospecção e demanda de obras em até 90 dias, com a Galt Growth.

Quero implantar em 90 dias →

Contexto

O suprimento de energia foi fechado em 18 de maio de 2026, quando a Omnia assinou com a Casa dos Ventos um contrato de compra de energia de US$ 2 bilhões, de acordo com a Exame. Segundo o Cenário Energia, a energia virá do Complexo Eólico Ibiapaba, de 630 MW, entre Ceará e Piauí, e do Parque Eólico Dom Inocêncio, no Piauí, no modelo de autoprodução, em que a Omnia recebe participação nos ativos de geração. O veículo acrescenta que é o maior volume de energia já vendido pela Casa dos Ventos, que tem a TotalEnergies como acionista estratégica.

O Povo informou que, em janeiro de 2026, a Omnia recebeu autorização do Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação para administrar um hub de data centers no Ceará, depois de parecer favorável do Cade. O jornal também relatou que este é um dos cinco data centers que a ByteDance planeja para o Pecém e que a projeção de investimentos para o hub chega a R$ 571 bilhões. Em setembro de 2025, lembrou o InfoMoney, o governo federal editou medida provisória com incentivos a quem constrói data centers, entre eles a importação de alguns equipamentos sem impostos.

O projeto enfrenta questionamento judicial. Segundo o Diário do Nordeste, o Ministério Público Federal e a Defensoria Pública da União entraram em setembro de 2026 com ação civil pública para impedir que o data center entre em operação antes de consulta livre, prévia e informada ao povo indígena Anacé. A ação pede ainda Estudo de Impacto Ambiental (EIA/Rima), contestando o licenciamento simplificado, e que a Semace não emita a licença de operação até o cumprimento das medidas. Em maio, o MPF já havia apontado que os 120 geradores a diesel não foram considerados no licenciamento, informou o jornal. Wellyson Costa, diretor institucional da Omnia no Ceará, disse que a empresa aguarda citação formal e avalia que os pedidos se referem só à fase de operação, sem atrasar as obras.

O que a obra deve contratar

Com a estrutura do primeiro prédio pronta, a obra entra na fase que mais concentra fornecedores especializados, segundo o cronograma relatado pelo Diário do Nordeste. Campi desse porte costumam exigir:

  • Montagem eletromecânica. A etapa anunciada para setembro de 2026 costuma envolver bandejamento, cabeamento de força, barramentos blindados e painéis em cada data hall.
  • Subestações e média tensão. Uma demanda de centenas de megawatts costuma exigir subestação própria, linhas de conexão e transformadores, com montagem e comissionamento por empresa habilitada.
  • Geração de emergência. Os 120 geradores citados pelo MPF indicam frentes de base, tanques, exaustão, tratamento acústico e manutenção recorrente dos grupos.
  • Climatização de precisão. Data halls costumam pedir resfriadores, unidades de ar de precisão, tubulação de água gelada e, cada vez mais, resfriamento líquido.
  • Obra civil do segundo prédio. A construção do segundo prédio em paralelo mantém frentes de fundação, estrutura e cobertura abertas, segundo o Diário do Nordeste.
  • Combate a incêndio e segurança. Detecção precoce, supressão por gás, controle de acesso e monitoramento costumam ser exigidos em instalações de missão crítica.
  • Operação e manutenção. Depois da partida, contratos de manutenção de missão crítica, com equipe local, tendem a ser recorrentes.

Prazos e próximos passos

EtapaData
Anúncio do investimento3 de dezembro de 2025 (InfoMoney)
Início da obra, com terraplenagemjaneiro de 2026 (O Povo)
Contrato de energia com a Casa dos Ventos18 de maio de 2026 (Exame)
Estrutura do primeiro prédio pronta e início da montagem eletromecânicasetembro de 2026 (Diário do Nordeste)
Testes das primeiras salas de TIterceiro trimestre de 2027 (Cenário Energia)
Início da operaçãojulho de 2027 (Diário do Nordeste)
Conclusão da primeira etapafim de 2027 (O Povo)
Projeto completofim de 2028 (O Povo); rampa de carga até 2029 (Cenário Energia)

O principal risco ao calendário é a ação do MPF e da DPU, que mira a licença de operação. Até a publicação da reportagem do Diário do Nordeste, a Omnia mantinha o cronograma.

Ficha do investimento Radar Capex
Empresa
ByteDance (TikTok)
Local
Complexo do Pecém, CE
Valor
R$ 200 bi
Fase
Anúncio
Previsão
primeiras operações em 2027
Anunciado em
2 de julho de 2026

O que isso significa para quem vende para a indústria

Com a estrutura do primeiro prédio pronta, o campus entrou na fase de montagem eletromecânica, a que mais contrata fornecedor especializado: média tensão, geração de emergência, climatização de precisão e combate a incêndio de missão crítica. O segundo prédio em paralelo mantém a obra civil aberta. O risco a acompanhar é a ação do MPF e da DPU contra a licença de operação; depois da partida, a manutenção de missão crítica vira contrato recorrente com equipe local.

Serviços que o projeto tende a contratar:

  • Montagem eletromecânica de data halls
  • Subestações e elétrica de média tensão
  • Grupos geradores e sistemas de energia
  • Climatização de precisão e HVAC crítico
  • Obra civil e estrutura de prédios técnicos
  • Manutenção de missão crítica

Janela: Primeira fase com operação em 2027: contratação de obra e montagem ao longo de 2026 e 2027.

Radar Capex · assinatura do Radar Indústria

Você leu sobre uma obra. Existem 485.

O Radar Capex junta todas num mapa: empresa contratante, cidade, valor, fase, cronograma e o que cada uma vai contratar. Mais de R$ 1 trilhão em investimentos com obra mapeados. Toda segunda, as obras novas da semana no seu e-mail e no WhatsApp. E todo mês, ao vivo para assinantes, a Live Radar de Vendas: a visão do mercado e como chegar nessas obras e fechar mais contratos.

Chegar antes por R$ 9,90/mêsCancele em 1 clique, sem multa. Já é assinante? Entrar
Fontes

O Radar Indústria resume os fatos publicados pelas fontes; a análise para fornecedores é nossa. Viu um erro? Escreva para redacao@radarindustria.com.br.

Publicidade · Galt Growth, mantenedora do Radar
Chegue nos decisores das obras da indústria.

Tenha a implantação da sua máquina de prospecção e demanda de obras em até 90 dias, com a Galt Growth.

Quero implantar em 90 dias →

Você trabalha em compras, suprimentos, engenharia ou manutenção de uma indústria? Comente esta notícia no Radar.

Leia também

Radar Capex

Antes de sair: 295 obras ainda não abriram canteiro

O Radar Capex mostra quem vai contratar cada uma, entre mais de R$ 1 trilhão em investimentos com obra mapeados. Chegue antes do concorrente por R$ 9,90 por mês, com a Live Radar de Vendas todo mês, ao vivo para assinantes.

Ver quem contrataCancele em 1 clique na sua conta.