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Data centers · RJ

Elea põe R$ 2,86 bilhões na Rio AI City e amplia data centers no Parque Olímpico

O campus começa com 1,5 GW de capacidade e pode chegar a 3 GW em 2032; o prédio RJO2, em obra, prevê entregar cerca de 80 MW a partir de 2026.

Close-up of server equipment in a modern data center highlighting technology infrastructure.
Imagem ilustrativa. Foto: panumas nikhomkhai / Pexels
Por Redação Radar IndústriaPublicado em · fato divulgado em 8 de junho de 20265 min de leitura

A Elea Data Centers anunciou um aporte de US$ 550 milhões, cerca de R$ 2,86 bilhões, na Rio AI City, o polo de data centers que a empresa ergue na região do Parque Olímpico, na zona sudoeste do Rio de Janeiro, informou o Teletime em 8 de junho de 2026. O anúncio foi feito na abertura do Web Summit Rio, e, segundo o veículo, o dinheiro integra a primeira fase da compra da Elea pelo fundo americano I Squared Capital. O complexo nasce com capacidade inicial de 1,5 GW e, de acordo com a mesma reportagem, pode chegar a 3 GW em 2032.

No mesmo evento, a Elea e a Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos (CCPar), braço de parcerias da prefeitura, assinaram um memorando de entendimentos com validade de 36 meses para coordenar estudos técnicos, captação de recursos e atração de parceiros para o projeto, segundo o Teletime. A prefeitura firmou memorandos separados com os ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, com o BNDES, com a Axia Energia (antiga Eletrobras) e com a Finep.

O projeto em números

ItemValor
Aporte anunciadoUS$ 550 milhões, cerca de R$ 2,86 bilhões (Teletime)
Capacidade inicial do campus1,5 GW (Teletime e Elea)
Capacidade máxima previstaaté 3 GW em 2032 (Teletime); a Elea citou até 3,2 GW no lançamento, em 2025
RJO1em operação, com certificação Tier 3 (Elea)
RJO2em construção, cerca de 80 MW a partir de 2026 (Elea)
RJO3 e RJO4cerca de 120 MW somados (Elea)
Área de reflorestamento vizinha (projeto Mata Maravilha)mais de 200 mil m² (Elea)
Empregos qualificados estimadosmais de 10 mil (Elea)
Validade do memorando com a CCPar36 meses (Teletime)

Quando lançou a Rio AI City, em 8 de maio de 2025, a Elea informou que o abastecimento seria feito integralmente por energia renovável certificada e que os sistemas de resfriamento dispensariam o uso de água, com infraestrutura para racks de alta densidade, próprios de cargas de inteligência artificial. O plano diretor e o projeto conceitual foram assinados pelo escritório Hyphen, segundo o comunicado da empresa. A diferença entre o teto de 3,2 GW citado em 2025 e os 3 GW de 2032 citados em junho não foi explicada nas fontes consultadas; o Olhar Digital, ao noticiar o aporte, voltou a falar em até 3,2 GW.

Contexto

A Elea é uma plataforma de data centers neutros, isto é, que alugam espaço e energia a vários clientes. Em 28 de abril de 2026, a I Squared Capital, gestora de infraestrutura sediada em Miami com US$ 55 bilhões sob gestão, anunciou acordo para comprar a empresa, segundo o Pulse 2. Pela mesma fonte, a Elea tem nove campi interligados em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Brasília, mais de 300 MW em terrenos já com energia e mais de 1 GW em desenvolvimento, carteira que exigirá mais de US$ 10 bilhões em capital. A gestão fundadora e a Piemonte Holding, sócia de longa data, seguem no negócio ao lado do novo controlador.

Na ocasião, o presidente e fundador da Elea, Alessandro Lombardi, disse que a infraestrutura de inteligência artificial hoje é limitada mais pelo acesso à energia do que pela tecnologia, e que o Brasil oferece energia renovável em escala de gigawatts, de acordo com o Pulse 2. No Web Summit, Lombardi afirmou que a empresa constrói um ecossistema capaz de atrair investimentos, e o prefeito Eduardo Cavaliere disse que o Rio vai se tornar um polo de conectividade, energia e logística para o Sul Global, segundo o Teletime.

A disputa por grandes campi de dados se espalhou pelo país em 2026. O Radar já mostrou o plano de data center da ByteDance no Pecém, no Ceará, outro projeto que depende de energia em larga escala e de conexão a cabos submarinos. No caso do Rio, os participantes do projeto estimam em cerca de US$ 65 bilhões o investimento possível na próxima década, informou o Teletime.

O que a obra deve contratar

  • Obra civil de edifícios técnicos. Cada novo prédio do campus, como RJO2, RJO3 e RJO4, costuma exigir fundações pesadas, estrutura para lajes de alta carga e fechamento com controle de estanqueidade.
  • Subestação e conexão em alta tensão. Campi na escala de centenas de megawatts tendem a contratar subestações próprias, linhas de conexão e proteção, em diálogo com a distribuidora e com a transmissora da região.
  • Resfriamento sem água. Como a Elea prometeu eliminar o consumo de água na refrigeração, o projeto tende a demandar resfriamento a ar em circuito fechado ou soluções líquidas direto no chip, com montagem de tubulação, bombas e trocadores.
  • Energia de reserva e distribuição elétrica. Data centers com certificação Tier costumam exigir grupos geradores, sistemas de UPS, barramentos e quadros, além de testes integrados de carga no comissionamento.
  • Fibra óptica e interconexão. A proposta de campus interligado tende a gerar contratos de dutos, lançamento de cabos e salas de interconexão entre prédios e com outras rotas.

Prazos e próximos passos

EtapaPrazoFonte
Lançamento da Rio AI City8 de maio de 2025Elea
Acordo de compra da Elea pela I Squared Capital28 de abril de 2026Pulse 2
Aporte de US$ 550 milhões e memorando com a CCPar8 de junho de 2026Teletime
Primeiras entregas do RJO2, de cerca de 80 MWa partir de 2026Elea
RJO3 e RJO4, com cerca de 120 MWsem data divulgadaElea
Vigência do memorando com a CCParaté junho de 2029Teletime (36 meses)
Capacidade de até 3 GW2032Teletime

As fontes consultadas não informam se a compra pela I Squared já foi concluída nem a origem exata dos US$ 550 milhões, se capital próprio ou dívida. Também não há cronograma público para os prédios além do RJO2. Os próximos sinais a acompanhar são os pedidos de conexão elétrica, as licenças municipais dos novos edifícios e os estudos técnicos previstos no memorando com a prefeitura.

Ficha do investimento Radar Capex
Empresa
Elea Data Centers
Local
Rio de Janeiro (Parque Olímpico), RJ
Valor
US$ 550 mi
Fase
Obras iniciadas
Previsão
RJO2 com entregas a partir de 2026; até 3 GW em 2032
Anunciado em
8 de junho de 2026

O que isso significa para quem vende para a indústria

O aporte financia a fase de expansão e chega com um controlador novo, o que costuma acelerar contratações de obra civil e elétrica. A ordem provável é concluir o RJO2, depois abrir os pacotes de RJO3 e RJO4 e, em paralelo, reforçar a conexão em alta tensão, que é o gargalo de campi desse porte. Para fornecedores, a promessa de resfriamento sem água e de racks de alta densidade puxa demanda especializada em mecânica de refrigeração e montagem elétrica. Quem já atende data centers em São Paulo tem vantagem, porque a Elea opera campi interligados nos três mercados.

Serviços que o projeto tende a contratar:

  • Obra civil de edifícios de data center
  • Subestação e conexão em alta tensão
  • Resfriamento sem água e montagem de tubulação de refrigeração
  • Geradores, UPS e distribuição elétrica
  • Redes de fibra óptica e salas de interconexão
  • Comissionamento e testes integrados de carga

Janela: Curto prazo: RJO2 em entrega ao longo de 2026, com pacotes de RJO3 e RJO4 na sequência.

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