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Data centers · RS

Scala constrói campus de data centers de R$ 3 bilhões em Eldorado do Sul (RS)

A primeira fase da Scala AI City tem 54 MW de capacidade de TI e mais de 3 mil empregos previstos; o campus pode chegar a 4,75 GW no longo prazo.

Empty industrial warehouse interior with polished concrete floor in Houston, Texas.
Imagem ilustrativa. Foto: Craftsman Concrete Floors / Pexels
Por Redação Radar IndústriaPublicado em · fato divulgado em 14 de julho de 20264 min de leitura

A Scala Data Centers constrói em Eldorado do Sul, na região metropolitana de Porto Alegre, a primeira fase da Scala AI City, campus de data centers voltado a inteligência artificial e a grandes provedores de nuvem, e escolheu a Eletronet para fornecer a conectividade do complexo, informou o Teletime em 14 de julho de 2026. A etapa inicial tem investimento de cerca de R$ 3 bilhões e um data center com 54 MW de capacidade de TI, segundo a empresa e o veículo. O terreno fica a 32 km da capital gaúcha.

Pelo acordo, a Eletronet instalará um ponto de presença dentro do campus, com conectividade neutra, preparado para operações de hiperescala e computação de alta densidade, de acordo com o Teletime. A operadora espera usar a estrutura para estender rotas do Sul do Brasil até o Uruguai e o Paraguai. O CEO da Eletronet, Rogerio Garchet, disse ao veículo que aplicações de inteligência artificial exigem redes feitas para alto tráfego e resiliência, o que torna a conectividade tão estratégica quanto a energia.

O projeto em números

ItemValor
Investimento da primeira fasecerca de R$ 3 bilhões, ou US$ 500 milhões (Scala)
Capacidade da primeira fase54 MW de TI (Scala e Teletime)
Capacidade potencial do campusaté 4.750 MW (Scala, 2024); 5 GW (Teletime, 2026)
Áreamais de 7 milhões de m² (Scala, 2024); 5,35 milhões de m² (Teletime, 2026)
Empregos diretos e indiretos na primeira fasemais de 3 mil (Scala)
Densidade dos racksacima de 150 kW (Scala)
Eficiência energética prometida (PUE)até 1,2 (Scala)
Uso de água na refrigeração (WUE)zero (Scala)
Distância de Porto Alegre32 km (Teletime)

As fontes divergem sobre o tamanho final. No anúncio de 2024, a Scala falou em mais de 7 milhões de m² e até 4.750 MW; a reportagem de julho de 2026 cita 5,35 milhões de m² e 5 GW. Nenhuma das duas explica a diferença. Segundo a Scala, os 54 MW da primeira fase equivalem a cerca de sete vezes a capacidade dos data centers que existiam na Grande Porto Alegre em 2024. O governador Eduardo Leite chegou a projetar R$ 500 bilhões em investimentos quando o campus estiver completo, segundo o comunicado da Scala, número que é uma estimativa política, não um orçamento da empresa.

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Contexto

O projeto começou com um protocolo de intenções assinado em 11 de setembro de 2024, em Porto Alegre, entre a Scala e o governo do Rio Grande do Sul, segundo a empresa. Naquele dia, o Teletime informou que a primeira etapa levaria até dois anos para ficar pronta e receber clientes e que o campus seria interligado ao data center que a Scala já opera em Porto Alegre, de 4,8 MW. Em 18 de dezembro de 2024, o estado e o município de Eldorado do Sul assinaram a lei que criou o primeiro polo de tecnologia de data centers do país, para viabilizar a obra, de acordo com publicação reproduzida pela Scala.

Controlada pela gestora americana DigitalBridge, a Scala tem mais de 1.100 profissionais, segundo a empresa. Em 2024, o Teletime contabilizou R$ 6,5 bilhões anunciados para o Campus Tamboré, em Barueri (SP), um plano de R$ 32 bilhões para São Paulo e R$ 4,4 bilhões já captados em debêntures verdes. Desde então, a empresa informou financiamentos do BNDES que somavam R$ 380 milhões em dezembro de 2025 e um acordo de US$ 328 milhões para três data centers e uma subestação no Chile.

A escolha do Sul se apoia em energia e cabos. O governo gaúcho afirma que 85% da matriz energética do estado é renovável e que 27 projetos de eólica offshore aguardavam regulamentação em 2024, segundo o Teletime. A Scala promete operar o campus com 100% de energia renovável certificada e refrigeração líquida, e prevê ligação a rotas internacionais como o cabo submarino Malbec. A região metropolitana também atrai obras de logística, como o parque logístico da Guardian em Cachoeirinha.

O que a obra deve contratar

  • Terraplenagem e infraestrutura de campus. Um terreno de milhões de metros quadrados costuma exigir movimentação de terra, drenagem pluvial, vias internas e redes enterradas antes de cada novo prédio.
  • Subestação e linhas de alta tensão. Com 54 MW na primeira fase e potencial de gigawatts, o campus tende a demandar subestação própria e linhas de conexão dimensionadas para crescer por etapas.
  • Refrigeração líquida. Racks acima de 150 kW e a promessa de não usar água costumam exigir resfriamento líquido direto no chip, com tubulação, bombas, trocadores de calor e testes de estanqueidade.
  • Geradores, UPS e distribuição elétrica. Data centers de hiperescala tendem a contratar grupos geradores, baterias, barramentos blindados e comissionamento integrado.
  • Fibra óptica e dutos. O ponto de presença da Eletronet e a ligação com Porto Alegre costumam gerar obras de dutos, caixas de passagem e lançamento de cabos.

Prazos e próximos passos

EtapaPrazoFonte
Protocolo de intenções com o governo gaúcho11 de setembro de 2024Scala
Prazo informado para a primeira etapa receber clientesaté dois anos a partir de setembro de 2024Teletime
Lei do polo de data centers18 de dezembro de 2024Scala
Contrato de conectividade com a Eletronet, campus em construção14 de julho de 2026Teletime
Capacidade total de até 4,75 GWsem data divulgadaScala

As fontes consultadas não trazem data atualizada para a entrega da primeira fase, nem os nomes de clientes ou o valor total do campus. Em julho de 2026, o empreendimento ainda era descrito como em construção, e o prazo de dois anos citado em 2024 vencia em setembro de 2026.

Ficha do investimento Radar Capex
Empresa
Scala Data Centers
Local
Eldorado do Sul, RS
Valor
R$ 3 bi
Fase
Obras iniciadas
Previsão
Fase 1 de 54 MW em construção; potencial de até 4,75 GW
Anunciado em
14 de julho de 2026

O que isso significa para quem vende para a indústria

A contratação da rede de fibra indica que a primeira fase entrou na reta de infraestrutura de conexão, etapa que costuma vir junto com a montagem elétrica e mecânica dos salões. Depois dos 54 MW iniciais, o campus tende a crescer por módulos, e cada módulo repete o ciclo de terraplenagem, subestação, refrigeração e energia de reserva. Como o projeto promete racks muito densos e zero água, quem domina refrigeração líquida e montagem de alta tensão tende a ter mais espaço. Empresas gaúchas próximas de Porto Alegre ganham na logística de equipe e manutenção.

Serviços que o projeto tende a contratar:

  • Terraplenagem, drenagem e infraestrutura de campus
  • Subestação de alta tensão e linhas de conexão
  • Refrigeração líquida e tubulação de processo
  • Geradores, UPS e distribuição elétrica
  • Cabeamento estruturado, dutos e fibra óptica
  • Comissionamento de data centers

Janela: Imediata para a primeira fase em construção; os módulos seguintes devem ser contratados conforme a demanda dos clientes.

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