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Mineração · MG

Viridis recebe R$ 77,5 milhões do BNDES para centro de terras raras em Poços de Caldas

O centro piloto antecede a planta industrial do Projeto Colossus, com implantação prevista a partir do primeiro trimestre de 2027 e operação no fim de 2028.

Detailed close-up of hands examining a white mineral stone outdoors.
Imagem ilustrativa. Foto: Mark Stebnicki / Pexels
Por Redação Radar IndústriaPublicado em · fato divulgado em 8 de setembro de 20264 min de leitura

O BNDES aprovou R$ 77,5 milhões para a Viridis Mineração financiar o Centro de Pesquisa e Processamento de Terras Raras, o CPTR, em Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais, segundo a Agência BNDES de Notícias, em 8 de setembro de 2026. Os recursos vêm do programa BNDES Mais Inovação, com prazo de 16 anos. O centro foi inaugurado em 28 de maio de 2026, segundo a Agência Minas, e é a primeira etapa do Projeto Colossus, cuja planta industrial tem implantação prevista a partir do primeiro trimestre de 2027.

O CPTR produz, em escala piloto, carbonato misto de terras raras, produto intermediário do processamento desses minérios, e pesquisa rotas metalúrgicas para as argilas iônicas da região, informou o banco. A planta piloto foi desenhada para simular as condições da futura unidade industrial.

O projeto em números

ItemValor
Financiamento do BNDESR$ 77,5 milhões, prazo de 16 anos (BNDES)
Custo indicativo do créditocerca de 4,8%, segundo o diretor-geral Rafael Moreno (BNDES)
Investimento já feito em Minascerca de R$ 200 milhões (Agência Minas)
Capacidade do CPTR100 kg de minério por hora (Agência Minas)
Capital inicial da planta industrialUS$ 405 milhões sem contingência; US$ 449 milhões no total antes da produção (Mining.com.au)
Minério processado na fase industrial5 milhões de toneladas por ano (Argus)
Produção previstacerca de 2.967 t por ano de óxidos de terras raras magnéticas (Argus)
Reserva200,1 milhões de t, com teor de 2.894 ppm de óxidos totais (Mining.com.au)
Vida útil25 anos (Argus)
Empregosmais de 2,5 mil diretos e indiretos até 2029, somando os projetos da Viridis em Minas (Agência Minas)

Contexto

A Viridis Mineração é subsidiária integral da australiana Viridis Mining and Minerals e detém 100% dos direitos de pesquisa e lavra do Projeto Colossus, segundo o BNDES. O projeto foi selecionado na chamada pública conjunta do BNDES e da Finep, lançada em 2025, para a cadeia de minerais estratégicos.

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De acordo com o banco, o depósito de Poços de Caldas está entre os mais promissores de argilas iônicas fora da Ásia, com alta concentração de terras raras pesadas como disprósio e térbio, além de neodímio e praseodímio. Esses elementos entram nos ímãs permanentes NdFeB, usados em mobilidade elétrica, energia renovável, tecnologia médica e eletrônica de precisão. A China concentra cerca de 90% da capacidade global de processamento e refino de terras raras, segundo a Agência Minas.

O estudo definitivo de viabilidade, divulgado em 20 de agosto de 2026, prevê taxa interna de retorno de 36,4% e retorno do capital em 2,7 anos, segundo a Argus. No mesmo anúncio, a empresa garantiu até US$ 120 milhões em capital próprio, dos quais US$ 75 milhões da gestora One Investment Management, que fica com 9,9% da companhia. A Mining.com.au informou que a decisão final de investimento está prevista para o quarto trimestre de 2026, que a empresa tem cartas de apoio não vinculantes da Export Finance Australia, de até US$ 50 milhões, e da Export Development Canada, de até US$ 100 milhões, e que a Goldman Sachs está entre os assessores da dívida. Em junho, a Viridis assinou acordo não vinculante com a Solvay para venda do carbonato misto, com entregas a partir de 2028, segundo a Argus.

O licenciamento enfrentou resistência. No fim de novembro de 2025, o Ministério Público Federal recomendou suspender a análise das licenças do Colossus e do projeto Caldeira, da também australiana Meteoric Resources, citando a recarga do Aquífero Alcalino de Poços de Caldas e a supressão de 98 nascentes, segundo a CNN Brasil. A Viridis respondeu que só três nascentes seriam afetadas e que o método de lixiviação com sulfato de amônio dispensa barragem de rejeitos. Em 19 de dezembro de 2025, a Comissão de Atividades Minerárias do Copam aprovou por unanimidade a licença prévia dos dois projetos, informou o Times Brasil, com conteúdo do Estadão.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, disse que o crédito apoia a produção nacional de terras raras e a cadeia de fornecedores local, segundo o Diário do Comércio. O governo mineiro acompanha o projeto pela Invest Minas desde o início das tratativas, de acordo com a Agência Minas.

O que a obra deve contratar

As fontes não citam fornecedores. Plantas hidrometalúrgicas de argilas iônicas costumam exigir:

  • Lavra e terraplenagem. Extração de argila a céu aberto, acessos, drenagem e recomposição das áreas lavradas.
  • Lixiviação e processo químico. Tanques, reatores, bombas e tubulação resistentes a químicos para a lixiviação com sulfato de amônio e a precipitação do carbonato.
  • Filtragem e disposição a seco. Filtros e áreas de disposição do material lavado, já que a empresa afirma não usar barragem de rejeitos.
  • Água e efluentes. Captação, recirculação e tratamento de efluentes, ponto sensível pela presença do aquífero de águas minerais.
  • Elétrica e instrumentação. Subestação, painéis, automação de processo e instrumentação de campo.
  • Monitoramento ambiental. Poços de monitoramento, acompanhamento de nascentes e os programas de controle exigidos nas próximas licenças.

Prazos e próximos passos

DataMarcoFonte
19 de dezembro de 2025Licença prévia aprovada pelo CopamTimes Brasil (Estadão Conteúdo)
28 de maio de 2026Inauguração do CPTRAgência Minas
20 de agosto de 2026Estudo definitivo de viabilidade e captação de até US$ 120 milhõesArgus
8 de setembro de 2026BNDES aprova R$ 77,5 milhõesAgência BNDES
Quarto trimestre de 2026Decisão final de investimento previstaMining.com.au
Primeiro trimestre de 2027Início previsto da implantação da planta industrialBNDES
Segundo semestre de 2028Primeira produçãoMining.com.au
Fim de 2028Entrada em operação previstaBNDES

Segundo o BNDES, a empresa ainda precisa fechar o restante do financiamento sênior do Colossus. A licença de instalação, etapa seguinte à prévia no licenciamento ambiental, é o marco que libera as obras da planta industrial.

Ficha do investimento Radar Capex
Empresa
Viridis Mining
Local
Poços de Caldas, MG
Valor
R$ 77,5 mi
Fase
Financiamento aprovado
Previsão
Planta industrial a partir do 1º tri de 2027; operação no fim de 2028
Anunciado em
8 de setembro de 2026

O que isso significa para quem vende para a indústria

O centro piloto já opera; o que vem agora é a planta industrial, com capital inicial estimado em US$ 405 milhões e decisão final de investimento prevista para o fim de 2026. Terras raras em argila iônica envolvem hidrometalurgia: tanques, reatores, tubulação resistente a químicos, filtragem, tratamento de efluentes e monitoramento ambiental rigoroso por causa do aquífero. Fornecedores do sul de Minas que já atendem o piloto chegam com histórico na concorrência da planta grande.

Serviços que o projeto tende a contratar:

  • Montagem de tanques, reatores e tubulação para processo químico
  • Tratamento de efluentes e recirculação de água
  • Elétrica, automação e instrumentação
  • Terraplenagem e drenagem de lavra
  • Monitoramento ambiental
  • Obra civil de planta industrial

Janela: Piloto agora; planta industrial a partir de 2027.

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