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Agroindústria · MT

FS avança obra de usina de etanol de milho de R$ 2 bilhões em Campo Novo do Parecis (MT)

BNDES aprovou R$ 500 milhões para a quarta usina da empresa em Mato Grosso, que deve entrar em operação em dezembro de 2026 com 540 milhões de litros de etanol por ano.

Lush cornfield in Poland under the warm evening sun, showcasing vibrant green leaves and blue sky.
Imagem ilustrativa. Foto: Teodor Buhl / Pexels
Por Redação Radar IndústriaPublicado em · fato divulgado em 15 de junho de 20264 min de leitura

A FS, maior produtora de etanol de milho do Brasil, avança a construção da quarta usina da empresa em Mato Grosso, em Campo Novo do Parecis, com investimento total de R$ 2,07 bilhões, segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O banco aprovou em junho de 2026 um financiamento de R$ 500 milhões para o projeto, equivalente a 24,2% do custo total, de acordo com a Cenário Energia. A unidade deve entrar em operação em dezembro de 2026, segundo informações da própria FS reproduzidas pela The AgriBiz.

O projeto em números

ItemDado
Investimento totalR$ 2,07 bilhões
Financiamento aprovado pelo BNDESR$ 500 milhões (24,2% do total)
Linhas de financiamentoFundo Clima e BNDES Finem, linha de alimentos e biocombustíveis
Capacidade de processamento de milhoaté 1,2 milhão de toneladas por ano
Produção de etanolaté 540 milhões de litros por ano
Coproduto DDG (ração animal)cerca de 390 mil toneladas por ano
Empregos durante a implantaçãocerca de 3 mil
Empregos diretos após a conclusão182
Empregos indiretos após a conclusão323
Operação previstadezembro de 2026

Contexto

A FS nasceu em 2014 de uma parceria entre a Tapajós Participações e a americana Summit Agricultural Group e inaugurou em agosto de 2017, em Lucas do Rio Verde (MT), a primeira usina do Brasil a produzir etanol 100% a partir de milho, segundo a Canaonline. Naquele primeiro projeto, a empresa já previa processar 1,3 milhão de toneladas de milho por ano e produzir 530 milhões de litros de etanol, além de farelo e óleo de milho, com operação o ano inteiro a partir de grão armazenado, diferente das usinas de cana, que dependem da safra. A companhia já opera três plantas em Mato Grosso, nos municípios de Lucas do Rio Verde, Sorriso e Primavera do Leste, que juntas produzem hoje 2,3 bilhões de litros de etanol por ano, ante 530 milhões de litros seis anos atrás, segundo dados da própria companhia.

O projeto de Campo Novo do Parecis, a quarta unidade da FS no estado, teve a construção pausada por decisão da empresa, que atribuiu a interrupção a ajustes internos de planejamento e ao período chuvoso. A retomada das obras começou em julho de 2025, impulsionada pelo aumento do percentual obrigatório de mistura de etanol na gasolina para 30%, com previsão de escalada até 35%, de acordo com a The AgriBiz. Mato Grosso é o maior produtor de milho de segunda safra do país, o que garante à FS matéria-prima próxima das quatro plantas e reduz o custo logístico de transporte do grão até a usina. O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, disse que a operação "impulsiona outros setores da indústria" ao estimular a compra de equipamentos nacionais, em linha com a política industrial do governo federal, segundo a Cenário Energia e o Jornal Cana. O financiamento aprovado em junho de 2026 faz parte da mesma rodada de reforço à política industrial que, naquele mês, também ampliou os recursos da Nova Indústria Brasil em R$ 140 bilhões, segundo cobertura do Radar Indústria.

O que a obra deve contratar

  • Montagem eletromecânica de destilaria. A fase de transformação do milho em etanol concentra equipamentos de alto valor agregado, com potencial de contratação de empresas especializadas em tubulação industrial e instrumentação.
  • Caldeiras e cogeração a biomassa. A geração própria de energia a partir de resíduos do processo deve demandar montagem de caldeiras e linhas internas de distribuição elétrica.
  • Secagem e armazenagem de DDG. O coproduto destinado à ração animal depende de secadores industriais e silos dedicados, serviço recorrente em usinas desse porte.
  • Silos e recebimento de milho. A logística de recebimento da safra de milho de segunda safra da região exige silos, moegas e estruturas de armazenagem.
  • Automação e instrumentação. A integração das linhas de produção e dos sistemas de controle é a etapa final antes do início de operação, prevista para dezembro.

Prazos e próximos passos

EtapaQuando
Pausa nas obrasdecisão da empresa, atribuída a ajustes internos e ao período chuvoso
Retomada da construçãojulho de 2025
Aprovação do financiamento do BNDESjunho de 2026
Início de operação previstodezembro de 2026
Segunda fase (ampliação futura, sem data definida)dobrar a capacidade para 2,4 milhões de toneladas de milho e 1,08 bilhão de litros de etanol por ano

A segunda fase, ainda sem data de início definida, é o próximo gatilho a monitorar: ao dobrar a capacidade de processamento, ela deve repetir a mesma sequência de contratações já vista na fase atual, começando por obra civil e terminando em automação, com a vantagem de reaproveitar parte da infraestrutura de recebimento de milho já construída.

Ficha do investimento Radar Capex
Empresa
FS
Local
Campo Novo do Parecis (MT), MT
Valor
R$ 2,07 bilhões
Fase
Obras iniciadas
Previsão
não informada
Anunciado em
15 de junho de 2026

O que isso significa para quem vende para a indústria

A retomada de um projeto que já havia sido pausado é o dado mais relevante para quem presta serviço: mostra que o cronograma apertado para dezembro de 2026 tende a concentrar contratações de curto prazo em automação, caldeiras e armazenagem nos próximos meses. O financiamento do BNDES, aprovado quando a obra civil já estava em andamento, reduz o risco de nova paralisação por falta de caixa. A quarta planta da FS em Mato Grosso consolida o estado como polo de etanol de milho e abre espaço para fornecedores já habilitados nas outras três unidades da empresa replicarem contratos na nova usina.

Serviços que o projeto tende a contratar:

  • Montagem eletromecânica de destilaria
  • Caldeiras e cogeração a biomassa
  • Secagem e armazenagem de DDG
  • Silos e recebimento de milho
  • Automação e instrumentação

Janela: O cronograma aperta para dezembro de 2026: automação, instrumentação e os últimos ajustes de caldeiras e secagem de DDG são as frentes com janela mais curta de contratação.

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