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Automotivo e máquinas · SP

Toyota inaugura em novembro fábrica de R$ 5 bilhões em Sorocaba (SP)

Nova planta dobra a capacidade da unidade e integra os R$ 11 bilhões que a montadora investe no país até 2030, com 2 mil empregos diretos.

Skilled mechanic working on engine assembly with precision tools in factory setting.
Imagem ilustrativa. Foto: Auto Tech / Pexels
Por Redação Radar IndústriaPublicado em · fato divulgado em 1 de junho de 20264 min de leitura

A Toyota do Brasil vai inaugurar no início de novembro de 2026 a segunda fábrica do complexo de Sorocaba (SP), batizada de Sorocaba 2, com investimento de R$ 5 bilhões dentro de um ciclo de R$ 11 bilhões que a montadora japonesa está aplicando no país até 2030, segundo o Jornal Cruzeiro do Sul. A nova planta dobra a capacidade produtiva da unidade e passa a concentrar a produção que, até junho deste ano, saía da fábrica de Indaiatuba (SP), encerrada depois de 28 anos de operação. O presidente da Toyota do Brasil, Evandro Maggio, descreveu a abertura como parte da "estratégia de crescimento sustentável e inovação" da companhia, de acordo com o mesmo veículo.

O projeto em números

ItemDado
Investimento da fase atual (Sorocaba 2)R$ 5 bilhões
Investimento total no Brasil até 2030R$ 11 bilhões
Capacidade da unidade antes da expansão175 mil veículos por ano, segundo a Canaltech
Meta de capacidadequase o dobro da atual, em projeto "espelhado", segundo a Toyota
Empregos diretos gerados pela expansãocerca de 2 mil
Empregos indiretos estimadosmais de 8 mil
Inauguração previstainício de novembro de 2026
Encerramento da fábrica de Indaiatuba30 de junho de 2026, após 28 anos de operação

Fontes: Jornal Cruzeiro do Sul, Prefeitura de Sorocaba e Canaltech.

Contexto

O investimento foi anunciado em 5 de março de 2024, em evento em Sorocaba com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, do governador Tarcísio de Freitas e de parlamentares federais e estaduais, segundo a Prefeitura de Sorocaba. Na ocasião, o governador disse estudar isenção de IPVA para veículos híbridos como forma de incentivar a transição tecnológica. A Toyota já operava há 66 anos no Brasil e há 12 anos em Sorocaba, com mais de 3 mil funcionários na unidade antes da expansão, e já havia anunciado, em abril de 2023, um investimento anterior de R$ 1,7 bilhão para produção de um modelo híbrido flex compacto do tipo crossover, de acordo com a mesma fonte.

O fechamento da fábrica de Indaiatuba, em operação desde 1998 e responsável por mais de 1 milhão de unidades do Corolla ao longo de 28 anos, afetou cerca de 1.500 funcionários, segundo o ND Mais. A Toyota afirma que não houve demissões unilaterais: os funcionários puderam optar por transferência para Sorocaba ou adesão a um programa de desligamento voluntário, com pagamento de 45 salários mais duas remunerações extras por ano trabalhado, de acordo com o mesmo veículo. A mudança gerou greves de empregados em 2024 por causa das condições de transferência e indenização, segundo reportagem do Despachante Dok. A produção do Corolla chegou a sofrer instabilidade durante a transição e só foi normalizada em 16 de outubro de 2026, com a linha completa (Corolla, Corolla Cross e Yaris Cross) novamente disponível às concessionárias, segundo o ND Mais.

A expansão em Sorocaba ocorre em paralelo a outras duas frentes da Toyota no continente: a reconstrução da fábrica de Porto Feliz (SP), danificada em setembro de 2025 e com reabertura prevista entre 2026 e 2027, e um novo investimento de US$ 1,341 bilhão na Argentina, em Zárate, para produzir um veículo 100% eletrificado majoritariamente destinado à exportação, segundo a Agência GBC. A reportagem destaca que os dois movimentos, o de Sorocaba e o da Argentina, "não devem ser tratados como se um tivesse causado o outro": são estratégias industriais distintas, sem transferência direta de recursos entre os dois países.

O que a obra deve contratar

  • Automação e comissionamento de linhas. Com a obra civil do projeto "espelhado" avançada, a fase que resta antes da inauguração de novembro tende a concentrar contratos de automação industrial, instrumentação e ajuste fino de equipamentos de estamparia, solda e montagem final.
  • Infraestrutura elétrica e montagem de baterias. A nova unidade vai abrigar a montagem de baterias para os modelos híbridos flex da Toyota, o que deve demandar subestação, infraestrutura elétrica de média tensão e sistemas de climatização e segurança específicos para essa linha.
  • Logística e transferência de equipamentos. A migração da produção de Indaiatuba para Sorocaba envolve o transporte, a desmontagem e a reinstalação de linhas e máquinas, abrindo espaço para empresas de logística industrial e montagem eletromecânica.
  • Utilidades industriais e manutenção. A entrada em operação plena da planta ampliada deve exigir serviços de ar comprimido, pintura, tratamento de efluentes e manutenção industrial contínua.
  • Reconstrução civil em Porto Feliz. É nessa outra unidade do grupo, danificada em 2025, que deve haver o maior volume de obra civil nova no curto prazo, com reconstrução de estruturas prevista para 2026 e 2027.

Prazos e próximos passos

QuandoO que acontece
30 de junho de 2026Encerramento da fábrica de Indaiatuba, depois de 28 anos de operação
16 de outubro de 2026Produção do Corolla normalizada em Sorocaba, com linha completa de volta às concessionárias
Início de novembro de 2026Inauguração da Sorocaba 2
2026 a 2027Reconstrução da fábrica de Porto Feliz (SP), danificada em setembro de 2025
Até 2030Execução do restante dos R$ 11 bilhões de investimento no Brasil, incluindo nova picape média e tecnologias de eletrificação
Ficha do investimento Radar Capex
Empresa
Toyota do Brasil
Local
Sorocaba (SP), SP
Valor
R$ 5 bilhões
Fase
Obras iniciadas
Previsão
não informada
Anunciado em
1 de junho de 2026

O que isso significa para quem vende para a indústria

A obra consolida Sorocaba como o único polo fabril de veículos leves da Toyota no país, o que tende a concentrar também a cadeia de fornecedores de autopeças, moldes e automação ao redor da cidade, em vez de mantê-la dividida entre Sorocaba e Indaiatuba. O intervalo curto entre o fechamento de Indaiatuba, em junho, e a inauguração em novembro indica que a obra civil pesada e a montagem das linhas já estavam avançadas antes da divulgação pública do cronograma, o que deixa pouca janela de contratação nova de infraestrutura nesta fase. O que se abre agora é a etapa de comissionamento e automação, que tende a mobilizar empresas de instrumentação, automação industrial e manutenção especializada, não empreiteiras de obra civil. A reconstrução da fábrica de Porto Feliz, prevista para 2026 e 2027, é a frente da Toyota com mais espaço para contratação de obra nova no curto prazo, já que parte da estrutura foi danificada em 2025 e precisa ser reerguida.

Serviços que o projeto tende a contratar:

  • Automação industrial e instrumentação para comissionamento de linhas de produção
  • Infraestrutura elétrica de média tensão e montagem de baterias para híbridos
  • Logística industrial e montagem eletromecânica na transferência de equipamentos
  • Manutenção industrial e utilidades (ar comprimido, pintura, tratamento de efluentes)
  • Reconstrução civil da fábrica de Porto Feliz (SP), danificada em 2025

Janela: A obra civil pesada da Sorocaba 2 está concluída; a janela aberta agora é de comissionamento e automação, com a reconstrução de Porto Feliz como a frente com mais espaço para contratação de obra nova entre 2026 e 2027.

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