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Governo Federal injeta R$ 3 bi na ponte de R$ 14,6 bi entre Salvador e Itaparica

Ponte estaiada de 12,4 km sobre a Baía de Todos-os-Santos já tem 15 estacas cravadas e deve abrir ao tráfego em 2031, com cerca de 7 mil empregos ao longo da obra.

Dynamic view of a cable-stayed bridge under construction with cranes against a clear blue sky.
Imagem ilustrativa. Foto: celal keser / Pexels
Por Redação Radar IndústriaPublicado em · fato divulgado em 14 de outubro de 20264 min de leitura

O Governo Federal assinou, em 13 de outubro de 2026, em Brasília, um Termo de Compromisso que destina R$ 3 bilhões da União à ponte Salvador-Itaparica, elevando para R$ 14,6 bilhões o investimento total na obra, segundo reportagem do Movimento Econômico. O aporte se soma aos R$ 11,6 bilhões já previstos para a ponte estaiada de 12,4 quilômetros sobre a Baía de Todos-os-Santos, construída pelo Consórcio 02 de Julho, concessionário da parceria público-privada apelidada de Via 2 de Julho, que iniciou as obras em 1º de julho de 2026.

O projeto em números

ItemDado
Investimento totalR$ 14,6 bilhões (R$ 11,6 bi anteriores + R$ 3 bi do aporte federal)
Extensão da ponte12,4 km sobre a Baía de Todos-os-Santos
Vão estaiado principal682 metros (ampliado de 482 m para liberar passagem de navios)
Altura das torres248 metros cada, erguidas em 34 segmentos
Lâmina d'água nos pilares principaisaté 64 metros
Prazo de construçãocerca de 6 anos
Abertura ao tráfego2031
Tráfego projetado após abertura28 mil veículos por dia
Empregos ao longo da obracerca de 7 mil
Municípios beneficiados250

Fontes: Movimento Econômico.

Contexto

O projeto arrasta sucessivos atrasos. Em novembro de 2023, o então presidente da concessionária, Cláudio Villas Boas, dizia ao Poder 360 que as sondagens de solo para os pilares começariam naquele mês, com a licença de instalação prevista para o segundo semestre de 2024 e início efetivo das obras no final daquele ano, para entrega em 2028. Villas Boas também relatava que o custo subira de R$ 7,7 bilhões, valor da licitação original, para R$ 9 bilhões pela correção do IPCA, por causa do encarecimento de materiais atribuído à pandemia, e que um aditivo contratual ainda não fechado travava o início da obra. Quase três anos depois, a obra só começou de fato em 1º de julho de 2026, já sob o nome Via 2 de Julho, adotado em 7 de agosto de 2026, com a China Communications Construction Company (CCCC) e a China Railway Construction Corporation (CRCC) como sócias chinesas da concessionária, cuja sede fica na Avenida Luís Viana Filho, em Salvador, sob a presidência de Lu Guannan.

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A CCCC Second Harbor Brazil (SHEC BR), subsidiária da CCCC, responde pela construção e gestão da obra, que usa metodologia BIM. Até setembro, cerca de 15 estacas haviam sido cravadas no meio da baía para a central de concreto que vai apoiar o vão central, considerado o trecho mais complexo do empreendimento. O canteiro de Vera Cruz (Itaparica) recebe a Plataforma Linear Provisória (PLP), o de Jequitaia, em Salvador, está em mobilização como sede administrativa e operacional, e o de São Roque do Paraguaçu, em Maragogipe, concentra a produção e o armazenamento de materiais. Em 27 de agosto de 2026, partiu do Porto de Lusi, na China, o navio bate-estacas Tiejian Daqiao Zhuang 1, com torre de cravação de 156 metros e capacidade para içar 700 toneladas, construído pela China Railway Construction Bridge Engineering Bureau Group, com chegada prevista para a segunda quinzena de novembro após viagem de cerca de 45 dias pelo Estreito de Malaca e pelo Cabo da Boa Esperança. É a primeira plataforma de trabalho flutuante dessa tecnologia chinesa usada na América Latina, o que deve reduzir em cerca de 70% a necessidade de embarcações de apoio. Em paralelo, a concessionária negociava em julho de 2026 uma linha de crédito com o Banco do Nordeste, ainda em análise.

O que a obra deve contratar

  • Estacas e fundações marítimas. Cravação em lâmina d'água de até 64 metros nos pilares principais, com equipamentos flutuantes especializados.
  • Central de concreto e pré-moldados. Instalada entre pilares para fornecer concreto direto ao canteiro submerso.
  • Estrutura estaiada do vão central. Torres de 248 metros erguidas em segmentos, com formas trepantes hidráulicas.
  • Canteiros e plataformas provisórias. Mobilização e logística em Vera Cruz, Jequitaia e São Roque do Paraguaçu.
  • Acessos viários. Obras complementares de integração ao Rodoanel Metropolitano de Salvador.

Prazos e próximos passos

EtapaData
Início oficial das obras1º de julho de 2026
Concessionária adota o nome Via 2 de Julho7 de agosto de 2026
Navio bate-estacas sai da China27 de agosto de 2026
Termo de Compromisso do aporte federal de R$ 3 bi13 de outubro de 2026
Chegada do navio bate-estacas ao Brasil2ª quinzena de novembro de 2026
Conclusão e abertura ao tráfego2031

Fonte: Movimento Econômico.

Outras obras em andamento na Bahia

A ponte Salvador-Itaparica não é a única obra pesada em curso no estado: a Brazil Iron avança um projeto de ferro verde de R$ 30,8 bilhões na Chapada Diamantina, e a BYD amplia o complexo automotivo de Camaçari com uma nova fase de R$ 5,5 bilhões. Mais obras na Bahia na carteira do Mapa de obras.

Ficha do investimento Radar Capex
Empresa
Consórcio 02 de Julho (CCCC e CRCC)
Local
Salvador e Vera Cruz (Itaparica), BA
Valor
R$ 14,6 bi
Fase
Obras iniciadas
Previsão
obras iniciadas em 1º de julho de 2026; abertura ao tráfego prevista para 2031
Anunciado em
14 de outubro de 2026

O que isso significa para quem vende para a indústria

Com as estacas do vão central já cravadas e o navio bate-estacas chinês a caminho, a obra sai da fase de papel para a fase pesada de fundação marítima, que deve concentrar a contratação de serviços de mergulho, cravação e logística offshore até 2027. O aporte federal de R$ 3 bilhões reduz o risco de o projeto parar por falta de caixa, um padrão que já se repetiu entre 2023 e 2025, mas não elimina a dependência de uma linha de crédito ainda em negociação com o Banco do Nordeste. Para quem presta serviço de obra civil e fundação na Bahia, a entrada da CCCC e da CRCC como construtoras diretas também significa disputar espaço como subcontratada de uma estatal chinesa, não como contratada principal. O próximo gargalo de contratação visível é a estrutura estaiada das torres, que só ganha volume depois que a fundação do vão central estiver concluída.

Serviços que o projeto tende a contratar:

  • Estacas e fundações marítimas
  • Central de concreto e pré-moldados
  • Estrutura estaiada e torres
  • Canteiros e plataformas provisórias
  • Acessos viários e obras complementares

Janela: Fundações e cravação de estacas já em curso; estrutura das torres e vão estaiado a partir de 2027, conforme a fundação avançar.

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