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CNI: confiança da indústria sobe a 46,2 pontos em outubro, mas pessimismo chega a 22 meses

ICEI avança 1,3 ponto em outubro de 2026 puxado pelas expectativas; na FGV, confiança da indústria cai pelo terceiro mês e a da construção recua a 90,5 pontos.

Two engineers collaborating on machinery maintenance in a dimly lit industrial plant.
Imagem ilustrativa. Foto: abdo alshreef / Pexels
Por Redação Radar IndústriaPublicado em 4 min de leitura

O empresário industrial brasileiro ficou um pouco menos pessimista em outubro, mas segue abaixo da linha que separa confiança de desconfiança. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), da Confederação Nacional da Indústria, subiu 1,3 ponto e chegou a 46,2 pontos em outubro de 2026, segundo a CNI, em dado divulgado em 14 de outubro e reproduzido pelo jornal A Crítica. Como a escala vai de 0 a 100 e só leituras acima de 50 indicam confiança, o setor completa 22 meses seguidos de pessimismo.

A melhora veio das expectativas para os próximos seis meses, que subiram 2,1 pontos, a 49,3. Já o índice de condições atuais caiu 0,2 ponto, a 40 pontos, o menor nível desde julho de 2020, de acordo com a mesma reportagem. A pesquisa ouviu 1.103 empresas industriais, sendo 456 pequenas, 414 médias e 233 grandes, entre 1º e 7 de outubro.

Os números

A série recente do ICEI mostra um índice oscilando entre 44 e 47 pontos desde junho, sem tendência clara de saída do campo negativo.

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Mês de 2026ICEI (CNI)Variação
Junho46,7n/d
Julho44,4-2,3
Agosto46,3+1,9
Setembro44,9-1,4
Outubro46,2+1,3

Fontes: CNI, via boletim da Fiern (junho e julho), Diário de Pernambuco (agosto e setembro) e A Crítica (outubro). A variação de agosto é cálculo do Radar Indústria a partir dos valores publicados.

As sondagens da Fundação Getulio Vargas mostram um quadro mais fraco que o da CNI no último mês disponível. O Índice de Confiança da Indústria (ICI) do FGV Ibre caiu 2,4 pontos em setembro, a 91,3 pontos, terceira queda seguida, segundo O Povo. Na construção, o índice da FGV recuou 1,4 ponto em setembro, a 90,5 pontos, de acordo com o portal Acessa.

IndicadorJulhoAgostoSetembro
Confiança da Indústria (FGV)97,2*93,791,3
Expectativas da indústria (FGV)94,6*92,689,2
Confiança da Construção (FGV)n/d91,9*90,5
Intenção de investimento (CNI)53,252,651,3

*Valores calculados pelo Radar Indústria a partir das variações publicadas. Fontes: CNN Brasil, O Povo, Acessa, Portal da Indústria e Jornal do Comércio. A FGV divulga o resultado de outubro da indústria em 28 de outubro de 2026.

Contexto

O detalhamento das pesquisas ajuda a entender onde está a cautela:

  • Indústria (FGV). Em setembro, 16 dos 19 segmentos acompanhados tiveram queda na confiança. O índice de expectativas foi a 89,2 pontos, o mais fraco desde novembro de 2025. O economista Stéfano Pacini, do FGV Ibre, apontou sinais de demanda mais fraca e acúmulo de estoques, o que aumenta a chance de ajustes na produção, segundo O Povo.
  • Construção (FGV). A queda de setembro veio sobretudo das expectativas, e o segmento de obras de infraestrutura teve o maior recuo no mês. A coordenadora de projetos da construção do FGV Ibre, Ana Maria Castelo, descreveu o cenário como de cautela e pessimismo moderado. A utilização da capacidade da construção caiu 0,7 ponto, a 78,1%.
  • Capacidade da indústria. Mesmo com a confiança em queda, o nível de utilização da capacidade instalada da indústria subiu 0,3 ponto em setembro, a 83,2%, segundo a FGV.
  • Intenção de investir (CNI). O indicador caiu pela quarta vez seguida em setembro, para 51,3 pontos, o menor valor desde agosto de 2020, segundo o Jornal do Comércio. Em agosto, a especialista em Política Industrial da CNI Larissa Nocko atribuiu a perda a juros altos, aumento dos custos de produção e forte entrada de importados, de acordo com o Portal da Indústria.

O que esperar de 2027

As expectativas medidas pela CNI para os próximos seis meses, que chegaram a 49,3 pontos em outubro, estão perto da linha de 50, o que indica que o empresário vê alguma melhora à frente, mas sem convicção. Na FGV, Pacini avaliou que juros restritivos e a incerteza, que tende a crescer em período eleitoral, limitam uma recuperação mais firme da confiança. O segundo turno de 25 de outubro de 2026 e a definição da política econômica do próximo governo devem pesar nas leituras de novembro e dezembro.

O que isso significa para quem presta serviço

Confiança abaixo de 50 por 22 meses e intenção de investir no menor nível desde 2020 indicam que a indústria está segurando projetos novos. Ao mesmo tempo, a utilização de capacidade acima de 83% mostra fábricas rodando com pouca folga, o que aumenta a necessidade de manutenção para evitar paradas. Para fornecedores, o quadro sugere demanda mais concentrada em serviços recorrentes e corretivos do que em obras de ampliação, e uma infraestrutura com expectativas em queda na construção.

Ficha da medida Radar Política
Quem decidiu
CNI e FGV Ibre
Vigência
Pesquisas de junho a outubro de 2026
Publicado em
14 de outubro de 2026

Como isso afeta quem vende para a indústria

O retrato das sondagens é de indústria que roda perto do limite, mas evita investir. Nesse ambiente, é provável que contratos de manutenção, paradas programadas e pequenas adequações sigam mais estáveis que obras de expansão. Se as expectativas da CNI cruzarem 50 pontos nos próximos meses, a leitura muda e o primeiro sinal tende a aparecer em pedidos de orçamento para projetos que estavam engavetados.

  • Manutenção industrial e paradas programadas
  • Serviços elétricos e de automação
  • Caldeiraria e reparos mecânicos
  • Pequenas obras civis de adequação

Janela: Com intenção de investir em queda, contratações de expansão tendem a ficar para depois do primeiro trimestre de 2027; manutenção segue contratando no curto prazo.

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