As maiores obras industriais no radar em outubro de 2026: quanto, onde e o que contratam
São R$ 227,3 bilhões em 23 obras com valor divulgado. Tirando o data center da ByteDance, sobram R$ 27,3 bilhões em fábricas, minas, hospitais e galpões que já estão contratando.

Somando só os valores que as próprias empresas, bancos e órgãos públicos divulgaram, as obras industriais acompanhadas pelo Radar Indústria em outubro de 2026 chegam a R$ 227,3 bilhões. A conta reúne 23 das 27 obras com matéria publicada até 18 de outubro. Ficaram de fora quatro que não têm valor fechado em reais: a segunda fábrica da GWM em Aracruz (ES), a terceira loja do Assaí em Osasco (SP), a megaloja da Havan em Boa Vista (RR) e a encomenda de 13 navios ao Estaleiro Rio Grande (RS), cujo valor mistura dólar e real.
Um projeto pesa mais que todos os outros juntos. O campus de data centers da ByteDance no Pecém (CE), estimado em mais de R$ 200 bilhões, responde por quase nove em cada dez reais da soma. Tirando esse caso, as outras 22 obras somam R$ 27,3 bilhões, e é nessa faixa que está a maior parte das contratações ao alcance de uma empresa média de engenharia, montagem e manutenção.
Três critérios valem para a conta. Onde a matéria traz uma faixa, entrou o piso: a ArcelorMittal fala em R$ 4 a 5 bilhões, e a soma usa R$ 4 bilhões. Onde a empresa fala em "até", entrou o teto anunciado, caso da Neodent e da Guardian. E onde o valor é um crédito do BNDES e não o projeto inteiro, como na Soli3, entrou o número que está no título da matéria.
Ranking: as obras do radar por valor
A tabela ordena as obras do maior para o menor valor, com a fase em que cada uma estava quando a matéria foi publicada.
| # | Empresa ou projeto | Local | Setor | Valor | Fase | Matéria |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | ByteDance (TikTok) | Pecém/CE | Data center | R$ 200 bi | anúncio | ler |
| 2 | Leilão de Transmissão nº 4/2026 (Aneel) | BA, GO, MS, PB, PR, RO e SP | Transmissão de energia | R$ 8,9 bi | anúncio | ler |
| 3 | Mineração Rio do Norte (MRN) | Oriximiná, Terra Santa e Faro/PA | Mineração | R$ 5 bi | obras iniciadas | ler |
| 4 | ArcelorMittal Brasil | Serra/ES | Siderurgia | R$ 4 a 5 bi | anúncio | ler |
| 5 | Neodent (Straumann) | Curitiba/PR | Dispositivos médicos | até R$ 2 bi | operação | ler |
| 6 | Instituto Butantan | São Paulo/SP | Farmacêutica | R$ 1,06 bi | financiamento aprovado | ler |
| 7 | Prati-Donaduzzi | Toledo/PR | Farmacêutica | R$ 1 bi | anúncio | ler |
| 8 | Guardian Gestora | Cachoeirinha/RS | Logística | até R$ 1 bi | licenciamento | ler |
| 9 | Nestlé | Ituiutaba/MG | Alimentos | R$ 600 mi | anúncio | ler |
| 10 | Mater Dei Santana | São Paulo/SP | Saúde (hospital) | R$ 600 mi | obras em início | ler |
| 11 | Grupo Sada (OMR Componentes Automotivos) | Sete Lagoas/MG | Autopeças e fundição | R$ 500 mi | anúncio | ler |
| 12 | Mercado Livre | São Sebastião da Bela Vista/MG | Logística | R$ 400 mi | obras iniciadas | ler |
| 13 | Barzel Properties (Shopee) | Ribeirão das Neves/MG | Logística | R$ 400 mi | obras iniciadas | ler |
| 14 | WEG | Itajaí/SC | Armazenamento de energia | R$ 330 mi | anúncio | ler |
| 15 | Votorantim Cimentos | Xambioá/TO | Cimento | R$ 260 mi | anúncio | ler |
| 16 | Atlântica D'Or | Ribeirão Preto/SP | Saúde (hospital) | R$ 250 mi | obras iniciadas | ler |
| 17 | GNR Vila Velha e GNR Mauá | Vila Velha (ES) e Mauá (SP) | Biometano | R$ 245 mi | financiamento aprovado | ler |
| 18 | Soli3 União Central Cooperativa | Cruz Alta/RS | Agroindústria (soja e biodiesel) | R$ 150 mi | em construção | ler |
| 19 | Skala (Grupo Bora Brasil) | Uberaba/MG | Cosméticos | R$ 150 mi | anúncio | ler |
| 20 | Grupo José Alves | Trindade/GO | Produtos de limpeza | R$ 150 mi | operação | ler |
| 21 | Chiesi | Santana de Parnaíba/SP | Farmacêutica | R$ 124 mi | obras iniciadas | ler |
| 22 | Economart Atacadista | Uberlândia/MG | Varejo (atacarejo) | R$ 120 mi | anúncio | ler |
| 23 | Viridis Mining | Poços de Caldas/MG | Mineração (terras raras) | R$ 77,5 mi | financiamento aprovado | ler |
| fora da soma | Ecovix (Estaleiro Rio Grande) | Rio Grande/RS | Naval | US$ 705 mi + R$ 2,2 bi | obras iniciadas | ler |
| fora da soma | GWM (Great Wall Motors) | Aracruz/ES | Automotivo | não informado | anúncio | ler |
| fora da soma | Assaí Atacadista | Osasco/SP | Varejo (atacarejo) | não informado | anúncio | ler |
| fora da soma | Havan | Boa Vista/RR | Varejo | não informado | anúncio | ler |
Onde estão as obras: leitura por região
Sudeste
É a região com mais obras na lista. Minas Gerais sozinha tem sete. No Triângulo, a Nestlé prepara uma fábrica de fórmulas infantis de R$ 600 milhões em Ituiutaba, com obra em 2027, a Skala ergue fábrica nova de R$ 150 milhões em Uberaba e o Economart abre duas lojas em Uberlândia por cerca de R$ 120 milhões. Na Grande BH, a OMR, do Grupo Sada, investe R$ 500 milhões em rodas e fundição em Sete Lagoas e a Barzel ergue um galpão de R$ 400 milhões para a Shopee em Ribeirão das Neves. No Sul de Minas, o Mercado Livre constrói um CD de 122 mil m² em São Sebastião da Bela Vista, e a Viridis recebeu R$ 77,5 milhões do BNDES para o centro de terras raras de Poços de Caldas.
Em São Paulo, o destaque é saúde. O Butantan vai construir o CPFI 4, de R$ 1,06 bilhão, fábrica de envase de vacinas com isoladores e liofilização. A Chiesi amplia a planta de inaladores em Santana de Parnaíba com R$ 124 milhões. Na rede hospitalar, o Mater Dei Santana, de R$ 600 milhões e 45 mil m², na zona norte da capital, e o hospital da Atlântica D'Or em Ribeirão Preto, de R$ 250 milhões estão em fases diferentes: o primeiro começa a obra, o segundo caminha para o fim.
O Espírito Santo concentra obras pesadas. A ArcelorMittal aprovou de R$ 4 a 5 bilhões para um laminador a frio em Tubarão, com cerca de 3 mil trabalhadores no pico. Em Aracruz, a GWM oficializou a segunda fábrica no país, com inauguração prevista para 2029. E em Vila Velha sai uma das duas plantas de biometano de aterro que somam R$ 245 milhões; a outra fica em Mauá (SP).
Sul
No Paraná, duas fábricas de saúde puxam a conta. A Neodent inaugurou em Curitiba a terceira fábrica, com até R$ 2 bilhões até 2031, e a Prati-Donaduzzi anunciou R$ 1 bilhão em ciclo de investimentos com a fábrica Sólidos 5, em Toledo. O estado também tem trecho do maior lote do leilão de transmissão.
No Rio Grande do Sul, a Guardian obteve licença de instalação para um parque logístico de até R$ 1 bilhão em Cachoeirinha, a Soli3 tem R$ 150 milhões do Fundo Clima para equipar a usina de soja de Cruz Alta e o Estaleiro Rio Grande bateu a quilha do primeiro de 13 navios da Transpetro. Em Santa Catarina, a WEG elevou para R$ 330 milhões a fábrica de baterias de Itajaí.
Nordeste
O Nordeste tem a maior obra da lista: o campus de data centers da ByteDance no Pecém, com até 900 MW e primeira fase de 20 data halls em dois prédios. Bahia e Paraíba entram no leilão de transmissão de 30 de outubro, que abre uma segunda frente de obra na região.
Norte
No Pará, a MRN já está em obra no Projeto Novas Minas, de R$ 5 bilhões, com linha de 230 kV de 98 km e 2,3 mil postos previstos. No Tocantins, a Votorantim Cimentos põe R$ 260 milhões numa nova moagem em Xambioá. Em Roraima, a Havan inaugura a loja 200 em Boa Vista em 14 de novembro, sem valor divulgado.
Centro-Oeste
Com matéria publicada, a região tem a ampliação de R$ 150 milhões da fábrica do Grupo José Alves em Trindade (GO), já em operação e, portanto, com demanda de manutenção. A frente maior vem do leilão: o lote mais caro, de R$ 4,1 bilhões, cruza Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul.
Onde está o dinheiro: leitura por setor
- Data center: a ByteDance, com mais de R$ 200 bilhões, define sozinha o tamanho do mercado. É obra de energia e climatização tanto quanto de construção.
- Energia: o leilão de transmissão (R$ 8,9 bilhões), o biometano GNR (R$ 245 milhões) e a fábrica de baterias da WEG (R$ 330 milhões) somam cerca de R$ 9,5 bilhões.
- Mineração e cimento: MRN (R$ 5 bilhões), Votorantim (R$ 260 milhões) e Viridis (R$ 77,5 milhões). É o setor com obra mais avançada no campo.
- Siderurgia e metalurgia: ArcelorMittal (R$ 4 a 5 bilhões) e Grupo Sada (R$ 500 milhões). Demandam montagem mecânica pesada, pontes rolantes e despoeiramento.
- Farmacêutica e dispositivos médicos: Neodent, Butantan, Prati-Donaduzzi e Chiesi passam de R$ 4,1 bilhões. Sala limpa e HVAC farmacêutico aparecem em todas.
- Hospitais: Mater Dei Santana e Atlântica D'Or somam R$ 850 milhões, com gases medicinais, climatização hospitalar e geração com redundância.
- Logística: Guardian, Mercado Livre e Barzel somam R$ 1,8 bilhão em galpões, piso industrial e sprinklers.
- Alimentos, agro e consumo: Nestlé, Soli3, Skala e José Alves somam R$ 1,05 bilhão, com tubulação sanitária, vapor e frio industrial.
O que essas obras vão contratar
Cruzando a lista de serviços de cada matéria, seis disciplinas se repetem. Para cada uma, as obras que mais puxam a demanda:
- Elétrica e subestação: leilão de transmissão (linhas, subestações e compensadores síncronos), MRN (linha de 230 kV), ByteDance (média tensão e geradores), ArcelorMittal, Votorantim, Grupo Sada, WEG, Prati-Donaduzzi, Guardian e Mercado Livre. Nos hospitais, geradores e nobreaks com redundância.
- Climatização e HVAC: ByteDance (climatização de precisão para missão crítica), Butantan, Prati-Donaduzzi, Chiesi e Neodent (salas limpas), Nestlé (salas de pressão controlada), WEG (controle de umidade), Mater Dei e Atlântica D'Or (climatização hospitalar) e Economart (climatização de grande porte).
- Estrutura metálica e galpão: ArcelorMittal, GWM, Mercado Livre, Barzel, Guardian, Economart e WEG.
- Civil, terraplenagem e fundações: MRN (acessos e drenagem), GWM (terreno de 1,7 milhão de m²), Guardian, Mercado Livre, Votorantim (obra civil pesada), ArcelorMittal (bases de equipamentos pesados), Skala e Viridis. Piso industrial em todos os galpões logísticos.
- Montagem eletromecânica e tubulação: MRN (beneficiamento e correias), ArcelorMittal, Soli3 (caldeiraria e isolamento térmico), Grupo Sada (fornos e células de fundição), Votorantim (moinho e transportadores), Nestlé (aço inoxidável), biometano GNR (skids de processo), Viridis (reatores e tanques) e o Estaleiro Rio Grande.
- Utilidades e incêndio: água purificada e vapor limpo no Butantan, na Prati-Donaduzzi e na Chiesi; vapor, frio e ar comprimido na Nestlé; tratamento de efluentes na ArcelorMittal, GWM e Viridis; sprinklers nos galpões; supressão de incêndio para baterias de lítio na WEG; gases medicinais nos hospitais.
Há ainda manutenção recorrente: missão crítica na ByteDance, spray dryer na José Alves e refrigeração no varejo.
Calendário de contratação
A janela muda muito de uma obra para outra. A tabela vai da janela mais curta para a mais longa.
| Obra | Marco do cronograma | Janela para o fornecedor |
|---|---|---|
| Barzel (Shopee), Ribeirão das Neves/MG | Obra em andamento, conclusão até o fim de 2026 | Agora: últimos pacotes de galpão, docas e adaptação do inquilino |
| Havan, Boa Vista/RR | Inauguração em 14 de novembro de 2026 | Novembro em diante: contratos de manutenção predial e climatização |
| Leilão de transmissão (sete estados) | Sessão em 30 de outubro de 2026 | Depois da assinatura dos contratos: EPC e subcontratadas |
| MRN, oeste do Pará | Em implantação, linha de 230 kV no 1º trimestre de 2027 | Imediata, com frentes ao longo de 2026 e 2027 |
| ByteDance, Pecém/CE | Primeira fase com operação em 2027 | Ao longo de 2026 e 2027: obra civil, elétrica e climatização |
| Biometano GNR, Vila Velha e Mauá | Operação comercial no 1º semestre de 2027 | Curta: montagem até o começo de 2027 |
| Grupo Sada (OMR), Sete Lagoas/MG | Rodas operando no começo de 2027 | Curta: montagem e partida da linha |
| Atlântica D'Or, Ribeirão Preto/SP | Implantação até o 1º trimestre de 2027 | Reta final: instalações e comissionamento |
| Guardian, Cachoeirinha/RS | Licença de instalação concedida | Agora: primeira fase de R$ 300 milhões |
| Prati-Donaduzzi, Toledo/PR | Projeto e contratação da obra | Agora: apresentação à engenharia da empresa |
| Mercado Livre, Sul de Minas | Obra até junho de 2027 | Em andamento até a conclusão |
| WEG, Itajaí/SC | Operação no 2º semestre de 2027 | Contratação em 2026 |
| Nestlé, Ituiutaba/MG | Obras em 2027, operação em 2028 | Concorrências em 2026 |
| Votorantim Cimentos, Xambioá/TO | Nova capacidade em julho de 2028 | Obra até meados de 2028 |
| Soli3, Cruz Alta/RS | Industrialização prevista para maio de 2028 | Durante a obra, até 2028 |
| Mater Dei Santana, São Paulo/SP | Entrega em 2029, segundo a empresa | Instalações de 2027 a 2029 |
| GWM, Aracruz/ES | Inauguração prevista para 2029 | Terraplenagem e estrutura primeiro, de 2026 a 2029 |
| ArcelorMittal, Serra/ES | Operação no 1º semestre de 2030 | Escalonada de 2026 a 2029, com cadastro antes |
Obra em andamento contrata por pacote; obra anunciada, por cadastro. Nas duas, chega na frente quem aparece antes da concorrência.
Também no Mapa de obras, ainda sem matéria
O Mapa de obras registra outros nove projetos que ainda não ganharam matéria e por isso ficaram fora do ranking e da soma. Entre eles estão a ampliação da usina de Foz do Areia pela Copel (R$ 1,3 bi), a fábrica de transformadores da Hitachi Energy em Pindamonhangaba (R$ 1,4 bi), a expansão da mina da Cedro em Mariana (R$ 3,5 bi), o terminal Porto do Meio, em Itaguaí (R$ 3,6 bi), e três hospitais estaduais em Mato Grosso (mais de R$ 600 mi).
Metodologia
O Radar Indústria varre todos os dias notícias de investimento com obra física no Brasil. Cada projeto entra no Mapa de obras com empresa, cidade, setor, valor, fase e fonte. Vira matéria quando há fonte primária ou veículo identificado que confirme o valor e o cronograma.
As matérias usadas nesta análise citam comunicados das próprias empresas (como ArcelorMittal), órgãos públicos (Aneel, BNDES, Ibama e prefeituras) e veículos como Exame, InfoMoney, CNN Brasil, Agência Brasil, Brasil Mineral, Diário do Comércio e Jornal do Comércio. Quando duas fontes divergem, a matéria diz qual número adotou e por quê.
Nesta análise, os valores aparecem exatamente como nas matérias. A soma usa só valores em reais, o piso das faixas e o teto dos valores "até". Obras sem valor ou com valor em moeda mista ficam fora da conta e aparecem no fim da tabela. A lista é atualizada todo mês.
Na prática
Fora o data center da ByteDance, o dinheiro do radar está espalhado em mineração, siderurgia, farmacêutica, logística e transmissão, com R$ 27,3 bilhões em obras de porte médio e grande. Elétrica e climatização aparecem em quase todas as listas de serviço, e são as disciplinas com mais portas abertas. Escolha de duas a três obras da sua região cuja janela está aberta agora e entre no cadastro de fornecedor antes da próxima concorrência.
- Elétrica de média tensão e subestação
- Climatização, HVAC e salas limpas
- Estrutura metálica, galpão e piso industrial
- Montagem eletromecânica e tubulação industrial
- Utilidades, efluentes e combate a incêndio
Janela: De imediata a 2029: galpões e montagens curtas fecham pacotes até o começo de 2027; siderurgia, automotivo e hospitais contratam em etapas até 2029.
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- Mapa de obras do Radar Indústria, Radar Indústria, 19 de outubro de 2026
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