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Energia · Vários estados

Leilão de transmissão de 30 de outubro põe R$ 8,9 bilhões em obras em sete estados

São 1.866 km de linhas e 12.694 MVA em subestações na BA, GO, MS, PB, PR, RO e SP. O maior lote, de R$ 4,1 bilhões, cruza Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul.

Electric towers and power lines under a clear blue sky in a natural landscape.
Imagem ilustrativa. Foto: Robert So / Pexels
Por Redação Radar IndústriaPublicado em · fato divulgado em 22 de setembro de 20265 min de leitura

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) realiza em 30 de outubro de 2026, às 10 horas, na sede da B3, em São Paulo, o Leilão de Transmissão nº 4/2026, com previsão de R$ 8,9 bilhões em investimentos em sete estados: Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rondônia e São Paulo. A diretoria da agência aprovou a versão definitiva do edital em 22 de setembro, e o aviso de licitação foi programado para sair no Diário Oficial da União dois dias depois, segundo comunicado da própria Aneel. Até 18 de outubro, nenhuma fonte consultada pelo Radar indicava mudança na data da sessão.

De acordo com o portal Canal Solar, que acompanhou a reunião de aprovação, a soma exata dos investimentos é de R$ 8,88 bilhões, e a Receita Anual Permitida (RAP) máxima dos oito lotes chega a cerca de R$ 1,63 bilhão por ano. É sobre a RAP, a receita anual da concessão, que os concorrentes oferecem desconto.

O projeto em números

ItemValor
Investimento previstoR$ 8,88 bilhões (Canal Solar) ou R$ 8,9 bilhões (Aneel)
RAP máxima totalcerca de R$ 1,63 bilhão por ano
Lotes8
Novas linhas e seccionamentos1.866 km
Continuidade de linhas existentes483 km
Nova capacidade de transformação12.694 MVA
Continuidade de transformação600 MVA
Compensações síncronas4
Empregos diretos estimados20.312

Fontes: Aneel e Canal Solar.

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Os oito lotes

A tabela publicada pela Aneel lista sete lotes numerados. O oitavo, que explica a presença de Rondônia entre os estados contemplados, foi detalhado pelo Canal Solar a partir do voto do relator. A agência divulgou só o valor do lote 4.

  • Lote 1 (Bahia). Instalações existentes da Afluente-T e novas instalações para o Sul e o Centro-Sul do estado, com prazo de 48 meses. Segundo o Canal Solar, a indenização dos ativos existentes foi calculada pela Base de Remuneração Regulatória. A Aneel abriu em agosto um data room com os documentos da concessão atual.
  • Lote 2 (Bahia e Goiás). Linha Rio das Éguas a Iaciara 2 e subestação Iaciara 2, com 48 meses de prazo, segundo a Aneel.
  • Lote 3 (São Paulo). Subestação Santana e seccionamentos em 500 kV e 345 kV, com 48 meses. O investimento é de R$ 1,07 bilhão, de acordo com o Canal Solar, depois de revisão que incluiu módulos de conexão.
  • Lote 4 (Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul). Sistema em 500 kV que envolve Rio Brilhante, Sarandi, Rio Verde Norte e Chapadão, com 60 meses. É o maior do leilão: R$ 4,11 bilhões e RAP máxima de R$ 762,63 milhões por ano, segundo o Canal Solar. O sublote 4A soma R$ 2,20 bilhões e o 4B, R$ 1,90 bilhão; eles serão apregoados separadamente e depois agregados, informou a Aneel.
  • Lote 5 (Paraná). Sistemas Curitiba Oeste, Barigui 2 e Uberaba, com 60 meses e investimento de R$ 982,47 milhões, segundo o Canal Solar.
  • Lote 6 (Paraná). Subestação Iguaçu e seccionamentos em 525 kV e 230 kV, com 42 meses.
  • Lote 7 (Paraíba). Sistemas Coremas II e Cajazeiras II, com 42 meses.
  • Lote 8 (Rondônia). Compensações síncronas na subestação Coletora Porto Velho, com investimento de R$ 753,17 milhões, de acordo com o Canal Solar.

Contexto

O edital encolheu ao longo do ano. Na consulta pública aberta em 9 de abril, a proposta previa R$ 11,3 bilhões, 2.069 km de linhas, 13.564 MVA e cerca de 28,9 mil empregos diretos e indiretos, segundo a Agência iNFRA. Em 22 de junho, a diretoria da Aneel aprovou a versão enviada ao Tribunal de Contas da União e retirou o lote de interligação com a Bolívia, para obter mais informações sobre o sistema boliviano e alinhar os cronogramas dos dois países, informou a mesma agência. Na versão final, saiu ainda um nono lote, a subestação de Olindina, na Bahia, porque as instalações seguem ligadas a uma concessão vigente que está em processo de caducidade, segundo a Agência iNFRA e o Canal Solar. Ainda de acordo com o Canal Solar, o TCU encerrou sua análise sem determinações nem recomendações de mudança.

Os leilões anteriores de 2026 mostram competição forte. Na primeira sessão do Leilão nº 1/2026, em 27 de março, os cinco lotes foram arrematados, com R$ 3,3 bilhões em investimentos; Engie e Cymi levaram dois lotes cada, e os deságios variaram de 37,89% a 54,83%, segundo o InfoMoney. Na segunda sessão, em 3 de julho, os quatro lotes saíram com deságio médio de 53,2% e R$ 1,8 bilhão em investimentos; a Axia ficou com três deles e o consórcio Olympus XX, com o outro, de acordo com o portal eixos.

O que a obra deve contratar

Projetos de transmissão desse porte costumam exigir, contratados em etapas pelo vencedor ou pelo EPCista:

  • Engenharia de projeto. Projeto básico e executivo de linhas, subestações e seccionamentos, além dos estudos exigidos pelo Operador Nacional do Sistema.
  • Licenciamento ambiental. Estudos, levantamento de fauna e flora, programas socioambientais e negociação de faixa de servidão.
  • Topografia, sondagem e fundações. Levantamento do traçado, investigação geotécnica e fundações de torres e de equipamentos de subestação.
  • Montagem de torres e lançamento de cabos. Frentes de montagem distribuídas ao longo dos 1.866 km de novas linhas e seccionamentos.
  • Obra civil de subestação. Terraplenagem, drenagem, bases, canaletas, casa de comando e cercamento, nas subestações novas como Iaciara 2, Santana e Iguaçu.
  • Montagem eletromecânica e comissionamento. Transformadores, disjuntores, painéis de proteção e controle e, no lote de Rondônia, compensadores síncronos, que tendem a pedir equipe especializada.

Prazos e próximos passos

EtapaData
Edital aprovado pela diretoria da Aneel22 de setembro de 2026
Publicação do aviso de licitação e do edital24 de setembro de 2026
Inscrição e garantia de proposta15 e 16 de outubro de 2026
Sessão pública na B3, às 10 horas30 de outubro de 2026
Assinatura dos contratos de concessão26 de fevereiro de 2027
Entrada em operação42 a 60 meses após a assinatura, conforme o lote

Fontes: Aneel e Canal Solar. A lista de empresas inscritas não havia sido divulgada até 18 de outubro.

Ficha do investimento Radar Capex
Empresa
Aneel, Leilão de Transmissão nº 4/2026
Local
BA, GO, MS, PB, PR, RO e SP
Valor
R$ 8,9 bi
Fase
Anúncio
Previsão
42 a 60 meses após a assinatura dos contratos
Anunciado em
22 de setembro de 2026

O que isso significa para quem vende para a indústria

Leilão de transmissão é o capex mais previsível do país: o vencedor sai em 30 de outubro, assina em 26 de fevereiro de 2027 e tem de 42 a 60 meses para entregar. Com deságios acima de 50% nos leilões de 2026, os vencedores tendem a apertar custo e fechar EPC cedo, então a hora de se apresentar é logo depois do resultado. O lote 4, de R$ 4,11 bilhões, e o lote 8, de compensadores síncronos em Porto Velho, são os que mais concentram contratação de engenharia e montagem.

Serviços que o projeto tende a contratar:

  • Projeto básico e executivo de linhas e subestações
  • Licenciamento ambiental e faixa de servidão
  • Topografia, sondagem e fundações
  • Montagem de torres e lançamento de cabos
  • Obra civil de subestação
  • Montagem eletromecânica, compensadores síncronos e comissionamento

Janela: Resultado em 30/10/2026; contratação de EPC e subcontratados nos meses seguintes à assinatura dos contratos.

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