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Energia · RN

Brazil Green Energy obtém licença para usina de hidrogênio de R$ 12 bi em Areia Branca

A primeira fase do Projeto Morro Pintado prevê 500 MW de eletrólise e 80 mil toneladas de hidrogênio verde por ano, em área de 200 mil metros quadrados no litoral potiguar.

Aerial view of wind turbines in Çeşme, Türkiye, showcasing renewable energy in an arid landscape.
Imagem ilustrativa. Foto: Ahmet Kurt / Pexels
Por Redação Radar IndústriaPublicado em · fato divulgado em 23 de abril de 20264 min de leitura

A Brazil Green Energy recebeu do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema) a licença prévia do Projeto Morro Pintado, usina de hidrogênio verde e amônia verde com investimento estimado em R$ 12 bilhões no litoral de Areia Branca (RN), segundo o Movimento Econômico. A licença foi entregue em abril de 2026, no lançamento do Atlas do Hidrogênio Verde, em Natal, e o projeto foi apresentado em 21 de abril na Hannover Messe, na Alemanha, em ação com a ApexBrasil, de acordo com a Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN).

Pela licença, a primeira fase prevê uma planta de 500 MW de capacidade instalada, com produção estimada de 80 mil toneladas de hidrogênio verde por ano, informou o Movimento Econômico. O complexo também poderá produzir amônia e ureia verdes como derivados e terá terminal portuário próprio para exportar a produção, segundo a mesma reportagem. Até a publicação das notícias, a empresa não havia divulgado datas para o início das obras nem para a entrada em operação.

"É a primeira licença emitida para um empreendimento deste tipo", afirmou Werner Farkatt, diretor-geral do Idema, segundo a FIERN. O executivo da Brazil Green Energy à frente do projeto é Fernando Vilela, apontado como CEO pelo portal Defato e como sócio da empresa pela FIERN.

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O projeto em números

ItemValor
Investimento estimadoR$ 12 bilhões (Movimento Econômico)
Capacidade instalada da primeira fase500 MW (Movimento Econômico, com base na licença)
Produção de hidrogênio verde80 mil toneladas por ano (Movimento Econômico)
Geração eólica e solar na fase completa1.400 MW (Movimento Econômico, citando a Exame)
Área do empreendimento200 mil metros quadrados (Movimento Econômico)
Distância de Mossorópouco mais de 40 km (Defato)
Distância de Natalcerca de 280 km (Movimento Econômico)

Na apresentação em Hannover estiveram representantes de Deutsche Bahn, Andritz, ThyssenKrupp Uhde, Siemens, Green Investor e do escritório DLA Piper, segundo o Defato. O Movimento Econômico cita Green Investors, ThyssenKrupp Uhde, Siemens e Andritz como parceiros. A FIERN, por sua vez, registra a presença de grupos alemães sem detalhar o papel de cada um no projeto, o que indica que a divisão de fornecimento de tecnologia e financiamento ainda não foi tornada pública.

Contexto

A licença só foi possível depois de uma resolução do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Conema) que regulamentou o licenciamento da atividade, com aval da Procuradoria Geral do Estado, informou o Movimento Econômico. A base legal é a lei estadual do marco regulatório do hidrogênio verde e da indústria verde, sancionada em agosto de 2025, segundo a mesma fonte. "O Rio Grande do Norte saiu na frente ao estruturar um marco regulatório moderno e eficiente para o hidrogênio verde", disse Farkatt ao Defato.

A governadora Fátima Bezerra associou o projeto à geração de empregos e afirmou que o estado mostra ser possível crescer com sustentabilidade, planejamento e segurança jurídica, de acordo com o Defato. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, chamou o projeto de "exemplo real de tudo o que podemos fazer em termos de negócios", segundo a FIERN. Para o presidente da federação, Roberto Serquiz, "a transição energética mundial passa pelo Rio Grande do Norte".

A FIERN também desenvolveu o Atlas do Hidrogênio Verde e mantém uma planta piloto de hidrogênio verde no Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), de acordo com a própria federação.

Areia Branca é o principal polo salineiro do Brasil: responde por 95% a 98% da produção nacional de sal marinho, segundo o sindicato da indústria do sal (Siesal-RN), citado pelo Movimento Econômico. O município abriga o Terminal Salineiro de Areia Branca, o Porto-Ilha, construído entre 1969 e 1974. Outra obra de energia com reportagem no Radar é o leilão de transmissão da Aneel de R$ 8,9 bilhões, que trata da rede que projetos desse porte dependem para escoar ou receber energia.

O que a obra deve contratar

  • Engenharia e estudos para a licença de instalação. Com a licença prévia emitida, o passo seguinte costuma ser a licença de instalação, que tende a exigir projeto básico, estudos complementares e planos ambientais detalhados.
  • Geração renovável dedicada. A previsão de 1.400 MW eólicos e solares na fase completa tende a gerar contratos de fundações de aerogeradores, montagem de módulos, redes coletoras e acessos.
  • Eletrólise e utilidades. Uma planta de 500 MW costuma exigir montagem de eletrolisadores, tratamento e dessalinização de água, compressão, resfriamento e sistemas de segurança de processo.
  • Química de amônia e ureia. A produção de derivados tende a demandar unidades de síntese, tancagem refrigerada e tubulação industrial de alta especificação.
  • Conexão elétrica. Projetos de eletrólise desse porte costumam precisar de subestação própria e linha em alta tensão.
  • Obras portuárias. O terminal próprio de exportação tende a envolver píer, dragagem, dutos e estruturas de carregamento de navios.

Prazos e próximos passos

EtapaPrazoFonte
Sanção da lei estadual do marco regulatório do hidrogênio verdeagosto de 2025Movimento Econômico
Entrega da licença prévia do Idema, no lançamento do Atlas do Hidrogênio Verdeabril de 2026Defato
Apresentação na Hannover Messe21 de abril de 2026FIERN
Licença de instalação, início das obras e operaçãonão divulgadosMovimento Econômico

O projeto está na fase de licenciamento e ainda não tem cronograma de obra público. A licença prévia atesta a viabilidade ambiental do empreendimento, mas não autoriza o início da construção.

Ficha do investimento Radar Capex
Empresa
Brazil Green Energy (Projeto Morro Pintado)
Local
Areia Branca, RN
Valor
R$ 12 bi
Fase
Licenciamento
Previsão
Licença prévia em abril de 2026; início das obras não divulgado
Anunciado em
23 de abril de 2026

O que isso significa para quem vende para a indústria

Morro Pintado está em fase anterior à obra: a licença prévia confirma o local e a viabilidade ambiental, mas o projeto ainda depende de licença de instalação, contratos de tecnologia e financiamento, nenhum deles divulgado. Nesta etapa, quem ganha contrato são consultorias ambientais, escritórios de engenharia e empresas de topografia, sondagem e estudos de vento e solar. Se o financiamento sair, a ordem típica é geração renovável e conexão elétrica primeiro, depois eletrólise e a química de amônia, com o terminal portuário em paralelo. Fornecedores do polo de Mossoró, já acostumados a obras eólicas e salineiras, tendem a ser os primeiros procurados para canteiro, terraplenagem e montagem.

Serviços que o projeto tende a contratar:

  • Estudos ambientais e engenharia básica para a licença de instalação
  • Montagem de eletrolisadores e utilidades industriais
  • Construção de parques eólico e solar dedicados
  • Subestação e conexão em alta tensão
  • Tubulação industrial e tanques de armazenamento de amônia
  • Obras civis, fundações e estruturas portuárias

Janela: Médio prazo: hoje a demanda é de engenharia, estudos e licença de instalação; os pacotes de obra só tendem a sair depois do financiamento, ainda sem data.

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