Brazil Green Energy obtém licença para usina de hidrogênio de R$ 12 bi em Areia Branca
A primeira fase do Projeto Morro Pintado prevê 500 MW de eletrólise e 80 mil toneladas de hidrogênio verde por ano, em área de 200 mil metros quadrados no litoral potiguar.

A Brazil Green Energy recebeu do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema) a licença prévia do Projeto Morro Pintado, usina de hidrogênio verde e amônia verde com investimento estimado em R$ 12 bilhões no litoral de Areia Branca (RN), segundo o Movimento Econômico. A licença foi entregue em abril de 2026, no lançamento do Atlas do Hidrogênio Verde, em Natal, e o projeto foi apresentado em 21 de abril na Hannover Messe, na Alemanha, em ação com a ApexBrasil, de acordo com a Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN).
Pela licença, a primeira fase prevê uma planta de 500 MW de capacidade instalada, com produção estimada de 80 mil toneladas de hidrogênio verde por ano, informou o Movimento Econômico. O complexo também poderá produzir amônia e ureia verdes como derivados e terá terminal portuário próprio para exportar a produção, segundo a mesma reportagem. Até a publicação das notícias, a empresa não havia divulgado datas para o início das obras nem para a entrada em operação.
"É a primeira licença emitida para um empreendimento deste tipo", afirmou Werner Farkatt, diretor-geral do Idema, segundo a FIERN. O executivo da Brazil Green Energy à frente do projeto é Fernando Vilela, apontado como CEO pelo portal Defato e como sócio da empresa pela FIERN.
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| Item | Valor |
|---|---|
| Investimento estimado | R$ 12 bilhões (Movimento Econômico) |
| Capacidade instalada da primeira fase | 500 MW (Movimento Econômico, com base na licença) |
| Produção de hidrogênio verde | 80 mil toneladas por ano (Movimento Econômico) |
| Geração eólica e solar na fase completa | 1.400 MW (Movimento Econômico, citando a Exame) |
| Área do empreendimento | 200 mil metros quadrados (Movimento Econômico) |
| Distância de Mossoró | pouco mais de 40 km (Defato) |
| Distância de Natal | cerca de 280 km (Movimento Econômico) |
Na apresentação em Hannover estiveram representantes de Deutsche Bahn, Andritz, ThyssenKrupp Uhde, Siemens, Green Investor e do escritório DLA Piper, segundo o Defato. O Movimento Econômico cita Green Investors, ThyssenKrupp Uhde, Siemens e Andritz como parceiros. A FIERN, por sua vez, registra a presença de grupos alemães sem detalhar o papel de cada um no projeto, o que indica que a divisão de fornecimento de tecnologia e financiamento ainda não foi tornada pública.
Contexto
A licença só foi possível depois de uma resolução do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Conema) que regulamentou o licenciamento da atividade, com aval da Procuradoria Geral do Estado, informou o Movimento Econômico. A base legal é a lei estadual do marco regulatório do hidrogênio verde e da indústria verde, sancionada em agosto de 2025, segundo a mesma fonte. "O Rio Grande do Norte saiu na frente ao estruturar um marco regulatório moderno e eficiente para o hidrogênio verde", disse Farkatt ao Defato.
A governadora Fátima Bezerra associou o projeto à geração de empregos e afirmou que o estado mostra ser possível crescer com sustentabilidade, planejamento e segurança jurídica, de acordo com o Defato. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, chamou o projeto de "exemplo real de tudo o que podemos fazer em termos de negócios", segundo a FIERN. Para o presidente da federação, Roberto Serquiz, "a transição energética mundial passa pelo Rio Grande do Norte".
A FIERN também desenvolveu o Atlas do Hidrogênio Verde e mantém uma planta piloto de hidrogênio verde no Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), de acordo com a própria federação.
Areia Branca é o principal polo salineiro do Brasil: responde por 95% a 98% da produção nacional de sal marinho, segundo o sindicato da indústria do sal (Siesal-RN), citado pelo Movimento Econômico. O município abriga o Terminal Salineiro de Areia Branca, o Porto-Ilha, construído entre 1969 e 1974. Outra obra de energia com reportagem no Radar é o leilão de transmissão da Aneel de R$ 8,9 bilhões, que trata da rede que projetos desse porte dependem para escoar ou receber energia.
O que a obra deve contratar
- Engenharia e estudos para a licença de instalação. Com a licença prévia emitida, o passo seguinte costuma ser a licença de instalação, que tende a exigir projeto básico, estudos complementares e planos ambientais detalhados.
- Geração renovável dedicada. A previsão de 1.400 MW eólicos e solares na fase completa tende a gerar contratos de fundações de aerogeradores, montagem de módulos, redes coletoras e acessos.
- Eletrólise e utilidades. Uma planta de 500 MW costuma exigir montagem de eletrolisadores, tratamento e dessalinização de água, compressão, resfriamento e sistemas de segurança de processo.
- Química de amônia e ureia. A produção de derivados tende a demandar unidades de síntese, tancagem refrigerada e tubulação industrial de alta especificação.
- Conexão elétrica. Projetos de eletrólise desse porte costumam precisar de subestação própria e linha em alta tensão.
- Obras portuárias. O terminal próprio de exportação tende a envolver píer, dragagem, dutos e estruturas de carregamento de navios.
Prazos e próximos passos
| Etapa | Prazo | Fonte |
|---|---|---|
| Sanção da lei estadual do marco regulatório do hidrogênio verde | agosto de 2025 | Movimento Econômico |
| Entrega da licença prévia do Idema, no lançamento do Atlas do Hidrogênio Verde | abril de 2026 | Defato |
| Apresentação na Hannover Messe | 21 de abril de 2026 | FIERN |
| Licença de instalação, início das obras e operação | não divulgados | Movimento Econômico |
O projeto está na fase de licenciamento e ainda não tem cronograma de obra público. A licença prévia atesta a viabilidade ambiental do empreendimento, mas não autoriza o início da construção.
- Empresa
- Brazil Green Energy (Projeto Morro Pintado)
- Local
- Areia Branca, RN
- Valor
- R$ 12 bi
- Fase
- Licenciamento
- Previsão
- Licença prévia em abril de 2026; início das obras não divulgado
- Anunciado em
- 23 de abril de 2026
O que isso significa para quem vende para a indústria
Morro Pintado está em fase anterior à obra: a licença prévia confirma o local e a viabilidade ambiental, mas o projeto ainda depende de licença de instalação, contratos de tecnologia e financiamento, nenhum deles divulgado. Nesta etapa, quem ganha contrato são consultorias ambientais, escritórios de engenharia e empresas de topografia, sondagem e estudos de vento e solar. Se o financiamento sair, a ordem típica é geração renovável e conexão elétrica primeiro, depois eletrólise e a química de amônia, com o terminal portuário em paralelo. Fornecedores do polo de Mossoró, já acostumados a obras eólicas e salineiras, tendem a ser os primeiros procurados para canteiro, terraplenagem e montagem.
Serviços que o projeto tende a contratar:
- Estudos ambientais e engenharia básica para a licença de instalação
- Montagem de eletrolisadores e utilidades industriais
- Construção de parques eólico e solar dedicados
- Subestação e conexão em alta tensão
- Tubulação industrial e tanques de armazenamento de amônia
- Obras civis, fundações e estruturas portuárias
Janela: Médio prazo: hoje a demanda é de engenharia, estudos e licença de instalação; os pacotes de obra só tendem a sair depois do financiamento, ainda sem data.
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- Do sal ao hidrogênio verde: RN terá usina de R$ 12 bi em Areia Branca, Movimento Econômico, 23 de abril de 2026
- RN receberá primeira fábrica de Hidrogênio e Amônia verdes em escala industrial, FIERN, 22 de abril de 2026
- Morro Pintado, no litoral de Areia Branca terá usina de hidrogênio de R$ 12 bilhões, Defato, 23 de abril de 2026
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