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Energia · RN

Engie tem Reidi para R$ 1,7 bilhão em transmissão no RN, no Ceará e no Sul

Portaria do MME enquadra os lotes 2 e 3 do leilão de março: quatro subestações de 500 kV com compensadores síncronos no Nordeste e 143 km de linha entre PR e SC.

An industrial power station under a clear sky, showcasing electrical infrastructure and technology.
Imagem ilustrativa. Foto: Andy Coffie / Pexels
Por Redação Radar IndústriaPublicado em · fato divulgado em 6 de outubro de 20264 min de leitura

O Ministério de Minas e Energia aprovou o enquadramento no Reidi de cinco projetos de transmissão arrematados pela Engie no primeiro leilão de transmissão de 2026, com investimento estimado somado de R$ 1,71 bilhão. A Portaria SNTEP/MME nº 3.243, assinada em 2 de outubro de 2026 e publicada no Diário Oficial da União em 6 de outubro, lista como titulares cinco sociedades de propósito específico, a Colibri Sul e as Colibri A, B, C e D Transmissoras, responsáveis pelo Lote 2 e pelos quatro sublotes do Lote 3 do Leilão nº 1/2026 da Aneel. Segundo a InfoMoney, a Engie venceu os dois lotes na disputa de 27 de março, na B3.

O Reidi suspende PIS e Cofins nas compras de equipamentos e serviços da obra. Os contratos de concessão foram assinados em 26 de junho de 2026 e o período de execução vai até 26 de dezembro de 2029, de acordo com a portaria. O passo seguinte já foi dado: em 15 de outubro, a Receita Federal publicou no Diário Oficial cinco atos declaratórios, de números 1.569 e 1.572 a 1.575, que habilitam as cinco sociedades Colibri a operar no regime, o que libera as compras com o benefício.

O projeto em números

ProjetoLocalInvestimento
Lote 2: linha de 230 kV Ponta Grossa a Canoinhas, cerca de 143 kmPR e SCR$ 204,2 milhões
Sublote 3A: subestação 500 kV Ceará Mirim II e compensador síncronoCeará-Mirim (RN)R$ 310,5 milhões
Sublote 3BQuixadá (CE)R$ 296,7 milhões
Sublote 3CMorada Nova (CE)R$ 586,6 milhões
Sublote 3DAssu (RN)R$ 310,5 milhões
TotalR$ 1,71 bilhão

Os valores são as estimativas de bens, serviços e outros itens com PIS e Cofins, na base de abril de 2026, informadas nos anexos da portaria e atestadas pela Aneel. A linha do Lote 2 passa por Ponta Grossa, Teixeira Soares, Palmeira, Fernandes Pinheiro, São João do Triunfo e São Mateus do Sul, no Paraná, e chega a Canoinhas, em Santa Catarina.

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Contexto

Segundo o Movimento Econômico, o Lote 3 prevê cinco compensadores síncronos de menos 200 a mais 300 Mvar em subestações de 500 kV e tem o objetivo de ampliar a capacidade do sistema de transmissão no Ceará e no Rio Grande do Norte, regiões com forte geração eólica e solar. A InfoMoney informou que o Lote 3 era o maior projeto do leilão, com R$ 1,38 bilhão estimado no edital, e que a Engie ofereceu deságio médio de 54,83% sobre a receita máxima dos quatro sublotes. No Lote 2, o deságio foi de 46,89%, com receita anual permitida de R$ 18,14 milhões.

O leilão de março somou cinco lotes e R$ 3,3 bilhões em investimento estimado, segundo a InfoMoney. Os demais lotes ficaram com a Cymi e com a BR2ET Transmissora. O Radar já mostrou o próximo leilão de transmissão da Aneel e a carteira de obras de transmissão no Ceará, onde o mapa do Radar também registra obra de subestação da Axia em Morada Nova.

O que a obra deve contratar

  • Obras civis de subestação. Quatro subestações de 500 kV no semiárido tendem a demandar terraplenagem, drenagem, bases de equipamentos, casas de comando e cercamento.
  • Compensadores síncronos. São máquinas rotativas de grande porte que costumam exigir montagem eletromecânica especializada, sistemas de resfriamento e fundações pesadas.
  • Proteção, controle e telecomunicação. Cada subestação precisa de painéis, cabos de controle, sistemas de supervisão e integração com o operador nacional.
  • Linha de 230 kV no Sul. O Lote 2 deve contratar topografia, supressão vegetal, fundações, montagem de torres e lançamento de cabos ao longo de cerca de 143 km.
  • Comissionamento. Ensaios de transformadores e compensadores costumam ser contratados ao fim de cada frente.

Prazos e próximos passos

EtapaDataFonte
Leilão de transmissão nº 1/202627 de março de 2026InfoMoney
Assinatura dos contratos de concessão26 de junho de 2026Diário Oficial
Enquadramento no Reidipublicado em 6 de outubro de 2026Diário Oficial
Habilitação das cinco SPEs na Receita Federalpublicada em 15 de outubro de 2026Diário Oficial
Fim do período de execução26 de dezembro de 2029Diário Oficial

A portaria determina que as concessionárias informem à Receita Federal a entrada em operação comercial de cada projeto. O Radar não encontrou notícia de desistência dos lotes até esta publicação.

Ficha do investimento Radar Capex
Empresa
Engie (Colibri A, B, C e D Transmissoras)
Local
Ceará-Mirim e Assu (RN), Quixadá e Morada Nova (CE), RN
Valor
R$ 1,71 bi
Fase
Licenciamento
Previsão
Execução de jun/2026 a dez/2029
Anunciado em
6 de outubro de 2026

O que isso significa para quem vende para a indústria

Compensador síncrono é equipamento de fornecimento restrito e prazo longo, e por isso a compra principal costuma ser fechada logo após o contrato de concessão. O que fica aberto para o mercado regional são as obras civis das quatro subestações, a montagem eletromecânica, a proteção e controle e o comissionamento, com pico provável entre 2027 e 2028. No Sul, a linha de 230 kV abre espaço para empreiteiras de faixa e montagem de torres do Paraná. Com a habilitação na Receita publicada em 15 de outubro, as compras com o benefício fiscal já podem começar.

Serviços que o projeto tende a contratar:

  • Obras civis de subestação de 500 kV
  • Montagem de compensadores síncronos
  • Proteção, controle e telecomunicação
  • Fundações e montagem de torres de 230 kV
  • Comissionamento e ensaios

Janela: Curto prazo: obras civis e montagem entre 2027 e 2028, com conclusão até dezembro de 2029.

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