Flávio e Lula na tributação: CBS começa em 2027 e IVA de 28% divide os planos
Plano de Flávio propõe revisar a reforma em até seis meses, com IVA perto de 20% e fim do split payment; o de Lula mantém o cronograma. A CBS começa a ser cobrada em 1º de janeiro de 2027.

A Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributo federal criado pela reforma tributária do consumo, começa a ser cobrada em 1º de janeiro de 2027, quatro dias antes da posse do próximo presidente, segundo a Gazeta do Povo. Os planos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divergem sobre o que fazer com ela: o de Flávio propõe a revisão e o redimensionamento da reforma, com IVA menor; o de Lula, consolidar o modelo aprovado. A estimativa do Comitê Gestor do IBS para a alíquota de referência é de 27,91%, acima do teto de 26,5% previsto em lei, de acordo com a Gazeta do Povo. O segundo turno é em 25 de outubro de 2026.
A comparação abaixo segue a mesma estrutura para os dois candidatos, em ordem alfabética, e se limita aos planos e a declarações com fonte.
O que cada plano propõe
Flávio Bolsonaro (PL)
- Reforma do consumo. O plano defende revisar e redimensionar a reforma em curso, reduzir o IVA, assegurar a não cumulatividade e reduzir exceções. Segundo o Brazil Economy, a revisão seria feita em até seis meses de governo.
- Alíquota. Em evento da CNI em 22 de junho de 2026, Flávio disse haver condições para um IVA na casa dos 20%, segundo o Portal da Reforma Tributária. Em 7 de outubro, apontou a alíquota de 28% como o principal ponto a discutir.
- Split payment. Daniella Marques, coordenadora do plano econômico, disse que o mecanismo, que recolhe o imposto no momento do pagamento, seria extinto por pesar no capital de giro das empresas, segundo a Gazeta do Povo.
- Investimento e folha. O plano prevê desonerar exportações e investimentos e reduzir gradualmente o custo do trabalho formal sem retirar direitos, sem quantificar o impacto, segundo o Poder360.
- Renda e energia. Flávio prometeu manter a isenção do Imposto de Renda até R$ 5.000 e tributar a distribuição de dividendos, de acordo com a Gazeta do Povo. O plano também propõe reduzir impostos sobre energia elétrica e combustíveis.
Lula (PT)
- Reforma do consumo. O programa propõe consolidar os avanços da reforma e manter o cronograma, segundo o Brazil Economy, e o Poder360 registra que o plano mantém a reforma tributária.
- Pequenas empresas. O texto promete tratamento tributário justo para micro e pequenas empresas na implementação da reforma e mais acesso delas às compras governamentais.
- Progressividade. O plano propõe aprofundar a tributação progressiva, com maior contribuição das rendas mais altas, segundo a Agência Brasil. A isenção do IR até R$ 5.000 já está em vigor e é financiada por imposto mínimo sobre altas rendas e dividendos, segundo o Brazil Economy.
- Desenvolvimento regional. O programa prevê regulamentar o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional, criado pela reforma para substituir a disputa de incentivos do ICMS.
- Trabalho. O plano defende o fim da escala 6x1 e a jornada de 40 horas sem redução salarial, nos termos aprovados pela Câmara, segundo o texto registrado.
Quem é afetado
A CBS substitui PIS, Cofins e IPI, e o IBS substitui ICMS e ISS, segundo o Brazil Economy. Empresas de engenharia, montagem e manutenção são afetadas duas vezes: no preço que cobram do cliente industrial e no crédito que esse cliente aproveita. Suspender os novos tributos exigiria uma emenda constitucional aprovada por três quintos da Câmara e do Senado, de acordo com o mesmo veículo. Advogados ouvidos pela publicação avaliam que parte relevante das empresas ainda não está preparada para 2027.
Na folha, a reoneração gradual da Lei 14.973/2024 eleva a contribuição patronal dos setores beneficiados para 75% da alíquota de 20% em 2027, chegando a 100% em 2028, segundo o escritório Lefosse.
Prazos
| Data | Etapa |
|---|---|
| 25 de outubro de 2026 | Segundo turno |
| 30 de outubro de 2026 | Prazo do TCU para enviar ao Senado o cálculo da alíquota de referência da CBS de 2027 |
| 15 de dezembro de 2026 | Prazo do Senado para fixar a alíquota |
| 1º de janeiro de 2027 | Início da cobrança da CBS |
| 5 de janeiro de 2027 | Posse do presidente eleito |
| Até julho de 2027 | Revisão da reforma em até seis meses, se Flávio vencer |
Os prazos do TCU e do Senado são do Portal da Reforma Tributária, que cita estimativa da empresa ROIT de CBS de 9,43% em 2027. Não há número oficial.
O que isso significa para quem presta serviço
- Proposta comercial de 2027. Contratos assinados agora e executados no ano que vem já cairão na CBS. Rever cláusulas de reajuste e de repasse de tributos tende a ser necessário em qualquer resultado.
- Crédito para o cliente. A não cumulatividade, defendida no plano de Flávio e prevista no modelo mantido por Lula, permite ao cliente industrial abater o imposto pago na obra, o que pode melhorar a conta de investimento.
- Caixa. Se o split payment for mantido, o imposto sai no pagamento; se for extinto, como propõe a campanha de Flávio, o recolhimento volta ao fluxo tradicional.
- Folha. A reoneração de 2027 está em lei e só muda com nova legislação. A proposta de Flávio de reduzir o custo do trabalho e a de Lula de reduzir a jornada mexem, em sentidos diferentes, com o custo da mão de obra de campo.
- Quem decidiu
- Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
- Vigência
- Alíquota fixada até 15/12/2026; mandato 2027 a 2030
- Publicado em
- 8 de outubro de 2026
Como isso afeta quem vende para a indústria
Em 2027 a CBS entra em vigor antes da posse, por isso a primeira conta de quem vende obra e serviço para a indústria será feita sob a regra atual em qualquer resultado. Com Lula, a tendência é de previsibilidade no cronograma e manutenção do split payment; com Flávio, de uma revisão que pode reduzir a alíquota e acabar com o split payment, mas que depende de emenda constitucional, de compensação de receita e de negociação no Congresso, o que torna improvável mudança rápida. O mais prudente é precificar contratos plurianuais com cláusula de reequilíbrio tributário.
- Revisão de contratos e cláusulas de reequilíbrio tributário
- Planejamento tributário de obras e bens de capital
- Adequação de sistemas fiscais e faturamento à CBS
- Orçamentação de mão de obra de campo para 2027
Janela: CBS em 1º/01/2027; eventual revisão só após a posse, em 5/01/2027, e com aval do Congresso.
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- O que Flávio Bolsonaro pode mudar na reforma tributária, Gazeta do Povo, 8 de outubro de 2026
- Campanhas de Lula e Flávio discordam sobre o futuro da Reforma Tributária, Brazil Economy, 14 de outubro de 2026
- TCU tem até 30 de outubro para enviar ao Senado cálculos da alíquota da CBS, Portal da Reforma Tributária, 4 de setembro de 2026
- Flávio Bolsonaro diz que fará nova reforma tributária e menciona IVA de 20%, Portal da Reforma Tributária, 22 de junho de 2026
- Economia: Lula e Flávio divergem sobre ajuste fiscal e papel do Estado, Agência Brasil, 16 de outubro de 2026
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