Flávio e Lula na indústria: NIB de R$ 860 bi contra desoneração do investimento
Plano de Lula aprofunda a Nova Indústria Brasil, que soma R$ 860 bilhões em financiamentos de 2023 a 2026; o de Flávio aposta em corte de custos e desoneração dos investimentos.

Os programas de governo de Flávio Bolsonaro (PL) e de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o mandato de 2027 a 2030, seguem caminhos diferentes para levar a indústria a investir em fábrica nova. O de Lula propõe aprofundar a Nova Indústria Brasil (NIB), que, segundo o próprio documento, terá disponibilizado R$ 860 bilhões em financiamentos pelo Plano Mais Produção entre 2023 e 2026. O de Flávio, intitulado “Para o Brasil Vencer o Atraso”, aposta em redução de custos, segurança jurídica e desoneração dos investimentos, sem um programa industrial com orçamento próprio, de acordo com o texto publicado pela campanha e com o Poder360. O segundo turno é no domingo, 25 de outubro de 2026.
A comparação abaixo segue a mesma estrutura para os dois candidatos, em ordem alfabética, e se limita ao que está nos planos e em declarações públicas com fonte.
O que cada plano propõe
Flávio Bolsonaro (PL)
- Lógica geral. O plano prioriza o investimento privado, a redução de custos para as empresas e a segurança jurídica, segundo o Poder360. A coordenadora da campanha, Daniella Marques, afirmou que uma das prioridades é reduzir obstáculos para as empresas, de acordo com o Poder360.
- Desoneração do investimento. O capítulo tributário fala em desonerar exportações e investimentos e em reduzir as exceções da reforma tributária, segundo o texto do plano.
- Agregar valor no país. O documento defende processar minerais críticos no Brasil e atrair data centers, segundo o Poder360, e promete ao setor mineral o mesmo tratamento dado ao investimento na indústria de transformação, de acordo com o plano.
- Compras públicas e defesa. O Estado atuaria como indutor da inovação por meio de compras públicas, do GovTech e do investimento em pesquisa. Na defesa, o plano cita incentivo a tecnologias como drones, sem tratar de uma base industrial específica, segundo o texto publicado.
- BNDES. O banco aparece no apoio à internacionalização de pequenas e médias empresas, ao lado da Apex-Brasil, e no financiamento de obras de infraestrutura, com recursos restritos a projetos em território brasileiro, de acordo com o plano.
- Ambiente regulatório. A campanha propõe revogar até mil decretos, portarias, resoluções e instruções normativas nos primeiros meses de governo, segundo o Poder360.
Lula (PT)
- Lógica geral. O objetivo central declarado no programa é aprimorar e fortalecer a neoindustrialização, com foco em inovação, inteligência artificial, minerais críticos e descarbonização.
- Instrumentos. O documento lista financiamento direcionado com parceria entre crédito público e privado, compras públicas, concessões, regulação e benefícios condicionados a conteúdo local, valor agregado nacional e margens de preferência para empresas brasileiras, segundo a Forbes Brasil.
- Conteúdo local. O plano reafirma regras de conteúdo local nos investimentos da Petrobras para estimular a indústria naval e prevê contrapartidas de conteúdo local na instalação de data centers, de acordo com o texto registrado.
- Defesa. O programa promete fortalecer a Base Industrial e Tecnológica de Defesa e informa que o Novo PAC executou R$ 20,4 bilhões em projetos estratégicos de defesa desde 2023.
- BNDES. Segundo a Forbes Brasil, o banco atingiu R$ 300 bilhões destinados à NIB até dezembro de 2025. O plano prevê que bancos públicos estruturem fundos garantidores e de participação com gestores privados.
- Declaração recente. Em ato em São Luís (MA), nesta terça, 20 de outubro de 2026, Lula disse que o país vai investir em indústria digital, verde e criativa nos próximos quatro anos, segundo o Diário do Grande ABC.
Quem é afetado
As duas propostas mexem com a decisão de investimento de fabricantes de bens de capital, da indústria naval, da cadeia de defesa, de mineradoras com projetos de beneficiamento e de operadores de data centers. Pelo lado de Lula, o canal é o crédito direcionado e a exigência de produção nacional; pelo lado de Flávio, a redução de tributos sobre investimento e a simplificação de regras. Nenhum dos dois documentos traz cronograma ou valor novo para a política industrial: segundo a Forbes Brasil, o plano de Lula não apresenta orçamento consolidado para a agenda econômica, e, segundo o Poder360, o de Flávio não detalha metas de economia nem o impacto fiscal das desonerações.
Em junho, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) levou aos pré-candidatos o documento “Construindo o Brasil 2050”. No evento, em 22 de junho de 2026, Flávio afirmou que o Custo Brasil é o que torna o país menos competitivo, segundo o Portal da Indústria.
Prazos
| Item | Flávio Bolsonaro (PL) | Lula (PT) |
|---|---|---|
| Período do plano | 2027 a 2030 | 2027 a 2030 |
| Programa industrial | Sem programa com nome e orçamento próprios | Nova Indústria Brasil, com metas até 2033 |
| Valor citado | Não informa | R$ 860 bilhões no Plano Mais Produção (2023 a 2026) |
| Instrumento principal | Desoneração do investimento e corte de custos | Crédito direcionado, compras públicas e conteúdo local |
| Primeiras medidas | Revogação de até mil normas nos primeiros meses | Continuidade dos programas em curso |
O que isso significa para quem presta serviço
- Fábrica nova com crédito público. No cenário de continuidade da NIB, a tendência é que projetos financiados pelo BNDES e pela Finep sigam liberando obras de ampliação e modernização, com exigência de conteúdo local que favorece fornecedores instalados no país.
- Fábrica nova com custo menor. No cenário de desoneração do investimento, o ganho viria pela conta do projeto: se o imposto sobre máquinas e obras cair, o retorno de uma planta nova melhora, o que pode antecipar decisões hoje paradas.
- Naval e defesa. O plano de Lula cita encomendas da Petrobras e projetos de defesa já em execução, o que mantém demanda por caldeiraria, montagem e utilidades em estaleiros e plantas da cadeia.
- Minerais críticos e data centers. Os dois planos citam os dois temas, o que indica demanda por plantas de beneficiamento, subestações e climatização industrial em qualquer resultado.
- Quem decidiu
- Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
- Valor
- R$ 860 bilhões
- Vigência
- Mandato 2027 a 2030
- Publicado em
- 7 de agosto de 2026
Como isso afeta quem vende para a indústria
Os dois planos convergem em minerais críticos e data centers, o que torna provável a continuidade dessa carteira de obras em 2027 qualquer que seja o resultado. A diferença está no motor: no plano de Lula, a fábrica nova tende a nascer do crédito direcionado e da exigência de conteúdo local; no de Flávio, da redução de tributos sobre o investimento e da simplificação de regras, medidas que dependem de negociação no Congresso e de compensação fiscal. Para quem vende obra e serviço, o primeiro sinal concreto deve vir do Orçamento de 2027 e das linhas do BNDES anunciadas após a posse.
- Obra civil e montagem de ampliação de fábricas
- Plantas de beneficiamento de minerais críticos
- Subestações e climatização para data centers
- Caldeiraria e montagem para naval e defesa
Janela: Decisão em 25/10/2026; linhas de crédito e incentivos a partir do Orçamento de 2027.
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- Programa de Governo Lula 2026 (Diretrizes para o Plano de Governo 2027-2030), Poder360, 7 de agosto de 2026
- Plano de Governo Flávio Bolsonaro: Para o Brasil Vencer o Atraso, Campanha Flávio Bolsonaro, 13 de agosto de 2026
- Eleições 2026: compare os planos de governo de Lula e Flávio, Poder360, 21 de agosto de 2026
- O que Lula quer manter e mudar na economia em um novo mandato, Forbes Brasil, 6 de outubro de 2026
- O que se sabe sobre o plano econômico de Flávio Bolsonaro, Poder360, 13 de outubro de 2026
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