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Flávio e Lula na indústria: NIB de R$ 860 bi contra desoneração do investimento

Plano de Lula aprofunda a Nova Indústria Brasil, que soma R$ 860 bilhões em financiamentos de 2023 a 2026; o de Flávio aposta em corte de custos e desoneração dos investimentos.

Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva
Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. Foto: Agência Senado e Ricardo Stuckert/PR / Attribution / CC BY 2.0, via Wikimedia Commons
Por Redação Radar IndústriaPublicado em · fato divulgado em 7 de agosto de 20265 min de leitura

Os programas de governo de Flávio Bolsonaro (PL) e de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o mandato de 2027 a 2030, seguem caminhos diferentes para levar a indústria a investir em fábrica nova. O de Lula propõe aprofundar a Nova Indústria Brasil (NIB), que, segundo o próprio documento, terá disponibilizado R$ 860 bilhões em financiamentos pelo Plano Mais Produção entre 2023 e 2026. O de Flávio, intitulado “Para o Brasil Vencer o Atraso”, aposta em redução de custos, segurança jurídica e desoneração dos investimentos, sem um programa industrial com orçamento próprio, de acordo com o texto publicado pela campanha e com o Poder360. O segundo turno é no domingo, 25 de outubro de 2026.

A comparação abaixo segue a mesma estrutura para os dois candidatos, em ordem alfabética, e se limita ao que está nos planos e em declarações públicas com fonte.

O que cada plano propõe

Flávio Bolsonaro (PL)

  • Lógica geral. O plano prioriza o investimento privado, a redução de custos para as empresas e a segurança jurídica, segundo o Poder360. A coordenadora da campanha, Daniella Marques, afirmou que uma das prioridades é reduzir obstáculos para as empresas, de acordo com o Poder360.
  • Desoneração do investimento. O capítulo tributário fala em desonerar exportações e investimentos e em reduzir as exceções da reforma tributária, segundo o texto do plano.
  • Agregar valor no país. O documento defende processar minerais críticos no Brasil e atrair data centers, segundo o Poder360, e promete ao setor mineral o mesmo tratamento dado ao investimento na indústria de transformação, de acordo com o plano.
  • Compras públicas e defesa. O Estado atuaria como indutor da inovação por meio de compras públicas, do GovTech e do investimento em pesquisa. Na defesa, o plano cita incentivo a tecnologias como drones, sem tratar de uma base industrial específica, segundo o texto publicado.
  • BNDES. O banco aparece no apoio à internacionalização de pequenas e médias empresas, ao lado da Apex-Brasil, e no financiamento de obras de infraestrutura, com recursos restritos a projetos em território brasileiro, de acordo com o plano.
  • Ambiente regulatório. A campanha propõe revogar até mil decretos, portarias, resoluções e instruções normativas nos primeiros meses de governo, segundo o Poder360.

Lula (PT)

  • Lógica geral. O objetivo central declarado no programa é aprimorar e fortalecer a neoindustrialização, com foco em inovação, inteligência artificial, minerais críticos e descarbonização.
  • Instrumentos. O documento lista financiamento direcionado com parceria entre crédito público e privado, compras públicas, concessões, regulação e benefícios condicionados a conteúdo local, valor agregado nacional e margens de preferência para empresas brasileiras, segundo a Forbes Brasil.
  • Conteúdo local. O plano reafirma regras de conteúdo local nos investimentos da Petrobras para estimular a indústria naval e prevê contrapartidas de conteúdo local na instalação de data centers, de acordo com o texto registrado.
  • Defesa. O programa promete fortalecer a Base Industrial e Tecnológica de Defesa e informa que o Novo PAC executou R$ 20,4 bilhões em projetos estratégicos de defesa desde 2023.
  • BNDES. Segundo a Forbes Brasil, o banco atingiu R$ 300 bilhões destinados à NIB até dezembro de 2025. O plano prevê que bancos públicos estruturem fundos garantidores e de participação com gestores privados.
  • Declaração recente. Em ato em São Luís (MA), nesta terça, 20 de outubro de 2026, Lula disse que o país vai investir em indústria digital, verde e criativa nos próximos quatro anos, segundo o Diário do Grande ABC.

Quem é afetado

As duas propostas mexem com a decisão de investimento de fabricantes de bens de capital, da indústria naval, da cadeia de defesa, de mineradoras com projetos de beneficiamento e de operadores de data centers. Pelo lado de Lula, o canal é o crédito direcionado e a exigência de produção nacional; pelo lado de Flávio, a redução de tributos sobre investimento e a simplificação de regras. Nenhum dos dois documentos traz cronograma ou valor novo para a política industrial: segundo a Forbes Brasil, o plano de Lula não apresenta orçamento consolidado para a agenda econômica, e, segundo o Poder360, o de Flávio não detalha metas de economia nem o impacto fiscal das desonerações.

Em junho, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) levou aos pré-candidatos o documento “Construindo o Brasil 2050”. No evento, em 22 de junho de 2026, Flávio afirmou que o Custo Brasil é o que torna o país menos competitivo, segundo o Portal da Indústria.

Prazos

ItemFlávio Bolsonaro (PL)Lula (PT)
Período do plano2027 a 20302027 a 2030
Programa industrialSem programa com nome e orçamento própriosNova Indústria Brasil, com metas até 2033
Valor citadoNão informaR$ 860 bilhões no Plano Mais Produção (2023 a 2026)
Instrumento principalDesoneração do investimento e corte de custosCrédito direcionado, compras públicas e conteúdo local
Primeiras medidasRevogação de até mil normas nos primeiros mesesContinuidade dos programas em curso

O que isso significa para quem presta serviço

  • Fábrica nova com crédito público. No cenário de continuidade da NIB, a tendência é que projetos financiados pelo BNDES e pela Finep sigam liberando obras de ampliação e modernização, com exigência de conteúdo local que favorece fornecedores instalados no país.
  • Fábrica nova com custo menor. No cenário de desoneração do investimento, o ganho viria pela conta do projeto: se o imposto sobre máquinas e obras cair, o retorno de uma planta nova melhora, o que pode antecipar decisões hoje paradas.
  • Naval e defesa. O plano de Lula cita encomendas da Petrobras e projetos de defesa já em execução, o que mantém demanda por caldeiraria, montagem e utilidades em estaleiros e plantas da cadeia.
  • Minerais críticos e data centers. Os dois planos citam os dois temas, o que indica demanda por plantas de beneficiamento, subestações e climatização industrial em qualquer resultado.
Ficha da medida Radar Política
Quem decidiu
Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
Valor
R$ 860 bilhões
Vigência
Mandato 2027 a 2030
Publicado em
7 de agosto de 2026

Como isso afeta quem vende para a indústria

Os dois planos convergem em minerais críticos e data centers, o que torna provável a continuidade dessa carteira de obras em 2027 qualquer que seja o resultado. A diferença está no motor: no plano de Lula, a fábrica nova tende a nascer do crédito direcionado e da exigência de conteúdo local; no de Flávio, da redução de tributos sobre o investimento e da simplificação de regras, medidas que dependem de negociação no Congresso e de compensação fiscal. Para quem vende obra e serviço, o primeiro sinal concreto deve vir do Orçamento de 2027 e das linhas do BNDES anunciadas após a posse.

  • Obra civil e montagem de ampliação de fábricas
  • Plantas de beneficiamento de minerais críticos
  • Subestações e climatização para data centers
  • Caldeiraria e montagem para naval e defesa

Janela: Decisão em 25/10/2026; linhas de crédito e incentivos a partir do Orçamento de 2027.

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