Flávio e Lula na energia: transmissão, gás e refino; Novo PAC cita R$ 595 bi
Plano de Lula põe a Petrobras no centro e cita carteira de R$ 595 bilhões em energia no Novo PAC; o de Flávio não menciona a estatal e aposta em rede privada de gás, baterias e corte de encargos.

Os planos de governo de Flávio Bolsonaro (PL) e de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sinalizam obras de energia em frentes parecidas, como transmissão, gás, armazenamento e refino, mas com papéis diferentes para o Estado e para a Petrobras. O programa de Lula informa que a carteira do Novo PAC reúne R$ 595 bilhões em geração e transmissão de energia, petróleo, gás, fertilizantes, indústria naval e refino, e cita a Petrobras 11 vezes, segundo o Poder360. O de Flávio, com 75 páginas, não menciona a estatal e cria um Programa Nacional de Segurança Energética voltado ao investimento privado. O segundo turno é em 25 de outubro de 2026.
A comparação usa a mesma estrutura para os dois, em ordem alfabética, e só inclui o que consta dos planos ou de declarações com fonte. Nas análises do Poder360 e da eixos sobre o plano de Flávio, energia nuclear não aparece entre as propostas dele; no de Lula, o tema surge no ciclo do combustível e em reatores modulares.
O que cada plano propõe
Flávio Bolsonaro (PL)
- Objetivo. Segurança energética ao menor preço possível para o consumidor, segundo o texto do plano.
- Petróleo e refino. Ampliar a exploração do pré-sal e modernizar o refino para aproveitar o petróleo nacional, sem citar a Petrobras, de acordo com o Poder360. Adolfo Sachsida, da coordenação econômica, disse que Petrobras, Banco do Brasil e Caixa não serão privatizados, segundo a Forbes Brasil.
- Gás. Expandir a rede de escoamento e transporte conforme a demanda, com regras estáveis para atrair capital privado, dar continuidade à Nova Lei do Gás de 2021 e permitir a exploração de gás não convencional (fracking) com responsabilidade ambiental, segundo a eixos.
- Transmissão e armazenamento. Expandir e modernizar a rede de transmissão para integrar renováveis e reduzir congestionamentos, e implantar um programa de armazenamento com baterias de grande porte, de acordo com o plano.
- Renováveis. Biocombustíveis, solar, eólica e hidrogênio verde aparecem como alavancas para tornar o Brasil destino de investimento em transição energética até 2030, e o Nordeste como polo de energia limpa capaz de atrair data centers, segundo a eixos.
- Preço. Simplificar a conta de luz, reduzir gradualmente a CDE e os subsídios às fontes incentivadas, mantendo a tarifa social, e cortar impostos sobre energia elétrica e combustíveis, segundo o plano.
Lula (PT)
- Objetivo. Combinar segurança energética, transição energética e combate à pobreza energética, segundo o programa registrado.
- Petróleo e refino. A Petrobras ampliaria a exploração em terra e no mar, investiria na revitalização de campos maduros, voltaria à distribuição de combustíveis e expandiria a capacidade de refino, com a Transpetro na logística de GNL, de acordo com o Poder360.
- Gás. Expandir e integrar gasodutos, com integração sul-americana, segundo a eixos.
- Transmissão. Expandir transmissão e geração de forma coordenada para reduzir restrições operativas sobre renováveis. O plano informa 21.847 quilômetros de linhas já contratadas, o que ampliaria a malha em 18%.
- Nuclear, hidrelétricas e armazenamento. Avançar na autonomia do ciclo do combustível nuclear, citar reatores modulares entre as cadeias a desenvolver, expandir a geração hidrelétrica e ampliar investimentos em armazenamento, de acordo com o programa. A Forbes Brasil acrescenta a continuidade dos leilões de transmissão e a modernização de usinas existentes.
- Preço. O plano cita o barateamento da energia para residências e empresas como debate a ser promovido, sem medida ou meta, segundo a Forbes Brasil.
Quem é afetado
As propostas tocam transmissoras, distribuidoras de gás, a Petrobras e seus fornecedores, geradores renováveis e grandes consumidores industriais. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), encargos e tributos já representam 44% do valor da conta de luz, e o orçamento da CDE deve chegar a R$ 52,7 bilhões em 2026, contra R$ 14 bilhões em 2013, de acordo com o Canal Solar.
Prazos
| Item | Flávio Bolsonaro (PL) | Lula (PT) |
|---|---|---|
| Petrobras | Não citada no plano | Citada 11 vezes; volta à distribuição |
| Refino | Modernização | Expansão da capacidade |
| Gás | Rede privada e fracking | Gasodutos integrados à América do Sul |
| Transmissão | Expandir e modernizar | 21.847 km contratados |
| Armazenamento | Programa com baterias | Ampliar investimentos |
| Meta com data | Destino de investimento em transição até 2030 | Sem data específica |
O que isso significa para quem presta serviço
- Transmissão. Os dois planos defendem ampliar a rede, o que indica continuidade dos leilões e demanda por subestações, montagem de linhas e obras civis de fundação.
- Refino. Com Lula, a expansão seria conduzida pela Petrobras; com Flávio, a modernização não tem operador definido no texto. Nos dois casos, paradas de manutenção e revamps seguem como frente provável para caldeiraria, tubulação e elétrica.
- Gás. O plano de Flávio aposta em rede privada e gás não convencional; o de Lula, em gasodutos e GNL pela Transpetro. Ambos sinalizam obras de dutos, estações de compressão e city gates.
- Baterias. Os dois citam armazenamento, o que abre espaço para obra elétrica de média e alta tensão junto a parques solares e eólicos.
- Quem decidiu
- Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
- Valor
- R$ 595 bilhões
- Vigência
- Mandato 2027 a 2030
- Publicado em
- 16 de agosto de 2026
Como isso afeta quem vende para a indústria
Transmissão, gás e armazenamento aparecem nos dois planos, por isso a carteira de obras elétricas e de dutos tende a seguir ativa em 2027 independentemente do resultado. A diferença está em quem contrata: no plano de Lula, a Petrobras e a Transpetro concentram as obras de refino e GNL, o que mantém a lógica de grandes pacotes da estatal; no de Flávio, o investimento depende de capital privado atraído por regras estáveis, com contratações potencialmente mais pulverizadas. A proposta de Flávio de reduzir encargos e a de Lula de debater o preço podem aliviar o custo da energia para clientes industriais, mas nenhuma traz número ou prazo.
- Subestações e montagem de linhas de transmissão
- Caldeiraria e tubulação em paradas e revamps de refinarias
- Dutos, estações de compressão e city gates
- Obra elétrica de armazenamento com baterias
Janela: Decisão em 25/10/2026; leilões e planos de investimento da Petrobras a partir de 2027.
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- Plano de Flávio não menciona Petrobras, e Lula cita estatal 11 vezes, Poder360, 16 de agosto de 2026
- Plano de Flávio Bolsonaro abraça espólio petista, incluindo agenda do gás ignorada por Lula, eixos, 13 de agosto de 2026
- Programa de Governo Lula 2026, Poder360, 7 de agosto de 2026
- Petrobras, BB e Caixa serão privatizados? Veja o que diz coordenador de Flávio Bolsonaro, Forbes Brasil, 8 de outubro de 2026
- Indústria leva a pré-candidatos proposta de redução de encargos na conta de luz, Canal Solar, 18 de junho de 2026
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