CMPC obtém licença prévia para fábrica de R$ 27 bilhões em Barra do Ribeiro (RS)
Fepam libera a Licença Prévia nº 00118/2026; projeto promete 2,5 milhões de toneladas de celulose por ano e 12 mil empregos na obra.

A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) concedeu, em 22 de outubro de 2026, a licença prévia para o Projeto Natureza, da CMPC, fábrica de celulose de R$ 27 bilhões em Barra do Ribeiro, na região metropolitana de Porto Alegre (RS), segundo o Click Petróleo e Gás. É o maior investimento privado da história do Rio Grande do Sul, segundo a própria Fepam, voltado a produzir 2,5 milhões de toneladas por ano de celulose de fibra curta.
O projeto em números
| Item | Dado |
|---|---|
| Investimento total | R$ 27 bilhões |
| Capacidade de produção | 2,5 milhões de toneladas de celulose de fibra curta por ano |
| Empregos na implantação | 12 mil postos de trabalho |
| Empregos na operação | cerca de 6 mil postos |
| Licença concedida | Licença Prévia Fepam nº 00118/2026 |
| Validade da licença | até outubro de 2031 |
| Investimento complementar no Porto de Rio Grande | cerca de R$ 1,5 bilhão |
| Localização | Barra do Ribeiro (RS), região metropolitana de Porto Alegre |
Fontes: Click Petróleo e Gás e ABC Mais.
Contexto
A CMPC, multinacional chilena de papel e celulose, já opera no estado a Celulose Riograndense, unidade de Guaíba com capacidade de 2,4 milhões de toneladas por ano, ampliada em 18% numa modernização concluída em 2024, segundo registro da Wikipédia sobre a empresa. O Projeto Natureza, em Barra do Ribeiro, seria a segunda planta industrial da CMPC no Rio Grande do Sul, quase dobrando a capacidade da companhia no estado.
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Quero implantar em 90 dias →Em junho, em evento da Federasul, o diretor-geral da CMPC no Brasil, Antonio Lacerda, justificou a pressa do projeto pelo ritmo do mercado mundial de celulose, que cresce cerca de 1,5 milhão de toneladas por ano, e descartou publicamente levar a fábrica para o Paraguai, hipótese que havia circulado em meio à demora do licenciamento: "Nossa primeira, segunda e terceira opção é fazer o projeto no Rio Grande do Sul", disse, segundo o Porto Imagem. Na mesma fala, Lacerda informou que a empresa já havia investido cerca de US$ 400 milhões em obras preparatórias no terreno de Barra do Ribeiro.
O caminho até a licença prévia não foi direto. O Ministério Público Federal (MPF) move ação na Justiça Federal questionando o processo de licenciamento, por entender que faltou consulta livre, prévia e informada às comunidades indígenas Guarani Mbyá da região, sob o amparo da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, segundo o Brasil de Fato. Um termo de referência da Funai lista sete aldeias Guarani Mbyá na área de influência direta do empreendimento (Ka'aguy Porã, Yvy Poty, Guapoy, Tekoá Porã, Nhu'u Poty, Tapé Porã e Passo Grande da Ponte), além de uma área em estudo hoje desabitada, e o próprio município de Barra do Ribeiro concentra 6 comunidades indígenas, com 90 famílias e 321 pessoas, segundo levantamento do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). O MPF também cita um vazamento de cloro líquido em fevereiro de 2025, que causou mal-estar respiratório na região, e estima que a fábrica deve lançar no rio Guaíba um volume de efluente dez vezes maior que todo o esgoto produzido pela cidade de Guaíba, segundo o mesmo levantamento do Cimi.
A Justiça Federal negou, em pelo menos duas ocasiões, pedidos de suspensão liminar do licenciamento, mantendo o processo em curso na Fepam, segundo o Sul21 e a Extra Classe. Foi só depois de um parecer favorável da Funai, emitido em 21 de outubro de 2026, que a Fepam liberou a licença prévia no dia seguinte, segundo o Click Petróleo e Gás. Em agosto, antes desse desfecho, o consultor de relações institucionais da CMPC, Daniel Andriotti, já reconhecia a incerteza: "O risco da fábrica não sair em Barra do Ribeiro é muito pequeno, mas existe", disse, quando questionado se a chance de o projeto avançar era de 90%, respondendo "um pouco mais", segundo o Repórter Guaíba.
O que a obra deve contratar
- Terraplenagem e fundações. deve ser a primeira frente de peso a abrir, assim que sair a licença de instalação.
- Montagem eletromecânica da caldeira de recuperação. equipamento central de uma planta de celulose kraft, tende a exigir fornecedores especializados em montagem industrial pesada.
- Captação e tratamento de água e efluentes. uma fábrica deste porte movimenta grande volume de água industrial e precisa de estação própria de tratamento, tema que já está no centro da disputa ambiental.
- Obras portuárias em Rio Grande. o investimento complementar de cerca de R$ 1,5 bilhão no porto deve abrir frente paralela de obra, com cerca de 1,5 mil trabalhadores previstos na construção do terminal.
- Consultoria ambiental e de licenciamento. a empresa ainda precisa da licença de instalação e, depois, da licença de operação, o que deve manter ativa a frente de estudos e adequações ambientais nos próximos anos.
Prazos e próximos passos
| Etapa | Situação |
|---|---|
| Licença prévia | concedida em 22 de outubro de 2026, válida até outubro de 2031 |
| Licença de instalação | ainda não concedida, sem prazo divulgado pela empresa |
| Licença de operação | posterior à de instalação, sem prazo divulgado |
| Início efetivo das obras | não confirmado pela CMPC, condicionado à licença de instalação |
| Ação do MPF na Justiça Federal | segue em tramitação, sem decisão final sobre o mérito |
A própria reportagem que confirmou a nova licença destaca que ela "não garante o início imediato das obras", já que a empresa ainda precisa submeter projetos executivos e cumprir condicionantes antes da licença de instalação, segundo a Associação Comercial e Industrial de Araçatuba. Enquanto a ação do MPF não é julgada, o cronograma de obra segue sem data oficial de início, apesar do sinal de confiança dado pela empresa e pelo apoio declarado de 53 dos 55 deputados estaduais do Rio Grande do Sul ao projeto, segundo o Porto Imagem.
- Empresa
- CMPC
- Local
- Barra do Ribeiro (RS), RS
- Valor
- R$ 27 bilhões
- Fase
- Licenciamento
- Previsão
- não informada
- Anunciado em
- 22 de outubro de 2026
O que isso significa para quem vende para a indústria
A licença prévia tira o projeto do papel, mas não abre a torneira da obra: falta a licença de instalação, que é quem autoriza o canteiro a começar de fato, e a ação do MPF sobre consulta indígena segue sem julgamento de mérito. Para quem presta serviço, o primeiro sinal real de contratação em peso deve vir só quando sair essa segunda licença; até lá, o movimento mais provável é estudo, projeto executivo e adequação ambiental, não concreto armado. O investimento paralelo no Porto de Rio Grande tende a abrir frente de obra antes da fábrica em si, por depender menos do desfecho da disputa judicial em Barra do Ribeiro.
Serviços que o projeto tende a contratar:
- Terraplenagem e fundações industriais
- Montagem eletromecânica de caldeira de recuperação
- Captação e tratamento de água e efluentes
- Obras portuárias e de logística em Rio Grande
- Consultoria e estudos de licenciamento ambiental
Janela: Contratação pesada deve esperar a licença de instalação, sem prazo divulgado; a obra do terminal portuário em Rio Grande tende a andar antes, por depender menos da disputa judicial.
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- Maior investimento privado da história do Rio Grande do Sul, fábrica de R$ 27 bilhões da CMPC recebe licença e promete produzir 2,5 milhões de toneladas de celulose por ano e 12 mil empregos, Click Petróleo e Gás, 22 de outubro de 2026
- Liberada licença prévia para empreendimento de R$ 27 bilhões no Rio Grande do Sul, ABC Mais, 22 de outubro de 2026
- CMPC reafirma compromisso com o Rio Grande do Sul e descarta Paraguai para nova fábrica de celulose, Porto Imagem, 24 de junho de 2026
- O risco da fábrica não sair em Barra do Ribeiro é muito pequeno, mas existe, afirma representante da CMPC, Repórter Guaíba, 26 de agosto de 2026
- O projeto de celulose que ameaça indígenas Guarani Mbyá e o rio Guaíba no RS, Cimi, 1 de fevereiro de 2026
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