Combustível do Futuro completa 2 anos com R$ 260 bilhões em investimentos projetados
Governo estima R$ 260 bilhões até 2037 com a lei; decretos de SAF e captura de carbono saíram em agosto e ANP e Anac têm até 18 de dezembro para editar as normas.

A Lei nº 14.993, conhecida como Lei do Combustível do Futuro, completou dois anos em 8 de outubro de 2026. Em seminário na Câmara dos Deputados em 2 de setembro, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que a lei pode mobilizar cerca de R$ 260 bilhões em investimentos até 2037, gerar cerca de 200 mil empregos e evitar a emissão de 705 milhões de toneladas de gases de efeito estufa, segundo o portal NovaCana. A lei trata dos mandatos de mistura de etanol e biodiesel, do combustível sustentável de aviação (SAF), do diesel verde, do biometano e da captura e estocagem de carbono.
De acordo com a mesma reportagem, as misturas de 30% de etanol anidro na gasolina (E30) e de 15% de biodiesel no diesel (B15) estão em vigor desde agosto de 2025. A lei permite chegar a 35% de etanol e 25% de biodiesel, desde que atendidos critérios técnicos e de viabilidade.
O que muda
- Etanol a 32%. O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou em 14 de julho de 2026 a elevação temporária da mistura de etanol anidro de 30% para 32%, segundo a Reuters, publicada pelo Money Times. Segundo o MME, a medida vale por 180 dias, com uma prorrogação possível por igual período, e permite deixar de importar 900 milhões de litros de gasolina por ano. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) estima demanda adicional de cerca de 1 bilhão de litros de anidro por ano.
- Biodiesel a 16% adiado. A passagem de 15% para 16% foi adiada para estudos, segundo a Agência iNFRA. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse em 9 de julho que não tinha previsão, mas defendeu que o aumento ocorra ainda em 2026. O MME prepara um programa de testes da nova mistura.
- Decreto do SAF. O Decreto nº 13.094, publicado em 13 de agosto, regulamenta o programa de combustível sustentável de aviação, segundo o escritório Lefosse. Ele cria o Certificado de Sustentabilidade do SAF (CS-SAF), proíbe a emissão de CBIO na produção de SAF e dá à ANP e à Anac prazo até 18 de dezembro de 2026 para editar as normas complementares.
- Decreto da captura de carbono. O Decreto nº 13.095, publicado na mesma data, regula captura, transporte por dutos e estocagem geológica de CO₂. As atividades dependem de autorização da ANP, o MME e a EPE farão um plano indicativo de infraestrutura revisto a cada dois anos, e o encerramento de uma estocagem exige monitoramento de 20 anos após o fim da injeção, segundo o Lefosse.
- Biometano. Segundo a NovaCana, a primeira meta de redução de emissões do setor de gás natural por meio do biometano começou em abril de 2026.
Quem é afetado
Segundo a NovaCana, os projetos de SAF e diesel verde mapeados pelo governo somam cerca de R$ 28 bilhões, com capacidade estimada de 4,4 bilhões de litros por ano. No biometano, 21 plantas autorizadas pela ANP produzem 1,3 milhão de metros cúbicos por dia e outras 48 estão em processo de autorização. O Plano Decenal de Energia 2035 lista 37 projetos de biometano, que somam R$ 5,4 bilhões, de acordo com a mesma fonte. O ministro também citou o plantio de 180 mil hectares de macaúba na Bahia e no norte de Minas Gerais.
A Agência Cenário Energia registrou em maio que a ANP fixou para 2026 meta de aquisição obrigatória de 48,09 milhões de CBIOs pelas distribuidoras de combustíveis, dentro do RenovaBio.
Prazos
| Marco | Data | Fonte |
|---|---|---|
| E30 e B15 em vigor | agosto de 2025 | NovaCana |
| Primeira meta de biometano no gás natural | abril de 2026 | NovaCana |
| CNPE aprova E32 por 180 dias | 14 de julho de 2026 | MME, via Money Times |
| Decretos de SAF e de captura de carbono | 13 de agosto de 2026 | Lefosse |
| Normas da ANP e da Anac para o SAF | até 18 de dezembro de 2026 | Decreto nº 13.094, via Lefosse |
| Aéreas reduzem 1% das emissões domésticas com SAF | 2027 | NovaCana |
| Meta de SAF chega a 10% | 2037 | NovaCana |
Pelo Decreto nº 13.094, as metas das companhias aéreas podem ser cumpridas em parte com outros instrumentos, como CBIOs e certificados do mercado regulado de carbono, limitados a 5% da meta anual, com teto excepcional de 15% em 2027 e 2028 e de 10% em 2029, segundo o Lefosse.
O que isso significa para quem presta serviço
- Usinas de etanol e anidro. A demanda adicional estimada pela Unica com o E32 tende a puxar ampliação de destilarias, desidratação e tancagem nas usinas.
- Biorrefinarias de SAF e diesel verde. A carteira de cerca de R$ 28 bilhões mapeada pelo governo depende das normas da ANP e da Anac até dezembro; fechadas as regras, os projetos devem avançar para engenharia e montagem.
- Biometano. As 48 plantas em autorização na ANP indicam demanda por biodigestores, purificação de biogás, compressão e conexão a gasodutos.
- Captura e estocagem de CO₂. O decreto de CCS cria base legal para projetos de captura em usinas de etanol, cimenteiras e refinarias, com obras de dutos, compressão e poços de injeção.
- Quem decidiu
- Ministério de Minas e Energia (MME)
- Valor
- R$ 260 bilhões
- Vigência
- Lei nº 14.993/2024 em vigor; decretos nº 13.094 e 13.095 desde 13/08/2026
- Publicado em
- 3 de setembro de 2026
Como isso afeta quem vende para a indústria
Os dois anos da lei chegam com a regulamentação de SAF e de captura de carbono publicada, o que tende a destravar decisões de investimento que dependiam de regra. Para quem presta serviço à indústria de bioenergia, a demanda mais próxima está nas usinas de etanol, que absorvem o aumento do E32, e nas plantas de biometano em autorização. Biorrefinarias de SAF e projetos de CCS devem gerar contratos de engenharia a partir de 2027, depois das normas da ANP e da Anac.
- Ampliação de destilarias e tancagem de etanol anidro
- Biodigestores, purificação e compressão de biometano
- Engenharia e montagem de biorrefinarias de SAF e diesel verde
- Dutos e compressão para captura e estocagem de CO₂
Janela: Normas de SAF até 18/12/2026; meta de SAF a partir de 2027; E32 por 180 dias desde julho de 2026.
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- Lei do Combustível do Futuro abre caminho para investimentos, diz Silveira, NovaCana, 3 de setembro de 2026
- CNPE aprova elevação da mistura de etanol na gasolina para 32%, Money Times (Reuters), 14 de julho de 2026
- Reviravolta na guerra adiou CNPE, mas E32 está mantido, diz Fazenda, Agência iNFRA, 9 de julho de 2026
- Governo federal publica decretos sobre SAF, CCS e hidrogênio de baixa emissão de carbono, Lefosse, 13 de agosto de 2026
- Marco legal do Combustível do Futuro pavimenta caminho para autossuficiência e projeta R$ 260 bilhões em investimentos, Cenário Energia, 20 de maio de 2026
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