Selic cai para 13,75% no quinto corte seguido e alivia o custo de investir
Copom cortou 0,25 ponto em decisão unânime; o IPCA de setembro levou a inflação em 12 meses a 4,58%, acima do teto, e o BC deixou os próximos passos em aberto.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, em 16 de setembro de 2026, segundo o InfoMoney. Foi o quinto corte seguido, em decisão unânime dos sete membros com direito a voto, e veio em linha com o esperado pelo mercado. Votaram o presidente Gabriel Galípolo e os diretores Ailton de Aquino Santos, Gilneu Vivan, Izabela Correa, Nilton David, Paulo Picchetti e Rodrigo Teixeira, informou o veículo.
Desde a decisão, o quadro ficou mais apertado: a inflação de setembro veio acima do esperado e passou do teto da meta em 12 meses, enquanto o mercado passou a projetar Selic de 13,25% no fim do ano.
O que muda
- Juro básico menor. A taxa de 13,75% ao ano vale até a próxima reunião e serve de referência para o custo do crédito bancário, inclusive o que financia máquinas, ampliações e obras.
- Ciclo em andamento, sem compromisso. No comunicado, o comitê disse que o tamanho total do ciclo será definido à luz de novas informações e que o cenário pede serenidade e cautela, segundo o InfoMoney. Ao detalhar a decisão, o colegiado reafirmou que o momento exige cautela, com incerteza maior e expectativas desancoradas, de acordo com a Folha de Pernambuco.
- Riscos para cima. O BC avalia que os riscos para a inflação estão acima do usual, com assimetria altista, e cita os conflitos no Oriente Médio e a política monetária das economias avançadas, informou o InfoMoney.
- Projeção oficial. A estimativa do Copom para a inflação no primeiro trimestre de 2028, horizonte relevante da política monetária, é de 3,2% no cenário de referência.
- Atividade e emprego. No plano interno, o comitê vê moderação gradual da atividade, sobretudo nos setores cíclicos, mas ainda em nível resiliente, e um mercado de trabalho aquecido, segundo o InfoMoney.
O ciclo começou em março. Segundo a Agência Brasil, reproduzida pelo Movimento Econômico, a Selic ficou em 15% de junho de 2025 a março de 2026, o nível mais alto em quase 20 anos. Em agosto, o quarto corte levou a taxa a 14%.
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O corte de setembro teve como pano de fundo o IPCA de agosto, que caiu 0,32%, na primeira deflação mensal em um ano, e levou o acumulado em 12 meses de 4,44% para 4,22%, segundo o InfoMoney. O dado seguinte mudou o quadro. O IPCA de setembro subiu 0,82%, acima da mediana de 0,76% das projeções colhidas pela Bloomberg, e foi a maior alta para o mês desde 2021, informou o Jornal do Comércio, com base no IBGE, em 9 de outubro de 2026. O fim do bônus de Itaipu na conta de luz, que tinha derrubado o índice de agosto, explica a virada, segundo o jornal. Com isso, a inflação em 12 meses foi a 4,58%, acima do teto de 4,5% da meta.
As expectativas pioraram junto. O boletim Focus de 13 de outubro elevou a projeção do IPCA de 2026 de 5,01% para 5,22%, a quarta alta seguida, e manteve 4,30% para 2027, segundo o Mercado&Consumo. Ainda assim, a mediana para a Selic no fim de 2026 caiu de 13,50% para 13,25%, sinal de que o mercado conta com mais um corte até dezembro. Para o fim de 2027, a projeção ficou em 12%. Pela mesma pesquisa, o PIB deve crescer 1,85% em 2026 e 1,40% em 2027, e o dólar deve fechar o ano em R$ 5,15.
A atividade já perdia fôlego antes disso. O IBC-Br de julho caiu 0,2% sobre junho, a segunda queda mensal seguida, com recuo de 1,2% na agropecuária e de 0,4% na indústria, segundo o Economic News Brasil. Na comparação com julho de 2025, houve alta de 1,1%.
O efeito mais direto do juro recai sobre os projetos que dependem de crédito bancário: ampliações médias de indústria, varejo e logística, compra de máquinas e obras financiadas. Para esse grupo, 13,75% ainda é um custo alto, e o próprio BC não se compromete com novos cortes.
Prazos
| Data | Evento | Fonte |
|---|---|---|
| 16 de setembro de 2026 | Selic cai para 13,75% ao ano | InfoMoney |
| 9 de outubro de 2026 | IPCA de setembro: 0,82% no mês e 4,58% em 12 meses | Jornal do Comércio, com dados do IBGE |
| 13 de outubro de 2026 | Focus projeta Selic de 13,25% no fim de 2026 | Mercado&Consumo |
| 3 e 4 de novembro de 2026 | Próxima reunião do Copom | Calendário do BC, segundo o Investidor10 |
| 8 e 9 de dezembro de 2026 | Última reunião do ano | Calendário do BC, segundo o Investidor10 |
Não há reunião em outubro. A decisão de novembro sai depois das eleições, como lembrou o Economic News Brasil.
O que isso significa para quem presta serviço
- Efeito com atraso. Juro menor costuma chegar à obra com meses de defasagem: primeiro voltam os pedidos de orçamento, depois as aprovações de investimento e só então os contratos.
- Propostas paradas. Projetos que travaram por custo de capital no período da Selic a 15% merecem nova rodada de contato, com proposta e prazo atualizados.
- Alívio gradual. Com a inflação acima do teto e o BC sem compromisso com novos cortes, a queda do custo do dinheiro deve ser lenta. Contratos longos pedem cláusula de reajuste clara.
- Calendário na agenda. As reuniões de 3 e 4 de novembro e de 8 e 9 de dezembro definem se a Selic termina 2026 em 13,75% ou abaixo, e isso pesa na decisão de clientes que estão com orçamento aprovado para 2027.
- Quem decidiu
- Banco Central (Copom)
- Vigência
- Vale até a próxima reunião do Copom
- Publicado em
- 16 de setembro de 2026
Como isso afeta quem vende para a indústria
Juro em queda reduz o custo de financiar projetos que estavam na gaveta, principalmente ampliações médias de indústria e varejo, que dependem de crédito bancário. Mas a inflação de setembro estourou o teto da meta e o BC não promete novos cortes, então o alívio deve ser gradual. O efeito em obra aparece com meses de atraso: primeiro volta o pedido de orçamento, depois a contratação. É hora de reativar propostas paradas por custo de capital.
- Reativar propostas paradas por custo de financiamento
- Incluir cláusula de reajuste em contratos longos
- Acompanhar as reuniões do Copom de novembro e dezembro
Janela: Efeito em contratação nos próximos 6 a 12 meses.
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- BC corta Selic em 0,25 ponto, para 13,75% ao ano, e deixa próximos passos em aberto, InfoMoney, 16 de setembro de 2026
- Mercado espera novo corte da Selic para 13,75% na reunião do Copom desta semana, Movimento Econômico (Agência Brasil), 14 de setembro de 2026
- Nova taxa Selic chega em setembro ao patamar projetado para dezembro, Economic News Brasil, 16 de setembro de 2026
- Selic no fim de 2026 segue em 13,50%, aponta Focus, Folha de Pernambuco, 28 de setembro de 2026
- IPCA sobe mais do que o esperado em setembro e fica acima da meta de inflação, Jornal do Comércio, 9 de outubro de 2026
- Projeção do Focus para a inflação de 2026 sobe a 5,22%; esta é a quarta alta consecutiva, Mercado&Consumo, 13 de outubro de 2026
- Copom em 2026 terá oito reuniões; veja o cronograma divulgado pelo BC, Investidor10, 24 de junho de 2025
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