Flávio e Lula: R$ 900 bi com BNDES restrito contra crédito direcionado e debêntures
Plano de Flávio limita crédito subsidiado e prevê R$ 900 bilhões em infraestrutura em quatro anos; o de Lula mantém o arcabouço e o financiamento direcionado da Nova Indústria Brasil. Nenhum cita a TLP.

Os dois candidatos ao 2º turno presidencial de 25 de outubro de 2026, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), registraram no TSE programas que tratam de crédito, juros e bancos públicos por caminhos diferentes. O plano de Flávio prevê R$ 900 bilhões em infraestrutura em quatro anos, com financiamento do BNDES restrito a obras no Brasil e limite ao crédito subsidiado pelo Tesouro. O de Lula mantém o arcabouço fiscal, continua a política de financiamento direcionado da Nova Indústria Brasil e aposta em debêntures de infraestrutura. Os dados vêm dos programas publicados pelo Poder360 (Flávio) e pelo Poder360 (Lula), e de reportagens da Forbes Brasil e do InvestNews.
O ponto de partida é o mesmo para os dois. Segundo a Forbes Brasil, a Selic está em 13,75% ao ano depois da decisão do Copom de setembro, a quinta redução seguida em 2026, e a dívida bruta do governo geral chegou a 82,9% do PIB em agosto, pelos dados do Banco Central. Nenhum dos dois programas menciona a TLP, a taxa que remunera a maior parte dos empréstimos do BNDES.
O que cada plano propõe
Flávio Bolsonaro (PL)
O programa "Para o Brasil Vencer o Atraso" vincula a queda dos juros ao ajuste das contas. O texto afirma que juros menores "se conquistam" com contas em ordem e propõe uma nova regra fiscal voltada a estabilizar e depois reduzir a relação entre dívida e PIB, com superávits primários e limite ao crédito subsidiado com recursos do Tesouro. Segundo a Forbes Brasil, o documento não traz a fórmula da regra, metas numéricas de superávit nem teto para esse crédito.
- BNDES. O banco aparece como uma das fontes de um "novo modelo de financiamento" da infraestrutura, ao lado de PPPs, concessões e de um fundo lastreado na securitização de ativos e imóveis da União. O texto diz que os financiamentos do BNDES seriam "exclusivamente para obras em território brasileiro".
- Volume. R$ 900 bilhões em quatro anos em rodovias, hidrovias, portos, aeroportos e ferrovias, sem divisão por fonte, segundo a Forbes Brasil.
- Caixa. O banco passaria a funcionar como "Banco da Prosperidade", com crédito para empreender, financiamento habitacional e orientação financeira.
- Segurança de contrato. Mecanismos de estabilidade de regras de até 20 anos para projetos de longa maturação e licença concedida quando o órgão ambiental não decide no prazo.
O InvestNews registra que a meta de R$ 190 bilhões em cortes, citada pela coordenadora econômica Daniella Marques, não consta do documento protocolado no TSE.
Lula (PT)
O programa promete "criar as condições para uma redução sustentada das taxas de juros" e manter o arcabouço fiscal, que limita o crescimento da despesa. Segundo a Forbes Brasil, o texto não fixa meta nem prazo para os juros. O programa prevê aprofundar o mercado de capitais doméstico, com uso das debêntures de infraestrutura, dos fundos de investimento em participações e do mercado secundário de recebíveis.
- Crédito direcionado. A política industrial continuaria com financiamento direcionado, parcerias entre crédito público e privado, compras públicas e exigências de conteúdo local.
- BNDES. O nome do banco não aparece no programa. Segundo a Forbes Brasil, o BNDES informou ter chegado a R$ 300 bilhões destinados à Nova Indústria Brasil em dezembro de 2025. O InvestNews cita o presidente do banco, Aloizio Mercadante, para quem 23% da carteira tem algum subsídio.
- Pequenas e médias. Continuidade dos fundos garantidores e fundos de participação estruturados pelos bancos públicos com gestores privados.
- Volume. O programa diz que o investimento em infraestrutura somou R$ 280 bilhões em 2025 e projeta R$ 300 bilhões em 2026, com nova edição do Novo PAC combinando obra pública e concessão.
Quem é afetado
Empresas que dependem de crédito de longo prazo para tirar investimento do papel são as primeiras a sentir qualquer mudança. Pelo plano de Flávio, o volume de crédito subsidiado tende a diminuir, e o peso do financiamento passa para concessões, PPPs e para o novo fundo de ativos da União, cujo tamanho e gestor ainda não foram definidos, segundo o InvestNews. Pelo plano de Lula, a estrutura atual de crédito direcionado e de debêntures incentivadas segue, com foco em inovação, inteligência artificial e minerais críticos, segundo o mesmo veículo.
Prazos
| Item | Flávio Bolsonaro | Lula |
|---|---|---|
| Regra fiscal | Nova regra, sem fórmula publicada | Mantém o arcabouço atual |
| Juros | Queda via ajuste fiscal, sem prazo | "Redução sustentada", sem prazo |
| Crédito subsidiado | Limite, sem teto definido | Mantém crédito direcionado |
| Infraestrutura | R$ 900 bilhões em 4 anos | R$ 300 bilhões previstos em 2026, nova edição do Novo PAC |
| Posse | 5 de janeiro de 2027, pela Emenda Constitucional 111, segundo o Poder360 | |
O que isso significa para quem presta serviço
Para o fornecedor de obra industrial, a diferença está menos no volume anunciado e mais em quem paga. Num modelo, o dinheiro chega por concessionárias e fundos privados, que contratam com prazos e garantias de mercado. No outro, continua passando pelas linhas do BNDES e pelos programas setoriais, com exigência de conteúdo local. Em ambos, a Selic de 13,75% segue como o principal limitador do investimento privado em 2027.
- Quem decidiu
- TSE (programas de governo registrados)
- Valor
- R$ 900 bilhões
- Vigência
- Mandato 2027 a 2030
- Publicado em
- 5 de outubro de 2026
Como isso afeta quem vende para a indústria
Nossa leitura: qualquer que seja o resultado, a carteira de obras financiadas em 2027 tende a depender da trajetória da Selic, que os dois planos condicionam à política fiscal sem fixar prazo. Com Flávio, é provável que ganhem peso as concessões e PPPs, o que favorece quem já atende concessionárias e operadores privados. Com Lula, a tendência é de continuidade das linhas setoriais do BNDES e das regras de conteúdo local, que beneficiam fornecedores nacionais de montagem e equipamentos. Em ambos os casos, a contratação de obra nova deve vir só depois que o novo desenho de financiamento for detalhado no primeiro semestre.
- Montagem eletromecânica em projetos de concessão
- Obra civil industrial de infraestrutura logística
- Engenharia de projeto para financiamento de longo prazo
- Montagem de equipamentos com conteúdo local
Janela: Novos desenhos de financiamento tendem a sair no primeiro semestre de 2027, com contratação de obra a partir do segundo semestre.
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- "Tesouraço": o que prevê a cartilha de Flávio Bolsonaro para a economia, Forbes Brasil, 5 de outubro de 2026
- O que Lula quer manter e mudar na economia em um novo mandato, Forbes Brasil, 6 de outubro de 2026
- Flávio Bolsonaro: 5 propostas para a economia em um governo, InvestNews, 5 de outubro de 2026
- 5 propostas de Lula na economia caso seja reeleito, InvestNews, 6 de outubro de 2026
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