Versão de teste do Radar Indústria. As matérias são reais e citam a fonte original.
Quinta-feira, 22 de outubro de 2026 · Edição BrasilComo apuramosTop of MarketEntrarAssine o Radar Capex

Onde a indústria vai investir, antes de virar concorrência.

Política · Vários estados

Debêntures incentivadas somam R$ 72,8 bi até agosto, abaixo dos R$ 97,3 bi de 2025

Emissões caem 25% no ano, segundo a Anbima, e energia elétrica leva 55%; Lei 14.801 estreou em dezembro com R$ 1 bilhão para ferrovia da Eldorado em Mato Grosso do Sul.

Group of anonymous male technicians in dirty uniforms building railroad together in city
Imagem ilustrativa. Foto: Vietnam Hidden Light / Pexels
Por Redação Radar IndústriaPublicado em · fato divulgado em 28 de setembro de 20264 min de leitura

As emissões de debêntures incentivadas, títulos de dívida com benefício fiscal usados para financiar projetos de infraestrutura, somaram R$ 72,8 bilhões de janeiro a agosto de 2026, contra R$ 97,3 bilhões no mesmo período de 2025, segundo boletim da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) divulgado em 28 de setembro. Em agosto, o volume foi de R$ 170 milhões, o menor para um mês desde janeiro de 2019. O pico do ano ocorreu em março, com R$ 21,5 bilhões.

“Tudo indica um movimento pontual por conta das incertezas trazidas com a proximidade das eleições”, afirmou Erika Lacreta, gerente executiva de mercado de capitais da Anbima, segundo o boletim. A comparação parte de uma base alta: em 2025, o mercado de debêntures incentivadas movimentou R$ 177,97 bilhões, o maior volume da série histórica, de acordo com dados da Anbima citados pelo NeoFeed.

O que muda

  • Energia na frente. Segundo a Anbima, energia elétrica captou R$ 39,8 bilhões até agosto, cerca de 55% do total. Transporte e logística somaram R$ 9 bilhões, saneamento R$ 6,3 bilhões, assistência médica R$ 4,7 bilhões e tecnologia da informação e telecomunicações R$ 3,7 bilhões.
  • Secundário em alta. Enquanto as emissões recuam, a negociação dos papéis já emitidos chegou a R$ 276 bilhões no ano, alta de 22,3%, segundo a Anbima. O prazo médio das incentivadas foi de 11,9 anos até maio, contra 5,4 anos das debêntures sem benefício.
  • Isenção mantida. No fim de 2025, a ameaça de tributar o produto levou a uma corrida por emissões, mas a isenção foi mantida, segundo o NeoFeed. A medida provisória que previa cobrar imposto de renda sobre títulos isentos perdeu validade no Congresso em outubro de 2025, segundo o InvestNews.
  • Debênture de infraestrutura. A Lei nº 14.801, de janeiro de 2024, criou um segundo instrumento em que o benefício vai para o emissor, e não para o investidor: a empresa pode deduzir até 30% dos juros pagos do lucro líquido e da base da CSLL, segundo o Poder360. A ideia é atrair fundos de pensão e seguradoras.
  • Estreia em ferrovia. A primeira emissão pela nova lei saiu em dezembro de 2025: o BNDES subscreveu R$ 1 bilhão em debêntures de infraestrutura da Eldorado Brasil Celulose, em dólar, além de R$ 50 milhões pelo Finem, para um ramal ferroviário de 86,7 km entre Três Lagoas e Aparecida do Taboado (MS), segundo o Poder360.

Quem é afetado

O Decreto nº 11.964, de março de 2024, que regulamenta a Lei 14.801, lista 14 setores prioritários, entre eles logística e transporte, mobilidade urbana, energia, telecomunicações, saneamento, irrigação, saúde e educação públicas, iluminação pública e processamento de minerais estratégicos para a transição energética, segundo análise do escritório Pinheiro Neto publicada no Migalhas. Podem emitir as sociedades de propósito específico, concessionárias, autorizatárias e arrendatárias e seus controladores. A emissão fica limitada ao investimento do projeto, e um mesmo título não pode acumular os dois benefícios. Segundo análise do escritório Justen, Pereira, Oliveira & Talamini, projetos que cumprem os requisitos dispensam aprovação ministerial prévia, exigida apenas em serviços públicos de estados e municípios.

Prazos

MarcoDataFonte
Lei 14.801 cria a debênture de infraestruturajaneiro de 2024Poder360
Decreto 11.964 regulamenta a leimarço de 2024Migalhas
Primeira emissão pela nova lei (Eldorado)dezembro de 2025Poder360
Pico mensal de 2026 (R$ 21,5 bilhões)março de 2026Anbima
Menor mês desde 2019 (R$ 170 milhões)agosto de 2026Anbima
Prazo para emitir debêntures de infraestruturaaté 31 de dezembro de 2030Justen

Para 2026, os leilões de infraestrutura previstos incluem mais de R$ 127 bilhões em rodovias federais e estaduais, cerca de R$ 65 bilhões em saneamento e quase R$ 140 bilhões no setor elétrico, segundo estudo da JGP citado pelo NeoFeed. Projetos desse tipo costumam ser financiados com 70% a 80% de dívida, e as debêntures de longo prazo entram depois do empréstimo-ponte, quando a obra já está em implantação. Por isso, a JGP espera o efeito mais forte da carteira de leilões nas emissões entre 2027 e 2028.

O que isso significa para quem presta serviço

  • Obras de energia. Com 55% das captações, transmissão, geração renovável e armazenamento seguem como o setor com mais dinheiro de longo prazo para obras.
  • Rodovias e saneamento depois do leilão. Como a debênture costuma entrar com a obra em andamento, concessões leiloadas em 2026 tendem a contratar fornecedores antes de emitir os títulos.
  • Ferrovias autorizadas. O caso da Eldorado mostra que projetos privados de ferrovia podem usar a nova lei, com demanda por terraplenagem, obras de arte e via permanente.
  • Prazo de pagamento. A queda pontual das emissões perto das eleições pode atrasar o fechamento financeiro de alguns projetos, o que pede atenção ao cronograma de medições.
Ficha da medida Radar Política
Quem decidiu
Ministério da Fazenda, ministérios setoriais e Anbima (dados)
Valor
R$ 72,8 bilhões
Vigência
Lei 12.431/2011 e Lei 14.801/2024 em vigor; debêntures de infraestrutura até 31/12/2030
Publicado em
28 de setembro de 2026

Como isso afeta quem vende para a indústria

A queda das emissões em 2026 reflete uma base recorde em 2025 e a cautela pré-eleitoral, mas a carteira de leilões de rodovias, saneamento e energia deve sustentar novas emissões em 2027 e 2028, quando as obras já estiverem em curso. Para quem presta serviço, o dinheiro das debêntures chega depois do empréstimo-ponte, então a contratação tende a começar antes da emissão. A estreia da Lei 14.801 em ferrovia abre um caminho novo para projetos privados autorizados.

  • Obras de transmissão e geração de energia
  • Terraplenagem e via permanente ferroviária
  • Obras de saneamento em concessões
  • Engenharia de implantação para concessões rodoviárias

Janela: Leilões de 2026 com emissões esperadas entre 2027 e 2028.

Radar Capex · assinatura do Radar Indústria

Você leu sobre uma obra. Existem 485.

O Radar Capex junta todas num mapa: empresa contratante, cidade, valor, fase, cronograma e o que cada uma vai contratar. Mais de R$ 1 trilhão em investimentos com obra mapeados. Toda segunda, as obras novas da semana no seu e-mail e no WhatsApp. E todo mês, ao vivo para assinantes, a Live Radar de Vendas: a visão do mercado e como chegar nessas obras e fechar mais contratos.

Chegar antes por R$ 9,90/mêsCancele em 1 clique, sem multa. Já é assinante? Entrar
Fontes

O Radar Indústria resume os fatos publicados pelas fontes; a análise para fornecedores é nossa. Viu um erro? Escreva para redacao@radarindustria.com.br.

Publicidade · Galt Growth, mantenedora do Radar
Chegue nos decisores das obras da indústria.

Tenha a implantação da sua máquina de prospecção e demanda de obras em até 90 dias, com a Galt Growth.

Quero implantar em 90 dias →

Você trabalha em compras, suprimentos, engenharia ou manutenção de uma indústria? Comente esta notícia no Radar.

Leia também

Radar Capex

Antes de sair: 295 obras ainda não abriram canteiro

O Radar Capex mostra quem vai contratar cada uma, entre mais de R$ 1 trilhão em investimentos com obra mapeados. Chegue antes do concorrente por R$ 9,90 por mês, com a Live Radar de Vendas todo mês, ao vivo para assinantes.

Ver quem contrataCancele em 1 clique na sua conta.