Debêntures incentivadas somam R$ 72,8 bi até agosto, abaixo dos R$ 97,3 bi de 2025
Emissões caem 25% no ano, segundo a Anbima, e energia elétrica leva 55%; Lei 14.801 estreou em dezembro com R$ 1 bilhão para ferrovia da Eldorado em Mato Grosso do Sul.

As emissões de debêntures incentivadas, títulos de dívida com benefício fiscal usados para financiar projetos de infraestrutura, somaram R$ 72,8 bilhões de janeiro a agosto de 2026, contra R$ 97,3 bilhões no mesmo período de 2025, segundo boletim da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) divulgado em 28 de setembro. Em agosto, o volume foi de R$ 170 milhões, o menor para um mês desde janeiro de 2019. O pico do ano ocorreu em março, com R$ 21,5 bilhões.
“Tudo indica um movimento pontual por conta das incertezas trazidas com a proximidade das eleições”, afirmou Erika Lacreta, gerente executiva de mercado de capitais da Anbima, segundo o boletim. A comparação parte de uma base alta: em 2025, o mercado de debêntures incentivadas movimentou R$ 177,97 bilhões, o maior volume da série histórica, de acordo com dados da Anbima citados pelo NeoFeed.
O que muda
- Energia na frente. Segundo a Anbima, energia elétrica captou R$ 39,8 bilhões até agosto, cerca de 55% do total. Transporte e logística somaram R$ 9 bilhões, saneamento R$ 6,3 bilhões, assistência médica R$ 4,7 bilhões e tecnologia da informação e telecomunicações R$ 3,7 bilhões.
- Secundário em alta. Enquanto as emissões recuam, a negociação dos papéis já emitidos chegou a R$ 276 bilhões no ano, alta de 22,3%, segundo a Anbima. O prazo médio das incentivadas foi de 11,9 anos até maio, contra 5,4 anos das debêntures sem benefício.
- Isenção mantida. No fim de 2025, a ameaça de tributar o produto levou a uma corrida por emissões, mas a isenção foi mantida, segundo o NeoFeed. A medida provisória que previa cobrar imposto de renda sobre títulos isentos perdeu validade no Congresso em outubro de 2025, segundo o InvestNews.
- Debênture de infraestrutura. A Lei nº 14.801, de janeiro de 2024, criou um segundo instrumento em que o benefício vai para o emissor, e não para o investidor: a empresa pode deduzir até 30% dos juros pagos do lucro líquido e da base da CSLL, segundo o Poder360. A ideia é atrair fundos de pensão e seguradoras.
- Estreia em ferrovia. A primeira emissão pela nova lei saiu em dezembro de 2025: o BNDES subscreveu R$ 1 bilhão em debêntures de infraestrutura da Eldorado Brasil Celulose, em dólar, além de R$ 50 milhões pelo Finem, para um ramal ferroviário de 86,7 km entre Três Lagoas e Aparecida do Taboado (MS), segundo o Poder360.
Quem é afetado
O Decreto nº 11.964, de março de 2024, que regulamenta a Lei 14.801, lista 14 setores prioritários, entre eles logística e transporte, mobilidade urbana, energia, telecomunicações, saneamento, irrigação, saúde e educação públicas, iluminação pública e processamento de minerais estratégicos para a transição energética, segundo análise do escritório Pinheiro Neto publicada no Migalhas. Podem emitir as sociedades de propósito específico, concessionárias, autorizatárias e arrendatárias e seus controladores. A emissão fica limitada ao investimento do projeto, e um mesmo título não pode acumular os dois benefícios. Segundo análise do escritório Justen, Pereira, Oliveira & Talamini, projetos que cumprem os requisitos dispensam aprovação ministerial prévia, exigida apenas em serviços públicos de estados e municípios.
Prazos
| Marco | Data | Fonte |
|---|---|---|
| Lei 14.801 cria a debênture de infraestrutura | janeiro de 2024 | Poder360 |
| Decreto 11.964 regulamenta a lei | março de 2024 | Migalhas |
| Primeira emissão pela nova lei (Eldorado) | dezembro de 2025 | Poder360 |
| Pico mensal de 2026 (R$ 21,5 bilhões) | março de 2026 | Anbima |
| Menor mês desde 2019 (R$ 170 milhões) | agosto de 2026 | Anbima |
| Prazo para emitir debêntures de infraestrutura | até 31 de dezembro de 2030 | Justen |
Para 2026, os leilões de infraestrutura previstos incluem mais de R$ 127 bilhões em rodovias federais e estaduais, cerca de R$ 65 bilhões em saneamento e quase R$ 140 bilhões no setor elétrico, segundo estudo da JGP citado pelo NeoFeed. Projetos desse tipo costumam ser financiados com 70% a 80% de dívida, e as debêntures de longo prazo entram depois do empréstimo-ponte, quando a obra já está em implantação. Por isso, a JGP espera o efeito mais forte da carteira de leilões nas emissões entre 2027 e 2028.
O que isso significa para quem presta serviço
- Obras de energia. Com 55% das captações, transmissão, geração renovável e armazenamento seguem como o setor com mais dinheiro de longo prazo para obras.
- Rodovias e saneamento depois do leilão. Como a debênture costuma entrar com a obra em andamento, concessões leiloadas em 2026 tendem a contratar fornecedores antes de emitir os títulos.
- Ferrovias autorizadas. O caso da Eldorado mostra que projetos privados de ferrovia podem usar a nova lei, com demanda por terraplenagem, obras de arte e via permanente.
- Prazo de pagamento. A queda pontual das emissões perto das eleições pode atrasar o fechamento financeiro de alguns projetos, o que pede atenção ao cronograma de medições.
- Quem decidiu
- Ministério da Fazenda, ministérios setoriais e Anbima (dados)
- Valor
- R$ 72,8 bilhões
- Vigência
- Lei 12.431/2011 e Lei 14.801/2024 em vigor; debêntures de infraestrutura até 31/12/2030
- Publicado em
- 28 de setembro de 2026
Como isso afeta quem vende para a indústria
A queda das emissões em 2026 reflete uma base recorde em 2025 e a cautela pré-eleitoral, mas a carteira de leilões de rodovias, saneamento e energia deve sustentar novas emissões em 2027 e 2028, quando as obras já estiverem em curso. Para quem presta serviço, o dinheiro das debêntures chega depois do empréstimo-ponte, então a contratação tende a começar antes da emissão. A estreia da Lei 14.801 em ferrovia abre um caminho novo para projetos privados autorizados.
- Obras de transmissão e geração de energia
- Terraplenagem e via permanente ferroviária
- Obras de saneamento em concessões
- Engenharia de implantação para concessões rodoviárias
Janela: Leilões de 2026 com emissões esperadas entre 2027 e 2028.
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- Emissões de debêntures incentivadas somam R$ 170 milhões em agosto, Anbima, 28 de setembro de 2026
- Brasil faz 1ª emissão de debênture de infraestrutura em dólar, Poder360, 24 de dezembro de 2025
- O que está desincentivando as emissões de debêntures incentivadas, NeoFeed, 20 de março de 2026
- Negociação de debêntures incentivadas no ano no mercado secundário atinge recorde de R$ 179,4 bilhões, Anbima, 23 de junho de 2026
- Publicado o decreto que regulamenta as debêntures de infraestrutura, Migalhas, 28 de março de 2024
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