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Euca Energy vai construir nova fábrica de celulose em Alto Araguaia (MT) com R$ 10,35 bi

Projeto de nova fábrica em Alto Araguaia terá 2 milhões de toneladas de celulose por ano, usina de biomassa de 372 MW e ramal ferroviário próprio, com obras previstas para dezembro de 2027.

Aerial view of a dense eucalyptus forest under a bright sky in Taperoá, Brazil.
Imagem ilustrativa. Foto: thiago japyassu / Pexels
Por Redação Radar IndústriaPublicado em · fato divulgado em 2 de outubro de 20264 min de leitura

A Euca Energy retoma o projeto de uma nova fábrica de celulose em Alto Araguaia, no sul de Mato Grosso, orçado em cerca de R$ 10,35 bilhões (US$ 2 bilhões), segundo reportagem do Brasil 247 publicada em 2 de outubro de 2026. A unidade teria capacidade para produzir 2 milhões de toneladas de celulose branqueada de eucalipto por ano, voltada ao mercado externo, apoiada em uma base florestal de 300 mil hectares e com suporte de engenharia da consultoria AFRY Brasil.

O projeto em números

ItemDado
InvestimentoR$ 10,35 bilhões (cerca de US$ 2 bilhões)
Capacidade de celulose2 milhões de toneladas por ano
Base florestal de eucalipto300 mil hectares
Usina de biomassa associada372 MW, com 171 MW de excedente para venda ao sistema elétrico
Início da construçãoprevisto para dezembro de 2027
Conclusão das instalaçõesdezembro de 2028

Fonte: Brasil 247.

Contexto

O projeto não é novo: em fevereiro de 2019, o sócio da Euca Energy, Gilberto Goellner, já dizia ao Olhar Direto que o desenho econômico da fábrica estava fechado e faltava apenas a licença ambiental, com investimento então estimado em R$ 12 bilhões (R$ 10,8 bilhões na fábrica mais R$ 1,2 bilhão no plantio de eucalipto) e implantação prevista para 2021. Segundo o prefeito de Alto Araguaia à época, Gustavo Melo, o projeto fora originalmente pensado para Goiás e acabou atraído para Mato Grosso com apoio do governo estadual, que via na iniciativa uma vitrine de desenvolvimento industrial sustentável, nas palavras do então secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho. Em novembro daquele ano, um evento sobre o polo florestal do Araguaia (promovido com a consultoria Maxitree) relatava que cerca de 70% das terras necessárias já estavam contratadas, com os 30% restantes perto da assinatura, faltando apenas fechar contratos e atrair o investidor financeiro.

O procurador de Justiça Luiz Alberto Esteves Scaloppe chegou a manifestar, já em 2019, preocupação com os impactos ambientais e sociais em um município de pequeno porte como Alto Araguaia, e disse que acompanharia o andamento do licenciamento, que envolveu o Ministério Público Estadual (MPE) e audiências públicas na região, a primeira delas realizada no próprio município. O Banktrack, organização internacional que monitora o financiamento de projetos de infraestrutura, também apontou risco de desmatamento no Cerrado e de poluição do rio Araguaia, e observou que os impactos dos plantios de eucalipto necessários para abastecer a fábrica não estavam totalmente cobertos pelo Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima) da época. Depois de anos fora do radar, o projeto reaparece agora com valor atualizado e um calendário que empurra qualquer obra física para o fim de 2027, segundo o Brasil 247, ainda sem confirmação independente do número de empregos a serem gerados nesta nova fase.

O hiato entre o anúncio de 2019 e a retomada de 2026 também ajuda a explicar a divergência de valores entre as fontes consultadas: a reportagem mais antiga somava R$ 10,8 bilhões da fábrica a R$ 1,2 bilhão do plantio de eucalipto, chegando aos R$ 12 bilhões então mencionados pelo governo estadual, enquanto a notícia atual fala em R$ 10,35 bilhões sem detalhar se esse número já embute o custo da base florestal. Até a publicação desta matéria, não foi encontrada declaração da Euca Energy negando o projeto ou contestando o valor; a reportagem de outubro de 2026 o trata como retomada, e não como anúncio inédito.

O que a obra deve contratar

  • Terraplenagem e fundações de grande porte. Preparação do terreno e fundações especiais para uma planta industrial dimensionada para 2 milhões de toneladas por ano, em área hoje ocupada por plantio de eucalipto.
  • Montagem de caldeiras e usina a biomassa. Estrutura de geração de 372 MW movida a resíduos florestais em caldeiras de alta pressão, com parte da energia vendida ao sistema elétrico.
  • Montagem eletromecânica de linha de celulose. Equipamentos de cozimento, lavagem, branqueamento e secagem da fibra de eucalipto, com tubulação, válvulas e automação de processo.
  • Ramal ferroviário e terminal de cargas. Conexão própria à malha ferroviária existente, com terminal dedicado ao transbordo da celulose para exportação.
  • Obra civil de pátio de madeira e efluentes. Estrutura de recebimento e estocagem de toras, descascamento e estação de tratamento de água e efluentes industriais.

Prazos e próximos passos

EtapaData
Licença prévia do ciclo anterior do projeto2019
Projeto reaparece com valor atualizadooutubro de 2026
Licenciamento e estruturação de capitalinício de 2027
Aprovação final dos acionistasmeados de 2027
Licitações e cotação de máquinas2º semestre de 2027
Início da construçãodezembro de 2027
Conclusão das instalaçõesdezembro de 2028

Fonte: Brasil 247.

Outras novas fábricas em Mato Grosso

Mato Grosso também concentra obras de etanol de milho: a Inpasa ergue uma usina de R$ 2,77 bilhões em Rondonópolis, e a FS avança uma unidade de R$ 2 bilhões em Campo Novo do Parecis. Mais obras no estado na carteira do Mapa de obras.

Ficha do investimento Radar Capex
Empresa
Euca Energy
Local
Alto Araguaia, MT
Valor
R$ 10,35 bi
Fase
Licenciamento
Previsão
início da construção previsto para dezembro de 2027; conclusão em dezembro de 2028
Anunciado em
2 de outubro de 2026

O que isso significa para quem vende para a indústria

O calendário divulgado empurra qualquer contratação de obra pesada para o fim de 2027, o que dá quase um ano e meio para fornecedores de engenharia se credenciarem antes da fase de licitação de máquinas, prevista para o segundo semestre daquele ano. O histórico do projeto, parado por cerca de sete anos entre a licença prévia de 2019 e a retomada anunciada agora, pesa contra qualquer aposta de curto prazo: a obra só sai do papel se a estruturação de capital e a aprovação final dos acionistas, previstas para 2027, de fato se confirmarem. Ainda assim, o desenho do projeto (celulose, usina de biomassa e ramal ferroviário dedicado) é intensivo em montagem eletromecânica e obra civil pesada, um padrão parecido com o de outras fábricas de celulose em curso no Centro-Oeste, o que torna a região um mercado a monitorar mesmo antes da decisão final dos acionistas.

Serviços que o projeto tende a contratar:

  • Terraplenagem e fundações de grande porte
  • Montagem de caldeiras e usina a biomassa
  • Montagem eletromecânica de linha de celulose
  • Construção de ramal ferroviário dedicado
  • Obra civil de pátio de madeira e efluentes

Janela: Licenciamento e estruturação de capital a partir do início de 2027; licitação de obra e máquinas no 2º semestre de 2027, antes do início da construção em dezembro de 2027.

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