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Decreto do hidrogênio abre disputa por R$ 18,3 bilhões em créditos fiscais do PHBC

Fazenda conduz a concorrência pelos R$ 18,3 bilhões de 2030 a 2034; consulta pública vai até 30 de novembro e o edital está previsto para janeiro de 2027.

Expansive aerial view of an industrial complex with storage tanks, located in China.
Imagem ilustrativa. Foto: jason hu / Pexels
Por Redação Radar IndústriaPublicado em · fato divulgado em 22 de setembro de 20264 min de leitura

O governo federal regulamentou o marco legal do hidrogênio de baixa emissão de carbono com o Decreto nº 13.096, assinado em 12 de agosto de 2026, segundo a agência eixos, e publicado no Diário Oficial da União no dia seguinte, de acordo com o escritório Lefosse. Segundo a Agência Gov, o decreto detalha a Política Nacional do Hidrogênio, o Sistema Brasileiro de Certificação do Hidrogênio (SBCH2), o regime especial de incentivos (Rehidro) e o Programa de Desenvolvimento do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono (PHBC), que prevê até R$ 18,3 bilhões em créditos fiscais entre 2030 e 2034. O texto regulamenta as Leis nº 14.948 e nº 14.990, ambas de 2024.

Segundo a Agência Gov, o valor de R$ 18,3 bilhões é um teto definido em lei, e a quantidade de crédito efetivamente oferecida terá de respeitar as metas fiscais e a previsão na Lei Orçamentária Anual. A disputa por esses créditos será feita por procedimento concorrencial promovido, direta ou indiretamente, pelo Ministério da Fazenda.

O que muda

  • Critério da disputa. De acordo com a Agência Gov, o critério mínimo de julgamento é o menor valor de crédito fiscal pedido por unidade de produto. Segundo reportagem da eixos de junho, a Fazenda também estuda incluir métricas em reais por tonelada de CO₂ evitada, além de reais por quilo de hidrogênio.
  • Setores com prioridade. O decreto dá preferência a projetos que usem o hidrogênio em fertilizantes, siderurgia, cimento, química, petroquímica e transporte pesado, com vantagem para o uso no próprio processo industrial, segundo a Agência Gov.
  • Marcos de obra no contrato. Os projetos vencedores terão de cumprir marcos como decisão final de investimento, licenciamento, início das obras, comissionamento e operação comercial. Após a adjudicação, será exigida garantia de até 10% do crédito concedido.
  • Rehidro. O regime suspende PIS/Pasep e Cofins sobre bens e serviços de projetos habilitados. A suspensão vira alíquota zero só se o hidrogênio for certificado como de baixa emissão e as contrapartidas forem cumpridas; caso contrário, os tributos voltam a ser cobrados com acréscimos legais, segundo a Agência Gov.
  • Contrapartidas. A empresa habilitada deve aplicar no mínimo 1% do investimento total em projetos de desenvolvimento sustentável ligados à transição energética e outro 1% em pesquisa, desenvolvimento e inovação.
  • Conteúdo nacional. O decreto fixa 15% para a rota de eletrólise e eletrolisadores, 40% para outras rotas de baixa emissão e 60% para materiais e equipamentos de distribuição e transporte e certos serviços, com dispensa quando não houver equivalente nacional ou oferta doméstica suficiente.
  • Certificação. Pelo SBCH2, a intensidade de emissões é medida por análise de ciclo de vida, e o limite inicial para o hidrogênio ser considerado de baixa emissão é de 7 kg de CO₂ equivalente por quilo produzido.

Quem é afetado

A eixos lista projetos de grande porte que acompanham a regulamentação, como o da Green Energy Park no Piauí, voltado inicialmente à exportação de amônia verde, e a parceria da mesma empresa com a Vale no Maranhão para produzir HBI com hidrogênio renovável. Um levantamento da CNI de 2024, citado pela eixos, mapeou mais de R$ 188,7 bilhões em potencial de investimento na indústria de hidrogênio no país.

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As reações do mercado foram divididas. Segundo a eixos, Fernanda Delgado, presidente executiva da Associação Brasileira da Indústria de Hidrogênio Verde (Abihv), esperava um decreto mais completo e avaliou que o percentual de conteúdo local ficou acima do esperado. Daniel Lopes, da Hytron, fabricante nacional de eletrolisadores, considerou os 15% adequados. Ludimila Nascimento, presidente da Green Energy Park, afirmou que o prazo do Rehidro, com contratações até 31 de dezembro de 2026, é curto para projetos de grande porte. A reportagem também registra que temas como habilitação ao Rehidro e regras do processo competitivo ainda dependem de normas da Fazenda, da Receita Federal, da ANP, do Inmetro e do MME.

Prazos

EtapaDataFonte
Assinatura do Decreto nº 13.09612 de agosto de 2026eixos
Consulta pública das regras da concorrênciaaté 30 de novembro de 2026Ministério da Fazenda, via eixos
Prazo de contratações no Rehidro citado pelo setor31 de dezembro de 2026Green Energy Park, via eixos
Publicação do edital do PHBCjaneiro de 2027Ministério da Fazenda, via eixos
Janela de uso dos créditos fiscais2030 a 2034Agência Gov

Em junho, Carlos Colombo, diretor de programa da Secretaria de Reformas Econômicas da Fazenda, disse que o primeiro leilão ficaria para 2027, segundo a eixos. Em nota posterior, a pasta afirmou que pretende concluir a modelagem e a consulta ainda em 2026. De acordo com a Agência Gov, a secretaria discute o desenho do mecanismo com o Banco Mundial, a UNIDO, a Fundação H2Global e a PSR Energy.

O que isso significa para quem presta serviço

  • Engenharia antes do leilão. Como o edital deve exigir cronograma com licenciamento e decisão final de investimento, os desenvolvedores tendem a contratar estudos de viabilidade, engenharia básica e licenciamento ambiental ao longo de 2027.
  • Fornecedor nacional ganha espaço. As exigências de 40% e 60% de conteúdo nacional em outras rotas e em equipamentos de transporte e distribuição devem abrir demanda para caldeiraria, tubulação, compressão e montagem eletromecânica feitas no país.
  • Plantas dentro da indústria. A preferência por hidrogênio usado no próprio processo aponta para obras dentro de siderúrgicas, fábricas de fertilizantes, cimenteiras e polos químicos, com interligação a utilidades existentes.
  • Certificação e medição. A análise de ciclo de vida exigida pelo SBCH2 tende a gerar contratos de instrumentação, medição de energia e inventário de emissões.
Ficha da medida Radar Política
Quem decidiu
Ministério da Fazenda
Valor
R$ 18,3 bilhões
Vigência
Decreto nº 13.096 em vigor desde agosto de 2026; créditos do PHBC de 2030 a 2034
Publicado em
22 de setembro de 2026

Como isso afeta quem vende para a indústria

O decreto tira o hidrogênio de baixa emissão do campo das intenções e cria regras de obra: marco de licenciamento, início de construção e comissionamento passam a valer como condição do crédito. Para quem vende engenharia, montagem e equipamentos para a indústria, o período até o edital de janeiro de 2027 tende a concentrar estudos e engenharia básica. A exigência de conteúdo nacional deve favorecer fornecedores locais de caldeiraria, tubulação e montagem, enquanto os eletrolisadores seguem com oferta concentrada no exterior.

  • Estudos de viabilidade e engenharia básica de plantas de hidrogênio
  • Licenciamento ambiental de projetos industriais
  • Caldeiraria, tubulação e montagem eletromecânica com conteúdo nacional
  • Instrumentação e medição para certificação de emissões

Janela: Consulta pública até 30/11/2026; edital em janeiro de 2027; créditos de 2030 a 2034.

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