Ministério dos Transportes licita R$ 102,6 bi em rodovias até 2027
Carteira anunciada em 15/10 prevê 11 leilões de rodovias federais em 2027, com R$ 54,9 bi em obras e R$ 47,8 bi em operação e manutenção, segundo o ministério.

O Ministério dos Transportes apresentou em 15 de outubro a carteira de concessões rodoviárias federais para 2027, com 11 projetos e R$ 102,6 bilhões em investimentos previstos ao longo dos contratos, segundo o ministro George Santoro. Do total, R$ 54,9 bilhões estão reservados para obras de duplicação e ampliação de capacidade e R$ 47,8 bilhões para operação e manutenção das vias nas décadas seguintes, conforme detalhou o ministério em apresentação relatada pela Agência Estadão e reproduzida pelo Diário do Comércio. A carteira de rodovias integra um pacote maior de concessões de transporte que, somado às ferrovias, chega a R$ 262,68 bilhões, segundo a Agência iNFRA.
O que muda
- Nove leilões novos. Nove dos 11 projetos são concessões inéditas, somando 3.721 quilômetros de rodovias e R$ 86,2 bilhões em investimentos, segundo o levantamento do ministério.
- Duas renegociações. Os contratos da Transbrasiliana (BR-153/SP) e da Planalto Sul (BR-116/PR/SC) serão renegociados, somando 734 quilômetros e R$ 16,5 bilhões adicionais, de acordo com a mesma apresentação.
- Obras de duplicação e faixa adicional. O pacote prevê 569 quilômetros de duplicação e 550 quilômetros de faixas adicionais nas rodovias contempladas, segundo dados do ministério.
- Aporte público em trechos de baixo tráfego. A carteira passa a admitir modelagens com aporte de recursos públicos para viabilizar tarifas sustentáveis em rodovias com volume de tráfego insuficiente, caso da BR-101 no sul da Bahia, segundo reportagem da Agência iNFRA.
- Seis projetos vieram da carteira anterior. Seis dos 11 projetos já estavam programados para 2026 e foram prorrogados para 2027, segundo o ministério.
Quem é afetado
Os projetos atravessam Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Maranhão e Bahia, de acordo com a lista divulgada pelo ministério. Entre as rotas estão a Rota Integração do Sul (BR-116/158/290/392/RS), a Rota Portuária do Sul (BR-116/392/RS), os lotes Vale do Itajaí e Meio-Oeste em Santa Catarina, a Rota do Café no Rio de Janeiro (BR-393), a Rota Portuária Itaqui no Maranhão (BR-135/316), o lote Norte Catarinense (BR-280/SC), a Rota do Açu no Rio de Janeiro (BR-356) e a Rota Centro-Sul Baiano (BR-101/BA), segundo o detalhamento do ministério. Além das concessionárias que vencerem os leilões, o pacote movimenta fornecedores de pavimentação, terraplenagem, sinalização, obras de arte especiais e projetos de engenharia, e, depois da entrega de cada trecho, empresas de manutenção rodoviária contratadas pelas próprias concessionárias.
Prazos
| Mês previsto | Projeto | Trecho |
|---|---|---|
| Junho | Rota Integração do Sul | BR-116/158/290/392 (RS) |
| Junho | Rota Portuária do Sul | BR-116/392 (RS) |
| Julho | Vale do Itajaí | Rodovias de SC |
| Julho | Meio-Oeste | Rodovias de SC |
| Setembro | Rota do Café | BR-393 (RJ) |
| Outubro | Transbrasiliana (renegociação) | BR-153 (SP) |
| Outubro | Rota Portuária Itaqui | BR-135/316 (MA) |
| Novembro | Norte Catarinense | BR-280 (SC) |
| Novembro | Planalto Sul (renegociação) | BR-116 (PR/SC) |
| Dezembro | Rota do Açu | BR-356 (RJ) |
| Dezembro | Rota Centro-Sul Baiano | BR-101 (BA) |
O cronograma mensal de leilões ao longo de 2027 foi divulgado pelo ministério e reproduzido pela Agência iNFRA. Segundo a mesma reportagem, o ministério ainda não detalhou em quanto tempo, após cada leilão, as obras físicas devem começar em cada trecho.
O que isso significa para quem presta serviço
Para empresas de engenharia, montagem e manutenção que atendem a indústria, a carteira de 2027 funciona como um mapa de onde deve haver contratação de serviço técnico nos próximos anos, segundo o detalhamento do ministério. Cada um dos 11 trechos exige, antes da obra em si, estudos de engenharia, topografia, geotecnia e projetos executivos, etapas normalmente subcontratadas pelas concessionárias vencedoras. Na fase de obras, a duplicação de 569 quilômetros e a criação de 550 quilômetros de faixas adicionais devem demandar empresas de terraplenagem, pavimentação, sinalização viária, drenagem e construção de pontes e viadutos, atividades tipicamente terceirizadas pelo setor rodoviário. Depois de entregue o trecho, os contratos preveem R$ 47,8 bilhões em operação e manutenção ao longo de décadas, o que sustenta demanda recorrente por conservação de pavimento, manutenção de equipamentos de pedágio e sistemas de monitoramento, de acordo com a divisão de valores informada pelo ministério. Prestadores de serviço do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, onde está concentrada a maior parte dos lotes novos e os primeiros leilões do calendário, tendem a sentir o efeito antes do restante do país.
- Quem decidiu
- Ministério dos Transportes / ANTT
- Valor
- R$ 102,6 bilhões (R$ 54,9 bi em obras + R$ 47,8 bi em operação e manutenção)
- Vigência
- Leilões programados ao longo de 2027, conforme cronograma mensal do ministério; execução das obras após assinatura dos contratos
- Publicado em
- 15 de outubro de 2026
Como isso afeta quem vende para a indústria
A carteira de 2027 transforma promessa de governo em calendário concreto de licitação, com R$ 54,9 bilhões reservados só para obras de duplicação e faixa adicional. Para empresas de engenharia e montagem, o cronograma mensal por rodovia permite planejar com antecedência em qual trecho buscar contrato de terraplenagem, pavimentação ou sinalização. Os R$ 47,8 bilhões em operação e manutenção garantem fluxo de serviço recorrente depois da obra, o que interessa especialmente a empresas de manutenção viária de menor porte. A concentração de projetos novos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina deve antecipar a movimentação do mercado de serviços nessas regiões em relação ao restante do país.
- Topografia, geotecnia e projeto executivo
- Terraplenagem e pavimentação
- Sinalização viária e drenagem
- Construção de pontes e viadutos
- Manutenção rodoviária recorrente
Janela: Estudos de engenharia e projetos executivos já podem ser oferecidos agora; as obras físicas devem concentrar a demanda de terraplenagem e pavimentação a partir dos leilões de 2027, começando pelos trechos do Rio Grande do Sul e Santa Catarina (junho e julho).
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- Carteira de concessões de 2027 tem 11 projetos rodoviários e prevê R$ 102,6 bi em investimentos, O Povo, 15 de outubro de 2026
- Carteira de concessões de 2027 tem 11 projetos rodoviários e prevê R$ 102,6 bi em investimentos, Diário de Pernambuco, 15 de outubro de 2026
- Carteira de rodovias para 2027 deve prever modelagem com aporte público, Agência iNFRA, 15 de outubro de 2026
- Leilões rodoviários de 2027 preveem R$ 102,6 bilhões em investimentos, Tribuna do Agreste, 15 de outubro de 2026
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